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quinta-feira, 27 de novembro de 2014




  















É aqui que me descalço, prostro e contemplo a Sarça Ardente (cf. Ex 3, 5-6).
É aqui que me envolve a sombra da nuvem luminosa, me assombro, não sei o que dizer e escuto a voz do Pai (cf. Mc 9,2-10; cf. Mt 17, 1-9; cf. Lc 9, 28-36).
É aqui que O procuro e sacio a gostosa sede, a saborosa fome, a necessidade absoluta d’Ele que constantemente me invade (cf. Is 26, 9).
É aqui que elevo as mãos para que o Sol brilhe vigoroso sobre mim, sobre a Igreja, sobre a Humanidade (cf. Ex 17, 11-13).
É aqui que me despojo, para que Deus me despose e fale ao coração (cf. Os 2, 16).
É aqui que, a Seus pés, a Sua Palavra ecoa em mim (cf. Lc 10, 39) e me vai tornando Seu cativo (cf. Lc 1, 38).
É aqui que me vou tornando Sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26-27).
É aqui que percebo a minha pequenez e vou reconhecendo não ser digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias (Cf. Mc 1, 7).
É aqui que vejo e experimento, para dar testemunho (cf. Jo 1, 34).
É aqui que vou diminuindo para que Ele cresça (cf. Jo 3, 30).
É aqui que vou descobrindo e experimentando que Ele é a minha vida (cf. Gl 2, 21) e permitindo que seja Ele a viver em mim (cf. Gl 2, 20), para louvor da sua glória” (Ef 1, 11-14).

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Beata Isabel da Santíssima Trindade ocd
Memória litúrgica: 8 de Novembro
«Gosto tanto do mistério da Santíssima Trindade! É um abismo no qual me perco. Deus em mim, eu n’Ele. É o grande sonho da minha vida. Para uma carmelita viver é estar em comunhão com Deus desde a manhã até à noite, e desde a noite até de manhã. Se Deus não enchesse as nossas celas e os nossos claustros, oh!, como tudo seria vazio! Mas é Ele que enche toda a nossa vida fazendo dela um céu antecipado».

quarta-feira, 10 de outubro de 2012



"O dia em que compreendi isto (a presença da Trindade no céu da sua alma) tudo se iluminou no meu interior e queria contar muito baixinho este segredo a todos os que amo para que também eles se unam a Deus."
"Esta intimidade com Ele no interior foi o formoso sol que iluminou a minha vida convertendo-a num céu anticipado. E isso é o que me sustem hoje no meio dos sofrimentos.
Não tenho medo da minha debilidade... porque o Deus forte está em mim".
Beata Isabel da Santíssima Trindade

terça-feira, 9 de outubro de 2012


"Oh Trindade eterna! Vós sois um mar sem fundo no qual, quanto mais me afundo, mais Vos encontro, e quanto mais Vos encontro, mais ainda Vos procuro. De Vós jamais se pode dizer: basta! A alma que se sacia nas Vossas profundidades, deseja-Vos sem cesar, porque sempre está desejosa de ver a luz na Vossa luz".
Santa Catarina de Sena

