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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Venerável Servo de Deus

Marcelino Pedro Lucio Gutiérrez-Cañas,

leigo e mártir

20 de Setembro

Na presente sexta-feira, 22 de Maio, o Santo Padre, o Papa Leão XIV recebeu em audiência Sua Eminência o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Durante a audiência, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar, ente outros decretos, o martírio de um grupo de 80 Servos de Deus da diocese de Santander (Espanha): 67 sacerdotes, 3 religiosos, 3 seminaristas e 7 leigos, vítimas da perseguição religiosa desencadeada na zona republicana entre 1936 e 1937, no norte da Espanha, Santander.

Entre eles, encontra-se o leigo Marcelino Pedro Lucio Gutiérrez-Cañas, lançado ao Mar Cantábrico com as mãos e os pés amarrados e uma pedra presa ao corpo, a 20 de Setembro de 1936.

Aguarda-se a divulgação da data e local da cerimónia de Beatificação.

domingo, 23 de abril de 2023

Beato MARCELINO ROUCHOUZE, sacerdote Picpus e mártir

(nome de baptismo: João Mário).

Séculos XIX - França

Memória litúrgica a 26 de Maio (?)

Nasceu a 14 Dezembro de 1810 em Saint-Julien en Jarez (França), foi o terceiro membro da Congregação Picpus ou Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Perpétua Adoração ao Sacratíssimo Sacramento, emitiu a profissão de votos religiosos em 1837.

Foi Professore de latim, matemática e filosofia, e enviado para a Bélgica para colaborar nos colégios da Congregação. Num encontro com o Cura d’Ars, em 1852, este disse-lhe: “Meu filho, deve ser sacerdote, pois o bom Deus tem desígnios para si.” Aos 42 anos e seguindo o conselho do Cura d’Ars, foi ordenado sacerdote em 1852.

O martírio de todos os Servos de Deus está suficientemente provado. Eles foram presos em Paris em diferentes momentos e lugares: o P. Enrico Planchat em Quinta-feira Santa, 6 de Abril de 1871, os restantes; Marcelino Rouchouze e os companheiros Policarpo Tuffier e Ladislao Radigue a 12 de Abril, quarta-feira da oitava da Páscoa. Primeiro estiveram encarcerados no quartel da polícia, depois transferidos para a prisão de Mazas e, finalmente, para “La Grande Roquette”.

A 26 de Maio de 1871, foram mortos com grande violência com tiros de rifle e armas afiadas. Os cadáveres foram profanados e ridicularizados pela multidão.

O «odium fidei» (ódio pela fé) foi a principal motivação para as acções dos algozes. Na verdade, a Comuna, além das questões sócio-políticas, tinha óbvias implicações anti-religiosas: para superar o antigo regime e promover novas formas de sociedade, alguns comunais viam na religião cristã e seus expoentes um obstáculo a ser eliminado. Os Servos de Deus só foram presos por serem padres. O «odium fidei» também é confirmado pela fúria perpetrada contra os religiosos pela multidão enfurecida e pelo saque de locais e móveis dedicados ao culto. Na Casa Mãe da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria as Espécies Eucarísticas e os objectos sagrados foram profanados.

Quanto ao martírio formal «ex parte victimarum», os Servos de Deus estavam cientes dos riscos que corriam. Eles poderiam ter deixado Paris, mas preferiram ficar e cumprir seu serviço ministerial. O Servo de Deus Matteo Enrico Planchat, alertado para a possibilidade da sua prisão, permaneceu em seu lugar para confessar os fiéis em vista da Páscoa. Durante o tempo de prisão, os Servos de Deus rezaram e confessaram os outros presos.

A fama de seu martírio e dos sinais espalhou-se logo após sua morte e manteve-se ao longo dos anos, até à actualidade.

Beatificados na Igreja de Saint-Sulpice, Paris, a 22 de Abril de 2023, com os Servos de Deus Henri Planchat, Ladislas Radigue, Polycarpe Tuffier e Frézal Tardieu, pelo Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos.

