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domingo, 23 de abril de 2023

Beato MARCELINO ROUCHOUZE, sacerdote Picpus e mártir

(nome de baptismo: João Mário).

Séculos XIX - França

Memória litúrgica a 26 de Maio (?)

Nasceu a 14 Dezembro de 1810 em Saint-Julien en Jarez (França), foi o terceiro membro da Congregação Picpus ou Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Perpétua Adoração ao Sacratíssimo Sacramento, emitiu a profissão de votos religiosos em 1837.

Foi Professore de latim, matemática e filosofia, e enviado para a Bélgica para colaborar nos colégios da Congregação. Num encontro com o Cura d’Ars, em 1852, este disse-lhe: “Meu filho, deve ser sacerdote, pois o bom Deus tem desígnios para si.” Aos 42 anos e seguindo o conselho do Cura d’Ars, foi ordenado sacerdote em 1852.

O martírio de todos os Servos de Deus está suficientemente provado. Eles foram presos em Paris em diferentes momentos e lugares: o P. Enrico Planchat em Quinta-feira Santa, 6 de Abril de 1871, os restantes; Marcelino Rouchouze e os companheiros Policarpo Tuffier e Ladislao Radigue a 12 de Abril, quarta-feira da oitava da Páscoa. Primeiro estiveram encarcerados no quartel da polícia, depois transferidos para a prisão de Mazas e, finalmente, para “La Grande Roquette”.

A 26 de Maio de 1871, foram mortos com grande violência com tiros de rifle e armas afiadas. Os cadáveres foram profanados e ridicularizados pela multidão.

O «odium fidei» (ódio pela fé) foi a principal motivação para as acções dos algozes. Na verdade, a Comuna, além das questões sócio-políticas, tinha óbvias implicações anti-religiosas: para superar o antigo regime e promover novas formas de sociedade, alguns comunais viam na religião cristã e seus expoentes um obstáculo a ser eliminado. Os Servos de Deus só foram presos por serem padres. O «odium fidei» também é confirmado pela fúria perpetrada contra os religiosos pela multidão enfurecida e pelo saque de locais e móveis dedicados ao culto. Na Casa Mãe da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria as Espécies Eucarísticas e os objectos sagrados foram profanados.

Quanto ao martírio formal «ex parte victimarum», os Servos de Deus estavam cientes dos riscos que corriam. Eles poderiam ter deixado Paris, mas preferiram ficar e cumprir seu serviço ministerial. O Servo de Deus Matteo Enrico Planchat, alertado para a possibilidade da sua prisão, permaneceu em seu lugar para confessar os fiéis em vista da Páscoa. Durante o tempo de prisão, os Servos de Deus rezaram e confessaram os outros presos.

A fama de seu martírio e dos sinais espalhou-se logo após sua morte e manteve-se ao longo dos anos, até à actualidade.

Beatificados na Igreja de Saint-Sulpice, Paris, a 22 de Abril de 2023, com os Servos de Deus Henri Planchat, Ladislas Radigue, Polycarpe Tuffier e Frézal Tardieu, pelo Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos.

(cf. Enrico Planchart, Ladislao Radigue e 3 Compagni (causesanti.va)

domingo, 13 de setembro de 2020

São MARCELINO de Cartago,

leigo pai de família e mártir

Século V - África (Cartago, actua Tunísia)

Memória litúrgica a 13 de Setembro

O martírio de Marcelino, alto funcionário imperial e amigo de Santo Agostinho, está ligado ao cisma Donatista que dilacerou e dividiu durante mais de um século a Igreja Africana. Os inícios remontam a 310 quando é contestada a validade da eleição do bispo de Cartago, Ceciliano, por ter sido por bispos “traidores”. Quando o édito de Diocleciano impõe aos cristãos que entreguem os livros Sagrados para serem queimados, aqueles que os entregaram voluntariamente foram apelidados de “traidores” e considerados como pecadores públicos.

Insatisfeitos, os bispos cismáticos (Donatistas) escolheram como novo bispo Donato, (daí o nome de donatistas da seita), dando origem a um cisma, opondo-o ao legítimo bispo Ceciliano.

Donato e os seus seguidores tinham resumido a declaração doutrinária nestes dois pontos: a Igreja é uma sociedade de santos e os sacramentos administrados pelos pecadores são inválidos. Em 313 d.C., uma comissão nomeada pelo Papa Melquíades condenou os donatistas, mas eles continuaram a existir, e consideravam-se a única igreja verdadeira. O pretexto doutrinal na verdade disfarçava oposições regionais e sociais: a Númidia contra a África pró-consular, proletários contra proprietários romanos. É neste ponto que se insere São Marcelino, vítima ilustre dos donatistas.

Marcelino desenvolvia em Cartago as tarefas de tribuno e notário.

Bom pai de família, cristão exemplar, é conhecido como amigo de Santo Agostinho.

Homem bem conhecido, que gozava da estima geral pela sua grande religiosidade: “fama et pietate notissimus”.

Desejoso de aprender, dirige-se a Santo Agostinho para ter clarificações sobre os pontos mais controversos da doutrina Católica. Devemos à louvável curiosidade do piedoso funcionário imperial algumas obras escritas do grande teólogo de Hipona, como o Tratado “Sobre a remissão dos pecados”, “Sobre o Espírito” e o mais célebre “Sobre a Santíssima Trindade”, que Marcelino não pôde ler pois, entretanto, pagou com a vida a coragem de integrar as fileiras da tradição Católica.

Na conferência realizada em Cartago, em 411 entre os bispos Católicos e os Donatistas, Marcelino dá a vitória aos católicos, isto valeu um Édito de proscrição contra os Donatistas, promulgado pelo imperador Honório. Por isto, os Donatistas vingaram-se acusando-o de cumplicidade com o usurpador Heracliano.

A acusação era grave e Marcelino foi condenado à morte a 13 de Setembro.

No ano seguinte o próprio imperador reconheceu o erro cometido pela justiça romana.

Retirada a acusação de cumplicidade entre Marcelino e o rebelde Heracliano, são sancionadas e aprovadas todas as decisões tomadas pelo tribuno Marcelino, que a Igreja honra como mártir por nunca ter cedido a compromissos contra a verdade, mesmo diante da morte.