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Transparência do Rosto de Deus
“… concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto…” (da Oração Colecta da Solenidade da Assunção de Nª Srª), “… fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós...” (Oração Sobre as Oblatas da Solenidade da Assunção de Nª Srª), “O templo de Deus abriu-se no Céu ... Apareceu no Céu um sinal grandioso: ... E apareceu no Céu outro sinal: … A cauda arrastava um terço das estrelas do céu … E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: ...” (cf. Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab).
Aos mais distraído, pode parecer que os textos da Missa da Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Santa Maria, convidam a comunidade cristã a assumir uma atitude de alienação frente à vida: “aspiremos às coisas do alto”, “que os nossos corações se dirijam continuamente para Vós”, “Céu… Céu… Céu… Céu e Céu…”.
Mas de facto, não é assim… A necessidade absoluta de Deus e das “coisas” do alto que, o Bom Deus plantou no nosso coração e que, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos convida a valorizar, alimentar e fazer crescer, não nos aliena. Pelo contrário, mergulhando em Deus e na Sua vida, o nosso olhar purifica-se de interesses mesquinhos e humanos, passamos a ver com os olhos do próprio Deus, o que nos torna mais sensíveis às dores e necessidades da Terra. O que faz de cada cristão, gente mais solidária, gente em quem desabrocha uma necessidade absoluta de se empenhar na construção de um mundo melhor, mais humano, mais luminoso e belo. De um mundo que seja transparência do Rosto de Deus.
De Maria, aprendamos a ser e viver assim… pois, o Seu canto do Magníficat brota de um coração e de uma vida completamente encantados, enamorados, necessitados e cheios do Deus de quem é Filha, Mãe e Esposa.
Contudo e, mesmo se, como o girassol, não pode viver e deixar de nutrir-se de Deus Seu Salvador que poisou sobre ela o Seu Olhar (cf. Lc 1, 48), “pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha” (Lc 1, 39) e “ficou junto de Isabel cerca de três meses” (Lc 1, 56) para lhe valer, a aliviar e servir.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração do Beato Domingos de Borba. Deixando-se aprisionar por uma necessidade absoluta de Deus, permitiu que a Graça lhe dilatasse o coração à medida do universo, por isso se lançou na “divina aventura” de partir para o Brasil, pois não conseguia conter o que lhe ia no coração e deixar de dizer a todos que Deus os ama, mesmo correndo o risco de dar a vida, por causa do Evangelho, como veio a verificar-se.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração da Serva de Deus Madre Isabel Caldeira. Tendo-se alimentado com o Pão dos Anjos, permitiu que a Graça lhe plantasse no coração uma “gostosa fome” que a levou a dar-se e gastar-se por inteiro aos serviço dos mais pobres dos pobres, reconhecendo neles o rosto de Deus e sendo junto deles presença maternal da “Toda Pura”.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração de Santa Beatriz da Silva. Deixando-se encantar pela Beleza absoluta de Deus, permitiu que a Graça a chamasse e levasse ao deserto para a desposar e lhe falar ao coração (cf. Os 2, 16), vivendo escondida e oculta, procurando a Deus e cantando os seus louvores, reproduzindo na sua vida, a vida da Imaculada, oferecendo a sua vida como oblação ao Deus Uno e Trino, em favor da inteira cidade humana. Viveu gritando a todos, a partir do silêncio do claustro que, Deus é o segredo, o tesouro escondido no campo, a pérola preciosa (cf. Mt 13, 44-46) pelos quais vale a pena deixar tudo. Absolutamente tudo. Tornando-se assim, fonte de graça para todos.
Virgem elevada ao Céu em Corpo e alma,
fazei que, “aspiremos às coisas do alto”,
mergulhemos no seio da Trindade que nos habita
e, purificado o nosso olhar, passemos a ver com os olhos de Deus
e nos lancemos apressadamente pelos caminhos do mundo,
empenhando-nos na construção de um mundo melhor,
mais humano, mais luminoso e belo.
De um mundo que seja transparência do Rosto de Deus
de que Sois Filha, Mãe e Esposa.
Ámen.
Borba, 14 de Agosto de 2012
P. Marcelino José Moreno Caldeira

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Na Transfiguração
“Jesus, …, «toma consigo» a alguns discípulos …,
para introduzi-los no conhecimento do mistério da sua pessoa
e na arte da relação com Deus. …
Na solidão e no silêncio daquele «retiro»
sucede algo divino:
a luz que envolve a Jesus
revela a condição divina do homem Jesus.”
ENZO BIANCHI,
"Escuchad al Hijo amado, en él se cumple la Escritura - Ciclo B",
Ediciones Sigueme, Salamanca, 2011, pg. 207