(cf. Enrico Planchart, Ladislao Radigue e 3 Compagni (causesanti.va)

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Venerável Servo de Deus 

MARCELINO ROUCHOUZE

sacerdote e mártir

Séculos XIX - França

Memória litúrgica a 26 de Maio (?)

Marcelino Rouchouze (nome de baptismo: João Mário).

Nasceu a 14 Dezembro de 1810 em Saint-Julien en Jarez (França), entrou na Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Perpétua Adoração ao Sacratíssimo Sacramento, emitiu a profissão de votos religiosos em 1837.

Foi Professore de latim, matemática e filosofia, e enviado para a Bélgica para colaborar nos colégios da Congregação tendo sido ordenado sacerdote em 1852.

O martírio de todos os Servos de Deus está suficientemente provado. Eles foram presos em Paris em diferentes momentos e lugares: o P. Enrico Planchat em Quinta-feira Santa, 6 de Abril de 1871, os restantes; Marcelino Rouchouze e os companheiros Policarpo Tuffier e Ladislao Radigue a 12 de Abril, quarta-feira da oitava da Páscoa. Primeiro estiveram encarcerados no quartel da polícia, depois transferidos para a prisão de Mazas e, finalmente, para “La Grande Roquette”.

A 26 de Maio de 1871, foram mortos com grande violência com tiros de rifle e armas afiadas. Os cadáveres foram profanados e ridicularizados pela multidão.

O «odium fidei» (ódio pela fé) foi a principal motivação para as acções dos algozes. Na verdade, a Comuna, além das questões sócio-políticas, tinha óbvias implicações anti-religiosas: para superar o antigo regime e promover novas formas de sociedade, alguns comunais viam na religião cristã e seus expoentes um obstáculo a ser eliminado. Os Servos de Deus só foram presos por serem padres. O «odium fidei» também é confirmado pela fúria perpetrada contra os religiosos pela multidão enfurecida e pelo saque de locais e móveis dedicados ao culto. Na Casa Mãe da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria as Espécies Eucarísticas e os objectos sagrados foram profanados.

Quanto ao martírio formal «ex parte victimarum», os Servos de Deus estavam cientes dos riscos que corriam. Eles poderiam ter deixado Paris, mas preferiram ficar e cumprir seu serviço ministerial. O Servo de Deus Matteo Enrico Planchat, alertado para a possibilidade da sua prisão, permaneceu em seu lugar para confessar os fiéis em vista da Páscoa. Durante o tempo de prisão, os Servos de Deus rezaram e confessaram os outros presos.

A fama de seu martírio e dos sinais espalhou-se logo após sua morte e manteve-se ao longo dos anos, até à actualidade.

(cf. Enrico Planchart, Ladislao Radigue e 3 Compagni (causesanti.va)

domingo, 13 de setembro de 2020

São MARCELINO de Cartago,

leigo pai de família e mártir

Século V - África (Cartago, actua Tunísia)

Memória litúrgica a 13 de Setembro

O martírio de Marcelino, alto funcionário imperial e amigo de Santo Agostinho, está ligado ao cisma Donatista que dilacerou e dividiu durante mais de um século a Igreja Africana. Os inícios remontam a 310 quando é contestada a validade da eleição do bispo de Cartago, Ceciliano, por ter sido por bispos “traidores”. Quando o édito de Diocleciano impõe aos cristãos que entreguem os livros Sagrados para serem queimados, aqueles que os entregaram voluntariamente foram apelidados de “traidores” e considerados como pecadores públicos.

Insatisfeitos, os bispos cismáticos (Donatistas) escolheram como novo bispo Donato, (daí o nome de donatistas da seita), dando origem a um cisma, opondo-o ao legítimo bispo Ceciliano.

Donato e os seus seguidores tinham resumido a declaração doutrinária nestes dois pontos: a Igreja é uma sociedade de santos e os sacramentos administrados pelos pecadores são inválidos. Em 313 d.C., uma comissão nomeada pelo Papa Melquíades condenou os donatistas, mas eles continuaram a existir, e consideravam-se a única igreja verdadeira. O pretexto doutrinal na verdade disfarçava oposições regionais e sociais: a Númidia contra a África pró-consular, proletários contra proprietários romanos. É neste ponto que se insere São Marcelino, vítima ilustre dos donatistas.

