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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

São Nicolau de Bari,

defensor da ortodoxia, bispo de Myra (Turquia) e confessor.

Nasceu a 6 de Dezembro e morreu por volta do ano 346 em Mira.

O seu nome significa "Protetor e defensor de povos". Participou do Concílio de Niceia, condenando as doutrinas de Ario, que negavam a divindade de Cris­to, redu­zindo-O a simples enviado do Pai.

São Nicolau participou do Concílio de Niceia, convocado em 325 pelo Imperador Constantino. Lá, haveria de encontrar-se não só com mais de trezentos bispos que teriam chegado a debater a natureza da Santíssima Trindade, mas também com Ario, que assegurava que a natureza do Filho não era igual à do Pai.

Ario defendia o seu argumento vigorosamente, enquanto os bispos escutavam. Todos, menos Nicolau, que perdeu a paciência e deu uma bofetada em Ario, em plena aula conciliar. Nicolau foi levado ao imperador Constantino, que determinou que seriam os bispos a decidir qual punição a aplicar a Nicolau.

Como punição tiraram-lhe as roupas episcopais e prenderam-no. Nessa mesma noite, conta a história, Nicolau teve uma visão em que Jesus lhe entregou as Sagradas Escrituras e Maria Santíssima lhe devolvia as vestes episcopais. No dia seguinte, quando o carcereiro lhe foi levar a comida, encontrou Nicolau lendo as Sagradas Escrituras e revestido com as vestes episcopais.

Ao saber do sucedido, Constantino exigiu que o libertassem. O concílio acabou dando razão a Nicolau, decidindo assim a questão contra Arrio, e redigindo o que hoje conhecemos como Credo Niceno-Constantinopolitano.

Imploramos, Senhor a vossa misericórdia

e, por intercessão do bispo são Nicolau,

guardai-nos de todos os perigos

para que o caminho da salvação seja mais acessível.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus

e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

SANTA ESCOLÁSTICA, virgem e monja

Mãe do Monacato feminino Ocidental

Santa Escolástica era irmã gémea de São Bento de Núrcia, Pai do monaquismo ocidental.

Nasceu em Núrcia, região central da Itália, em 480. Eram filhos de nobres, o pai Eupróprio enviuvou quando eles nasceram, pois a esposa morreu durante o parto.

Gémea de Bento, tornou-se também gémea na busca de Deus e da santidade. A vida totalmente consagrada a Deus de Escolástica começou até antes do irmão; porém, foi aprofundada quando seguiu o irmão até que ele se instalou em Monte Cassino. Desta forma, Escolástica, fundadora das irmãs beneditinas, sempre esteve ligada com Bento.

O nome de Santa Escolástica, irmã de São Bento, leva-nos ao século V, para o primeiro mosteiro feminino ocidental, fundamentado na vida em comum, conceito introduzido na vida dos monges por São Bento. Foi o primeiro a orientar para servir a Deus não “fugindo do mundo” através da solidão ou da penitência itinerante, como os monges orientais, mas vivendo em comunidade duradoura e organizada, e dividindo rigorosamente o próprio tempo entre a oração, trabalho, estudo e repouso.

Ainda jovem Escolástica consagrou-se a Deus com o voto de castidade, antes mesmo do irmão, que estudava retórica em Roma. Mais tarde, Bento fundou o mosteiro de Monte Cassino criando a Ordem dos monges beneditinos.

Escolástica, inspirada por ele, fundou um mosteiro feminino, com um pequeno grupo de jovens consagradas. Estava criada a Ordem das beneditinas, que recebeu este nome em homenagem ao irmão, seu grande incentivador e que redigiu a Regra Beneditina que Escolástica escolheu para a sua comunidade.

São muito poucos os dados da vida de Escolástica, e foram escritos quarenta anos depois de sua morte, pelo Papa São Gregório Magno, monge beneditino. Ele recolheu alguns depoimentos de testemunhas ainda vivas para o seu livro “Diálogos” e escreveu sobre ela apenas como uma referência na vida de Bento, mais como uma sombra do irmão, pai dos monges do ocidente.