Cf. Piero Bargellini em http://www.santiebeati.it/dettaglio/48650

Tradução e adaptação: P. Marcelino Caldeira

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020


Santos Marcelino, Argeo e Narciso
mártires
Século IV - Itália
Memória litúrgica a 2 de Janeiro
Floro, seguindo o Martirologio Jeronimiano, a 2 Janeiro, recorda os três irmãos Marcelino, Argeo e Narciso, mártires Tomi.
Marcelino, a quem deu o apelido de «puer» (menino), recrutado para os arqueiros do tempo de Licínio, sendo cristão não quer prestar serviço militar e, depois de ser brutalmente espancado e ter passado algum tempo na prisão, foi lançado ao mar.
Adone acrescenta que Argeo e Narciso foram decapitados e também que o corpo de Marcelino, devolvido à costa, teve piedosa sepultura. Galesino, sem especificar a fonte, atesta que Argeo e Narcisso foram presos enquanto visitavam o irmão na prisão.
As notas de Floro, com os acrescentos de Adone, são no entanto inexactas, até porque, no Martirologio Jeronimiano, nos primeiros dias de Janeiro, as informações são muito confusas. Com efeito, no Martirologio Jeronimiano os três irmãos são celebrados a 3 de Janeiro, enquanto a determinação topografica de Floro, «Tomis in Ponto», deve referir-se aos mártires Stratone, Macrobio e Marciano recordados a 2 de Janeiro, e os acontecimentos do recrutamento e da morte de Marcelino confundem-se com Teogene, mártir de Cizico. Para determinar o lugar onde os mártires foram mortos e o dia exacto da sua festa deve ter-se presente que no Martirologio Jeronimiano a 1 de Janeiro lê-se: «Romae Via Appia coronae et milites XXX». A nota emendada, apresenta-se assim: «Romae, via Appia, miliario XXX, Corano territorio», e essa pertence aos Santos Marcelino, Argeo e Narciso que, na «Passio de São Marciano presbítero», parece terem sido decapitados perto Cori. Os seus restos mortais lá repousaram até que o Papa Leão IV os levou, juntamente com outros, para Roma para a Basílica dos Santi Quattro Coronati em Roma, como se lê na inscrição na parede esquerda da igreja. Por conseguinte considerou-se que Argeo, Narciso e Marcelino estão identificados com os mártires de Cori.
Cf. Mario Salsano em: http://www.santiebeati.it/
Tradução e adaptação: P. Marcelino Caldeira 

quinta-feira, 28 de novembro de 2019


Beato Marcelino Sanchez Fernandez,
mártir dos Missionários Oblatos de Urnieta (de Maria Imaculada)
Século XX - Espanha
Memória litúrgica a 28 de Novembro
Marcelino Sánchez Fernandez nasceu em Santa Marina del Rey, provincia de León e diocese de Astorga, a 30 de Dezembro de 1910.
Os seus pais, Nicolás e Ángela, tiveram oito filhos, os quais morreram em vida dos pais, excepto Marcelino e um outro chamado Angel. Era uma família cristã com boa conduta moral.
Durante a sua infância Marcelino vive num ambiente bom, tranquilo, religioso. Pertencia à Associação dos “Tarsicios”, movimento católico para ensinar aos meninos a devoção a Jesus Eucaristia e a comunhão frequente.
Entrou no Seminário Menor dos Missionários Oblatos de Urnieta (Guipúzcoa). A saúde de Marcelino era precária, o que o obrigou a regressar à casa paterna. Uma vez curado, regressou ao Seminário, e ao ver que não era capaz de continuar os estudos por motivos de saúde, foi orientado para a vocação de irmão Oblato. Assim, a 24 de Março de 1927, começou o noviciado em Las Arenas (Vizcaya) na qualidade de irmão coadjutor e professou a 25 Março de 1928, festa da Encarnação do Senhor. Permanece na comunidade do noviciado, prestando vários serviços como alfaiate e porteiro.
Na origem da sua vocação manifesta-se com força a sua fé para seguir a Vontade de Deus, apesar da situação da sua mãe, paralítica. Dotado de boa vontade e amante da sua vocação religiosa, segue-a fielmente, apesar dos contratempos e achaques de saúde que o impedem de continuar os seus estudos e aceita com humildade abandonar o seu projecto de ser sacerdote para continuar na vida religiosa como irmão coadjutor.
Um sobrevivente, o Padre Felipe Díez, diz destes irmãos Oblatos religiosos como os outros Oblatos, mas não sacerdotes:
Viviam um sacrifício exemplar nos vários serviços que prestavam. Entre outras funções, recordo que o irmão Bocos se dedicava à cozinha, o irmão Eleuterio tratava da limpeza da casa, e o irmão Marcelino Sánchez dedicava-se à alfaiataria, e organização dos hábitos talares (…). Viveram a virtude da pobreza aceitando a realidade da nossa vida plena de carências quanto aos bens materiais, vivendo o Evangelho no amor e na fidelidade ao trabalho, procurando, como diz o Evangelho, “servir e não ser servidos”.
De maneira especial quero sublinhar o exemplo dos irmãos coadjutores que desenvolviam com alegria os serviços mais humildes na comunidade e eram um estímulo para todos. Concretamente, recordo os irmãos Bocos, Sánchez e Prato, que nos dão um exemplo alegre e simples no trabalho quotidiano.
Em 1930, foi inaugurado o Escolasticado ou Seminário Maior em Pozuelo, é destinado a esta nova comunidade e a prestar os seus serviços em várias áreas, principalmente na alfaiataria.
Em 1935, depois de sete anos de votos temporários, faz a sua oblação perpétua e é plenamente integrado na Congregação a que sempre tinha mostrado tanto afecto. É recordado como um religioso fervoroso, devoto da Virgem, que trazia sempre o terço consigo, obediente, serviçal e responsável.
A 22 de Julho de 1936 é preso com toda a comunidade Oblata de Pozuelo de Alarcón; juntamente com todos os prisioneiros é levado à Direcção Geral de Segurança, situada na Praça Puerta del Sol, no centro de Madrid. No dia seguinte regressa à liberdade.
Numa detenção geral é de novo preso e levado para o Cárcere Modelo em Madrid. A 15 Novembro de 1936 é levado para a prisão de Santo Antão (Escola dos Escolápios transformada em prisão), e durante a noite de 27-28 do mesmo mês “é levado” para ser martirizado em Paracuellos del Jarama, a poucos kilómetros de Madrid. Tinha 26 anos.
O Padre Felipe Díez, continua: No momento da morte, disseram-me que um, que pela descrição coincide com o Padre Esteban, nosso Provincial,  pede autorização paradar a absolvição aos seus companheiros. E as suas últimas palavras foram: “Sabemos que nos matais por sermos sacerdotes e religiosos. Perdoamo-vos. Viva Cristo Rei!”