Marcelino desenvolvia em Cartago as tarefas de tribuno e notário.

Bom pai de família, cristão exemplar, é conhecido como amigo de Santo Agostinho.

Homem bem conhecido, que gozava da estima geral pela sua grande religiosidade: “fama et pietate notissimus”.

Desejoso de aprender, dirige-se a Santo Agostinho para ter clarificações sobre os pontos mais controversos da doutrina Católica. Devemos à louvável curiosidade do piedoso funcionário imperial algumas obras escritas do grande teólogo de Hipona, como o Tratado “Sobre a remissão dos pecados”, “Sobre o Espírito” e o mais célebre “Sobre a Santíssima Trindade”, que Marcelino não pôde ler pois, entretanto, pagou com a vida a coragem de integrar as fileiras da tradição Católica.

Na conferência realizada em Cartago, em 411 entre os bispos Católicos e os Donatistas, Marcelino dá a vitória aos católicos, isto valeu um Édito de proscrição contra os Donatistas, promulgado pelo imperador Honório. Por isto, os Donatistas vingaram-se acusando-o de cumplicidade com o usurpador Heracliano.

A acusação era grave e Marcelino foi condenado à morte a 13 de Setembro.

No ano seguinte o próprio imperador reconheceu o erro cometido pela justiça romana.

Retirada a acusação de cumplicidade entre Marcelino e o rebelde Heracliano, são sancionadas e aprovadas todas as decisões tomadas pelo tribuno Marcelino, que a Igreja honra como mártir por nunca ter cedido a compromissos contra a verdade, mesmo diante da morte.

Cf. Piero Bargellini em http://www.santiebeati.it/dettaglio/48650

Tradução e adaptação: P. Marcelino Caldeira

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


Beato Marcelino Martín Rubio e 17 companheiros
mártires Trapistas
Século XX - Espanha
Memória litúrgica a 4 de Dezembro
“Entre os mártires há um noviço de 23 anos, frei Marcelino Martín Rubio, aberto e alegre, que no momento da prisão não escondeu a sua condição de religioso.”
O Beato Marcelino Martín Rubio, nasceu a 4 de Novembro de 1913, em Espinosa de Villagonzalo, província de Palência, Espanha.
Aos 15 anos, entrou como oblato na Abadia Cistercience de Estricta Observância (Trapistas) de Viaceli, iniciando o noviciado em 1931, o qual abandonou ao fim de dois anos. Em 1935 regressou ao mosteiro como monge de coro. À época do martírio era noviço.
Preso e depois libertado, foi novamente preso e seguiu a sorte dos demais irmãos. Pelas cartas dirigidas a uma tia, monja cisterciense, pode-se observar o processo martirial dele e de todos os seus companheiros.
Aberto e de carácter muito alegre, não ocultou a sua condição de religioso no momento da sua detenção final.
A 8 de Setembro de 1936 a comunidade foi obrigada a abandonar o seu mosteiro, foram encarcerados e sofreram insultos e vexames. Alguns dias depois foram libertados. Mas, no espaço de poucas semanas, com o pretexto de fazer indagações sobre a proveniencia dos seus meios de sustento, foram novamente presos em dois grupos diferentes e assassinados no dia 3 e 4 de Dezembro. A causa de sua morte foi a de identificar-se - exclusivamente - como cristãos e religiosos. A fé foi o motivo da sua prisão e execução, com a agravante de uma procura de dinheiro por parte dos perseguidores. Os Servos de Deus sabiam muito bem o grave perigo que corriam e viveram a sua consagração até ao derramamento do sangue. Uma fé clara, uma caridade sincera e uma esperança inquebrantável concederam-lhe fortaleza para viver até às últimas consequências a sua fidelidade a Cristo e à Igreja. Jamais renegaram a sua condição de religiosos e prepararam-se conscientemente para caminhar, passando pela morte, ao encontro do seu Senhor. Depois, foram levados a bordo de uma barcaça para fora da baía de Santander e depois de lhes cozerem a boca com arames pois “iam a rezar”. Pensavam assim calá-los, a eles, que durante anos se reuniram na Igreja do Mosteiro para, sete vezes ao dia, começar a sua liturgia com as palavras: “Abri, Senhor os meus lábios e a minha boca cantará o Vosso louvor!”. Certamente que fecharam as suas bocas, mas estavam certos de que o louvor ao seu Criador e Redentor, mesmo nos momentos de dor e aparente fracasso, não cessaria. Os seus irmãos, os que viriam depois, continuariam esse louvor, abririam de novo as suas bocas acompanhando-os e confortando-os desde outro lugar com uma presença gozosa e renovada. Foram lançados ao mar com pesados pesos atados aos pés. Lançados às frias águas do Cantábrico, aquele mar que tantas vezes contemplaram desde as janelas do seu mosteiro, umas vezes sereno e azul outras cinzento e encrespado.
Frei Marcelino será feito prisioneiro alguns dias mais tarde, sofrendo a mesma sorte do resto dos monges. Tinha 23 anos de idade. O mais jovem dos mártires contava 20 anos (havia vários no grupo com menos de 25 anos) e o mais velho tinha 68. O testemunho destes mártires ilumina e inspira o nosso momento histórico. Os mártires ensinam-nos o amor à Verdade frente ao relativismo e ao fundamentalismo dos nossos dias. Frente ao “vale tudo” e frente ao “nada faz mal”, os nossos mártires recordam-nos que há ideais que são demasiado grandes para regatear o preço a pagar por eles. O martírio indica-nos onde se encontra a verdade do Homem, a sua grandeza e dignidade, a sua liberdade mais genuína e o comportamento mais verdadeiro e próprio do Homem que é inseparável do amor: por isso, o martírio é uma exaltação da perfeita «humanidade» e da verdadeira vida da pessoa. Os mártires são testemunho da fidelidade do homem à sua consciência bem formada como limite de todo o poder e garantia da sua semelhança divina.
Foi Beatificado com os seus companheiros no passado dia 3 de Outubro (2015), na catedral de Santander, pelo Cardeal Ângelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco.
Fonte: cf. Página Web da O.C.S.O

quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Beato Marcelino Ovejero Gómez,
irmão destinado ao sacerdócio 
da Ordem dos Frades Menores e mártir
Século XX - Espanha
Memória litúrgica a 6 de Novembro
Nasceu em Becedas (Ávila - Espanha), a 13 de Fevereiro de 1913.
Seus pais de humilde condição, foram Paulo (Pablo) e Cristina.
Em 1925, com 12 anos de idade, entrou no Seminário Franciscano de Alcázar de San Juan, onde cursou dois anos de Humanidade, tendo feito o terceiro no de Puebla de Montalbán.
Com 15 anos, tomou o hábito da Ordem dos Frades Menores, a 25 de Agosto de 1928, em Arenas de San Pedro, onde pronunciou os votos temporais, a 26 de Agosto de 1929. Tinha 16 anos de idade. Não chegou a emitir a profissão de votos solenes, nem recebeu Ordens Sacras por estar sujeito ao serviço militar, segundo as leis da Segunda República espanhola.
Em Pastrana fez os três anos de Filosofia, o primeiro de Teologia em Alcázar de San Juan e os restantes três anos de Teologia em Consuegra, tudo isto entre 1929 e 1936, ano em que sofreu o martírio, a 16 de Agosto.
Tímido, bondoso e humilde, frei Marcelino era muito querido e apreciado por todos os seus companheiros. Aluno mediano, obtinha boas classificações, devido ao seu empenho nos estudos. Sempre se mostrou piedoso, cumpridor do dever e respeitoso para com os superiores e professores. Sabia aceitar, sublimar e ultrapassar as contrariedades.
Apesar dos perigos que trouxe a República de 1931 em Espanha, depois do fogo lançado a vários conventos, os seus familiares quiseram levá-lo para a casa paterna na sua terra natal, contudo, frei Marcelino manteve-se firme nos compromissos dos seus votos religiosos e negou-se a sair do seu convento, dando provas de amor à sua vocação e de estar disposto ao martírio, que efectivamente veio a sofrer aos 22 anos de idade, dez dos quais passados na Ordem Franciscana.
Nos primeiros minutos do dia 16 de Agosto, os franciscanos do convento de Consuegra, foram tirados da igreja-prisão. Enquando saíam, o Padre Benigno Prieto del Pozo disse: “Não vos assusteis, irmãos, que vamos para o Céu”. Pouco depois, mandaram que regressassem à igreja-prisão os frades naturais de Consuegra e os irmãos não clérigos (irmãos leigos que não se destinavam ao sacerdócio), num total de oito, que seriam assassinados posteriormente. Os restantes 20 fizeram-nos subir para um camião.
Escoltados por vários carros, nos quais iam o Alcaide (Presidente da Câmara) e os membros do Ayuntamiento (executivo camarário), o camião saiu de Consuegra, passou por Urda e parou num lugar chamado “Boca de Balondillo”, no termo municipal de Fuente el Fresno (Ciudad Real). Os franciscanos, que tinham rezado durante toda a viagem, foram mandados descer do camião e colocar-se em fila a poucos metros da estrada. O Padre Victor Chumillas pediu ao Alcaide que os desatasse, para morrer com os braços em cruz, não lhes foi concedido. Pediu, então, que os fuzilassem de frente e o Alcaide permitiu que se voltassem. Então o Padre Victor disse à comunidade: “Irmãos, elevai os olhos ao Céu e rezai o último Pai Nosso, pois em breves momentos estaremos no Reino dos Céus. E perdoai aos que vos vão dar a morte”. E ao Alcaide disse: “Estamos dispostos a morrer por Cristo”. Imediatamente, frei Saturnino Rio Rojo gritou: “Perdoai-os, Senhor, pois não sabem o que fazem”. Começou a descarga de disparos. Nesse momento, vários dos franciscanos gritaram: “Viva Cristo Rei. Viva a Ordem Franciscana. Perdoai-os, Senhor!”. Eram aproximadamente as 3.45 horas da madrugada de 16 de Agosto de 1936, quando os 20 mártires franciscanos pagaram com a vida a sua fidelidade a Cristo e à sua Igreja (Bento XVI, «Angelus de 28.10.2007).
Os corpos dos vinte mártires franciscanos foram sepultados no cemitério de Fuente el Fresno. Em 1939 foram levados para o cemitério de Consuegra. A 15 de Agosto de 1940, foram os seus corpos transladados para a capela construída para o efeito na igreja do convento franciscano dessa localidade. A 23 de Dezembro de 1982 foram inhumados e depositados definitivamente na Igreja de San Juan de los Reyes em Toledo.
Foram Beatificados, incluídos no numeroso grupo de 498 mártires da perseguição religiosa na Espanha, pelo português, Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Bento XVI, a 28 de Outubro de 2007, na cidade de Roma.

