segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ofício da Bem-aventurada Virgem Santa Maria do Monte Tabor

Vésperas I

V. Deus, vinde. Glória ao Pai....

Hino[1]

Ao entardecer, vimos Senhor, 

com palavras da «Totta Pulcra»,

cantar-Vos um hino de louvor

e bendizer a Virgem sempre Pura.

 

Glória a Vós, Senhor, Pai Santo,

que do meio da nuvem luminosa, 

nos dizeis com grande encanto,

de escutar a Vossa Palavra Bondosa.

 

A minha alma Vos glorifica Senhor,

tal como o fez a Virgem Santa,

pois nos mandais escutar no Tabor,

a Sua Palavra que encanta.

 

Bendito sejais, três vezes Santo,

por Vossa imensa bondade,

pois na Senhora do Amor Perfeito,

nos dais um hino santidade.

 

Glória à Vós, Pai Eterno,

Glória a Vós, Filho Jesus,

Glória a Vós, Espírito Paráclito.

Bendita a Mãe que nos conduz.

Salmodia

Ant. 1 Bendita sejais, ó Virgem Maria, que trouxestes em vosso seio o Criador do universo.

Salmo 112 (113)

1Louvai, servos do Senhor, *

louvai o nome do Senhor.

2Bendito seja o nome do Senhor, *

agora e para sempre.

3Desde o nascer ao pôr do sol, *

seja louvado o nome do Senhor.

4O Senhor domina sobre todos os povos, *

a sua glória está acima dos céus.

5Quem se compara ao Senhor nosso Deus, *

que tem o seu trono nas alturas,

6e Se inclina lá do alto *

a olhar o céu e a terra?

7Levanta do pó o indigente *

e tira o pobre da miséria,

8para o fazer sentar com os grandes, *

com os grandes do seu povo

9e, no lar, transforma a estéril *

em ditosa mãe de família.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

como era no princípio, agora e sempre. Amen.

Ant. 1 Bendita sejais, ó Virgem Maria, que trouxestes em vosso seio o Criador do universo.

 

Ant. 2 Gerastes Aquele que Vos criou e permaneceis Virgem para sempre.

Salmo 147 (147 B)

12 Glorifica, Jerusalém, o Senhor, *

louva, Sião, o teu Deus.

13 Ele reforçou as tuas portas *

e abençoou os teus filhos.

14 Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras *

e saciou-te com a flor da farinha.

15 Envia à terra a sua palavra, *

corre veloz a sua mensagem.

16 Faz cair a neve como lã, *

espalha a geada como cinza.

17 Faz cair o granizo como migalhas de pão *

e com o seu frio gelam as águas.

18 Envia a sua palavra e derrete-as, *

faz soprar o vento e correm as águas.

19 Revelou a sua palavra a Jacob, *

suas leis e preceitos a Israel.

20 Não fez assim com nenhum outro povo, *

a nenhum outro manifestou os seus juízos

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

como era no princípio, agora e sempre. Amen.

Ant. 2 Gerastes Aquele que Vos criou e permaneceis Virgem para sempre.

 

Ant. 3 Bendita por Deus entre todas as mulheres, por Vós recebemos o Autor da vida.

Cântico Ef 1, 3-10

3Bendito seja Deus, *

Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

4que do alto do Céu nos abençoou, *

com todas as bênçãos espirituais em Cristo.

5Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, *

para sermos santos e irrepreensíveis,

em caridade, na sua presença.

6Ele nos predestinou, de sua livre vontade, *

para sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo,

7para que fosse enaltecida a glória da sua graça, *

com a qual nos favoreceu em seu amado Filho;

n’Ele temos a redenção, pelo seu Sangue, *

a remissão dos nossos pecados;

segundo a riqueza da sua graça, *

8que Ele nos concedeu em abundância,

com plena sabedoria e inteligência, *

9deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade,

segundo o beneplácito que n’Ele de antemão estabelecera, *

10para se realizar na plenitude dos tempos:

instaurar todas as coisas em Cristo, *

tudo o que há nos céus e na terra.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

como era no princípio, agora e sempre. Amen.

Ant. 3 Bendita por Deus entre todas as mulheres, por Vós recebemos o Autor da vida.

Leitura Breve                                                                           Gal 4, 4-5

Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sob o jugo da Lei e nos tornar seus filhos adoptivos.

Responsório Breve

V. Depois do parto, ó Maria, permanecestes sempre Virgem.

R. Depois do parto, ó Maria, permanecestes sempre Virgem,

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.

