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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024


Mensagem do Arcebispo de Évora para a Quaresma 2024

Ao Povo Santo de Deus, peregrino em terras do Alentejo e Ribatejo, da Arquidiocese de Évora; seus Presbíteros, Diáconos e Consagrados ao Serviço de Todos, a Paz esteja convosco!

1. A Quaresma que nos prepara para a Páscoa deste ano de 2024, desperta-nos para a necessidade de valorizarmos o nosso encontro pessoal e comunitário com a Misericórdia de Deus. Será a partir desta experiência que renovaremos e fortaleceremos a Paz e a Alegria dos nossos corações e consequentemente, o testemunho humanizado das Comunidades Cristãs em que caminhamos na Fé.

É este o propósito do nosso Ano Pastoral, “Revelar juntos um novo rosto de Comunidade”; para que o Espírito Santo nos molde e amadureça neste propósito de conversão pessoal e comunitário, rezamos e discernimos com a Palavra do Evangelho: «Por isso reconhecerão que sois meus discípulos: Se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 35). Como sabemos, a lei do amor fraterno não é uma novidade das catequeses de Jesus, porém Cristo dá-lhe um novo sentido e uma nova medida, assumindo-se Ele próprio como esse sentido novo e essa nova medida: “(…) como Eu vos amei”. O Seu Amor tem uma única medida, amar sem medida, por isso entrega a Sua vida pela redenção de todos; o Seu Amor tem um único sentido, revelar-nos a Misericórdia do Pai, pois o seu alimento é fazer a vontade do Seu Pai (Cf. Jo 4, 34).

O Mandamento Novo sugere a Nova Aliança. Lei e Aliança consideram-se duas noções paralelas, assim Jesus, ao dizer, “(…) Dou-vos”, actua não como simples intermediário de Deus, à maneira de Moisés e dos Profetas, mas com autoridade própria e em nome próprio, como Filho de Deus e Salvador. É o Verbo de Deus que nos revela a Nova e Eterna Aliança. Deste modo, a nossa pertença a Jesus e com Ele ao Pai exige-nos a conversão e vivência desta Palavra: “Por isso reconhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei”.

2. Os Quarenta Dias a que chamamos Quaresma são um Tempo de Graça, “Kairós”, que se nós quisermos, nos proporcionarão momentos de reflexão e exame de consciência, para que experimentemos a beleza do abraço misericordioso de Deus e a riqueza que nos vem da experiência da vida fraterna, “Ó como é bom viverem os irmãos no Amor de Deus!” (Sal 133, 1).

O ruído em que vivemos com frequência pode-nos roubar a liberdade interior, sobrepondo-se ao nosso discernimento e tornando-nos insensíveis aos sinais dos tempos, «ao grito dos pobres e da terra». Deste modo, somos impedidos de escutar o nosso coração onde Deus fala e ecoam os gritos da solidão e da pobreza de muitos irmãos. Por isso, importa cultivar o jejum face a todos os excessos que nos solicitam exclusiva obsessão e provar o oásis do silêncio interior, onde se tornará possível compreender que a nossa sede corresponde à água-viva da Boa Nova do Senhor.

Eis uma oportunidade de excelente terapia que, se quisermos, repito, poderemos usufruir nesta Quaresma.

Oração, jejum e partilha fraterna são os três pilares da Quaresma; desde a mais remota tradição proporcionada pelos Padres do deserto, pelos Monges, Doutores da Igreja e Mendicantes, estas três práticas quaresmais renovarão as nossas vidas e farão das nossas Comunidades eclesiais, “Mães de coração aberto para todos os sedentos de Esperança”. Neste contexto da espiritualidade e da sabedoria cristã, recordo as palavras do nosso amado Papa Francisco, proferidas aos estudantes universitários na JMJ em Lisboa e agora citadas na sua Mensagem Quaresmal: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim» (03/VIII/2023). É um mundo novo que nasce, experimentando nós simultaneamente os gritos doridos do mundo velho que morre.

3. No contexto doloroso de violência generalizada e de “guerra mundial feita aos pedaços”, como refere o Santo Padre, proponho que a Renúncia Quaresmal deste ano, se destine às Igrejas do Médio-Oriente, vítimas de guerra e que façamos chegar a essas Comunidades a nossa partilha através da Santa Sé, ao serviço da Caridade do Papa Francisco.

Agradeço todo o esforço, dedicação e generosidade da Igreja Diocesana, nomeadamente da sua Cáritas, da sua Cúria e Economato, que permitiram o envio de 20.000€, correspondente à Renúncia Quaresmal de 2023, para as vítimas dos terramotos ocorridos na Turquia e na Síria. Também este quantitativo foi enviado através do ministério da Caridade do Santo Padre, o Papa Francisco.

Como já é tradição, confio mais uma vez a campanha da Renúncia Quaresmal 2024 à Cáritas Diocesana, aos Reverendíssimos Párocos, aos Serviços Centrais da Arquidiocese e à generosidade de todos os Cristãos, entidades, empresas e pessoas de boa vontade.