Beato Marcelino Rebollar Campo
(Irmão Julião Marcelino)
religioso Marista e 67 companheiros mártires
Século XX - Espanha
Memória Litúrgica a 6 de Novembro
Marcelino nasceu a 29 de Novembro de 1914, em Tresviso, província de Santander e, na altura, Diocese de Oviedo.
Cumprindo o costume da época, no dia seguinte ao seu nascimento, seus pais, Maximino e Petra, levaram-no a baptizar à Igreja Paroquial da sua terra. Em 1922 foi Confirmado pelo bispo de Oviedo.
Tresviso é uma pequena vila, situada em plenos Picos da Europa, com concelho próprio, pertencia à jurisdição de Potes. Quando Marcelino nasceu, tinha pouco mais de cem habitantes. O terreno do município é montanhoso, muito apropriado para pasto e bosques onde abundam os carvalhos e as faias. Cultivam-se cereais, legumes e árvores de fruto e os abundantes pastos são aproveitados para a criação de gado.
O Senhor abençoou a família de Marcelino com uma especial fecundidade. Os seus pais tiveram oito filhos. Depois da morte da sua mãe, o pai casou em segundas núpcias e teve com a nova esposa mais nove filhos.
Cinco dos filhos consagraram-se a Deus: três foram Irmãos Maristas, um foi sacerdote e um era seminarista quando morreu na defesa de Oviedo em 1937. Neste ambiente familiar, crescia e ia-se formando Marcelino.
Era sério e formal e comportava-se de maneira correcta, ajudando os seus pais no que podia, sobretudo, costumava dedicar-se a guardar o gado, tarefa na qual era muito competente.
Aos dez anos foi para o Colégio dos Maristas de Oviedo. Um dos seus professores recorda que foi muito bom estudante. Passado algum tempo, depois da explicação do catecismo, disse um dia a este mesmo professor que queria ser religioso. Posteriormente, as suas cartas escritas do Seminário Marista ajudaram os seus irmãos a discernir a sua própria vocação.
Com 13 anos, ingressou no Seminário Marista de Venta de Baños (Palência) a 6 de Setembro de 1927, de onde, pouco tempo depois partiu, para Blancotte (França), para prosseguir os seus estudos e aprender o francês. A regressa a Espanha e a 13 de Setembro de 1930 passa noviciado de Tuy (Pontevedra), aqui toma o hábito Marista a 19 de Março de 1931, recebendo o nome de irmão Julião Marcelino. No mesmo dia, um ano depois (1932), emite os seus primeiros votos temporais. Antes que pudesse fazer a sua consagração perpétua, foi vilmente assassinado. A entrega da sua jovem vida a Deus no martírio foi a sua consagração definitiva.
Curta é a lista dos seus destinos, em Agosto de 1932, é enviado para Sahagún, para fazer estágio no ensino. Em Agosto de 1934, é destinado ao Colégio de São José de Madrid, situado na Rua Fuencarral, nº 126. Nesta cidade, foi preso e encarcerado e, nela, conseguiu a graça de morrer mártir.
Era um religioso observante, cheio de caridade e disposto ao sacrifício, que se sentia feliz com a sua vocação de educador e que a exercia com verdadeiro zelo apostólico. Como bom Irmão Marista, mostrava-se humilde, simples e modesto. Era amante do trabalho bem feito e era obediente em tudo.
No dia 15 de agosto de 1936 prenderam-no, juntamente com o irmão Ángel Hipólito e outro irmão, na residência de estudantes e, depois de passar a noite na Direcção Geral de Segurança, levaram-nos para a prisão de Ventas. Nela padeceu inquietações, perigos, inseguranças, privações e mais tratos. Só podia sofrer e rezar para suportar tantas contrariedades.