sábado, 24 de março de 2012

«Queríamos ver a Jesus» (Jo 12,21). Este pedido, feito ao apóstolo Filipe por alguns gregos que tinham ido em peregrinação a Jerusalém por ocasião da Páscoa, ecoou espiritualmente também aos nossos ouvidos ... Como aqueles peregrinos de há dois mil anos os homens do nosso tempo, talvez sem se darem conta, pedem aos crentes de hoje não só que lhes «falem» de Cristo, mas também que de certa forma lh'O façam «ver». E não é porventura a missão da Igreja reflectir a luz de Cristo em cada época da história, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto também diante das gerações do novo milénio?
Mas, o nosso testemunho seria excessivamente pobre, se não fôssemos primeiro contemplativos do seu rosto;..., ao retomarmos o caminho de sempre, conservando na alma a riqueza das experiências vividas neste período muito especial, o olhar permanece mais intensamente fixo no rosto do Senhor.
João Paulo II, «Novo Millennio Ineunte», 6.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Meu é o projecto de vida de São João Baptista:
“Ele é que deve crescer, e eu diminuir” (Jo 3, 30).
A verdadeira alegria consiste em não ser nada,
para que Deus seja “Tudo” em todos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vida de oração como a de Jesus,
onde bebem todos os que têm sede de Deus.

1ª Parte



2ª Parte



3ª Parte



Mosteiro de Cristo Orante - Argentina

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"... o forte desejo de entrar em união de vida com Deus, abandonando tudo o demais, tudo aquilo que impede esta comunhão e deixando-se aprisionar do imenso amor de Deus para viver só deste amor.
... vós haveis encontrado o tesouro escondido, a pérola de grande valor (cf. Mt 13, 44-46), haveis respondido com radicalidade ao convite de Jesus: "Se queres ser perfeito, vai, vende aquilo que possuis, dá-o aos pobres e terá um tesouro no céu, depois vem e segue-me!" (Mt 19, 21).
O monge, deixando tudo, por assim dizer "arrisca-se": expõe-se à solidão e ao silêncio para não viver de outra coisa que do essencial, e vivendo no essencial encontra uma profunda comunhão com os irmãos, com cada homem.

... vós que viveis num voluntário isolamento, estais na realidade no coração da Igreja, e fazeis circular nas suas veias o sangue puro da contemplação e do amor de Deus."
Bento XVI, «Celebração de Vésperas»
na Igreja da Cartuxa da Serra de São Bruno (9 de Outubro de 2011)

Tradução do Italiano ao Português da responsabilidade do autor deste blog.

sábado, 30 de julho de 2011

“«Deus uno e Trino abre-se ao homem, ao espírito humano. O sopro recôndito do Espírito divino faz com que o espírito humano, por sua vez, se abra diante de Deus que se abre para ele, com desígnio salvífico e santificante. Pelo dom da graça, que vem do Espírito Santo, o homem entra "numa vida nova", é introduzido na realidade sobrenatural da própria vida divina e torna-se "habitação do Espírito Santo", "templo vivo de Deus". Com efeito, pelo Espírito Santo, o Pai e o Filho vem a ele e fazem nele a sua morada. Na comunhão de graça com a Santíssima Trindade dilata-se "o espaço vital" do homem, elevado ao nível sobrenatural da vida divina. O homem vive em Deus e de Deus, vive "segundo o Espírito" e "ocupa-se das coisas do Espírito."»”
João Paulo II, Dominum e Vivificantem, 58.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.»Voltando para junto dos discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» Afastou-se, pela segunda vez, e foi orar, dizendo: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» Depois voltou e encontrou-os novamente a dormir, pois os seus olhos estavam pesados. (Mt 26, 38.40-43)
"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" (Mt 27, 46)

… de Jesus Abandonado.
É clara a minha missão, a minha vocação,
o desígnio de Deus sobre mim…
amar profundamente Jesus,
viver na mais íntima comunhão com o Transfigurado
...e não permitir que o grito do Abandonado:
“Meu Deus, meu Deus, porquê me abandonaste?”,
volte a ecoar sobre a face da terra,
não permitir que no Getsémani
Jesus se volte a sentir sozinho na sua tristeza de morte
e a dizer: "«Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo!"
Que em circunstância alguma,
o Verbo de Deus, feito Homem das Dores,
se volte a sentir Abandonado e só…
A minha missão, a minha vocação,
o desígnio de Deus sobre mim…
amá-LO, adorá-LO, contemplá-LO, conformar-me a Ele,
ser seu companheiro e vigiar com Ele...
Mesmo que todos Vos abandonem, Jesus,
concedei-me a graça de Vos ser fiel
e jamais Vos deixar só…
A minha missão, a minha vocação,
o Vosso desígnio de amor sobre mim…
Amar-Vos, ser Vossa companhia,
viver no Vosso Coração
e d’Ele ser bálsamo
que, com amor, suaviza e cura a ferida
da Vossa Solidão ... do Vosso Abandono!
P. Marcelino Caldeira
(Fátima, 20/8/2009 e Borba, 22/4/2011)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Programa 70x7
(emissão 10-04-2011)
500 anos da atribuição de Regra Própria à Ordem da Imaculada Conceição, fundada pela portuguesa Santa Beatriz da Silva.


