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sábado, 14 de fevereiro de 2026


«MENSAGEM» do Papa Leão XIV 
para a Quaresma de 2026

Queridos irmãos e irmãs!

A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor» (Ex 3, 7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de recetividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja» (Exort. ap. Dilexi te - 4 de outubro de 2025, 9).

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Na verdade, a abstinência de alimentos é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Portanto, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

Com grande sensibilidade espiritual, Santo Agostinho deixa transparecer a tensão entre o tempo presente e a realização futura que atravessa esta salvaguarda do coração, quando observa que: «Ao longo da vida terrena, cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciados pertence à outra vida. Os anjos saciam-se deste pão, deste alimento. Os homens, pelo contrário, sentem fome dele, estão inclinados ao seu desejo. Esta inclinação ao desejo dilata a alma, aumentando a sua capacidade» (Santo Agostinho, A utilidade do jejum, 1, 1). Compreendido neste sentido, o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem.

No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade. Ele exige um permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor, porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus» (Bento XVI, Catequese - 9 de março de 2011). Como sinal visível do nosso compromisso interior de, com o apoio da graça, nos afastarmos do pecado e do mal, o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a fazer-nos assumir um estilo de vida mais sóbrio, pois «só a austeridade torna forte e autêntica a vida cristã» (São Paulo VI, Catequese - 8 de fevereiro de 1978).

Por isso, gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.

Juntos

Por fim, a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. A Escritura sublinha também este aspeto de várias maneiras. Por exemplo, ao narrar no livro de Neemias que o povo se reuniu para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispôs à confissão de fé e à adoração, a fim de renovar a aliança com Deus (cf. Ne 9, 1-3).

Do mesmo modo, as nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento. Neste contexto, a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.

De coração, abençoo todos vós e o vosso caminho quaresmal.

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024


Mensagem do Arcebispo de Évora para a Quaresma 2024

Ao Povo Santo de Deus, peregrino em terras do Alentejo e Ribatejo, da Arquidiocese de Évora; seus Presbíteros, Diáconos e Consagrados ao Serviço de Todos, a Paz esteja convosco!

1. A Quaresma que nos prepara para a Páscoa deste ano de 2024, desperta-nos para a necessidade de valorizarmos o nosso encontro pessoal e comunitário com a Misericórdia de Deus. Será a partir desta experiência que renovaremos e fortaleceremos a Paz e a Alegria dos nossos corações e consequentemente, o testemunho humanizado das Comunidades Cristãs em que caminhamos na Fé.

É este o propósito do nosso Ano Pastoral, “Revelar juntos um novo rosto de Comunidade”; para que o Espírito Santo nos molde e amadureça neste propósito de conversão pessoal e comunitário, rezamos e discernimos com a Palavra do Evangelho: «Por isso reconhecerão que sois meus discípulos: Se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 35). Como sabemos, a lei do amor fraterno não é uma novidade das catequeses de Jesus, porém Cristo dá-lhe um novo sentido e uma nova medida, assumindo-se Ele próprio como esse sentido novo e essa nova medida: “(…) como Eu vos amei”. O Seu Amor tem uma única medida, amar sem medida, por isso entrega a Sua vida pela redenção de todos; o Seu Amor tem um único sentido, revelar-nos a Misericórdia do Pai, pois o seu alimento é fazer a vontade do Seu Pai (Cf. Jo 4, 34).

O Mandamento Novo sugere a Nova Aliança. Lei e Aliança consideram-se duas noções paralelas, assim Jesus, ao dizer, “(…) Dou-vos”, actua não como simples intermediário de Deus, à maneira de Moisés e dos Profetas, mas com autoridade própria e em nome próprio, como Filho de Deus e Salvador. É o Verbo de Deus que nos revela a Nova e Eterna Aliança. Deste modo, a nossa pertença a Jesus e com Ele ao Pai exige-nos a conversão e vivência desta Palavra: “Por isso reconhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei”.

2. Os Quarenta Dias a que chamamos Quaresma são um Tempo de Graça, “Kairós”, que se nós quisermos, nos proporcionarão momentos de reflexão e exame de consciência, para que experimentemos a beleza do abraço misericordioso de Deus e a riqueza que nos vem da experiência da vida fraterna, “Ó como é bom viverem os irmãos no Amor de Deus!” (Sal 133, 1).