Nesta página expressiva contou que, mesmo vivendo em mosteiros próximos, os dois irmãos só se encontravam uma vez por ano, para manterem o espírito de mortificação e elevação da experiência espiritual. Isto ocorria na Páscoa e numa propriedade do mosteiro do irmão. Certa vez, Escolástica foi ao seu encontro, acompanhada por um pequeno grupo de monjas do seu mosteiro. Passaram todo o dia conversando sobre assuntos espirituais e sobre a vida da Igreja.

Quando anoiteceu, Bento, muito rigoroso à Regra disse à irmã que era hora de se despedirem. Mas Escolástica pediu para passarem a noite, todos juntos, conversando e rezando. Contudo São Bento manteve-se intransigente dizendo que deveria ir para o mosteiro. Neste momento, Santa Escolástica pôs-se a rezar com tal fervor que uma grande trovoada se formou com raios e uma forte chuva caiu a noite toda, impedindo-os de regressar aos respectivos mosteiros. Os dois irmãos puderam assim conversar e rezar a noite inteira. No dia seguinte o sol apareceu, eles despediram-se e cada grupo voltou para o seu mosteiro. Essa seria a última vez que os dois se veriam.

Três dias depois, Bento recebeu no seu mosteiro a notícia da morte de sua irmã Escolástica, enquanto rezava olhando para o céu, viu a alma de sua irmã, penetrar no paraíso em forma de pomba. Bento mandou buscar o seu corpo e o colocou na sepultura que havia preparado para si. Ela morreu em 10 de Fevereiro de 547, quarenta dias antes que seu venerado irmão Bento.

(fonte: cf. Santa Escolástica - Vida Cristã - Franciscanos Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM)


Ao celebrar a memória de Santa Escolástica, nós Vos pedimos, Senhor, que, a seu exemplo, Vos sirvamos de coração sincero e alcancemos a verdadeira felicidade no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.

domingo, 5 de julho de 2020

Escola de Oração

Para que, quando volte o Filho do Homem,

encontre orantes sobre a Terra

Pe. Marcelino José Moreno Caldeira

13,50 -10% €12,15

«Enquanto pároco, vou-me apercebendo, nas várias comunidades que tenho tido a graça de servir, que os hábitos de oração ou não existem – devido a uma iniciação paupérrima, talvez mesmo inexistente no ambiente familiar, catequético ou comunitário – ou estão a cair em desuso, ou são ainda de tal forma pueris que praticamente se limitam à oração vocal e à petição. Com honrosas exceções, como não será difícil de prever.

Se […] este humilde trabalho servir para que o leitor se deixe arrebatar pela necessidade da intimidade com Deus, permitindo que o Espírito venha em auxílio da sua fraqueza, para rezar como deve […], então terá valido a pena este gozoso e enriquecedor esforço de cerca de quatro anos.»