sexta-feira, 22 de novembro de 2019



SERVOS DE DEUS Marcelino
Nas minhas buscas de Servos de Deus, Veneráveis, Beatos e Santos com o meu nome, MARCELINO (35), tenho uma lista de 15 Servos de Deus, que segue, dos quais só sei o nome e que são mártires da Guerra Civil de Espanha.
Se alguém me poder mais informações, sobre eles ou algum deles, fico eternamente agradecido.
Desde já, muito obrigado.

SIERVOS DE DIOS Marcelino
En mi búsqueda de Siervos de Dios, Venerable, Beatos y Santos con mi nombre, MARCELINO (35), tengo una lista de 15 Siervos de Dios, que sigue, de los cuales solo sé el nombre y que son mártires de la Guerra Civil española.
Si alguien puede darme más información sobre ellos o sobre alguno de ellos, estoy eternamente agradecido.
Desde ya muchas gracias.

1. Servo de Deus Marcelino Bochaca Alsina
2. Servo de Deus Marcelino Castellanos Lliura
3. Servo de Deus Marcelino Clavet Ferrés
4. Servo de Deus Marcelino Forcada Blanch
5. Servo de Deus Marcelino González Gimñenez
6. Servo de Deus Marcelino López Hermando
7. Servo de Deus Marcelino Nadal Ramón
8. Servo de Deus Marcelino Pedra Cervera
9. Servo de Deus Marcelino Sallent Moré
10. Servo de Deus Marcelino Sellarés Esquins
11. Servo de Deus Marcelino Serra Canos
12. Servo de Deus Marcelino Segriá Ódena
13. Servo de Deus Marcelino Cid Masó
14. Servo de Deus Marcelino Rodríguez Gatnau
15. Servo de Deus Marcelino Torremadé Español

quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Beato Marcelino Ovejero Gómez,
irmão destinado ao sacerdócio 
da Ordem dos Frades Menores e mártir
Século XX - Espanha
Memória litúrgica a 6 de Novembro
Nasceu em Becedas (Ávila - Espanha), a 13 de Fevereiro de 1913.
Seus pais de humilde condição, foram Paulo (Pablo) e Cristina.
Em 1925, com 12 anos de idade, entrou no Seminário Franciscano de Alcázar de San Juan, onde cursou dois anos de Humanidade, tendo feito o terceiro no de Puebla de Montalbán.
Com 15 anos, tomou o hábito da Ordem dos Frades Menores, a 25 de Agosto de 1928, em Arenas de San Pedro, onde pronunciou os votos temporais, a 26 de Agosto de 1929. Tinha 16 anos de idade. Não chegou a emitir a profissão de votos solenes, nem recebeu Ordens Sacras por estar sujeito ao serviço militar, segundo as leis da Segunda República espanhola.
Em Pastrana fez os três anos de Filosofia, o primeiro de Teologia em Alcázar de San Juan e os restantes três anos de Teologia em Consuegra, tudo isto entre 1929 e 1936, ano em que sofreu o martírio, a 16 de Agosto.
Tímido, bondoso e humilde, frei Marcelino era muito querido e apreciado por todos os seus companheiros. Aluno mediano, obtinha boas classificações, devido ao seu empenho nos estudos. Sempre se mostrou piedoso, cumpridor do dever e respeitoso para com os superiores e professores. Sabia aceitar, sublimar e ultrapassar as contrariedades.
Apesar dos perigos que trouxe a República de 1931 em Espanha, depois do fogo lançado a vários conventos, os seus familiares quiseram levá-lo para a casa paterna na sua terra natal, contudo, frei Marcelino manteve-se firme nos compromissos dos seus votos religiosos e negou-se a sair do seu convento, dando provas de amor à sua vocação e de estar disposto ao martírio, que efectivamente veio a sofrer aos 22 anos de idade, dez dos quais passados na Ordem Franciscana.
Nos primeiros minutos do dia 16 de Agosto, os franciscanos do convento de Consuegra, foram tirados da igreja-prisão. Enquando saíam, o Padre Benigno Prieto del Pozo disse: “Não vos assusteis, irmãos, que vamos para o Céu”. Pouco depois, mandaram que regressassem à igreja-prisão os frades naturais de Consuegra e os irmãos não clérigos (irmãos leigos que não se destinavam ao sacerdócio), num total de oito, que seriam assassinados posteriormente. Os restantes 20 fizeram-nos subir para um camião.
Escoltados por vários carros, nos quais iam o Alcaide (Presidente da Câmara) e os membros do Ayuntamiento (executivo camarário), o camião saiu de Consuegra, passou por Urda e parou num lugar chamado “Boca de Balondillo”, no termo municipal de Fuente el Fresno (Ciudad Real). Os franciscanos, que tinham rezado durante toda a viagem, foram mandados descer do camião e colocar-se em fila a poucos metros da estrada. O Padre Victor Chumillas pediu ao Alcaide que os desatasse, para morrer com os braços em cruz, não lhes foi concedido. Pediu, então, que os fuzilassem de frente e o Alcaide permitiu que se voltassem. Então o Padre Victor disse à comunidade: “Irmãos, elevai os olhos ao Céu e rezai o último Pai Nosso, pois em breves momentos estaremos no Reino dos Céus. E perdoai aos que vos vão dar a morte”. E ao Alcaide disse: “Estamos dispostos a morrer por Cristo”. Imediatamente, frei Saturnino Rio Rojo gritou: “Perdoai-os, Senhor, pois não sabem o que fazem”. Começou a descarga de disparos. Nesse momento, vários dos franciscanos gritaram: “Viva Cristo Rei. Viva a Ordem Franciscana. Perdoai-os, Senhor!”. Eram aproximadamente as 3.45 horas da madrugada de 16 de Agosto de 1936, quando os 20 mártires franciscanos pagaram com a vida a sua fidelidade a Cristo e à sua Igreja (Bento XVI, «Angelus de 28.10.2007).
Os corpos dos vinte mártires franciscanos foram sepultados no cemitério de Fuente el Fresno. Em 1939 foram levados para o cemitério de Consuegra. A 15 de Agosto de 1940, foram os seus corpos transladados para a capela construída para o efeito na igreja do convento franciscano dessa localidade. A 23 de Dezembro de 1982 foram inhumados e depositados definitivamente na Igreja de San Juan de los Reyes em Toledo.
Foram Beatificados, incluídos no numeroso grupo de 498 mártires da perseguição religiosa na Espanha, pelo português, Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Bento XVI, a 28 de Outubro de 2007, na cidade de Roma.