R. Permanecestes sempre Virgem.

V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

R. Depois do parto, ó Maria, permanecestes sempre Virgem.

Cântico Evangélico                                                     (Magnificat)

Ant. Todas as gerações Me chamarão bem-aventurada, porque o Senhor olhou para a humildade da sua serva.

Cântico Lc 1, 46-55

46A minha alma glorifica ao Senhor *

47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: *

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *

Santo é o seu nome.

50A sua misericórdia se estende de geração em geração *

sobre aqueles que O temem.

51Manifestou o poder do seu braço *

e dispersou os soberbos.

52Derrubou os poderosos de seus tronos *

e exaltou os humildes.

53Aos famintos encheu de bens *

e aos ricos despediu de mãos vazias.

54Acolheu a Israel, seu servo, *

lembrado da sua misericórdia,

55como tinha prometido a nossos pais, *

a Abraão e à sua descendência para sempre.

Glória ao Pai e ao Filho* 

e ao Espírito Santo,

como era no princípio, *

agora e sempre. Amen.

Ant. Todas as gerações Me chamarão bem-aventurada, porque o Senhor olhou para a humildade da sua serva.

Preces

Deus Pai todo-poderoso quis que Maria, Mãe de seu Filho, fosse honrada por todas as gerações. Proclamemos a sua grandeza e peçamos humildemente:

R. Interceda por nós a Rainha do Monte Tabor.

Deus, Autor de tantas maravilhas, que elevastes ao Céu a Imaculada Virgem Maria, para a tornar participante, em corpo e alma, da glória de Cristo,

- orientai para a mesma glória o coração dos vossos filhos.

Vós que nos destes Maria por Mãe, concedei, pela sua intercessão, remédio aos enfermos, consolação aos tristes, perdão aos pecadores,

- e a todos dai saúde e paz.

Vós que fizestes de Maria a cheia de graça,

- concedei a abundância da vossa graça a todos os homens.

Fazei, Senhor, que a vossa Igreja seja, na caridade, um só co ração e uma só alma

- e que todos os fiéis perseverem unânimes na oração com Maria, Mãe de Jesus.

Vós que coroastes Maria como Rainha do Céu,

- fazei que os defuntos alcancem com todos os Santos a alegria do vosso reino.

Pai-nosso

Oração como nas Laudes

Venha em nossa ajuda, Senhor, a poderosa intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, Senhora do Monte Tabor, para que, protegidos pelo seu auxílio, cheguemos ao verdadeiro monte da salvação, Jesus Cristo Transfigurado e Nosso Senhor que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

R. Ámen.



[1] Hino de Nossa Senhora do Monte Tabor, um servidor, mês de Julho de 2026.

 - Tríduo -
Festa de Nossa Senhora do Monte Tabor
27 de Julho de 2026
3º Dia

 

Abri Senhor os meus lábios.

E a minha Boca Anunciará o Vosso louvor.

 

“Enquanto Ele falava, uma mulher, levantando a voz do meio da multidão, disse: «Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!» Ele, porém, retorquiu: «Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática.»”

(Lc 11, 27-28)

 

Santa Mãe do Redentor, Porta do Céu, Estrela do mar,

socorrei o povo cristão

que procura levantar-se do abismo da culpa.

Vós que, acolhendo a saudação do Anjo,

gerastes, com admiração da natureza,

o vosso santo Criador, ó sempre Virgem Maria,

tende misericórdia dos pecadores. Ámen.

 

“Jesus chama-vos sobretudo a viver uma experiência de amizade com Ele e com os companheiros de caminho (cf. Mc 3, 13); uma experiência destinada a crescer de modo permanente … envolvendo todos os aspetos da vida. Com efeito, não há nada em vós que deve ser descartado, mas tudo deverá ser assumido e transfigurado na lógica do grão de trigo, para vos tornardes pessoas e sacerdotes felizes, “pontes”, não obstáculos ao encontro com Cristo para todos aqueles que se aproximam de vós. Sim, Ele deve crescer e nós devemos diminuir, para podermos ser pastores segundo o seu Coração.” Leão XIV, «Meditação», Jubileu dos Seminarista, Basílica de São Pedro, Altar da Confissão, Terça-feira, 25/06/2025.

 

Venha em nossa ajuda, Senhor,

a poderosa intercessão

da bem-aventurada Virgem Maria,

Senhora do Monte Tabor,

para que, protegidos pelo seu auxílio,

cheguemos ao verdadeiro monte da salvação,

Jesus Cristo Transfigurado e Nosso Senhor

que é Deus e convosco vive e reina,

na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos.