ISBN: 9789898993205

Data: Julho 2020

Páginas: 128

Formato: 145 X 230mm

Peso: 250 g

Acabamento: Brochado

Categorias: DestaquesReligião

https://lucernaonline.pt/livro/escola-de-oracao/

quinta-feira, 6 de junho de 2019


São Marcelino José Bento Champagnat,
presbítero e fundador
Século XVIII/XIX – França
Memória litúrgica a 6 de Junho
Marcelino José Bento Champagnat nasce a 20 de Maio de 1789, em Marlhes, aldeia de montanha no Centro-Leste da França. A Revolução acaba de estourar. Ele é o nono filho de uma família cristã. Sua educação é essencialmente familiar. Sua mãe e sua tia religiosa, expulsa do convento, despertam nele fé sólida e profunda devoção a Maria. Seu pai, agricultor e comerciante, possui instrução acima da média; aberto às ideias novas, desempenha um papel político na aldeia e na região. Transmite a Marcelino a habilidade para os trabalhos manuais, o gosto pelo trabalho, o senso das responsabilidades e a abertura às ideias novas.
Quando Marcelino está com 14 anos, um padre o visita e lhe faz descobrir que Deus o chama à vocação sacerdotal. Quando Marcelino, de quase nenhuma escolaridade, vai se meter a estudar, "porque Deus o quer!", os seus familiares, conscientes das suas limitações, procuram dissuadi-lo. Os anos difíceis do Seminário Menor de Verrières (1805-1813) são para ele uma etapa de verdadeiro crescimento humano e espiritual.
No Seminário Maior de Lião, tem por colegas João Maria Vianney, futuro cura d'Ars, e João Cláudio Colin, que será o fundador dos Padres Maristas. Junta-se a um grupo de seminaristas que projeta fundar uma Congregação que abrange padres, religiosas e uma Ordem Terceira, levando o nome de Maria - a "Sociedade de Maria" - para cristianizar a sociedade. Impressionado pelo abandono cultural e espiritual das crianças da campanha, Marcelino sente a urgência de incluir nessa Congregação Irmãos para a educação cristã da juventude: "Não posso ver uma criança sem sentir o desejo de fazer-lhe compreender quanto Jesus Cristo a amou". No dia seguinte de sua ordenação (a 22 de Julho de 1816), esses neo-sacerdotes vão consagrar-se a Maria, colocando seu projeto sob sua proteção no santuário de Nossa Senhora de Fourvière.
Marcelino é enviado como coadjutor na paróquia de La Valla. A visita aos doentes, a catequese das crianças, o atendimento aos pobres, o acompanhamento da vida cristã das famílias, são as atividades do seu ministério. Sua pregação simples e direta, a profunda devoção a Maria e seu zelo apostólico, marcam profundamente os paroquianos. A assistência a um adolescente de 17 anos, às portas da morte e sem conhecer Deus, o perturba profundamente, impelindo-o a executar logo o seu projeto.
A 2 de Janeiro de 1817, apenas a 6 meses de sua chegada a La Valla, Marcelino, o jovem coadjutor de 27 anos, reúne seus dois primeiros discípulos: a Congregação dos Irmãozinhos de Maria, ou Irmãos Maristas, nasce na pobreza e humildade, na total confiança em Deus, sob a proteção de Maria. Além de garantir seu ministério paroquial, forma seus Irmãos, preparando-os para a missão de mestres cristãos, de catequistas, de educadores dos jovens. Vai viver com eles.
Apaixonado pelo Reino de Deus, consciente das imensas carências da juventude e educador nato, Marcelino faz desses jovens camponeses sem cultura apóstolos generosos. Sem tardar abre escolas. As vocações vêm, e a primeira casa, apesar de aumentada pelo próprio Marcelino, torna-se logo pequena demais. As dificuldades são numerosas. O clero em geral não compreende o projeto desse jovem padre inexperiente e sem recursos. Mas as populações rurais não cessam de pedir Irmãos para garantir a instrução cristã das crianças.
Marcelino e seus Irmãos participam na construção de sua nova casa para abrigar mais de cem pessoas e que levará o nome de "Nossa Senhora de l'Hermitage ".
Em 1825, livre da função de coadjutor, pode dedicar-se inteiramente à sua Congregação: à formação e acompanhamento espiritual, pedagógico e apostólico dos seus Irmãos, à visita das escolas, à fundação de novas obras.
Marcelino, homem de fé profunda, não cessa de procurar a vontade de Deus na oração e no diálogo com as autoridades religiosas e com seus Irmãos. Bem consciente de suas limitações, conta apenas com Deus e a proteção de Maria, a "Boa Mãe", o "Recurso Habitual", a "Primeira Superiora". Sua grande humildade, seu senso profundo da presença de Deus, fazem-lhe superar, com muita paz interior, as numerosas provações. Reza amiúde o Salmo 126: "Se o Senhor não constrói a casa", convencido de que a Congregação dos Irmãos é obra de Deus, obra de Maria. "Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus" é sua divisa.