Beato Marcelino Rebollar Campo
(Irmão Julião Marcelino)
religioso Marista e 67 companheiros mártires
Século XX - Espanha
Memória Litúrgica a 6 de Novembro
Marcelino nasceu a 29 de Novembro de 1914, em Tresviso, província de Santander e, na altura, Diocese de Oviedo.
Cumprindo o costume da época, no dia seguinte ao seu nascimento, seus pais, Maximino e Petra, levaram-no a baptizar à Igreja Paroquial da sua terra. Em 1922 foi Confirmado pelo bispo de Oviedo.
Tresviso é uma pequena vila, situada em plenos Picos da Europa, com concelho próprio, pertencia à jurisdição de Potes. Quando Marcelino nasceu, tinha pouco mais de cem habitantes. O terreno do município é montanhoso, muito apropriado para pasto e bosques onde abundam os carvalhos e as faias. Cultivam-se cereais, legumes e árvores de fruto e os abundantes pastos são aproveitados para a criação de gado.
O Senhor abençoou a família de Marcelino com uma especial fecundidade. Os seus pais tiveram oito filhos. Depois da morte da sua mãe, o pai casou em segundas núpcias e teve com a nova esposa mais nove filhos.
Cinco dos filhos consagraram-se a Deus: três foram Irmãos Maristas, um foi sacerdote e um era seminarista quando morreu na defesa de Oviedo em 1937. Neste ambiente familiar, crescia e ia-se formando Marcelino.
Era sério e formal e comportava-se de maneira correcta, ajudando os seus pais no que podia, sobretudo, costumava dedicar-se a guardar o gado, tarefa na qual era muito competente.
Aos dez anos foi para o Colégio dos Maristas de Oviedo. Um dos seus professores recorda que foi muito bom estudante. Passado algum tempo, depois da explicação do catecismo, disse um dia a este mesmo professor que queria ser religioso. Posteriormente, as suas cartas escritas do Seminário Marista ajudaram os seus irmãos a discernir a sua própria vocação.
Com 13 anos, ingressou no Seminário Marista de Venta de Baños (Palência) a 6 de Setembro de 1927, de onde, pouco tempo depois partiu, para Blancotte (França), para prosseguir os seus estudos e aprender o francês. A regressa a Espanha e a 13 de Setembro de 1930 passa noviciado de Tuy (Pontevedra), aqui toma o hábito Marista a 19 de Março de 1931, recebendo o nome de irmão Julião Marcelino. No mesmo dia, um ano depois (1932), emite os seus primeiros votos temporais. Antes que pudesse fazer a sua consagração perpétua, foi vilmente assassinado. A entrega da sua jovem vida a Deus no martírio foi a sua consagração definitiva.
Curta é a lista dos seus destinos, em Agosto de 1932, é enviado para Sahagún, para fazer estágio no ensino. Em Agosto de 1934, é destinado ao Colégio de São José de Madrid, situado na Rua Fuencarral, nº 126. Nesta cidade, foi preso e encarcerado e, nela, conseguiu a graça de morrer mártir.
Era um religioso observante, cheio de caridade e disposto ao sacrifício, que se sentia feliz com a sua vocação de educador e que a exercia com verdadeiro zelo apostólico. Como bom Irmão Marista, mostrava-se humilde, simples e modesto. Era amante do trabalho bem feito e era obediente em tudo.
No dia 15 de agosto de 1936 prenderam-no, juntamente com o irmão Ángel Hipólito e outro irmão, na residência de estudantes e, depois de passar a noite na Direcção Geral de Segurança, levaram-nos para a prisão de Ventas. Nela padeceu inquietações, perigos, inseguranças, privações e mais tratos. Só podia sofrer e rezar para suportar tantas contrariedades.
A 3 de Novembro tiraram-no da prisão de Ventas para mudá-lo para a de Alcalá de Henares. Ficou no caminho. Em Paracuellos del Jarama, nesse mesmo dia, caiu assassinado e foi enterrado numa fossa comum. Ali repousam os seus restos mortais. Tinha 22 anos de idade.
A 13 de Outubro de 2013, com mais 67 irmãos e leigos Maristas, integra o grupo de 522 mártires da Guerra Civil de Espanha, é Beatificado em Tarragona, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco.