A 3 de Novembro tiraram-no da prisão de Ventas para mudá-lo para a de Alcalá de Henares. Ficou no caminho. Em Paracuellos del Jarama, nesse mesmo dia, caiu assassinado e foi enterrado numa fossa comum. Ali repousam os seus restos mortais. Tinha 22 anos de idade.
A 13 de Outubro de 2013, com mais 67 irmãos e leigos Maristas, integra o grupo de 522 mártires da Guerra Civil de Espanha, é Beatificado em Tarragona, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Serva de Deus 
MARCELINA Vélez Bustamante
Mártir da Guerra Civil de Espanha
Século XX - Espanha
Memória litúrgica 7 de Outubro
Marcelina Vélez Bustamante, naceu em Torrenueva (Ciudad Real), a 22 de Janeiro de 1895, na Rua do Hospital. Puseram-lhe os nomes de Marcelina, Rosario, Anastasia, Vicenta, María Jesús, Dolores de la Santísima Trinidad. Filha de Julián Vélez y Vélez e de Consuelo Bustamante Caballero. Faleceu, segundo acta de óbito expedida pelo Ministerio da Justicia, no dia 7 de Outubro de 1936, no cemintério de Valdepeñas, ao ser fusilada pelas milicias marxistas, em união de Marcos Velasco Guzmán e de Neófito de Lamo.
Passou a maior parte da sua vida em Santa Cruz de Mudela, com um familiar: María Rosario Laguna Laguna, que a teve sempre como a uma filha.
Foi uma mulher muito avançada para a sua época, pois era muito decidida para tudo. Gostava de montar a cavalo e vestir de amazona, o que nos seus tempos era impropio de uma mulher, pois era a única no povo que se atrevia a usar calças. Como vivia no seio de uma família ilustre e muito cristã, a sua vida estava dedicada a fazer obras de caridade: visitando doentes, socorrendo os necessitados, ajudando em quantas obras benéficas se promovíam na sua terra; quase sempre acompanhando sua tia Rosario. Com a morte da sua tia, a 28 de Outubre de 1929, dedicou-se a fazer crescer, assistir consolidar as Juventudes da Acção Católica. Desde a morte da sua tia Rosário, viveu com o seu irmão Ramón Vélez Bustamante, advogado e Presidente da Acção Católica de Santa Cruz de Mudela, e com outra irmã, María del Sagrario.
Ao chegar a Guerra Civil, no ano 1936, encontravam-se os três em Madrid e uma criada que tinham tido, novia do chefe das Milicias de Santa Cruz de Mudela, irmão do Presidente da Câmara, Antonio Urquijo, denunciou-os, pelo que foram detidos em Madrid, no mês de Agosto, e levados de volta para Santa Cruz de Mudela. A seu irmão Ramón fusilaram-no no camino do cemitério de Vicálvaro (Madrid), juntamente com a sua irmã Maria del Sagrario, morrendo os dois abraçados. A ela, Marcelina, mantiveram-sa encerrada durante muitos dias em Santa Cruz de Mudela, em casa dos Senhores Ortega, que tinha sido preparada para seu cárcere e de vários presos mais, pois as dependênsias do Pósito, estarem demasiado cheias de presos, segundo o relacto de familiares dos detidos, colocados num quarto próximo ao de Marcelina. As horas prévias ao fusilamiento, ouviram-na gritar, soluçar e quechar-se, tanto durante a noite como ao tirá-la para a conduzirem ao fuzilamiento em Valdepeñas. Pensa-se que foi maltratada e martirizada, sofrendo todo tipo de abusos e ultrajes físicos e psicológicos, inclusivamente tendo sido ferida. Durante a prisão submeteram-na a muitas humilhações e obrigaram-na a assinar documentos para que fizesse doação da sua fortuna.