 

O Senhor nos abençoe. Nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ámen.

domingo, 26 de julho de 2026

 - Tríduo -
Festa de Nossa Senhora do Monte Tabor
26 de Julho de 2026
2º Dia

 

Abri Senhor os meus lábios.

E a minha Boca Anunciará o Vosso louvor. 

«Felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.»

(Lc 11, 27)

Deus Vos salve, Rainha dos Céus,

Deus Vos salve, Senhora dos Anjos,

Deus Vos salve, Raiz e Porta

por onde veio a luz ao mundo.

Alegrai-Vos, ó Virgem gloriosa,

a mais bela entre todas as mulheres.

Santa Mãe de Deus,

intercedei por nós, diante do vosso Filho. Ámen.

 

“... Perante Isabel, que lhe anuncia que se tornou a mãe do Senhor, Maria irrompe num hino de louvor e de alegria: a sua alma glorifica o Senhor e o seu espírito exulta em Deus, seu Salvador, porque Ele escolheu para o seu desígnio de salvação uma jovem, pobre e humilde. Improvisamente, Maria vê toda a história com os olhos desta descoberta. Nada mudou à sua volta: a situação sociopolítica da sua época permanece a mesma, com os romanos a dominarem a sua terra e o seu povo dividido e humilhado. No entanto, tudo mudou dentro dela, e isso permite-lhe ver o invisível. Deus já manifestou o poder do seu braço, já dispersou os soberbos, derrubou os poderosos, exaltou os humildes, encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Ele já socorreu Israel, seu servo. Deus «declara-se da parte dos últimos. O seu é um projeto que com frequência está escondido sob o terreno obscuro das vicissitudes humanas, que veem triunfar “os soberbos, os poderosos e os ricos”. Contudo a sua força secreta está destinada a revelar-se no final».

Da Encíclica do Leão XIV, «MAGNIFICA HUMANITAS», 243

 

Venha em nossa ajuda, Senhor,

a poderosa intercessão

da bem-aventurada Virgem Maria,

Senhora do Monte Tabor,

para que, protegidos pelo seu auxílio,

cheguemos ao verdadeiro monte da salvação,

Jesus Cristo Transfigurado e Nosso Senhor

que é Deus e convosco vive e reina,

na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos.

 

O Senhor nos abençoe. Nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ámen.

sábado, 25 de julho de 2026

- Tríduo -

Festa de Nossa Senhora do Monte Tabor

25 de Julho de 2026

1º Dia

Abri Senhor os meus lábios.

E a minha Boca Anunciará o Vosso louvor.

“A minha alma glorifica o Senhor 

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”

(Lc 1, 46-47)

À vossa protecção nos acolhemos,

Santa Mãe de Deus.

Não desprezeis as nossas súplicas

em nossas necessidades;

mas livrai-nos de todos os perigos,

ó Virgem gloriosa e bendita. Ámen.

 

“Olhemos, para a nossa existência como um caminho no seguimento de Jesus, a percorrer, com Maria. E peçamos ao Senhor para saber louvá-lo todos os dias, «com a vida e com a língua, com o coração e com os lábios, com a voz e com a conduta», evitando desarmonias: a língua em sintonia com a vida, e os lábios com a consciência.”

Leão XIV, 31/05/2025

 

Venha em nossa ajuda, Senhor,

a poderosa intercessão

da bem-aventurada Virgem Maria,

Senhora do Monte Tabor,

para que, protegidos pelo seu auxílio,

cheguemos ao verdadeiro monte da salvação,

Jesus Cristo Transfigurado e Nosso Senhor

que é Deus e convosco vive e reina,

na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos.

 

O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ámen.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Palavra de Vida

Julho 2026

Letizia Magri  e equipa da Palavra de Vida

 

«E aquele que recebeu a semente em boa terra

é o que ouve a Palavra e a compreende:

esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta»

(Mt 13,23)

Depois de ter falado em parábolas a uma grande multidão, à beira do lago de Tiberíades, Jesus dirige-se aos discípulos e explica-lhes o significado profundo das suas palavras.

A protagonista da nossa narrativa é a Palavra de Deus, comparada a uma semente pequena e frágil. As pedras, os espinhos e os pássaros podem impedir que ela germine, que crie raízes e produza espigas maduras, mas o sábio semeador conhece a sua surpreendente vitalidade.