"Tornar Jesus Cristo conhecido e amado" é a missão dos Irmãos. A escola é o meio privilegiado para essa missão de evangelização. Marcelino inculca a seus discípulos o respeito, o amor às crianças, a atenção aos mais pobres, aos mais ingratos, aos mais abandonados, especialmente os órfãos. A presença prolongada entre os jovens, a simplicidade, o espírito de família, o amor ao trabalho, o agir em tudo do jeito de Maria, são os pontos essenciais de sua concepção educativa.
Em 1836, a Igreja reconhece a Sociedade de Maria e lhe confia a missão da Oceania. Marcelino pronuncia seus votos como membro da Sociedade de Maria. Envia três Irmãos com os primeiros Padres Maristas missionários nas ilhas do Pacífico. "Todas as dioceses do mundo entram nos nossos planos", escreve.
As providências concernentes à autorização legal de sua Congregação exigem dele muito tempo, energia e espírito de fé. Não cessa de repetir: "Quando temos Deus a nosso favor, quando depositamos nele nossas esperanças, nada é impossível".
A doença prevalece sobre sua robusta constituição. Esgotado pelo trabalho, morre aos 51 anos de idade, a 6 de Junho de 1840, deixando aos seus Irmãos esta mensagem: "Que haja entre vocês um só coração e um só espírito! Que se possa dizer dos Irmãozinhos de Maria como dos primeiros cristãos: 'Vejam como eles se amam!'".
Em 1955, Padre Marcelino Champagnat é proclamado Beato, pelo Papa Pio XII.
Em 18 de Abril de 1999, é canonizado pelo Papa São João Paulo II.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Em dia de BEATO MARCELINO Martín Rubio e 17 companheiros mártires Trapistas Século XX - Espanha Memória litúrgica a 4 de Dezembro “Entre os mártires há um noviço de 23 anos, frei Marcelino Martín Rubio, aberto e alegre, que no momento da prisão não escondeu a sua condição de religioso". O Beato Marcelino Martín Rubio, nasceu a 4 de Novembro de 1913, em Espinosa de Villagonzalo, província de Palência, Espanha. Aos 15 anos, entrou como oblato na Abadia Cistercience de Estricta Observância (Trapistas) de Viaceli, iniciando o noviciado em 1931, o qual abandonou ao fim de dois anos. Em 1935 regressou ao mosteiro como monge de coro. À época do martírio era noviço. Preso e depois libertado, foi novamente preso e seguiu a sorte dos demais irmãos. Pelas cartas dirigidas a uma tia, monja cisterciense, pode-se observar o processo martirial dele e de todos os seus companheiros. Aberto e de carácter muito alegre, não ocultou a sua condição de religioso no momento da sua detenção final. A 8 de Setembro de 1936 a comunidade foi obrigada a abandonar o seu mosteiro, foram encarcerados e sofreram insultos e vexames. Alguns dias depois foram libertados. Mas, no espaço de poucas semanas, com o pretexto de fazer indagações sobre a proveniência dos seus meios de sustento, foram novamente presos em dois grupos diferentes e assassinados no dia 3 e 4 de Dezembro. A causa de sua morte foi a de identificar-se - exclusivamente - como cristãos e religiosos. A fé foi o motivo da sua prisão e execução, com a agravante de uma procura de dinheiro por parte dos perseguidores. Os Servos de Deus sabiam muito bem o grave perigo que corriam e viveram a sua consagração até ao derramamento do sangue. Uma fé clara, uma caridade sincera e uma esperança inquebrantável concederam-lhe fortaleza para viver até às últimas consequências a sua fidelidade a Cristo e à Igreja. Jamais renegaram a sua condição de religiosos e prepararam-se conscientemente para caminhar, passando pela morte, ao encontro do seu Senhor. Depois, foram levados a bordo de uma barcaça para fora da baía de Santander e depois de lhes cozerem a boca com arames pois “iam a rezar”. Pensavam assim calá-los, a eles, que durante anos se reuniram na Igreja do Mosteiro para, sete vezes ao dia, começar a sua liturgia com as palavras: “Abri, Senhor os meus lábios e a minha boca cantará o Vosso louvor!”