O ruído em que vivemos com frequência pode-nos roubar a liberdade interior, sobrepondo-se ao nosso discernimento e tornando-nos insensíveis aos sinais dos tempos, «ao grito dos pobres e da terra». Deste modo, somos impedidos de escutar o nosso coração onde Deus fala e ecoam os gritos da solidão e da pobreza de muitos irmãos. Por isso, importa cultivar o jejum face a todos os excessos que nos solicitam exclusiva obsessão e provar o oásis do silêncio interior, onde se tornará possível compreender que a nossa sede corresponde à água-viva da Boa Nova do Senhor.

Eis uma oportunidade de excelente terapia que, se quisermos, repito, poderemos usufruir nesta Quaresma.

Oração, jejum e partilha fraterna são os três pilares da Quaresma; desde a mais remota tradição proporcionada pelos Padres do deserto, pelos Monges, Doutores da Igreja e Mendicantes, estas três práticas quaresmais renovarão as nossas vidas e farão das nossas Comunidades eclesiais, “Mães de coração aberto para todos os sedentos de Esperança”. Neste contexto da espiritualidade e da sabedoria cristã, recordo as palavras do nosso amado Papa Francisco, proferidas aos estudantes universitários na JMJ em Lisboa e agora citadas na sua Mensagem Quaresmal: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim» (03/VIII/2023). É um mundo novo que nasce, experimentando nós simultaneamente os gritos doridos do mundo velho que morre.

3. No contexto doloroso de violência generalizada e de “guerra mundial feita aos pedaços”, como refere o Santo Padre, proponho que a Renúncia Quaresmal deste ano, se destine às Igrejas do Médio-Oriente, vítimas de guerra e que façamos chegar a essas Comunidades a nossa partilha através da Santa Sé, ao serviço da Caridade do Papa Francisco.

Agradeço todo o esforço, dedicação e generosidade da Igreja Diocesana, nomeadamente da sua Cáritas, da sua Cúria e Economato, que permitiram o envio de 20.000€, correspondente à Renúncia Quaresmal de 2023, para as vítimas dos terramotos ocorridos na Turquia e na Síria. Também este quantitativo foi enviado através do ministério da Caridade do Santo Padre, o Papa Francisco.

Como já é tradição, confio mais uma vez a campanha da Renúncia Quaresmal 2024 à Cáritas Diocesana, aos Reverendíssimos Párocos, aos Serviços Centrais da Arquidiocese e à generosidade de todos os Cristãos, entidades, empresas e pessoas de boa vontade.

Com todos permaneço em comunhão de oração, jejum e caridade. E a todos desejo fecunda Quaresma e Santa Páscoa!

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora

sábado, 27 de fevereiro de 2021

11º POSTAL DA QUARESMA 2021

Mensagem para a Quaresma de 2021 do Papa Francisco

“Que este apelo a viver a Quaresma

como percurso de conversão,

oração e partilha dos nossos bens,

nos ajude a repassar,

na nossa memória comunitária e pessoal,

a fé que vem de Cristo vivo,

a esperança animada pelo sopro do Espírito

e o amor

cuja fonte inexaurível

é o coração misericordioso do Pai.”

Papa Francisco

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

2º POSTAL DA QUARESMA 2021

oração para a Quaresma de Stº Efrém «O Sírio»

Concedei-nos de ver os nossos pecados,

Senhor das nossas vidas,

afastai de nós

o espírito do ócio, da tristeza, do domínio e da palavra vã.

(Prostramo-nos)

Concedei aos Vossos servos

o espírito de castidade, de humildade, de perseverança e caridade, 

pois nunca é suficiente.

(Prostramo-nos)

Sim, nosso Senhor e nosso Rei

concedei-nos de ver os nossos pecados

e de não julgar os irmãos

pois Vós Sois bendito

pelos séculos dos séculos.

Ámen.

(Prostramo-nos e inclinamo-nos até ao chão e dizemos três vezes)

Deus, tende piedade de mim, que sou pecador.

Deus, purificai-me pois sou pecador.

Deus, meu Criador, salvai-me.

Perdoai, Senhor, os meus numerosos pecados!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

1º POSTAL DA QUARESMA 2021

Mensagem para a Quaresma de 2021 do Papa Francisco

“O jejum, a oração e a esmola – tal como são apresentados por Jesus na sua pregação (cf. Mt 6, 1-18) – são as condições para a nossa conversão e sua expressão. O caminho da pobreza e da privação (o jejum), a atenção e os gestos de amor pelo homem ferido (a esmola) e o diálogo filial com o Pai (a oração) permitem-nos encarnar uma fé sincera, uma esperança viva e uma caridade operosa.”

Papa Francisco

MENSAGEM PARA A QUARESMA 2021

Como ser discípulo Missionário da Esperança em tempo de Pandemia?