Através destas imagens, Jesus revela o relacionamento entre o ser humano e a Palavra que Deus oferece com abundância. Há quem a acolha e há quem, por vários motivos, a deixe cair sem produzir fruto. De facto, no coração humano, a superficialidade e as excessivas preocupações materiais ameaçam o milagre da vida sobrenatural, que o próprio Deus deseja acender nas suas criaturas.

Também nós, como os discípulos, somos convidados por Jesus a entrar no humilde mistério do amor de Deus e, ao mesmo tempo, somos interpelados pessoalmente para uma decisão: que tipo de “terra” queremos ser?

«E aquele que recebeu a semente em boa terra

é o que ouve a Palavra e a compreende:

esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta»

(Mt 13,23)

Ouvir e compreender: está aqui o segredo para fazer de nós uma terra acolhedora, onde a semente da Palavra pode manifestar a sua força e produzir bons frutos.

Quão preciosa é a disponibilidade para escutar: é o espaço espiritual onde se dá lugar à vida de Deus, que sempre nos precede com a sua misericórdia, com a paciência do trabalhador que conhece e respeita os tempos da maturação.

Como escreveu Chiara Lubich, as palavras de Deus «iluminam interiormente não apenas o pensamento, mas todo o nosso ser, porque são luz, amor e vida. Dão paz – aquela que Jesus chama sua: “a minha paz” – mesmo nos momentos de desorientação e angústia. Dão alegria plena até no meio do sofrimento que por vezes oprime a alma. Dão força sobretudo quando surge o desânimo ou nos falta a coragem. Tornam-nos livres porque abrem o caminho da Verdade. […] Também em nós deve nascer um amor apaixonado pela Palavra de Deus: escutamo-la com atenção quando é proclamada nas igrejas, lemo-la, estudamo-la, meditamo-la… Mas, acima de tudo, somos chamados a vivê-la. […] Vivendo uma palavra de Jesus, vivemos todo o Evangelho, porque em cada uma das suas palavras Ele dá-se totalmente, Ele próprio vem viver em nós […] e substitui a nossa maneira de pensar, de querer e de agir em todas as circunstâncias da vida» [C. Lubich, Palavra de Vida de março de 2003, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi, (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma, 2017, pp. 684-685].

«E aquele que recebeu a semente em boa terra

é o que ouve a Palavra e a compreende:

esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta»

(Mt 13,23)

Wambil, do México, conta-nos: «Houve um tempo em que me sentia aprisionado num buraco profundo. Estava numa relação violenta e tentava fugir e resolver tudo com as minhas próprias forças. Influenciado pelas redes sociais e pelo ruído exterior, muitas vezes corria atrás de coisas que não eram guiadas por Deus. Apesar de todos os meus esforços, continuava a sentir-me vazio e sem rumo. Sabia que o amor é uma linguagem universal. Quando comecei a fazer voluntariado, encontrei uma realização que só podia vir de Deus. Com o tempo, descobri um lugar onde podia ouvir a Sua palavra e crescer na relação com Ele. Estou profundamente grato.»

Mesmo quando nos sentimos terra árida e pedregosa, é a própria Palavra que se torna eficaz, como revela o profeta Isaías: «Assim como a chuva e a neve, que descem do céu, não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, (…) assim a palavra, que sai da minha boca, não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão.» (Is 55,10-11).

Apoiados por esta esperança, num tempo dominado por medos e tensões, cultivemos também a confiança nas mulheres e nos homens com quem partilhamos a vida. Acreditemos na sua capacidade de dar bons frutos, criando ocasiões de escuta e diálogo, para caminharmos juntos rumo ao horizonte da fraternidade.

sábado, 13 de junho de 2026

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV

AOS SACERDOTES POR OCASIÃO DO

DIA DA SANTIFICAÇAO DOS SACERDOTES

[Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, 12 de junho de 2026]

Queridos irmãos sacerdotes,

no dia em que a Igreja contempla o Coração trespassado do seu Senhor, do qual brota uma fonte inesgotável de paz e unidade para todo o género humano, dirijo, em primeiro lugar, a mim mesmo e a todos vós as palavras que Deus disse ao povo de Israel: «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo» (Lv 19, 2; cf. 1 Pt 1, 16). Este chamamento divino percorre os séculos, ressoando também hoje com força para todos os crentes e, de forma particularmente exigente, para nós, sacerdotes. A santidade não é uma opção entre tantas outras, nem um ideal abstrato: ela interpela a própria identidade de toda pessoa que deseja participar na vida do Ressuscitado.