Com todos permaneço em comunhão de oração, jejum e caridade. E a todos desejo fecunda Quaresma e Santa Páscoa!

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

MENSAGEM PARA A QUARESMA 2021

Como ser discípulo Missionário da Esperança em tempo de Pandemia?

Estimados Sacerdotes, caros Diáconos, Dilectos Consagrados, Amados Irmãos e Irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Saúdo-vos com fraternal apreço, na esperança de que vos sintais iluminados e alimentados pela Palavra do Senhor e fortalecidos pelo Espírito Santo que no íntimo do vosso coração vos orienta e ensina todas as coisas necessárias para a vossa santificação pela fidelidade batismal, e para vossa liberdade interior de Filhos de Deus; e por isso vencedores do Pecado e testemunhas do Amor de Deus expresso na Sua Misericórdia, e por nós vivido no mandamento Novo do Amor Cristão.

1 - Certamente viveremos esta Quaresma de uma forma muito diferente, devido ao confinamento exigido pela dolorosa e inesperada evolução pandémica no mundo e muito concretamente no nosso País, onde experimentamos momentos de assinalável aflição e continuamos a viver preocupantes apreensões face às necessárias alterações de vida, dita normal, e às múltiplas consequências destes confinamentos, na vida económica e social, e com consequências diversas nas comunidades, sem esquecer as sequelas psicossociais e as consequências sentidas pelas novas gerações face às diversas vicissitudes que atravessa a Escola e todo o ensino, bem como as marcas sentidas na Saúde das populações, em diversos casos em que deixaram de ser acompanhadas ou sequer atendidas.

Seja-me permitido a todos lembrar, que parece ser decisivamente importante para o sucesso do desconfinamento, o simultâneo êxito da campanha nacional de vacinação que deve merecer de todos nós um compromisso de cidadania consciente, responsável e solidário com os mais débeis e em situação urgente, bem como os seus cuidadores. Tudo indica que com o êxito da vacinação beneficiaremos do tão desejável desconfinamento progressivo, atento e prudente da sociedade.

Importa recordar que o nosso compromisso cristão tem consequências no exercício da nossa cidadania e do testemunho autêntico de caridade. A este propósito lembro a Palavra do Papa Francisco, na sua mensagem para a Quaresma de 2021, intitulada “Quaresma, tempo de renovar a fé, a esperança e a caridade”: «A caridade alegra-se ao ver o outro crescer; e de igual modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado... A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos, gerando o vínculo da partilha e da comunhão. (...) A caridade é dom que dá sentido à nossa vida e graças ao qual consideramos quem se encontra na privação como membro da nossa própria família, um amigo, um irmão. O pouco, se partilhado com amor, nunca acaba, mas transforma-se em reserva de vida e felicidade. Aconteceu assim com a farinha e o azeite da viúva de Sarepta, que oferece ao profeta Elias o bocado de pão que tinha (cf. 1 Rs 17, 7-16), e com os pães que Jesus abençoa, parte e dá aos discípulos para que os distribuam à multidão (cf. Mc 6, 30-44). O mesmo sucede com a nossa partilha, seja ela pequena ou grande, oferecida com alegria e simplicidade».

2 - A Quaresma não pode ser um resto arqueológico de práticas ascéticas de outras épocas, mas “Tempo Favorável”, Kairós, na qual podemos fazer a experiência, pela participação, do Mistério Pascal de Cristo, tornando-se pela Fé, nosso contemporâneo. Assim nos lembra o Apóstolo das Gentes: «Ora se somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos para também com Ele sermos glorificados». (Rom 2, 17)

A Quaresma é o “Tempo Favorável”, no qual, Cristo purifica a Igreja, Sua esposa: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a igreja e se entregou por ela para a santificar, purificando-a, no banho da água, pela palavra. Ele quis apresentá-la esplêndida, como Igreja sem mancha, nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada” (Ef. 5, 25-27). Deste modo, a Quaresma e o seu carácter sacramental, é-nos proposta não tanto com a acentuação nas práticas ascéticas, mas na valorização da acção purificadora e santificadora do Senhor. As acções penitenciais são sinal da nossa participação no mistério de Cristo que por nós se fez penitente e jejuou no deserto. É o Senhor que dá eficácia aos gestos penitenciais dos seus fiéis; por Ele, tais penitências adquirem o valor de acções litúrgicas, ou seja, acções de Cristo e da Sua Igreja.

Pela História da Igreja, sabemos que a Quaresma surge unida à vivência batismal, sobre a qual se fundamenta o seu carácter penitencial de conversão. A Igreja é uma comunidade pascal porque é batismal. Isto percebe-se, não só porque se entra na Igreja pelo batismo, mas também porque a Igreja é chamada a uma contínua vida de conversão, exprimindo assim a sua fidelidade ao próprio Sacramento que a gera. É daqui que nos encontramos com o carácter eclesial da Quaresma. Eis, pois, o tempo da grande convocatória de todo o Povo de Deus para que se deixe purificar e salvar por aquele que é o seu Senhor e Salvador.