Estimados Sacerdotes, caros Diáconos, Dilectos Consagrados, Amados Irmãos e Irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Saúdo-vos com fraternal apreço, na esperança de que vos sintais iluminados e alimentados pela Palavra do Senhor e fortalecidos pelo Espírito Santo que no íntimo do vosso coração vos orienta e ensina todas as coisas necessárias para a vossa santificação pela fidelidade batismal, e para vossa liberdade interior de Filhos de Deus; e por isso vencedores do Pecado e testemunhas do Amor de Deus expresso na Sua Misericórdia, e por nós vivido no mandamento Novo do Amor Cristão.

1 - Certamente viveremos esta Quaresma de uma forma muito diferente, devido ao confinamento exigido pela dolorosa e inesperada evolução pandémica no mundo e muito concretamente no nosso País, onde experimentamos momentos de assinalável aflição e continuamos a viver preocupantes apreensões face às necessárias alterações de vida, dita normal, e às múltiplas consequências destes confinamentos, na vida económica e social, e com consequências diversas nas comunidades, sem esquecer as sequelas psicossociais e as consequências sentidas pelas novas gerações face às diversas vicissitudes que atravessa a Escola e todo o ensino, bem como as marcas sentidas na Saúde das populações, em diversos casos em que deixaram de ser acompanhadas ou sequer atendidas.

Seja-me permitido a todos lembrar, que parece ser decisivamente importante para o sucesso do desconfinamento, o simultâneo êxito da campanha nacional de vacinação que deve merecer de todos nós um compromisso de cidadania consciente, responsável e solidário com os mais débeis e em situação urgente, bem como os seus cuidadores. Tudo indica que com o êxito da vacinação beneficiaremos do tão desejável desconfinamento progressivo, atento e prudente da sociedade.

Importa recordar que o nosso compromisso cristão tem consequências no exercício da nossa cidadania e do testemunho autêntico de caridade. A este propósito lembro a Palavra do Papa Francisco, na sua mensagem para a Quaresma de 2021, intitulada “Quaresma, tempo de renovar a fé, a esperança e a caridade”: «A caridade alegra-se ao ver o outro crescer; e de igual modo sofre quando o encontra na angústia: sozinho, doente, sem abrigo, desprezado, necessitado... A caridade é o impulso do coração que nos faz sair de nós mesmos, gerando o vínculo da partilha e da comunhão. (...) A caridade é dom que dá sentido à nossa vida e graças ao qual consideramos quem se encontra na privação como membro da nossa própria família, um amigo, um irmão. O pouco, se partilhado com amor, nunca acaba, mas transforma-se em reserva de vida e felicidade. Aconteceu assim com a farinha e o azeite da viúva de Sarepta, que oferece ao profeta Elias o bocado de pão que tinha (cf. 1 Rs 17, 7-16), e com os pães que Jesus abençoa, parte e dá aos discípulos para que os distribuam à multidão (cf. Mc 6, 30-44). O mesmo sucede com a nossa partilha, seja ela pequena ou grande, oferecida com alegria e simplicidade».

2 - A Quaresma não pode ser um resto arqueológico de práticas ascéticas de outras épocas, mas “Tempo Favorável”, Kairós, na qual podemos fazer a experiência, pela participação, do Mistério Pascal de Cristo, tornando-se pela Fé, nosso contemporâneo. Assim nos lembra o Apóstolo das Gentes: «Ora se somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos para também com Ele sermos glorificados». (Rom 2, 17)

A Quaresma é o “Tempo Favorável”, no qual, Cristo purifica a Igreja, Sua esposa: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a igreja e se entregou por ela para a santificar, purificando-a, no banho da água, pela palavra. Ele quis apresentá-la esplêndida, como Igreja sem mancha, nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada” (Ef. 5, 25-27). Deste modo, a Quaresma e o seu carácter sacramental, é-nos proposta não tanto com a acentuação nas práticas ascéticas, mas na valorização da acção purificadora e santificadora do Senhor. As acções penitenciais são sinal da nossa participação no mistério de Cristo que por nós se fez penitente e jejuou no deserto. É o Senhor que dá eficácia aos gestos penitenciais dos seus fiéis; por Ele, tais penitências adquirem o valor de acções litúrgicas, ou seja, acções de Cristo e da Sua Igreja.

Pela História da Igreja, sabemos que a Quaresma surge unida à vivência batismal, sobre a qual se fundamenta o seu carácter penitencial de conversão. A Igreja é uma comunidade pascal porque é batismal. Isto percebe-se, não só porque se entra na Igreja pelo batismo, mas também porque a Igreja é chamada a uma contínua vida de conversão, exprimindo assim a sua fidelidade ao próprio Sacramento que a gera. É daqui que nos encontramos com o carácter eclesial da Quaresma. Eis, pois, o tempo da grande convocatória de todo o Povo de Deus para que se deixe purificar e salvar por aquele que é o seu Senhor e Salvador.