terça-feira, 27 de agosto de 2019


São Marcelino e Santa Maneia,
esposos e companheiros, mártires
Século IV - Roménia
Memória Litúrgica a 27 de Agosto
Conjuntamente com a esposa Santa Maniea, São Marcelino encabeça um grupo de cinquenta mártires.
Martirizados na antiga Cítia de Tomis, actual Constanţa, na Roménia, nas margens do Mar Negro. Esta é a versão aceite na última edição do Martyrolgium Romanum, que estabelece a memória litúrgica deste grupo de santos mártires a 27 de Agosto.
Antigas fontes hagiográficas dizem que 17 membros da comunidade cristã, provavelmente da cidade de Ossirinco, foram denunciados ao governador pelos, egípcios de Tebas, tendo-se recusado a cumprir o decreto imperial que impunha o sacrifício aos deuses.
Os cristãos denunciados foram o tribuno Marcelino, a sua esposa Maniea, dois dos seus filhos, o bispo Melezio, três sacerdotes - um deles de nome Serapião -, o soldado Pedro, outros 7 leigos e uma mulher.
Todos foram acorrentados e conduzidos ao governador em Cítia de Tomis. Este tentou persuadi-los a obedecer ao decreto imperial, mas a veemente e repetida recusa valeu-lhes a condenação de serem lançados às feras na Arena. O governador tentou uma última vez demovê-los, com uma pergunta provocatória:
- “Não vos envergonhais de honrar um homem condenado à morte e sepultado há centenas de anos, por ordem de Pôncio Pilatos?”
A provocação não teve qualquer efeito nos condenados.
Segundo os autores das antigas fontes hagiográficas, o bispo Melezio, pronunciou uma profissão de fé na divindade de Jesus Cristo, claramente inspirada na definição dogmática emanada do Concílio de Niceia de 325.
Por fim, os intrépidos cristãos foram decapitados, pois, como diz a lenda, as feras quando foram soltas na Arena não lhe tocaram, nem o fogo que lhe lançaram conseguiu queimá-los.
São Marcelino e Santa Maneia fazem parte da multidão de casais cristãos que na história da humanidade escolheram revestir-se das vestas da santidade, mesmo se amiúde são desconhecidos do grande público.
Fonte: Cf. Fabio Arduino em http://www.santiebeati.it/
Tradução e adaptação: P. Marcelino Caldeira

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Servo de Deus 
Marcelino Ramos Rincón
Século XX - Espanha
Sacerdote Diocesano,
Pároco de Berrocalejo de Abajo (Cáceres)
Memória Litúrgica a 07 de Agosto (?)
Nasceu em Herreruela de Oropesa (Toledo) a 4 de Dezembro de 1901.
Recebeu a ordenação sacerdotal a 15 de Junho de 1924.
Desde 1935 era o pároco de Berrocalejo de Abajo, povoação de região de Cáceres, que à época pertencia à diocese de Ávila.
Desde os primeiros meses de 1936 recebia insultos anónimos.
Depois 18 de Julho, destinam a Igreja paroquial para armazém de alimentos. E a ermida da Virgen de los Remedios para prisão.
Todo o recheio das Igrejas (imagens, retábolos, cálices...) foi destruido.
Os milicianos usaram, numa ocasião, os estilhaços das imagns de um dos retábolos para fazer fogueira e cozinhar, exclamando: ¡Verás como hoje a comida fica bem cozida!... 
Finalmente, um grupo de milicianos prende, na Igreja o Padre Marcelino, que se encontrava ali para consumir as Sagradas Óstias. Pediu para o deixarem ir para a sua terra natal, o que lhe foi concedido.
Há testemunhos que afirmam que até 25 de Julho celebrou a Santa Missa em Herreruela (Toledo). Nesse dia permanece oculto, com a sua irmã, numa casa.
Prendem-no e libertam-no várias vezes.
Por fim, a 7 de Agosto, apresentam-se uns milicianos e ordenam-lhe que os acompanhe. Uma camionte estava-os esperando. Fazem-no subir, saiem em direcção à Calzada de Oropesa (Toledo), e antes de chegar assassinam-no.
Tinha 35 anos de idade e 12 de sacerdote.

quarta-feira, 17 de julho de 2019


Santa Marcelina,
Virgem, irmã de Santo Ambrósio e São Satiro
Século IV - Itália
Memória litúrgica a 17 de Julho
Marcelina nasceu em Roma (ou, segundo outras fontes, em Treviri).
Oriunda de família patrícia (nobre), por volta do ano 327, em plena juventude converteu-se ao cristianismo.
Foi mestra de fé para os seus irmãos mais novos, Satiro e Ambrósio, sobretudo depois da morte da mãe. Ambrósio tornar-se-ia o célebre santo bispo de Milão.
No dia de Natal de 353, recebe, das mãos do Papa Libério na Basílica de São Pedro no Vaticano, o véu virginal, sinal da sua consagração a Deus na Ordem das Virgens.
Em 374, com a eleição do seu irmão Abrósio para bispo de Milão, juntamente com ele e o seu irmão Satiro transfere-se para esta cidade. Na cidade lombarda Marcelina continuou a vida comunitária com as companheiras vindas de Roma.
Morreu em 397, poucos meses depois do seu irmão Ambrósio e foi sepultada na Basílica de Santo Ambrósio em Milão.

