Maio de 2026
Claudio Cianfaglioni e equipa
da Palavra de Vida
«Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei
o Espírito Santo» (Jo 20,21-22)
Depois de ter aparecido a Maria de
Magdala na manhã de Páscoa, na tarde do mesmo dia o Ressuscitado tornou-se
presente, pela primeira vez, no meio dos seus discípulos. A reação imediata
deles foi a alegria, reforçada pela paz, a verdadeira paz que só Ele pode dar
(Cf.
Jo 14,27):
«A paz esteja convosco» (v. 21). Alegria e paz são os frutos do Espírito
(«Por
seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência…» (Gl 5,22). Na
verdade Jesus diz-lhes em seguida: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22).
«Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei
o Espírito Santo» (Jo 20,21-22)
O Espírito Santo não só habilita os
discípulos para a mesma missão de Jesus, dada pelo Pai, mas “recria-os” como
nova humanidade. O gesto do Ressuscitado, que soprou sobre eles, é o mesmo que
o Criador fez nas narinas do homem formado do pó da terra (Cf. Gn 2, 7). Assim
como a Criação é obra contínua do amor do Pai que sustém o universo inteiro,
também a nova Criação realizada pelo Ressuscitado, no Espírito Santo, sustém
continuamente a humanidade em caminho para o Reino.
A Palavra de Vida deste mês
recorda-nos que, na nossa existência, temos uma grande possibilidade:
tornarmo-nos “outros Jesus”. Isso é verdade para cada um de nós
individualmente, mas ainda mais comunitariamente. Jesus fala aos seus
discípulos no plural. De facto, só juntos, cada membro com a sua
especificidade, podemos “reproduzir” o Corpo Místico de Jesus.
«Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei
o Espírito Santo» (Jo 20,21-22)
Enquanto filhos no Filho, temos,
por isso, a mesma vocação de Jesus: saídos do seio do Pai, somos chamados a
voltar para Ele, repetindo no mundo os seus gestos e as suas palavras, guiados
pela graça do Espírito Santo. Se nos abrimos a este dom, também nós podemos
afirmar com Paulo: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim»
(Gl
2, 20).
Esta Palavra, portanto, convida-nos
a aprofundar o nosso relacionamento com o Espírito Santo, quer seja na oração
quer na vida de cada dia, “escutando a Sua voz”, e recordando que: «Sem o
Espírito, Deus está longe, Cristo permanece no passado, o Evangelho é letra
morta, a Igreja é uma simples organização, a missão reduz-se a propaganda. Mas,
com o Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, Cristo
Ressuscitado faz-se presente, o Evangelho torna-se força de vida, a Igreja
realiza a comunhão trinitária, a missão é um Pentecostes» (Inácio,
Metropolita de Laodiceia, Assembleia-Geral do Conselho Ecuménico das Igrejas, 5
de julho de 1968, citado pelo Papa Francisco na Homilia da solenidade de
Pentecostes, 31 de maio de 2020).
«Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei
o Espírito Santo» (Jo 20,21-22)
Andrea era um adolescente em plena
crise existencial: as dúvidas sobre o sentido da vida, o medo do futuro, as
fragilidades que experimentava pareciam-lhe montanhas intransponíveis e, por
vezes, estava sem coragem e infeliz. Alguém lhe sugeriu que falasse com Chiara Lubich. Pouco antes de a encontrar, Andrea ouviu
Chiara pronunciar em voz baixa: «Espírito Santo» – e compreendeu que Chiara
estava a rezar.
Durante o colóquio sentiu-se
profundamente compreendido, escutado e acolhido tal como era. E reencontrou a
paz: não porque os seus problemas tivessem desaparecido de repente, mas porque
agora tinha alguém com quem os partilhar.
«De Chiara não recebi apenas apoio
concreto – confidenciaria anos mais tarde – mas aprendi também um estilo de
vida: estar ao lado de quem sofre, com delicadeza e compreensão, sem julgar,
tal como faria Jesus».
Isto só o Espírito Santo pode
realizar, se O acolhermos e O deixarmos atuar em nós.