domingo, 20 de março de 2011

"...os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém.” (Mt 17, 8). “…apenas Jesus…” (Mt 17, 8), nesta expressão, que conclui a narrativa da Transfiguração encerra-se todo um programa de vida. É óbvio que, “…apenas Jesus…” (Mt 17, 8) não significa que possamos deixar de lado o Pai e o Espírito Santo e sim que Jesus é o único lugar no qual Deus-Trindade se manifesta operante e plenamente aos homens. Significa que ninguém vai ao Pai a não ser por meio d’Ele, por meio de Jesus (cf. Jo 14, 6). “Apenas Jesus…” (Mt 17, 8), os pensamentos, projectos e preocupações inúteis voam para longe, fazendo-se no coração um profundo silêncio e uma paz profunda (cf. CANTALAMESSA, Raniero, “O Mistério da Transfiguração”, Edições Loyola, São Paulo, 2001, pgs. 36-37), porque habitado por Deus, Aquele Deus de que temos “absoluta necessidade”, de que temos uma “sede abrasante”.
Entusiasmados e plenamente convencidos da oportunidade evangélica, bem como da necessidade, para a Igreja e para o mundo, do apelo lançado pelo venerável papa João Paulo II, na Novo Millennio Ineunte, aos cristãos do Terceiro Milénio: mais do que “falar” de Deus, “mostrar” Deus: “…sem se darem conta, pedem aos crentes de hoje não só que lhes «falem» de Cristo, mas também que de certa forma lh'O façam «ver». E não é porventura a missão da Igreja reflectir a luz de Cristo em cada época da história, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto também diante das gerações do novo milénio?” (NMI, 16), lançamo-nos na “Divina Aventura” de responder positivamente a este apelo. Por isso, conduzidos pelo Espírito Santo ao Deserto (cf. Mt 4, 1) do Monte Santo da Transfiguração e pela contemplação, permanecemos com o olhar fixo no Rosto do Senhor Jesus, que é fonte de eficácia apostólica e força de caridade fraterna.
Como no tempo de Jesus, a Humanidade de hoje “procura” e “tem sede” de Deus. E, mesmo que disso não tenha consciência, precisa e quer que os discípulos de Jesus lhe mostrem o Senhor. Como Tomé, só acredita se vir, na vida dos discípulos, as marcas do Ressuscitado: “Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito” (Jo 20, 25). Que ela, a Humanidade O reconheça, com Ele se encontre e pelo Seu Amor se deixe tocar, é um dos apelos mais profundos que brotam nosso coração, pois “Jesus é verdadeiramente o único tesouro que temos para dar à humanidade" (Bento XVI, em Lurdes, a 31 de Maio de 2010).
Não só a Humanidade “procura” e “tem sede” de Deus, como Deus nos procura e quer necessitar e ter sede «Tenho sede!»” (Jo 19, 28) do nosso amor, pelo que, vem ao nosso encontro, faz-se Emanuel, Deus-Connosco e nos questiona do nosso amor por Ele: “«…tu amas-me mais do que estes?» …tu amas-me? ...tu és deveras meu amigo?»” (Jo 21, 15-17). Diante deste Mistério de Amor, só podemos sentimo-nos chamados a saciar a sede que Deus tem do amor da Humanidade, do “nosso” amor, votando-Lhe um amor generoso, voluntário, gozoso, exclusivo e total. Com a Bem-aventurada Chiara Luce Badano dizemos: “Agora não tenho mais nada, porém ainda tenho o coração e com ele posso amar!" Um amor por Deus que é total e radical, porque envolve o corpo, a carne (cf. Sl 84[83], 3), a inteligência, os afectos… em suma, uma vida que grita: “ para mim, viver é Cristo” (Fl 2, 21), para mim viver, é amar Cristo: “De alma me consagrei, e todo o meu haver, ao Seu serviço. Já não guardo a grei nem tenho outro ofício, porque é, somente, amar meu exercício." (São João da Cruz) Deus chama por amor, e é por amor que deseja ser correspondido. Só quem ama se entrega para sempre.