Todos recordamos com a reforma litúrgica do Vaticano II que a Quaresma é uma caminhada eclesial de Quarenta Dias, a iniciar em Quarta-feira de Cinzas e a encerrar-se no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor; assim se conclui a Quaresma e inicia a Semana Santa. A Quaresma é um Tempo Forte que nos prepara para a celebração da Festa Maior do Cristianismo, a Páscoa, e que esta preparação nos convida à penitência, através da contrição dos pecados cometidos, com decisão de conversão e emenda de vida, testemunhando a verdade desta metanoia com obras de autêntica caridade, através de gestos de partilha fraterna e solidária com os irmãos mais necessitados de obras de misericórdia corporais e espirituais. Assim a penitência não é assumida só de modo intimista e individual, mas sobretudo de modo testemunhal e eclesial. Deste modo, a Penitência Quaresmal manifesta o nosso arrependimento pelo pecado, enquanto ofensa a Deus, e com consequências sociais que tentamos reparar pelos nossos actos de caridade e com a participação da Igreja através da sua contínua oração pelos pecadores.

3. Os meios sugeridos pela Igreja para a prática Quaresmal são a escuta mais frequente da Palavra de Deus, a oração mais intensa e prolongada, a prática do jejum e das obras de caridade (Vat. II S.C. 109-110). Para apoiar os Cristãos nesta vivência e tendo em conta o contexto atípico de Pandemia, proponho cinco propostas que poderão proporcionar algum conforto e ajuda espiritual:

- Catequeses Quaresmais, que abordarão o tema do nosso Ano Pastoral “Discipulos Missionários da Esperança pelo Acolhimento e pela Procura”, que serão seis catequeses por mim apresentadas, desde Quarta-feira de Cinzas até à Quarta-feira da Semana Santa, na qual meditaremos a perícope «Vinde a Mim Vós que andais sobrecarregados e eu vos aliviarei» (Mt. 11, 28). Estas catequeses serão transmitidas às 19,15 horas nos canais digitais da Arquidiocese (Página. Youtube, e Facebook) e também no canal televisivo Canção Nova. (A Catequese de Quarta-feira de Cinzas dia 17 de fevereiro, por ser só de carácter introdutório, será apenas transmitida através dos canais digitais da Arquidiocese).

- Domingo em família: com a finalidade de acompanhar as famílias, neste contexto de confinamento, os Departamentos Diocesanos da Pastoral Litúrgica e da Educação da Fé dos Adultos e do Apostolado dos Leigos prepararam, para cada Domingo um subsídio que leva a cada família que o deseje, o apoio espiritual e a solicitude pastoral, a transmitir todos os Domingos na página digital e no Facebook da Arquidiocese.

- Renúncia quaresmal: seguindo um apelo da Caritas Portuguesa, dirigida ao Sr. Presidente da Conferência Episcopal, «este será o segundo ano consecutivo em que a rede nacional Caritas se verá privada de realizar o peditório público na rua. Se os recursos diminuíram por via dos constrangimentos que a pandemia nos colocou, esta mesma pandemia trouxe um número acrescido de solicitações a que, em conjunto, temos procurado dar resposta». Assim, apelo a todos os diocesanos que juntos ofereçamos a nossa Renúncia Quaresmal a favor da nossa Caritas Diocesana, a quem confio, como nos anos anteriores, a concretização desta recolha, indicando com criatividade e precisão os modos como todos poderemos participar neste gesto solidário tão urgente, e a que o Papa Francisco também alude na sua mensagem: “Viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid-19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, lembrando-nos da palavra que Deus dera ao seu Servo – «não temas, porque Eu te resgatei» (Is 43, 1).

- Quaresma da Morte à Ressurreição: conferência proferida pelo Padre Carlos Carneiro SJ, dia 27 de fevereiro pelas 21,30 horas, uma iniciativa do Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil, cujo link será indicado nos canais digitais da Arquidiocese.

- Início do Ano Dedicado à Família: celebração na Igreja de S. Francisco no dia 19 de março, pelas 21, 30 horas, iniciativa do Departamento Diocesano da Pastoral Familiar, cujo link será indicado nos canais digitais da Arquidiocese.

Assumamos estas propostas, levando-as às nossa oração pessoal e colocando-as nas Preces Litúrgicas ou Orações Universais, inclusive na oração em família e nas celebrações transmitidas pelos diversos meios digitais ou de comunicação social.

Na comunhão da oração e da caridade a todos desejo Santa Quaresma

Évora, 17 de fevereiro e Quarta-feira de Cinzas do ano 2021.