A santidade é participação no mistério de Cristo

Deus convida-nos a participar na sua própria santidade. Quando nos chama a ser santos porque Ele é santo, indica-nos o caminho a seguir: deixarmo-nos moldar segundo o seu Coração. E para nós, caríssimos irmãos, este chamamento é particularmente radical. O Senhor prometeu: «Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos conduzirão com inteligência e sabedoria» (Jr 3, 15). A santidade que nos é pedida é um abandono confiante: deixarmo-nos transformar pelo seu Espírito Santo. No entanto, é precisamente aqui que surge o grande paradoxo da nossa vida sacerdotal: somos chamados a participar na própria santidade de Deus, mas trazemos este tesouro em vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7), somos limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados por fraquezas e cansaços e, não raro, por feridas. Como pode um coração humano, tão vulnerável, responder a um chamamento tão elevado? O sacerdote vive esta tensão, mas sabe onde encontrar a paz: no peito aberto do Senhor Jesus.

Um caminho de união

A união do nosso coração com o Coração de Cristo não é uma experiência reservada a alguns poucos eleitos, mas um caminho sacramental, eucarístico, que se concretiza no dia-a-dia. Caríssimos irmãos, na Ordenação fomos configurados a Cristo, mas é preciso sempre reavivar em nós o dom da graça através da celebração diária da Eucaristia, da oração, da meditação da Palavra de Deus e do serviço humilde aos irmãos e irmãs. Permaneçamos unidos a Cristo em tudo: no que fazemos e no que nos acontece diariamente. Então a santidade, procurada em vão com esforços isolados, revelar-se-á pelo que é: correspondência à graça que nos precede, sustenta e transfigura. Com efeito, não existem compartimentos separados na nossa humanidade. A oração, o ministério, as relações, o cansaço, as alegrias e os fracassos, até mesmo o tempo aparentemente perdido ou o amor que parece desperdiçado, tudo se torna um lugar privilegiado para a revelação de Deus e do seu amor infinito.

O sacerdote com um coração íntegro, simples e puro é contemplativo no meio da ação, misericordioso, fiel na provação, alegre na entrega de si mesmo. O mundo tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas, mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo. Uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus é sinal credível de unidade, paz e misericórdia. Assim, num tempo marcado por divisões e medos, podemos ser construtores de paz, testemunhas da ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos, e o nosso zelo não é agitação, mas o transbordar dum amor que «é êxtase, é saída, é dom, é encontro» (FranciscoCarta enc. Dilexit nos, 28).

O Coração de Cristo é o coração dos santos

A resposta à vocação para ser santos não está tanto no esforço de ascetismo e perfeição, embora necessário, mas na adesão confiante ao amor revelado no Coração trespassado de Jesus. O apóstolo João faz-nos contemplar o peito aberto do Crucificado (cf. Jo 19, 34), no qual Deus nos mostra definitivamente como Ele é santo: não na distância inacessível duma perfeição separada, mas num amor que se doa ao ponto de se deixar ferir, tornando-se assim fonte de misericórdia e de vida. O Sagrado Coração de Jesus é o ícone por excelência do amor de Deus: um amor todo-poderoso precisamente porque capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança.

Esse Coração abençoado é, portanto, o “lugar” onde a santidade se mostra como proximidade e ternura. A santidade do sacerdote pode, assim, manifestar-se na proximidade humilde e corajosa, no ser de todos e para todos, mantendo aberta a porta do redil para que muitos possam entrar e encontrar pastagem e descanso (cf. Jo 10, 9). Por isso, é-nos pedida uma relação com Deus que não nos afaste dos homens, mas nos torne próximos de todos, que molde corações pacientes, ternurentos, capazes de proximidade, compaixão e escuta. Deste modo, através da união do nosso coração imperfeito com o Coração trespassado de Jesus, realiza-se o nosso caminho de santidade. Já não somos nós que vivemos, mas é Cristo que vive em nós (cf. Gl 2, 20). Uma santidade assim não se vive a sós. Zelai pela fraternidade presbiteral: procurai-vos, escutai-vos, ajudai-vos uns aos outros. O sacerdote que se isola, apaga-se lentamente; o sacerdote que caminha com os irmãos cresce. Santo Agostinho recorda-nos: «Como podemos não nos encontrar nas trevas? Amando os irmãos. Qual é a prova de que amamos os irmãos? Esta: não destruir a unidade e praticar a caridade» (In Epist. Io. ad Parthos II, 3).