No mistério da Transfiguração, a Igreja não celebra apenas a Transfiguração de Cristo, mas também a sua própria: “…transformai-vos pela renovação de vosso espírito” (Rm 12, 2).
Contemplando, em Cristo Transfigurado, a glória Divina, tornamo-nos o espelho em que Cristo gosta de reflectir essa mesma glória Divina. Pois contemplando, reflectimos aquilo que contemplamos: “Permanecendo simples e amorosamente na Sua presença para que possa reflectir em nós a Sua própria imagem como se reflecte o sol no límpido cristal" (Beata Isabel da Santíssima Trindade). Tornamo-nos naquilo que contemplamos. Contemplando, somos transfigurados na imagem que contemplamos. Contemplando Cristo, nós nos tornamos semelhantes a Ele, conformamo-nos a Ele, fazemo-nos um só espírito com Ele (cf. Regra (OIC) de Júlio II, 30), consentimos que o Seu mun­do, os Seus propósitos e os Seus sentimentos, a Sua vida se imprimam em nós, que substituam os nossos pensamentos, propósitos e sentimentos… a nossa vida, tornando-nos assim semelhantes a Ele, como diz São João da Cruz “… tenha sempre a alma o desejo contínuo de imitar a Cristo em todas as coisas, conformando-se à sua vida que deve meditar para saber imitá-la e agir em todas as circunstâncias como ele próprio agiria" (São João da Cruz). Contemplando o Seu “Rosto” vamo-nos deixando, por Ele, “despir das obras das trevas e revestir das armas da luz” (Rm 13, 12), com vista a dizer com o apóstolo Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20) e “… para mim, viver é Cristo…” (Fl 2, 21).
O Tabor, não consiste num simples retorno imaginativo, fantasioso e poético a um lugar geográfico, ele é antes de tudo, uma forma muito real e concreta de viver em Deus, de mergulhar no Seu Coração, de contemplar o Seu Rosto e de permitir que ele plasme em nós a Sua Imagem, conforme a nossa vida com a Sua, nos transforme verdadeira e activamente em Sua “imagem e semelhança” (cf. Gn 1, 26-28), de forma a podermos dizer com São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).
Todos os baptizados, procuramos fazer a experiência viva de Cristo, o Verbo da Vida: vê-lO com os olhos, escutá-lO com os ouvidos e tocá-lO com as mãos (cf. 1 Jo 1,1). Este, é, contudo, um caminho de fé: “O rosto, que os Apóstolos contemplaram depois da ressurreição, era o mesmo daquele Jesus com quem tinham convivido cerca de três anos e que agora os convencia da verdade incrível da sua nova vida, mostrando-lhes «as mãos e o lado» (Jo 20,20). Certamente não foi fácil acreditar. Os discípulos de Emaús só acreditaram no fim dum penoso itinerário do espírito (cf. Lc 24,13-35). O apóstolo Tomé acreditou apenas depois de ter constatado o prodígio (cf. Jo 20, 24-29) (NMI, 19)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