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora

quarta-feira, 6 de maio de 2020


ORIENTAÇÕES 
PARA A REABERTURA DAS IGREJAS
E PREPARAÇÃO 
PARA AS CELEBRAÇÕES COMUNITÁRIAS DA FÉ 
DO ARCEBISPO DE ÉVORA

          Tendo terminado o estado de emergência e iniciado a situação de calamidade pública com o progressivo desconfinamento a que somos chamados neste momento de transição para as celebrações comunitárias da fé, agradeço ao estimado Povo de Deus o acolhimento dado às Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa (02.03.2020; 13.04.2020; 02.05.2020) e às minhas (10.03.2020; 13.03.2020), bem como às das autoridades governamentais e de saúde.
          Continuamos numa situação de grande contenção, pois, como todos sabemos, a ameaça ainda não foi ultrapassada nem vencida definitivamente, e, como nos pede o Papa Francisco, “devemos acolher a graça da prudência e da obediência às orientações oficiais, para que a pandemia não regresse”. Como referi sobre este tema, neste reinício das celebrações comunitárias da fé, “é preferível uma peugada segura do que uma derrapagem dolorosa”.
          Sabemos que, em princípio, o reinício das celebrações comunitárias da fé acontecerá na véspera da Solenidade do Pentecostes (30 de Maio). No entanto, ainda estamos dependentes da avaliação que será feita pelo Governo no final da primeira etapa do desconfinamento. Apesar disso, e enquanto aguardamos novas orientações da Conferência Episcopal Portuguesa, deixamos para este momento de transição algumas orientações: 
     1. As Igrejas e Capelanias poderão abrir as suas portas, durante o dia, para oração individual dos fiéis, de acordo com as necessidades pastorais e os costumes de cada localidade/comunidade. Para isso, devem ter na entrada um dispensador de Solução Antisética de Base Alcoólica (SABA) bem como um cartaz a indicar o uso obrigatório de máscara, o distanciamento social e não contacto com superfícies, imagens ou outros elementos; deve ser providenciado o não uso de água nas pias de água benta, no profundo respeito pelas exigências sanitárias; 
     2. Perante as várias questões colocadas pelos párocos em relação ao agendamento de celebrações comunitárias, lembro que os Sacramentos que exijam contacto e impliquem unção (Baptismo, Confirmação, Unção dos Doentes) devem ser adiados para o próximo Ano Pastoral, excepto em situações de assinalável gravidade. Deverão ser também adiadas as Celebrações da Primeira Comunhão e Profissão de Fé;
     3. Em relação à Celebração dos Matrimónios é aconselhável o seu adiamento para o próximo Ano Pastoral. Aguardamos a evolução da situação epidemiológica e as orientações a emanar pela Conferência Episcopal Portuguesa para as celebrações comunitárias; 
     4. Relativamente ao Sacramento da Reconciliação, deverá ser escolhido um espaço adequado onde poderão ser cumpridas todas as normas de segurança de saúde bem como garantir o necessário distanciamento entre o confessor e o penitente, sendo sempre salvaguardado o inviolável segredo de confissão;
     5. Todas as Festas, Procissões, Acampamentos ou actividades que impliquem um significativo aglomerado de pessoas e apelem a festejos posteriores deverão ser também adiadas para o Próximo Ano Pastoral; 
     6. Em relação à Catequese, bem como a outras acções formativas, deverão continuar a ser realizadas através das plataformas digitais até ao final deste ano catequético; 
     7. As Exéquias cristãs poderão celebrar-se com a presença de familiares, seja na Igreja ou na Casa Mortuária ou, como até ao momento, com encomendação no Cemitério. Deverá ter-se em consideração a dimensão do espaço para a celebração, atendendo ao número de familiares presentes. 
          Agradeço, mais uma vez, a dedicação dos párocos e demais sacerdotes e diáconos, religiosos e religiosas, bem como de todos os profissionais de saúde, forças de segurança e de socorro, aos Bombeiros, às Santas Casas da Misericórdia e Centros Sociais Paroquiais e a quantos neste tempo de epidemia se têm dedicado à ajuda dos que mais necessitam, sobretudo os mais frágeis e indefesos. 
          Neste tempo, mais do que nunca, somos chamados a ser Discípulos Missionários da Esperança pelo acolhimento e pela disponibilidade para a todos servir.  
          Imploramos de Deus todas as graças e bênçãos, para quantos foram e são atingidos por esta epidemia, nomeadamente os que faleceram, os doentes e suas famílias. Que Nossa Senhora, Mãe de Jesus, interceda por todos nós. 
Évora, 5 de Maio de 2020 
+ Francisco, Arcebispo de Évora

quarta-feira, 4 de março de 2020


40 Dias no Deserto

“Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido: não desprezareis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.” (Sl 51[50], 19)
04 de Março de 2020
Quarta-feira da I Semana da Quaresma