quinta-feira, 6 de junho de 2019


São Marcelino José Bento Champagnat,
presbítero e fundador
Século XVIII/XIX – França
Memória litúrgica a 6 de Junho
Marcelino José Bento Champagnat nasce a 20 de Maio de 1789, em Marlhes, aldeia de montanha no Centro-Leste da França. A Revolução acaba de estourar. Ele é o nono filho de uma família cristã. Sua educação é essencialmente familiar. Sua mãe e sua tia religiosa, expulsa do convento, despertam nele fé sólida e profunda devoção a Maria. Seu pai, agricultor e comerciante, possui instrução acima da média; aberto às ideias novas, desempenha um papel político na aldeia e na região. Transmite a Marcelino a habilidade para os trabalhos manuais, o gosto pelo trabalho, o senso das responsabilidades e a abertura às ideias novas.
Quando Marcelino está com 14 anos, um padre o visita e lhe faz descobrir que Deus o chama à vocação sacerdotal. Quando Marcelino, de quase nenhuma escolaridade, vai se meter a estudar, "porque Deus o quer!", os seus familiares, conscientes das suas limitações, procuram dissuadi-lo. Os anos difíceis do Seminário Menor de Verrières (1805-1813) são para ele uma etapa de verdadeiro crescimento humano e espiritual.
No Seminário Maior de Lião, tem por colegas João Maria Vianney, futuro cura d'Ars, e João Cláudio Colin, que será o fundador dos Padres Maristas. Junta-se a um grupo de seminaristas que projeta fundar uma Congregação que abrange padres, religiosas e uma Ordem Terceira, levando o nome de Maria - a "Sociedade de Maria" - para cristianizar a sociedade. Impressionado pelo abandono cultural e espiritual das crianças da campanha, Marcelino sente a urgência de incluir nessa Congregação Irmãos para a educação cristã da juventude: "Não posso ver uma criança sem sentir o desejo de fazer-lhe compreender quanto Jesus Cristo a amou". No dia seguinte de sua ordenação (a 22 de Julho de 1816), esses neo-sacerdotes vão consagrar-se a Maria, colocando seu projeto sob sua proteção no santuário de Nossa Senhora de Fourvière.
Marcelino é enviado como coadjutor na paróquia de La Valla. A visita aos doentes, a catequese das crianças, o atendimento aos pobres, o acompanhamento da vida cristã das famílias, são as atividades do seu ministério. Sua pregação simples e direta, a profunda devoção a Maria e seu zelo apostólico, marcam profundamente os paroquianos. A assistência a um adolescente de 17 anos, às portas da morte e sem conhecer Deus, o perturba profundamente, impelindo-o a executar logo o seu projeto.
A 2 de Janeiro de 1817, apenas a 6 meses de sua chegada a La Valla, Marcelino, o jovem coadjutor de 27 anos, reúne seus dois primeiros discípulos: a Congregação dos Irmãozinhos de Maria, ou Irmãos Maristas, nasce na pobreza e humildade, na total confiança em Deus, sob a proteção de Maria. Além de garantir seu ministério paroquial, forma seus Irmãos, preparando-os para a missão de mestres cristãos, de catequistas, de educadores dos jovens. Vai viver com eles.
Apaixonado pelo Reino de Deus, consciente das imensas carências da juventude e educador nato, Marcelino faz desses jovens camponeses sem cultura apóstolos generosos. Sem tardar abre escolas. As vocações vêm, e a primeira casa, apesar de aumentada pelo próprio Marcelino, torna-se logo pequena demais. As dificuldades são numerosas. O clero em geral não compreende o projeto desse jovem padre inexperiente e sem recursos. Mas as populações rurais não cessam de pedir Irmãos para garantir a instrução cristã das crianças.
Marcelino e seus Irmãos participam na construção de sua nova casa para abrigar mais de cem pessoas e que levará o nome de "Nossa Senhora de l'Hermitage ".
Em 1825, livre da função de coadjutor, pode dedicar-se inteiramente à sua Congregação: à formação e acompanhamento espiritual, pedagógico e apostólico dos seus Irmãos, à visita das escolas, à fundação de novas obras.
Marcelino, homem de fé profunda, não cessa de procurar a vontade de Deus na oração e no diálogo com as autoridades religiosas e com seus Irmãos. Bem consciente de suas limitações, conta apenas com Deus e a proteção de Maria, a "Boa Mãe", o "Recurso Habitual", a "Primeira Superiora". Sua grande humildade, seu senso profundo da presença de Deus, fazem-lhe superar, com muita paz interior, as numerosas provações. Reza amiúde o Salmo 126: "Se o Senhor não constrói a casa", convencido de que a Congregação dos Irmãos é obra de Deus, obra de Maria. "Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus" é sua divisa.
"Tornar Jesus Cristo conhecido e amado" é a missão dos Irmãos. A escola é o meio privilegiado para essa missão de evangelização. Marcelino inculca a seus discípulos o respeito, o amor às crianças, a atenção aos mais pobres, aos mais ingratos, aos mais abandonados, especialmente os órfãos. A presença prolongada entre os jovens, a simplicidade, o espírito de família, o amor ao trabalho, o agir em tudo do jeito de Maria, são os pontos essenciais de sua concepção educativa.
Em 1836, a Igreja reconhece a Sociedade de Maria e lhe confia a missão da Oceania. Marcelino pronuncia seus votos como membro da Sociedade de Maria. Envia três Irmãos com os primeiros Padres Maristas missionários nas ilhas do Pacífico. "Todas as dioceses do mundo entram nos nossos planos", escreve.
As providências concernentes à autorização legal de sua Congregação exigem dele muito tempo, energia e espírito de fé. Não cessa de repetir: "Quando temos Deus a nosso favor, quando depositamos nele nossas esperanças, nada é impossível".
A doença prevalece sobre sua robusta constituição. Esgotado pelo trabalho, morre aos 51 anos de idade, a 6 de Junho de 1840, deixando aos seus Irmãos esta mensagem: "Que haja entre vocês um só coração e um só espírito! Que se possa dizer dos Irmãozinhos de Maria como dos primeiros cristãos: 'Vejam como eles se amam!'".
Em 1955, Padre Marcelino Champagnat é proclamado Beato, pelo Papa Pio XII.
Em 18 de Abril de 1999, é canonizado pelo Papa São João Paulo II.