Todos recordamos com a reforma litúrgica do Vaticano II que a Quaresma é uma caminhada eclesial de Quarenta Dias, a iniciar em Quarta-feira de Cinzas e a encerrar-se no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor; assim se conclui a Quaresma e inicia a Semana Santa. A Quaresma é um Tempo Forte que nos prepara para a celebração da Festa Maior do Cristianismo, a Páscoa, e que esta preparação nos convida à penitência, através da contrição dos pecados cometidos, com decisão de conversão e emenda de vida, testemunhando a verdade desta metanoia com obras de autêntica caridade, através de gestos de partilha fraterna e solidária com os irmãos mais necessitados de obras de misericórdia corporais e espirituais. Assim a penitência não é assumida só de modo intimista e individual, mas sobretudo de modo testemunhal e eclesial. Deste modo, a Penitência Quaresmal manifesta o nosso arrependimento pelo pecado, enquanto ofensa a Deus, e com consequências sociais que tentamos reparar pelos nossos actos de caridade e com a participação da Igreja através da sua contínua oração pelos pecadores.

3. Os meios sugeridos pela Igreja para a prática Quaresmal são a escuta mais frequente da Palavra de Deus, a oração mais intensa e prolongada, a prática do jejum e das obras de caridade (Vat. II S.C. 109-110). Para apoiar os Cristãos nesta vivência e tendo em conta o contexto atípico de Pandemia, proponho cinco propostas que poderão proporcionar algum conforto e ajuda espiritual:

- Catequeses Quaresmais, que abordarão o tema do nosso Ano Pastoral “Discipulos Missionários da Esperança pelo Acolhimento e pela Procura”, que serão seis catequeses por mim apresentadas, desde Quarta-feira de Cinzas até à Quarta-feira da Semana Santa, na qual meditaremos a perícope «Vinde a Mim Vós que andais sobrecarregados e eu vos aliviarei» (Mt. 11, 28). Estas catequeses serão transmitidas às 19,15 horas nos canais digitais da Arquidiocese (Página. Youtube, e Facebook) e também no canal televisivo Canção Nova. (A Catequese de Quarta-feira de Cinzas dia 17 de fevereiro, por ser só de carácter introdutório, será apenas transmitida através dos canais digitais da Arquidiocese).

- Domingo em família: com a finalidade de acompanhar as famílias, neste contexto de confinamento, os Departamentos Diocesanos da Pastoral Litúrgica e da Educação da Fé dos Adultos e do Apostolado dos Leigos prepararam, para cada Domingo um subsídio que leva a cada família que o deseje, o apoio espiritual e a solicitude pastoral, a transmitir todos os Domingos na página digital e no Facebook da Arquidiocese.

- Renúncia quaresmal: seguindo um apelo da Caritas Portuguesa, dirigida ao Sr. Presidente da Conferência Episcopal, «este será o segundo ano consecutivo em que a rede nacional Caritas se verá privada de realizar o peditório público na rua. Se os recursos diminuíram por via dos constrangimentos que a pandemia nos colocou, esta mesma pandemia trouxe um número acrescido de solicitações a que, em conjunto, temos procurado dar resposta». Assim, apelo a todos os diocesanos que juntos ofereçamos a nossa Renúncia Quaresmal a favor da nossa Caritas Diocesana, a quem confio, como nos anos anteriores, a concretização desta recolha, indicando com criatividade e precisão os modos como todos poderemos participar neste gesto solidário tão urgente, e a que o Papa Francisco também alude na sua mensagem: “Viver uma Quaresma de caridade significa cuidar de quem se encontra em condições de sofrimento, abandono ou angústia por causa da pandemia de Covid-19. Neste contexto de grande incerteza quanto ao futuro, lembrando-nos da palavra que Deus dera ao seu Servo – «não temas, porque Eu te resgatei» (Is 43, 1).

- Quaresma da Morte à Ressurreição: conferência proferida pelo Padre Carlos Carneiro SJ, dia 27 de fevereiro pelas 21,30 horas, uma iniciativa do Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil, cujo link será indicado nos canais digitais da Arquidiocese.

- Início do Ano Dedicado à Família: celebração na Igreja de S. Francisco no dia 19 de março, pelas 21, 30 horas, iniciativa do Departamento Diocesano da Pastoral Familiar, cujo link será indicado nos canais digitais da Arquidiocese.