“A Quaresma é um tempo privilegiado de conversão, pela escuta da Palavra de Deus e pelo acolhimento de catequeses mais aprofundadas, que nos recordam os grandes temas baptismais, preparando-nos de modo renovado e consciente para a vivência da Páscoa.
Este percurso exige de nós combate espiritual para crescermos nas virtudes cristãs da fé, da esperança e da caridade, e para renunciarmos ao pecado. Pede-nos igualmente um jejum medicinal, que nos fortaleça na nossa liberdade interior para dizer “Sim” e “Não” e, ao mesmo tempo, um jejum caritativo, ou seja, que leve à partilha de nós mesmos, do nosso tempo e dos nossos bens, com quem tem necessidades materiais ou da nossa presença.
Baptizados na morte e ressurreição de Cristo, somos chamados a viver segundo os critérios do Homem Novo, não seguindo meras propostas ideológicas nem uma moral abstrata, mas o testemunho de vida de Cristo, na sua obediência filial ao Pai. No tempo da Quaresma, o Povo de Deus é convidado a empreender um esforço exigente e libertador, abrindo-o ao chamamento do Senhor e da Comunidade cristã.”
+ Francisco José Senra Coelho, Arcebispo de Évora
Mensagem Quaresmal 2020

ORAÇÃO
Olhai com bondade, Senhor, para a devoção do vosso povo e fazei que, mortificando o corpo pela penitência, renovemos o espírito com o fruto das boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020




Mensagem Quaresmal 2020
Sedentos de Esperança a caminho da Páscoa
1 – A Quaresma é um tempo privilegiado de conversão, pela escuta da Palavra de Deus e pelo acolhimento de catequeses mais aprofundadas, que nos recordam os grandes temas baptismais, preparando-nos de modo renovado e consciente para a vivência da Páscoa.
Este percurso exige de nós combate espiritual para crescermos nas virtudes cristãs da fé, da esperança e da caridade, e para renunciarmos ao pecado. Pede-nos igualmente um jejum medicinal, que nos fortaleça na nossa liberdade interior para dizer “Sim” e “Não” e, ao mesmo tempo, um jejum caritativo, ou seja, que leve à partilha de nós mesmos, do nosso tempo e dos nossos bens, com quem tem necessidades materiais ou da nossa presença.
Baptizados na morte e ressurreição de Cristo, somos chamados a viver segundo os critérios do Homem Novo, não seguindo meras propostas ideológicas nem uma moral abstrata, mas o testemunho de vida de Cristo, na sua obediência filial ao Pai. No tempo da Quaresma, o Povo de Deus é convidado a empreender um esforço exigente e libertador, abrindo-o ao chamamento do Senhor e da Comunidade cristã.
Privando-se pelo jejum e pela abstinência do alimento terreno, o povo santo de Deus, aprenderá a valorizar e a saborear, acima de tudo, o Pão da Palavra de Deus e da Eucaristia e os apelos vindos dos sinais dos tempos e da caridade que nos leva ao dever de partilhar os bens com os outros, como nos exorta o II Concílio do Vaticano, na sua Constituição sobre a Sagrada Liturgia, nº 110 «A penitência quaresmal deve ser também externa e social, e não só interna e individual». Por isso, orar e celebrar a Eucaristia no Tempo Quaresmal significa «percorrer, juntamente com Cristo, o itinerário da provação que pertence à Igreja e a cada ser humano; assumir mais decididamente a obediência filial ao Pai e o dom de si aos irmãos que constituem o sacrifício espiritual». Assim, renovando com o Espírito Santo os compromissos do nosso Baptismo, na noite pascal poderemos “fazer a passagem”, a Páscoa, para a vida nova de Jesus, o Senhor ressuscitado, para a glória do Pai, na unidade do Espírito.
2 – A Quaresma é por nós vivida, sob o desafio de respondermos aos apelos do Senhor dirigidos a esta Arquidiocese de Évora, edificando em nós o testemunho de vida como “Discípulos missionários da Esperança”, de modo a construirmos comunidades empenhadas em “Procurar e acolher os sedentos da esperança”.
Eis a Palavra de Jesus que nos guia no amadurecimento espiritual e crescimento pastoral: «Vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei» (Mt 11, 28). Nesta perícope, Jesus põe em destaque como os mistérios do Reino, que os fariseus rejeitaram, são na verdade revelados por Ele, Filho de Deus, aos pequeninos, isto é, àqueles que os aceitam com simplicidade. Estes são os discípulos, os pobres de espírito, os fatigados e oprimidos, pelo fardo da lei e das observâncias farisaicas.