terça-feira, 27 de agosto de 2019


São Marcelino e Santa Maneia,
esposos e companheiros, mártires
Século IV - Roménia
Memória Litúrgica a 27 de Agosto
Conjuntamente com a esposa Santa Maniea, São Marcelino encabeça um grupo de cinquenta mártires.
Martirizados na antiga Cítia de Tomis, actual Constanţa, na Roménia, nas margens do Mar Negro. Esta é a versão aceite na última edição do Martyrolgium Romanum, que estabelece a memória litúrgica deste grupo de santos mártires a 27 de Agosto.
Antigas fontes hagiográficas dizem que 17 membros da comunidade cristã, provavelmente da cidade de Ossirinco, foram denunciados ao governador pelos, egípcios de Tebas, tendo-se recusado a cumprir o decreto imperial que impunha o sacrifício aos deuses.
Os cristãos denunciados foram o tribuno Marcelino, a sua esposa Maniea, dois dos seus filhos, o bispo Melezio, três sacerdotes - um deles de nome Serapião -, o soldado Pedro, outros 7 leigos e uma mulher.
Todos foram acorrentados e conduzidos ao governador em Cítia de Tomis. Este tentou persuadi-los a obedecer ao decreto imperial, mas a veemente e repetida recusa valeu-lhes a condenação de serem lançados às feras na Arena. O governador tentou uma última vez demovê-los, com uma pergunta provocatória:
- “Não vos envergonhais de honrar um homem condenado à morte e sepultado há centenas de anos, por ordem de Pôncio Pilatos?”
A provocação não teve qualquer efeito nos condenados.
Segundo os autores das antigas fontes hagiográficas, o bispo Melezio, pronunciou uma profissão de fé na divindade de Jesus Cristo, claramente inspirada na definição dogmática emanada do Concílio de Niceia de 325.
Por fim, os intrépidos cristãos foram decapitados, pois, como diz a lenda, as feras quando foram soltas na Arena não lhe tocaram, nem o fogo que lhe lançaram conseguiu queimá-los.
São Marcelino e Santa Maneia fazem parte da multidão de casais cristãos que na história da humanidade escolheram revestir-se das vestas da santidade, mesmo se amiúde são desconhecidos do grande público.
Fonte: Cf. Fabio Arduino em http://www.santiebeati.it/
Tradução e adaptação: P. Marcelino Caldeira