Assumamos estas propostas, levando-as às nossa oração pessoal e colocando-as nas Preces Litúrgicas ou Orações Universais, inclusive na oração em família e nas celebrações transmitidas pelos diversos meios digitais ou de comunicação social.

Na comunhão da oração e da caridade a todos desejo Santa Quaresma

Évora, 17 de fevereiro e Quarta-feira de Cinzas do ano 2021.

+ Francisco José Senra Coelho

Arcebispo de Évora

domingo, 12 de abril de 2020


40 Dias no Deserto
“O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia. Glória e louvor a Cristo para sempre. Aleluia.” (Cf. Lc 24, 34; cf. Ap 1, 5)
12 de Abril de 2020
Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

“Cristo derrotou a morte, causada pelo nosso pecado, e reconduz-nos à vida imortal. Deste acontecimento provêm toda a vida da Igreja e a própria existência dos cristãos. … Um dos sinais característicos da fé na Ressurreição é a saudação entre os cristãos no tempo pascal, inspirada pelo antigo hino litúrgico: «Cristo ressuscitou! / Verdadeiramente ressuscitou!». É uma profissão de fé e um compromisso de vida, … De que modo podemos encontrar o Senhor e tornar-nos cada vez mais suas testemunhas autênticas? … aprender a dirigir constantemente o olhar da mente e do coração para a altura de Deus, onde está Cristo ressuscitado. Portanto, na oração, na adoração Deus encontra o homem. Na adoração o homem reconhece aquilo que vale em sentido puro, simples e santo». Só se soubermos dirigir-nos a Deus, rezar-Lhe, poderemos descobrir o significado mais profundo da nossa vida, e o caminho quotidiano é iluminado pela luz do Ressuscitado.”
Bento XVI, «Regina Coeli», 25 de Abril de 2011

ORAÇÃO

Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida. Por Nosso Senhor.

sábado, 11 de abril de 2020


40 Dias no Deserto
“Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam postas em Deus.” (1 Pd 1, 21)
11 de Abril de 2020
Sábado Santo

“Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne ... Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos. … «Desperta, tu que dormes; levanta-te de entre os mortos e Cristo te iluminará». … «Eu te ordeno: Desperta, tu que dormes, porque Eu não te criei para que permaneças cativo no reino dos mortos. Levanta-te de entre os mortos; Eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, minha imagem e semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em Mim e Eu em ti, somos um só. … «Vê no meu rosto os escarros que por ti suportei, para te restituir o sopro da vida original. Vê no meu rosto as bofetadas que suportei para restaurar à minha semelhança a tua imagem corrompida. «Vê no meu dorso os açoites que suportei, para te livrar do peso dos teus pecados. Vê as minhas mãos fortemente cravadas à árvore da cruz, por ti, que outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. «Adormeci na cruz, e a lança penetrou no meu lado, por ti, que adormeceste no paraíso e formaste Eva do teu lado. O meu lado curou a dor do teu lado. O meu sono despertou-te do sono da morte. A minha lança susteve a lança que estava dirigida contra ti. «Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore, símbolo da vida; mas Eu, que sou a vida, estou agora junto de ti. Ordenei aos querubins que te guardassem como servo; agora ordeno aos querubins que te adorem como a Deus, embora não sejas Deus. «Está preparado o trono dos querubins, prontos os mensageiros, construído o tálamo, preparado o banquete, adornadas as moradas e os tabernáculos eternos, abertos os tesouros, preparado para ti desde toda a eternidade o reino dos Céus».”
De uma antiga homilia de Sábado Santo (Séc. IV)

ORAÇÃO
Deus eterno e omnipotente: ao celebrarmos o mistério redentor de vosso Filho Unigénito, que depois de ter descido à morada dos mortos saiu vitoriosamente do sepulcro, concedei aos vossos fiéis que, sepultados com Cristo no Baptismo, também com Cristo ressuscitem para a vida eterna. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 10 de abril de 2020


40 Dias no Deserto
“Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido, pela vossa justiça, salvai-me.” (Sal 30 (31), 2)
10 de Abril de 2020
Sexta-feira da Paixão do Senhor

"Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" (Mt 27, 46)
… de Jesus Abandonado.
É clara a minha missão, a minha vocação,
o desígnio de Deus sobre mim…
amar profundamente Jesus,
viver na mais íntima comunhão com o Transfigurado
...e não permitir que o grito do Abandonado:
“Meu Deus, meu Deus, porquê me abandonaste?” (Mt 27, 46),
volte a ecoar sobre a face da terra.
Não permitir que, no Getsémani,
Jesus se volte a sentir sozinho,
na sua “tristeza de morte” (Mt 26, 38)
e a dizer: "«Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo!" (Mt 26, 40)
Que em circunstância alguma,
o Verbo de Deus, feito Homem das Dores,
se volte a sentir Abandonado e só…
A minha missão, a minha vocação,
o desígnio de Deus sobre mim…
amá-LO, adorá-LO, contemplá-LO, conformar-me a Ele,
ser seu companheiro e vigiar com Ele (cf. Mt 26, 38) ...
Mesmo que todos Vos abandonem, Jesus,
concedei-me a graça de Vos ser fiel
e jamais Vos deixar só…
A minha missão, a minha vocação,
o Vosso desígnio de amor sobre mim…
Amar-Vos, ser Vossa companhia,
viver no Vosso Coração
e d’Ele ser bálsamo
que, com amor, suaviza e cura a ferida
da Vossa Solidão ... do Vosso Abandono!
P. Marcelino Caldeira, Fátima, 20/8/2009 e Borba, 22/4/2011

ORAÇÃO
Deus de infinita misericórdia, que pela paixão de Cristo Nosso Senhor destruístes a morte, herança do antigo pecado transmitida a todo o género humano, fazei que, renovados à imagem do vosso Filho, assim como, pela nossa natureza, levamos a imagem do homem terrestre, levemos também, pela vossa graça, a imagem do homem celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

quinta-feira, 9 de abril de 2020


40 Dias no Deserto
“Amou-os até ao fim.” (Jo 13, 2)
09 de Abril de 2020
Quinta-feira da Santa

“«Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer» (Lc 22, 15): com estas palavras Jesus inaugurou a celebração do seu último banquete e da instituição da sagrada Eucaristia. No desejo de Jesus, podemos reconhecer o desejo do próprio Deus: o seu amor pelos homens, pela sua criação, um amor em expectativa. O amor que espera o momento da união, o amor que quer atrair os homens a si, para assim realizar também o desejo da própria criação: esta, de facto, aguarda a manifestação dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 19). Jesus deseja-nos, aguarda-nos. E nós, temos verdadeiramente desejo d’Ele? Sentimos, no nosso interior, o impulso para O encontrar? Ansiamos pela sua proximidade, por nos tornarmos um só com Ele, dom este que Ele nos concede na sagrada Eucaristia? Ou, pelo contrário, sentimo-nos indiferentes, distraídos, inundados por outras coisas? Sabemos pelas parábolas de Jesus sobre banquetes, que Ele conhece a realidade dos lugares que ficam vazios, a resposta negativa, o desinteresse por Ele e pela sua proximidade. Jesus sabia também de convidados que viriam sim, mas sem estar vestidos de modo nupcial: sem alegria pela sua proximidade, fazendo-o somente por costume e com uma orientação bem diversa na sua vida. Quem não vive a fé como amor, não está preparado … e é expulso. A comunhão eucarística exige a fé, mas a fé exige o amor; caso contrário, está morta, inclusive como fé….«Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa». Senhor, Vós tendes desejo de nós, de mim. Tendes desejo de nos fazer participantes de Vós mesmo na Sagrada Eucaristia, de Vos unir a nós. Senhor, suscitai também em nós o desejo de Vós. Reforçai-nos na unidade convosco e entre nós. Dai à vossa Igreja a unidade, para que o mundo creia. Amen.”
Bento XVI, «Homilia» na Missa da Ceia do Senhor, 21 de Abril de 2011

ORAÇÃO
Senhor nosso Deus, que nos reunistes para celebrar a Ceia santíssima em que o vosso Filho Unigénito, antes de Se entregar à morte, confiou à Igreja o sacrifício da nova e eterna aliança, fazei que recebamos, neste sagrado banquete do seu amor, a plenitude da caridade e da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

quarta-feira, 8 de abril de 2020


40 Dias no Deserto
“Buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.” (Salmo 68 (69), 33)
08 de Abril de 2020
Quarta-feira da Semana Santa

“O Pai, que sustentou Jesus na Paixão, anima-nos, também a nós, no serviço. É certo que amar, rezar, perdoar, cuidar dos outros, tanto em família como na sociedade, pode custar; pode parecer uma via-sacra. Mas a senda do serviço é o caminho vencedor, que nos salvou e salva, que nos salva a vida. … olhai para os verdadeiros heróis que vêm à luz nestes dias: não são aqueles que têm fama, dinheiro e sucesso, mas aqueles que se oferecem para servir os outros. Senti-vos chamados a arriscar a vida. Não tenhais medo de a gastar por Deus e pelos outros! Lucrareis… Porque a vida é um dom que se recebe doando-se. E porque a maior alegria é dizer sim ao amor, sem se nem mas... Dizer sim ao amor, sem se nem mas, como fez Jesus por nós.”
Francisco, «Homilia», 05.04.2020