Jesus chama-os à liberdade, a uma incondicional adesão a Ele, que é o único a tornar tudo leve, pois mostra-se humilde diante de Deus e suave para com os homens.
Eis os discípulos missionários da Esperança, os que procuram e acolhem!
Os pobres, os sofredores, os marginalizados, os pequenos, os desconfiados da possibilidade do Amor, são bem-aventurados, porque encontrarão conforto e alento n’Aquele que para eles é o enviado do Pai e com eles se fez, a Ele mesmo, um deles.
Para todos nós, este é tempo de graça, pois a Quaresma é tempo favorável, Kairós de Deus! Por isso, também para nós, o Hoje de Deus nos convida a tornarmo-nos pequenos e humildes, percorrendo os caminhos da metanoia, da conversão, indo até Àquele que nos quer salvar.
O modo sincero, autêntico e coerente de actuação na caridade solidária e fraterna para com o próximo é sair da neutralidade passiva, omissa, indiferente e alheada, e comprometermo-nos em favor de todos os sós, pobres, sofredores e abandonados; no dizer do nosso querido Papa Francisco, comprometermo-nos com as periferias sociais e existenciais da Humanidade. Afinal, fazermo-nos presentes com toda a verdade das nossas vidas. É na busca desta radicalidade de verdade que o Papa nos dirige a sua mensagem para esta Quaresma, intitulada «Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20)
3 – A Quaresma propõe-nos acções concretas que testemunhem ao mundo a nossa vontade de conversão e tornem credíveis as nossas decisões de fraterna partilha, por isso, como nos anos anteriores, propomo-nos a realizar uma Renúncia Quaresmal que dedicamos a quem nos parece necessitado do sinal da nossa presença enquanto Igreja Diocesana.
No pretérito Ano Pastoral 2018-2019, enviámos a nossa Renúncia Quaresmal às Igrejas da Venezuela e de Moçambique (diocese da Beira), devido às terríveis provações com se debateram e ainda se debatem.
Agradeço a toda a Arquidiocese a oferta de vinte cinco mil euros que prontamente fizemos chegar à Cáritas Nacional para esta lhes enviar.
Neste primeiro Ano Pastoral, de um triénio dedicado à Esperança, lembro que os Consagrados estão sempre a caminho em busca do que Deus quer deles e do que os fiéis lhes pedem, por isso, o Santo Padre insiste constantemente na profecia, como elemento indispensável da vida consagrada; o «louvor que dá alegria ao povo de Deus, visão profética que revela o que canta e reza». Assim, a Vida consagrada é chamada a manter acesa a lâmpada do profetismo, tornando-se um farol para quantos estão desorientados no alto mar, uma tocha para aqueles que caminham na escuridão, uma sentinela para aqueles que não veem uma saída na vida. No coração dos Consagrados o convite do Papa Francisco deve ressoar bem alto: «Despertai o mundo! Sede testemunho de uma maneira diferente de fazer, de agir e de viver. Na Igreja, os religiosos são chamados a ser profetas, a dar testemunho de como Jesus viveu nesta terra e a proclamar como o Reino de Deus estará na sua perfeição».
Neste Ano Pastoral, convido toda a Arquidiocese a dedicar a sua Renúncia Quaresmal às duas comunidades Contemplativas Femininas presentes na nossa Arquidiocese: a Ordem da Imaculada Conceição (Monjas Concepcionistas) do Mosteiro da Imaculada Conceição em Campo Maior e a Família Monástica de Belém da Assunção da Virgem e de S. Bruno, estas ainda com o seu Mosteiro em construção na paróquia de Santo António do Couço.Renovo a gratidão da Igreja em Évora, à Cáritas Arquidiocesana pela coordenação desta campanha nos anos anteriores, e volto a confiar-lhe esta tarefa de dinamizar e coordenar a recolha das Renúncias nesta Quaresma.
Santa e Fecunda Quaresma para todos!
Évora, memória litúrgica dos Santos Pastorinhos de Fátima 
e centenário da morte de Santa Jacinta Marto,
20 de fevereiro de 2020
+  Francisco José Senra Coelho, 
Arcebispo de Évora