. Certamente que fecharam as suas bocas, mas estavam certos de que o louvor ao seu Criador e Redentor, mesmo nos momentos de dor e aparente fracasso, não cessaria. Os seus irmãos, os que viriam depois, continuariam esse louvor, abririam de novo as suas bocas acompanhando-os e confortando-os desde outro lugar com uma presença gozosa e renovada. Foram lançados ao mar com pesados pesos atados aos pés. Lançados às frias águas do Cantábrico, aquele mar que tantas vezes contemplaram desde as janelas do seu mosteiro, umas vezes sereno e azul outras cinzento e encrespado. Frei Marcelino será feito prisioneiro alguns dias mais tarde, sofrendo a mesma sorte do resto dos monges. Tinha 23 anos de idade. O mais jovem dos mártires contava 20 anos (havia vários no grupo com menos de 25 anos) e o mais velho tinha 68. O testemunho destes mártires ilumina e inspira o nosso momento histórico. Os mártires ensinam-nos o amor à Verdade frente ao relativismo e ao fundamentalismo dos nossos dias. Frente ao “vale tudo” e frente ao “nada faz mal”, os nossos mártires recordam-nos que há ideais que são demasiado grandes para regatear o preço a pagar por eles. O martírio indica-nos onde se encontra a verdade do Homem, a sua grandeza e dignidade, a sua liberdade mais genuína e o comportamento mais verdadeiro e próprio do Homem que é inseparável do amor: por isso, o martírio é uma exaltação da perfeita «humanidade» e da verdadeira vida da pessoa. Os mártires são testemunho da fidelidade do homem à sua consciência bem formada como limite de todo o poder e garantia da sua semelhança divina. Foi Beatificado com os seus companheiros no passado dia 3 de Outubro (2015), na catedral de Santander, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco. Fonte: cf. Página Web da O.C.S.O BEATO MARCELINO Martín Rubio, rogai por nós.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Beata Isabel da Santíssima Trindade
Memória litúrgica: 8 de Novembro
Breve Biografia
Isabel Catez nasceu, no campo militar de Avor, perto de Bourges, França. O seu pai era capitão do exército francês. Desde muito cedo que Isabel mostrou ser uma criança turbulenta, muito viva, faladora, precoce e de temperamento colérico. A sua mãe quando fala dela nalgumas cartas chama-a «autêntico diabinho». E a sua irmã não hesita em escrever que era «um verdadeiro diabo». Chega mesmo a dizer que era tão violenta que os familiares a ameaçaram enviar para uma casa de correcção. No entanto, a sua mãe, atenta, soube modelar a fúria de Isabel e fazer sobressair nela a ternura e docilidade. E de tal maneira a ternura ganhou terreno que o maior castigo de Isabel acontecia quando a sua mãe, à noite, se despedia dela sem lhe dar um beijo. Então, Isabel compreendia que não se tinha portado bem, e, meditando fazia exame de consciência e corrigia-se. Isabel era ainda uma criança quando a sua família se mudou para a cidade de Dijon. Aqui Isabel perdeu o pai tão querido que a morte lhe roubou. O dia da primeira comunhão, a 19 de Abril de 1891, foi «o grande dia» da vida de Isabel. Tinha então 10 anos, pois nascera no dia 18 de Julho de 1880. Estudou piano desde os 8 anos de idade no Conservatório, vindo a tornar-se uma «excelente pianista», segundo expressão do seu professor de música. Participou em concertos organizados, e, os jornais falaram do seu grande talento ainda mal a menina Catez chegava aos pedais do piano. Entre músicas e festivais, bailes, férias e diversões foram decorrendo os anos de Isabel.
Aos catorze anos sentiu-se irresistivelmente atraída por Jesus. Aos 18 a sua mãe pretendeu casá-la com um esplêndido noivo, mas Isabel respondeu: «o meu coração já não está livre, dei-o ao Rei dos reis, já dele não posso dispor». O desgosto da mãe foi grande. Mas foi mais amargo quando soube que Isabel queria entrar no Carmelo, que tantas vezes tinham visitado, pois ficava ali a dois passos. A mãe apenas consentiu a entrada da filha no Carmelo quando alcançou a maioridade, aos 21 anos. No dia 2 de Agosto de 1901, Isabel entra definitivamente nessa bela montanha do Carmo que pela sua solidão e beleza a atraiu irresistivelmente. A partir de então o seu nome será Irmã Isabel da Santíssima Trindade. «Gosto tanto do mistério da Santíssima Trindade! É um abismo no qual me perco. Deus em mim, eu n’Ele. É o grande sonho da minha vida. Para uma carmelita viver é estar em comunhão com Deus desde a manhã até à noite, e desde a noite até de manhã. Se Deus não enchesse as nossas celas e os nossos claustros, oh!, como tudo seria vazio! Mas é Ele que enche toda a nossa vida fazendo dela um céu antecipado».