domingo, 2 de junho de 2019


São Marcelino e São Pedro,
presbítero e exorcista mártires
Século II/III – Itália
Memória litúrgica a 2 de Junho
A mais antiga notícia do martírio de Marcelino e Pedro que, ocorreu durante a perseguição de Diocleciano por volta do ano 304, foi-nos dada pelo Papa São Dâmaso (37º Papa de 366 a 384, natural de Guimarães ou Idanha-a-Nova), o qua assegurava tê-la recebido, na juventude, da boca do próprio carrasco.
Segundo o testemunho do Papa, o juiz ordenou que os dois mártires fossem decapitados num recanto perdido de uma espessa floresta, para que as suas sepulturas permanecessem desconhecidas. Conduzidos ao local da execução, cavaram a suas sepulturas com as próprias mãos, nas quais permaneceram ignorados até que a piedosa nobre romana Lucília, depois de tomar conhecimento do sucedido, teve o cuidado de os transferir para outra sepultura.
A sua sepultura está referenciada no Martirologio Jeronimiano, o qual atesta que Marcelino era presbítero e Pedro exorcista e comemora-os a 2 de Julho, no cemitério de «Duas Lauros» na terceira milha da Via Labicana. Lá acorreram os peregrinos a partir do século VII, enquanto o «dies natalis» é atestado unanimemente por todos os livros litúrgicos (Sacramentais) e hagiográficas (martiriológicos históricos.)
Segundo o autor do «Liber Pontificalis», Costantino mandou construir, em sua honra, uma basílica, o poema que o Papa Dâmaso havia colocado em seu túmulo foi destruído pelos Godos, mas o Papa Vigílio refá-lo, inserindo os nomes dos dois mártires também no Cânon da Missa.
Ao mesmo período deve atribuir-se a sua memória na liturgia ambrosiana e a dedicação de uma outra Igreja a eles dedicada na via Labicana (no cruzamento da via Merulana), já atestada no sínodo romano de 595.
Quase na mesma altura foi composta uma «Passio» (BHL, II, o. 776, n. 5230), em que a melhor parte mais não faz que, parafrasear o poema de São Dâmaso, mas acrescenta fantásticas notícias segundo as quais os nossos santos tiveram relação com os mártires Artemio, Seconda e Paolina (v. BSS. II, col. 490), que teriam sido assassinados na 12ª milha da via Aurelia, numa localidade que, segundo os autores da «Passio», se chamava Silva Candida (antiga Lorium), que o carrasco se chamava Doroteo e que na velhice se converteu ao cristianismo recebendo o Baptismo das mãos do Papa Júlio I.
Segundo o relacto de Eginardo nasce a fundamentada suspeita de que no século IX, quando as igrejas cristãs que passaram a ser construídas no território da antiga Germânia, o recém-convertido e famigerado diácono Deusdona, precisava de relíquias, as de Marcelino e Pedro foram transferidas das catacumbas para Seligenstadt.
A igreja foi novamente restaurada em 1256 pelo papa Alexandre IV e as relíquias foram trazidas de volta.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019


Venerável Servo de Deus Marcelino da Capradosso,
irmão leigo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos
Século XIX-XX – Itália
Memória a 26 de Fevereiro
Frei Marcelino Maoloni de Capradosso di Rotella (AP) nasceu em 22 de Setembro de 1873, em Villa Sambuco di Castel di Lama (Ascoli Piceno), filho de Pasquale Maoloni e Serafina Caioni, quarto de seis filhos. Por razões de trabalho, a família se transferiu pouco depois do nascimento de Giovanni para Capradosso. Desde a infância foi admirado pelos seus conterrâneos pela sua profunda piedade para com Deus, pela sua humidade e disposição para a penitência.
Por causa da modesta economia familiar, Giovanni não pôde participar das aulas escolares, seus braços eram muito preciosos no campo, aprendendo a ler e escrever sozinho. Seu pároco, Padre Giovanni Michelessi, guiou-o na vida espiritual, reconhecendo nele um jovem de coração generoso e puro.
Como todos os jovens de sua idade, pensou em formar uma família, mas preponderante se apresentou nele o chamado à vida religiosa. O pai, já idoso e sem forças, aconselhou-o prudentemente a esperar enquanto o irmão mais novo Emidio não tivesse alcançado a segurança económica, para poder substitui-lo nos trabalhos agrícolas e no sustento da família. Acolhendo o desejo do pai, esperou três anos.
Finalmente, em 6 de Abril de 1902, Giovanni, com a idade de 28 anos, pôde seguir a sua vocação dirigindo-se, na calada da noite, ao convento dos Capuchinhos de Ascoli Piceno. Aí, foi alcançado pelo irmão mais velho Vincenzo, determinado a dissuadi-lo de seu propósito, até com a violência, e não apenas verbal. Giovanni se deixou bater sem responder nada. Dez dias depois, iniciou o noviciado em Fossombrone, recebendo o seu novo nome: Frei Marcelino de Capradosso.
Após uma formação dura e intensa (são deste período as suas lutas com o demónio e as visões marianas, que produziram também em seus superiores um senso de estranheza), emitia a profissão simples em 27 de Abril de 1903. Ao término do noviciado, Frei Marcelino era um homem maduro de 30 anos, treinado na virtude e na oração, de grandes dotes humanos, grande trabalhador, sempre pronto à obediência, dedicado às penitências, inclusive a flagelação, sempre pronto ao coro; foi convidado ao convento de Fermo, onde estava presente uma fraternidade formadora.
A sua atividade prevalente não estava vinculada a uma obediência explícita, mas a uma série de encargos que, normalmente, os irmãos leigos neoprofessos recebiam: auxiliar de cozinha, onde, sem experiência, nem sempre esteve à altura; hortelão, no qual pôde contar com seus precedentes anos de trabalho agrícola e foi muito bem-sucedido; enfermeiro, sempre solícito e caridoso para com os doentes.
Considerado maduro na vocação e forte na virtude, foi encarregado pela esmola, encarando também longos períodos de ausência do convento; dormindo e se alimentando como hóspede de famílias e de casas paroquiais; jejuando até tarde para poder receber a eucaristia; encontrando as pessoas e levando-lhes uma boa palavra.
O seu emblema era a bolsa que levava a tiracolo, uma bolsa que abria as portas e as almas. Difundiu-se aos poucos a fama da sua vida religiosa excelente, acompanhada por aqueles pequenos sinais extraordinários típicos da tradição franciscana dos fioretti: favas murchas que regeneravam, ou barris vazios, dos quais jorrou vinho, ou de um barril pesadíssimo que conseguiu transportar sozinho.
Ia aos pobres e ricos sem distinção, pedindo por amor de Deus a caridade para seus frades, retribuindo-a com aquela espiritual, pois o que não se merece é o que mais se precisa. As suas mendicâncias foram obra de extraordinária evangelização do mundo rural, que, por experiência, conhecia tão bem.
Entre os momentos mais intensos e significativos da vida simples e linear de Frei Marcelino, esteve a assistência a um jovem confrade, Frei Serafino de Pollenza, gravemente enfermo de tuberculose. Por cerca de seis meses, foi ao seu encontro em todas as suas necessidades materiais e espirituais, confortando-o com as palavras da fé e da caridade, pondo em prática a sua natural predisposição para com as dores alheias, que fazia suas e jamais se cansava de aliviar.
Terminado seu serviço ao enfermo, pediu para partir em missão ao Brasil, mas, após certo tempo, o Servo de Deus adoeceu, provavelmente por contágio, de peritonite tuberculosa. Em 24 de Agosto de 1908, foi internado no Hospital Humberto I de Fermo, onde foi submetido, sem clorofórmio, a uma operação cirúrgica, deixando-o com a ferida aberta para permitir a saída de pus. Os sofrimentos foram fortes, aceitados pelo Servo de Deus sem se lamentar e com ânimo alegre, sorridente, proclamando-se o homem mais feliz do mundo, em um sereno abandono em Jesus. Os últimos dois meses, não conseguindo mais ficar em pé, passou-os completamente acamado, na oração contínua e no sacrifício de si, agradecendo por cada pequeno serviço recebido.
Recebendo alta do hospital, morreu no convento em 26 de Fevereiro de 1909, com 36 anos de idade, após ter recebido a unção dos enfermos e o viático. A enfermidade foi vivida pelo Venerável Servo de Deus por amor a Cristo, tendo bem presente a glória do Paraíso.
Uma grave doença torna-o num verdadeiro mártir e prepara-o para o Reino dos Céus. Morreu no Convento dos Capuchinhos de Fermo, a 26 de Fevereiro de 1909.
Em 7 de Novembro de 2017, a Assembleia Ordinária dos Cardeais e Bispos da Congregação para as Causas dos Santos deu voto positivo, reconhecendo as virtudes heroicas do Servo de Deus Marcelino de Capradosso (1873-1909), professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da Província das Marcas.
O Santo Padre, em 8 de Novembro de 2017, autorizou a promulgação do Decreto.
Ainda nos nossos dias são assinaladas graças obtivas pela sua intercessão.
Para conseguir imagens, biografias e comunicar “graças” obtidas pela sua intercessão, dirigir-se a:
VICE POSTULAZIONE del Servo di Dio Marcellino da Capradosso
CONVENTO CAPPUCCINI
63023 FERMO (AP)
Itália - Tel. 0734/219379