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


Natal 2019
MENSAGEM e SAUDAÇÃO 
do Arcebispo de Évora
1.Mensagem
Neste ano Pastoral de 2019-2020, celebramos o Natal do Senhor, na Alegria de nos sentirmos convocados a ser discípulos missionários da Esperança, muito concretamente, através do acolhimento e da procura dos irmãos, que sentem sede de Esperança e desejam encontrar-se com a Luz.
Sabemos que o ruído próprio da sociedade de consumo em que vivemos confunde os autênticos valores do Natal, com propostas meramente fúteis e banais, e que, por isso mesmo, nós cristãos, somos chamados a mostrar com as nossas vidas, a beleza autêntica do Natal, a sua mensagem e os seus desafios. Assim, nesta sociedade marcada por tantos desencontros, celebremos o Natal como mistério e proposta de encontro. Em Jesus, nascido em Belém, encontramos Deus feito Homem e n’Ele nos encontramos com todos os Humanos: «Glória a Deus nas Alturas e Paz na terra aos homens por Ele amados». (Lc 2, 14).
O «Verbo que Se fez carne» (Jo 1, 14) é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Eis a lição do presépio, o «Evangelho vivo» como lhe chama o Papa Francisco: Deus habita também no mundo e quer ser habitado por cada pessoa que há no mundo. Por isso, procuremos Deus em Jesus, e acolhamos Jesus em cada ser humano.
Em Jesus, Deus vem ligar o que está desligado. Constatamos que por vezes perdemos os «laços» que nos ligam uns aos outros. Se deixarmos, o individualismo toma de tal maneira conta de nós, que nem nos apercebemos de como estamos aprisionados em nós mesmos. O mistério do Natal é, pois, um convite de abertura total a Deus e à humanidade. É esta abertura que configura a nossa libertação e a nossa felicidade.
Com tantas actividades e ocupações, o nosso olhar torna-se inevitavelmente disperso. Não nos centramos no que verdadeiramente importa. Frequentemente nem no Natal conseguimos parar. Somos pois convidados, neste tempo, a parar e a olhar serenamente para Jesus na Sua imagem de encanto e ternura no presépio, e na Sua presença real na Eucaristia; a reencontrarmos a beleza da nossa vocação e a humanizarmos os nossos ambientes com a força que nos vem do Evangelho.
É a Jesus que pertencemos desde o Baptismo. Estamos n’Ele enxertados para por Ele sermos transformados. Façamos do Natal um acontecimento gerador de paz, pois na manjedoura nasceu a paz duradoura. É essa paz que somos chamados a semear na nossa vida e na humanidade. Deixemo-nos envolver por este mistério Santo que nos transfigura e revela a beleza do Amor, pelo qual somos amados.
Não foi para o mundo ficar igual que Deus se fez Natal. É para que tudo seja diferente que Deus revela um amor omnipotente: um amor que é capaz de Se fazer o que nós somos para que nós nos deixemos tocar pelo que Ele é. Sejamos discípulos deste Menino que muda a nossa vida e guardemos a Sua divina Palavra em nosso coração para a testemunhar no dia a dia. Como Maria, que deu Cristo à luz na sua carne, que nós demos Cristo à luz na nossa vida: com o nosso testemunho, com a nossa disponibilidade missionária para acolher, procurar e abraçar.
Discípulos e missionários do Natal, levemos aos mais desprotegidos e abandonados «o Menino que nasceu, o Filho que nos foi dado» (Is 9, 6). Que o melhor presente seja a nossa presença e a transfiguração de Cristo na vida de cada irmão!
Que neste Natal nos encontremos com Cristo e O saibamos ver em quem sofre. Que O encontremos nos mais frágeis e sós e lhes levemos o Sim fraterno do Amor que Deus lhes dedica. Que a nossa criatividade pessoal e a criatividade das nossas comunidades cristãs vençam a rotina ou a inércia e percorram caminhos novos de encontros humanizadores.
Natal é tempo propício e favorável a gestos comprometidos com a esperança e empreendedores de humanidade. Que cada comunidade cristã seja lugar de encontro com Cristo, seja presépio e Natal.
Que os valores supremos da vida humana, desde o seu primeiro instante até à morte natural, dignificada, devidamente assistida e acompanhada; que o valor da família, património imaterial da humanidade e berço natural da vida e que os valores inegociáveis de cada pessoa humana centrem a sociedade na vivência da solidariedade fraterna e sejam compromissos para cada um de nós neste Natal.
2. Saudação
Saúdo e desejo Santo Natal aos nossos estimados Presbíteros, Diáconos, Consagrados e alunos dos Seminários! Para cada um deles o reconhecimento da Igreja Diocesana!
Saúdo e desejo Santo Natal às queridas famílias, aos casais em vivência matrimonial, seus idosos, doentes, pessoas com deficiência, jovens, adolescentes e crianças. Que no centro de cada família esteja presente a manjedoura onde Cristo nasce, vive e cresce e que a riqueza humana de cada família seja presépio onde acontece o acolhimento que Maria e José não encontraram em Belém!

Saúdo e desejo Santo Natal a todas as pessoas de boa vontade que com esforço e dedicação tudo fazem para a edificação de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica!
Saúdo com especial gratidão e desejo Santo Natal a todos os que vão trabalhar para o bem comum na Noite de Consoada e no Dia de Natal!
Saúdo e desejo Santo Natal aos serviços de saúde que servem as nossas populações, bem como às Santas Casas da Misericórdia, aos Centros Sociais, às Escolas, aos Serviços de Segurança Social, aos Soldados da Paz, às Forças Armadas, de Segurança e Proteção Civil, aos Tribunais e demais Serviços de Justiça, aos Estabelecimentos Prisionais, a todos os Meios de Comunicação Social ao serviço da nossa região, a todos os refugiados e imigrados no nosso país e a viverem agora connosco, bem como àqueles que connosco viviam e agora experimentam a contingência da emigração.
Por todos ergo a minha oração e a todos desejo Santo e Feliz Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.
+ Francisco José, Arcebispo de Évora