Caríssimos sacerdotes, renovai todos os dias o vosso “eis-me aqui” perante o Coração trespassado de Cristo. Entregai-vos totalmente a Ele, para que possais amar o seu povo com o mesmo amor com que Ele o ama. E lembrai-vos com alegria, como gostava de repetir o Santo Cura d’Ars, que «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus» (cf. Bento XVICarta para a Proclamação de um Ano Sacerdotal [16 de junho de 2009]: AAS 101 [2009], 569). Este amor é penhor e garantia de que nada de nós se perderá, se tudo for entregue e oferecido. Confio todos e cada um à Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes. Ela, que guardou no seu coração o mistério do Filho, nos ensine a conservar e a deixar pulsar em nós o Coração de Cristo, Salvador do mundo.

12 de junho de 2026, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

LEÃO PP. XIV

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Palavra de Vida

Junho de 2026

Augusto Parody Reyes  e equipa da Palavra de Vida 

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»  (Mt 10,7-8)

Neste capítulo do Evangelho de Mateus, os apóstolos tinham sido escolhidos por Jesus, que os chamou pelo nome, conferindo-lhes poderes especiais para expulsar os espíritos impuros e o dom de curar toda a espécie de doenças e enfermidades. Jesus dá-lhes instruções sobre onde e como realizar a sua missão inicial. A mensagem que devem anunciar é clara: «Está perto o reino dos Céus» (Mt 10,7).

A indicação de proclamar “pelo caminho” a mensagem que lhes foi confiada, sublinha, por um lado, que o verdadeiro discípulo é, antes de mais, um pregador da proximidade, e, por outro lado, que o próprio modo de caminharem juntos deve ser anúncio. De facto, no Evangelho de João, a seguir à entrega do mandamento novo, Jesus afirma: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35).

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»  (Mt 10,7-8)

O “reino dos Céus” é o coração do anúncio de Jesus. A expressão similar “reino de Deus” é usada no Antigo Testamento para indicar o domínio, o governo e a ação salvífica de Deus na história humana. Ele é o Senhor do mundo e sobretudo do povo de Israel, na expetativa de um descendente do rei David que restabelecerá o papel de Israel no meio dos povos. No Novo Testamento, Jesus é apresentado como o descendente de David e, portanto, rei. Diversamente dos reinos do mundo, o “reino dos Céus” é um reino de paz e de justiça, em que se cuida dos pobres, em que vigoram o perdão e a reconciliação e que levará vida e luz a todas as nações. Trata-se de um reino que já começou no mundo e no coração das pessoas, mas que verá a sua realização completa no regresso de Jesus.

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»  (Mt 10,7-8)

Jesus anuncia que o reino está temporalmente “perto”, iminente. Pelas parábolas, como a do grão de mostarda e a do fermento que leveda toda a massa, compreende-se que ele atua de modo misterioso e humilde, mas tenaz, no decurso do tempo. “Perto” entende-se também no sentido geográfico. Quando os discípulos, que levam a presença do espírito de Jesus, se aproximam caminhando, aproxima-se o reino de Deus. Também no Evangelho de Marcos, quando Jesus diz ao escriba «Não estás longe do Reino de Deus» (Mc 12,34), é provável que quisesse dizer não apenas “Começaste a entender”, mas também “Não estás longe de mim”.

«Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. (…) Recebestes de graça, dai de graça»  (Mt 10,7-8)

“De graça” traduz um termo que no original grego significa “como um presente”. Isto torna evidente que tudo o que os apóstolos receberam não lhes foi dado porque o mereciam. A fonte é a generosidade de Deus e o facto que foram escolhidos para uma missão específica.

Escreveu Chiara Lubich: «O reino de Deus é para ser acolhido. É um dom que Deus te faz. De facto, não há nenhum esforço humano, nenhuma tentativa ascética, nenhum estudo ou investigação intelectual, que te levem a entrar no reino de Deus. É o próprio Deus que vem ao teu encontro, que se revela com a Sua luz ou te toca com a sua graça. E não há nenhum mérito de que te possas vangloriar ou sobre o qual te possas apoiar para ter direito a um tal dom de Deus. O reino de Deus é-te oferecido gratuitamente» (Cfr. C. Lubich, Parole di Vita, a/c di Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 152-153). Neste acolhimento somos chamados, também hoje, a continuar a missão confiada por Jesus aos apóstolos, a proclamar, com a palavra e com os factos, a proximidade do reino, a anunciar juntos, a todos os seres humanos, uma mensagem de esperança: Deus ama imensamente este nosso mundo tão conturbado e incerto, Deus ama-nos a todos imensamente.