...o meu olhar fixo no Seu...
"Porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação" (Hb 2, 18).
Que alegria, que consolo, o nosso Deus, o meu Deus entende-me como ninguém, direi mesmo, entende-me melhor que eu mesmo. Sem me dar conta vem em meu auxílio...
Enquanto mantiver o meu olhar fixo no Seu, posso caminhar sobre as águas, a violência do vento e a fúria das águas não me assustam nem me impedem de caminhar, pois "sei em quem coloquei a minha confiança" (cf 2Tm 1, 12).
Até mesmo, quando a violência do vento e a fúria das águas me atraem, desviam o meu olhar do Seu e começo a afundar-me nas águas agitadas, sempre posso gritar com Pedro: "Senhor, salvai-me que pereço" (cf. Mt 8, 25). Ei-lO que me estende a Sua mão e me resgata. Ei-lO que me introduz e guarda no Seu Coração Misericordioso, na segurança da Sua Barca...
Volto a fixar o Seu rosto, a mergulhar o meu no Seu olhar... e eis que o vento dá lugar à bonança, as águas transformam-se num límpido e sereno lago, a tempestade acalma... volta a serenidade e sou inundado da Sua Paz.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

“De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles” (Mc 9, 8). “Só Jesus” (Mc 9, 8), nesta expressão, que conclui a narrativa da Transfiguração encerra-se todo um programa de vida. É óbvio que, “só Jesus” (Mc 9, 8) não significa que possamos deixar de lado o Pai e o Espírito Santo e sim que Jesus é o único lugar no qual Deus-Trindade se manifesta operante e plenamente aos homens. Significa que ninguém vai ao Pai a não ser por meio d’Ele, por meio de Jesus (cf. Jo 14, 6). “Só Jesus” (Mc 9, 8), os pensamentos, projectos, preocupações inúteis voam para longe, fazendo-se no coração um profundo silêncio e uma paz profunda, porque habitado por Deus, Aquele Deus de que temos “absoluta necessidade” de que temos uma “sede abrasante”.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Eis a voz do meu amado! Ele aí vem, transpondo os montes, saltando sobre as colinas. O meu amado é semelhante a uma gazela ou ao filhinho da corça. Ei-lo detrás do nosso muro, a olhar pela janela, a espreitar através das grades. O meu amado ergue a voz e diz-me: «Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem. Já passou o inverno, já se foram e cessaram as chuvas. Desabrocharam as flores sobre a terra; chegou o tempo das canções e já se ouve nos nossos campos a voz da rola. Na figueira começam a brotar os primeiros figos e a vinha em flor exala o seu perfume. Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem. Minha pomba, escondida nas fendas dos rochedos, ao abrigo das encostas escarpadas, mostra-me o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz. A tua voz é suave e o teu rosto é encantador».
(Cant 2, 8-14)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

“… com ânsia e gemido saído do coração já ferido do Amor de Deus,
começa a invocar o seu Amado e diz:
Aonde te escondeste, Amado,
e me deixaste com gemidos?
Como cervo fugiste, tendo-me ferido,
saí atrás de ti clamando,
e tinhas ido.”
São João da Cruz

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ó Jesus, meu Bem-Amado, como é doce amar-te, pertencer-te, ter-te por único Todo! Ah, agora que vens diariamente ao meu coração, que a nossa união seja ainda mais íntima. Que a minha vida seja uma oração contínua, um longo acto de amor. Que nada me possa distrair de ti, nem ruídos, nem distracção, nada, não é? Gostaria tanto, ó meu Mestre, de viver contigo no silêncio. Mas o que acima de tudo mais amo é fazer a tua vontade, e dado que ainda me queres no mundo, submeto-me de todo o meu coração pelo amor de ti. Ofereço-te a cela do meu coração, que seja a tua pequena Betânia; vem aqui repousar-te, amo-te tanto... Queria consolar-te e ofereço-me a ti como vítima, ó Mestre, por ti, contigo. Aceito antecipadamente todos os sacrifícios, todas as provas, mesmo a de já não te sentir comigo. Não te peço senão uma única coisa: que eu seja sempre, sempre, generosa e fiel; mesmo que nunca me corrija. Quero cumprir perfeitamente a tua vontade, responder sempre à tua graça; desejo ser santa contigo e para ti, mas sinto a minha incapacidade, oh! sê a minha santidade. Se alguma vez [me] arrepender, oh! conjuro-te, suplico-te: enquanto eu for ainda tudo para ti, leva-me, faz-me morrer. Sou a tua «pequena mimada», tu mo dizes, mas talvez, em breve, venha a provação e, então, hei-de ser eu a retribuir-te. Mestre, não são estes dons, estas consolações com que me comulas que procuro; és tu, oh! unicamente tu! Ampara-me sempre, toma-me cada vez mais; que tudo em mim te pertença; quebra, arranca tudo o que te desagradar para que eu tudo seja para ti. Oh!, cada batimento do meu coração é um acto de amor. Meu Jesus, meu Deus, como é bom amar-te, ser inteiramente tua!
Beata Isabel da Santíssima Trindade
23 de Janeiro de 1900
(Notas Íntimas)