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Servo de Deus Marcelino da Capradosso,
irmão leigo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos
Século XIX-XX – Itália
Memória a 26 de Fevereiro
Frei Marcelino Maoloni de Capradosso di Rotella (AP) nasceu a 22 Setembro de 1873, em Itália.
Desde a infância foi admirado pelos seus conterrâneos pela sua profunda piedade para com Deus, pela sua humidade e disposição para a penitência.
Seguiu o ideal de São Francisco de Assis na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.
Foi querido por Deus e pelas pessoas pela sua bondade para com os doentes, pela assídua mortificação de si mesmo e pela clara compreensão das divinas verdades.
Uma grave doença torna-o num verdadeiro mártir e prepara-o para o Reino dos Céus.
Morreu no Convento dos Capuchinhos de Fermo, a 26 de Fevereiro de 1909, com 36 anos de idade.
Ainda nos nossos dias são assinaladas graças obtivas pela sua intercessão.
As “Actas do Processo Diocesano” compiladas em Fermo, estão Roma esperando que a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos as examine.
Para conseguir imagens, biografias e comunicar “graças” obtidas pela sua intercessão, dirigir-se a:
VICE POSTULAZIONE del Servo di Dio Marcellino da Capradosso
CONVENTO CAPPUCCINI
63023 FERMO (AP)
Itália - Tel. 0734/219379

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017


Beata Marcelina Darowska
(Maria Marcelina da Imaculada Conceição), fundadora
Século XIX/XX - Ucrânia
Memória litúrgica a 5 de Janeiro
Foi Beatificada a 6 de Outubro de 1996, na Praça de São Pedro em Roma, pelo Papa São João Paulo II.
Marcelina Darowska nasceu a 28 de Janeiro de 1827, em Szulaki, na actual Ucrâina, à época Polónia ocupada pela Rússia. Marcelina era a quinta dos oito filhos de Jan Kotowicz e Maksymilia Jastrzebska, proprietários de terrenos agrículas abastados. Cresce no típio ambiente dos senhores rurais. Na época, a sua cidade natal Szulaki estava sob ocupação russa, que queria a todo o custo destruir o património cultural polaco, provocando o encerramento dos seminários e dos conventos da Igreja Católica, que era muito perseguida.
Marcelina fez a Primeira Comunhão aos 10 anos e aos 12 foi enviada a um rigoroso colégio interno feminino em Odessa. Desde menina, nela desabrochou o desejo de uma vida consagrada. Depois de ter estudado por três anos regressou a casa e começa a ajudar o pai na gestão das propriedades agrículas da família.
Não podendo satisfazer o seu desejo pela falta de conventos na região e por oposição paterna, acaba por prometer ao pai que se casaria.
Aos 21 anos aceitou casar com Karol Darowski proprietário de terras na Podolia (histórica região da Ucrâina, dividida, naquele tempo, entre a Austria e a Russia). Mas o matrimónio só se poderá celebrar um ano depois, pois Marcelina que teve que ceder à insistência do pai, reage com uma dolorosa paralisia na perna e um enfraquecimento geral do organismo, que quase a levou à morte.
Depois de semanas de doença recompõe-se a a 2 de Outubro de 1824 casou com Karol Darowski por obediência. Mesmo assim, foi uma esposa exemplar e do matrimónio nasceram dois filhos, José e Carolina.
Infelizmente, três anos depois, o marido morre de tifo e alguns meses depois também morre o filhinho José. Viúva as 25 anos promete a Nossa Senhora, fazendo um voto “de não voltar a pertencer a nenhuma criatura”. Assim, e para se curar faz uma viagem ao estrangeiro. Primeiro a Berlim, depois a Paris e a 11 de Abril de 1853 chega a Roma.