ORAÇÃO
Senhor nosso Deus, que, para nos libertar do poder do inimigo, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz, concedei aos vossos servos a graça da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

terça-feira, 7 de abril de 2020


40 Dias no Deserto
“A minha boca proclamará ..., dia após dia a vossa infinita salvação.” (Sal. 70 (71), 15ab)
07 de Abril de 2020
Terça-feira da Semana Santa

“Deus salvou-nos, servindo-nos. Geralmente pensamos que somos nós que servimos a Deus. Mas não; foi Ele que nos serviu gratuitamente, porque nos amou primeiro. É difícil amar, sem ser amado; e é ainda mais difícil servir, se não nos deixamos servir por Deus.
Uma pergunta: e como nos serviu o Senhor? Dando a sua vida por nós. Somos queridos a seus olhos, mas custamos-Lhe caro. Santa Ângela de Foligno testemunhou que ouviu de Jesus estas palavras: «Amar-te não foi uma brincadeira». O seu amor levou-O a sacrificar-Se por nós, a tomar sobre Si todo o nosso mal. É algo que nos deixa sem palavras: Deus salvou-nos, deixando que o nosso mal se encarniçasse sobre Ele: sem reagir, somente com a humildade, paciência e obediência do servo, exclusivamente com a força do amor. E o Pai sustentou o serviço de Jesus: não desbaratou o mal que se abatia sobre Ele, mas sustentou o seu sofrimento, para que o nosso mal fosse vencido apenas com o bem, para que fosse completamente atravessado pelo amor. Em toda a sua profundidade.”
Francisco, «Homilia», 05.04.2020

ORAÇÃO
Deus eterno e omnipotente, concedei-nos a graça de celebrar dignamente os mistérios da paixão do Senhor, para merecermos alcançar o seu perdão. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 6 de abril de 2020


SEGUNDA-FEIRA da Semana Santa
06.Abril.2020
Hora de VÉSPERAS

Invocação Inicial
V. Deus, vinde em nosso auxílio.
R. Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.

Hino
Eterno Sacerdote, que hoje alçado
Na grande ara da Cruz onde morrestes, 
A Deus em sacrifício oferecestes 
A Vós mesmo, em amor todo abrasado. 

Supremo Rei, não de ouro coroado,
Mas de cruéis espinhos, que escolhestes,
Que por Senhor dos reinos que vencestes 
No trono dessa Cruz estais jurado. 

Guerreiro Capitão, que assim ferido 
Com a lança que ao ombro alevantastes, 
A morte que morreis tendes vencido. 

Entrai, Senhor, nesta alma que buscastes 
E nela para sempre recolhido 
Os títulos tomai que hoje ganhastes.

Salmodia
Antífona 1: Vimo-l’O desfigurado, sem beleza nem aspecto humano.
Salmo 44 (45) 
As núpcias do Rei 
Eis que vem o Esposo: vinde ao seu encontro (Mt 25, 6)
2O meu coração vibra com uma ideia feliz: † 
Vou dedicar ao Rei o meu poema.*
     Minha língua é pena de hábil escriba. 
3Sois   o mais belo dos filhos dos homens,†
a graça se derrama em vossos lábios,*
     por isso Deus Vos abençoou para sempre. 
4Cingi a espada à cintura, poderoso herói, † 
cheio de esplendor, avançai para o combate,* 
     5em defesa da verdade, da mansidão e da justiça. 
A vossa direita realizará feitos grandiosos: † 
6as vossas setas são aguçadas; a Vós se submetem os povos.*
     Perdem ânimo os inimigos do rei. 
7O vosso trono, ó Deus, é eterno, † 
de justiça é o vosso ceptro real.* 
     8Amais a justiça e odiais a iniquidade. 
Por isso o Senhor Deus Vos ungiu com o óleo da alegria, † 
preferindo-Vos aos vossos companheiros.* 
     9Vossas vestes exalam mirra, aloés e cássia.
Nos palácios  de marfim deliciam-Vos os sons da lira,  † 
10ao vosso encontro vêm filhas de reis,*
     à vossa direita, a rainha ornada com ouro de Ofir.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espirito Santo,
     como era no princípio, agora e sempre. Amen.
Antífona 1: Vimo-l’O desfigurado, sem beleza nem aspecto humano.