sexta-feira, 1 de março de 2019


Mensagem Quaresmal do Arcebispo de Évora

Discípulos Missionários em Tempo de Quaresma
A Arquidiocese de Évora, em comunhão com o Santo Padre e com a Igreja universal, unida à Igreja em Portugal, (cf. “Todos, Tudo e Sempre em Missão”), vive o Ano Pastoral 2018-19 em proposta de renovação missionária, no desafio do tema Discípulos Missionários. Conforme refere o nosso Plano Pastoral, “Muito há a fazer para que o rosto missionário da Igreja seja mais evidente e produza frutos mais abundantes nos vários âmbitos da comunidade humana que é o horizonte largo que Jesus confiou aos seus discípulos de ontem e de hoje”.
«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,15) é o desejo que Jesus Cristo nos legou e para o qual espera de cada cristão uma entrega incondicional. Esta entrega, como nos refere o Papa Francisco ao convocar a Igreja para a vivência do Mês Missionário, no centenário da promulgação da Carta Apostólica Maximum Illud, de Bento XV (1919), assenta em quatro pilares, que recordamos: encontro pessoal com Cristo, testemunho de vida, formação e caridade missionária. Em tempo de Quaresma, podemos retomar estas quatro propostas de crescimento e amadurecimento e fazermos delas uma estrada de compromisso e conversão que nos levem à Páscoa da Ressurreição.
Só no encontro pessoal com Cristo, se alicerça a caridade missionária pelo testemunho de vida. O desejo de mais formação é consequência da experiência de Deus que nos abre sempre novos horizontes de dádiva e de beleza. Por isso, convido todos os cristãos a valorizar, neste Tempo Favorável, a nossa oração pela escuta mais atenta e assídua da Palavra de Deus; pela vivência dos Sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação; pela prática dos atos de piedade tradicionais, como a adoração ao Santíssimo Sacramento, Via Sacra e Oração do Rosário a Nossa Senhora. Recordo a valorização que devemos colocar na vivência do Lausperene Quaresmal, programado para as nossas paróquias, e nos tempos de “Retiro” e Peregrinação que poderemos organizar enquanto paróquias, grupos e movimentos eclesiais. Importa que neste Ano Missionário nos proponhamos em valorizar a qualidade dos nossos encontros pessoais e comunitários com o Mestre, para que renovemos a nossa alegria de discípulos missionários e vençamos a rotina.
Nesta primeira Mensagem Quaresmal que vos dirijo, descalço os meus pés, na certeza de que piso “terra sagrada” ao bater à porta da vossa consciência cristã para vos pedir em nome do Senhor, um renovado Amor à Sua Igreja, pela qual Ele se entregou, amou até ao fim e deu a vida. Os tempos de purificação que vivemos, pedem-nos oração e compromisso missionário. A nossa fidelidade a Cristo e entrega à Comunidade Cristã são a primeira resposta aos desafios que vivemos. Será no nosso encontro com o Senhor que encontraremos sempre renovadas energias para testemunhar o poder libertador da nossa fé.
Na sua Mensagem para esta Quaresma, o Papa Francisco lembra-nos que «a celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, chama-nos sempre a viver um itinerário de preparação, cientes de que nos torna semelhantes a Cristo (cf Rom 8, 29) e é um dom inestimável da misericórdia de Deus», por isso, o nosso encontro com o Senhor há-de levar-nos a uma identificação com os Seus valores e critérios através da renovação do Mistério Pascal em cada um de nós, na medida em que pela conversão morremos para o homem velho e renascemos com Cristo para o homem novo. A vivência deste dinamismo pascal será a melhor preparação para a vivência autêntica do próximo Tríodo Pascal, que queremos continuar a celebrar com todo o empenho.
A Quaresma é “sinal sacramental” de conversão na medida em que nos convida a encontrarmo-nos de forma mais intensa e concreta com o Mistério Pascal, através da oração, do jejum e da penitência. Estas atitudes próprias deste Tempo, aprofundam a nossa dimensão relacional com Deus, com os Irmãos e com toda a criação e delas brotam a paz e o equilíbrio ecológico tão necessários e urgentes para toda a humanidade e para a nossa “Casa comum” Por isso, a vivência quaresmal leva em si um contributo capaz de valorizar a nossa cidadania. A este propósito o Papa refere que «Rompendo-se a comunhão com Deus, acaba por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto do jardim se transformar num deserto (cf Gn3,17-18)».
Somos convidados a alargar a tenda do nosso coração e a olhar para os irmãos em dificuldade com o mesmo olhar de Cristo. Esta atitude fraterna e solidária é consequência necessária do nosso encontro de discípulos com a misericórdia de Deus. A partilha dos bens espirituais e materiais é a proclamação pela vida, que Deus é Pai de todos e nós somos o rosto do Seu Amor para todos.
Neste ano, através da Cáritas Nacional, dirigimos a nossa Renúncia Quaresmal aos Irmãos e Irmãs da Venezuela, cujas necessidades são testemunhadas pelos constantes apelos do Episcopado daquele país. Convido-vos a abrir os olhos do vosso coração e a fazer deste gesto de comunhão um abraço que encoraje e faça sentir a nossa presença junto dos mais necessitados daquele povo irmão, a quem nos unem tantos laços de convivência migratória.
Como nos anos anteriores, cofio à Cáritas Diocesana a Campanha da Renúncia Quaresmal. O produto recolhido em cada paróquia será entregue ao Vigário da Vara que, por sua vez, o fará chegar à Cúria Diocesana.
Évora, 27 de fevereiro de 2019
+ Francisco, Arcebispo de Évora