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Em dia de BEATO MARCELINO Martín Rubio e 17 companheiros mártires Trapistas Século XX - Espanha Memória litúrgica a 4 de Dezembro “Entre os mártires há um noviço de 23 anos, frei Marcelino Martín Rubio, aberto e alegre, que no momento da prisão não escondeu a sua condição de religioso". O Beato Marcelino Martín Rubio, nasceu a 4 de Novembro de 1913, em Espinosa de Villagonzalo, província de Palência, Espanha. Aos 15 anos, entrou como oblato na Abadia Cistercience de Estricta Observância (Trapistas) de Viaceli, iniciando o noviciado em 1931, o qual abandonou ao fim de dois anos. Em 1935 regressou ao mosteiro como monge de coro. À época do martírio era noviço. Preso e depois libertado, foi novamente preso e seguiu a sorte dos demais irmãos. Pelas cartas dirigidas a uma tia, monja cisterciense, pode-se observar o processo martirial dele e de todos os seus companheiros. Aberto e de carácter muito alegre, não ocultou a sua condição de religioso no momento da sua detenção final. A 8 de Setembro de 1936 a comunidade foi obrigada a abandonar o seu mosteiro, foram encarcerados e sofreram insultos e vexames. Alguns dias depois foram libertados. Mas, no espaço de poucas semanas, com o pretexto de fazer indagações sobre a proveniência dos seus meios de sustento, foram novamente presos em dois grupos diferentes e assassinados no dia 3 e 4 de Dezembro. A causa de sua morte foi a de identificar-se - exclusivamente - como cristãos e religiosos. A fé foi o motivo da sua prisão e execução, com a agravante de uma procura de dinheiro por parte dos perseguidores. Os Servos de Deus sabiam muito bem o grave perigo que corriam e viveram a sua consagração até ao derramamento do sangue. Uma fé clara, uma caridade sincera e uma esperança inquebrantável concederam-lhe fortaleza para viver até às últimas consequências a sua fidelidade a Cristo e à Igreja. Jamais renegaram a sua condição de religiosos e prepararam-se conscientemente para caminhar, passando pela morte, ao encontro do seu Senhor. Depois, foram levados a bordo de uma barcaça para fora da baía de Santander e depois de lhes cozerem a boca com arames pois “iam a rezar”. Pensavam assim calá-los, a eles, que durante anos se reuniram na Igreja do Mosteiro para, sete vezes ao dia, começar a sua liturgia com as palavras: “Abri, Senhor os meus lábios e a minha boca cantará o Vosso louvor!”. Certamente que fecharam as suas bocas, mas estavam certos de que o louvor ao seu Criador e Redentor, mesmo nos momentos de dor e aparente fracasso, não cessaria. Os seus irmãos, os que viriam depois, continuariam esse louvor, abririam de novo as suas bocas acompanhando-os e confortando-os desde outro lugar com uma presença gozosa e renovada. Foram lançados ao mar com pesados pesos atados aos pés. Lançados às frias águas do Cantábrico, aquele mar que tantas vezes contemplaram desde as janelas do seu mosteiro, umas vezes sereno e azul outras cinzento e encrespado. Frei Marcelino será feito prisioneiro alguns dias mais tarde, sofrendo a mesma sorte do resto dos monges. Tinha 23 anos de idade. O mais jovem dos mártires contava 20 anos (havia vários no grupo com menos de 25 anos) e o mais velho tinha 68. O testemunho destes mártires ilumina e inspira o nosso momento histórico. Os mártires ensinam-nos o amor à Verdade frente ao relativismo e ao fundamentalismo dos nossos dias. Frente ao “vale tudo” e frente ao “nada faz mal”, os nossos mártires recordam-nos que há ideais que são demasiado grandes para regatear o preço a pagar por eles. O martírio indica-nos onde se encontra a verdade do Homem, a sua grandeza e dignidade, a sua liberdade mais genuína e o comportamento mais verdadeiro e próprio do Homem que é inseparável do amor: por isso, o martírio é uma exaltação da perfeita «humanidade» e da verdadeira vida da pessoa. Os mártires são testemunho da fidelidade do homem à sua consciência bem formada como limite de todo o poder e garantia da sua semelhança divina. Foi Beatificado com os seus companheiros no passado dia 3 de Outubro (2015), na catedral de Santander, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco. Fonte: cf. Página Web da O.C.S.O BEATO MARCELINO Martín Rubio, rogai por nós.