Antífona 2: Dar-Lhe-ei as multidões como prémio, porque entregou à morte a sua vida.
II 
11Ouve, filha, vê e presta atenção,*
     esquece o teu povo e a casa de teu pai. 
12De tua beleza se enamora o rei, *
     Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.
13A cidade de Tiro vem com presentes, *
     os seus nobres imploram o teu favor. 
14A filha do rei avança cheia de esplendor,*
     de brocados de ouro são os seus vestidos. 
15 Com um manto multicolor é apresentada ao Rei, *
     seguem-na as donzelas, suas companheiras. 
16Cheias de alegria e entusiasmo, *  
     entram no palácio do rei. 
17Em lugar de teus pais, terás muitos filhos,*
     estabelecê-los-ás príncipes sobre toda a terra. 
18Celebrarei o vosso nome, de geração em geração, *
     e os povos hão-de louvar-Vos para sempre. 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espirito Santo,
     como era no princípio, agora e sempre. Amen.
Antífona 2: Dar-Lhe-ei as multidões como prémio, porque entregou à morte a sua vida.

Antífona 3: Deus abençoou-nos em Cristo. N’Ele recebemos a redenção pelo seu Sangue.
Cântico Ef 1, 3-10 
Deus Salvador
3Bendito seja Deus, *
     Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, 
que do alto do Céu nos abençoou, *  
     com todas as bênçãos espirituais em Cristo.
4Ele nos escolheu antes da criação do mundo, *
     para sermos santos e irrepreensíveis, †
     em caridade, na sua presença. 
5Ele nos predestinou, de sua livre vontade, *
     para sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 
6para que fosse enaltecida a glória da sua graça, *  
     com a qual nos favoreceu em seu amado Filho; 
7n’Ele temos a redenção, pelo seu Sangue, *  
     a remissão dos nossos pecados; 
segundo a riqueza da sua graça, * 
     8que Ele nos concedeu em abundância, 
com plena sabedoria e inteligência, * 
     9deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade: 
segundo o beneplácito que n’Ele de antemão estabelecera, * 
     10para se realizar na plenitude dos tempos: 
instaurar todas as coisas em Cristo, *  
     tudo o que há nos céus e na terra. 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espirito Santo,
     como era no princípio, agora e sempre. Amen.
Antífona 3: Deus abençoou-nos em Cristo. N’Ele recebemos a redenção pelo seu Sangue.

Leitura Breve Rom 5, 8-9
Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores. E agora que fomos justificados pelo seu Sangue, com muito maior razão seremos, por Ele, salvos da ira divina.

Responsório Breve
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo. 
R. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo. 
V. Que pela vossa santa cruz remistes o mundo. 
R. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo. 
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 
R. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo. 

Antífona Magnificat: Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim o Filho do homem deve ser levantado, para que todo o homem que n’Ele acredita não pereça mas tenha a vida eterna.
A minha alma glorifica o Senhor
     e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
     de hoje em diante  
     me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
     Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
     sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
     e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
     e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
     e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
     lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
     a Abraão e à sua descendência para sempre.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
     como era no princípio, agora e sempre. Ámen.
Antífona Magnificat: Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim o Filho do homem deve ser levantado, para que todo o homem que n’Ele acredita não pereça mas tenha a vida eterna.

Preces
Adoremos o Salvador do género humano, que morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida; e supliquemos humildemente:
Santificai, Senhor, o povo que resgatastes com vosso Sangue. 
Jesus Cristo, nosso Redentor, concedei que, pela penitência, nos associemos cada vez mais plenamente à vossa paixão, 
- para alcançarmos a glória da ressurreição. 
Acolhei-nos sob a protecção de Maria, vossa Mãe, consoladora dos aflitos, 
- para podermos confortar os tristes com o mesmo auxílio que de Vós recebemos. 
Concedei-nos a graça de tomar parte na vossa paixão por meio dos sofrimentos da vida, 
- para que também em nós se manifeste a vossa salvação. 
Jesus Cristo, nosso Redentor que, haveis restituído a saúde aos doentes
- concedei a cura aos enfermos de Covid 19, força aos que trabalham na saúde, conforto às famílias e a salvação a todas as vítimas mortais. 
Senhor Jesus Cristo, que Vos humilhastes na obediência até à morte e morte de cruz, 
- ensinai-nos a ser obedientes e a sofrer com paciência.
Dignai-Vos conformar os defuntos à imagem do vosso corpo glorioso 
- e tornai-nos dignos de participar um dia, com eles, na vossa glória. 

Pai Nosso

Oração
Olhai, Senhor, para a fragilidade da nossa natureza mortal e fortalecei a esperança dos vossos fiéis pelos méritos do vosso Filho Unigénito, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.