Mostrar mensagens com a etiqueta Ano Sacerdotal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ano Sacerdotal. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de maio de 2019


Em Maio, como MARIA 
«discípulos missionários»
24 de Maio
Venerando a memória da Virgem Maria,
a Serva do Senhor,
exultemos de alegria no Senhor. Aleluia.

“…Maria responde ao Anjo: "Eu sou a Serva do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua vontade". Assim, Maria antecipa a terceira invocação do Pai-Nosso: "Seja feita a vossa vontade". Ela diz "sim" à grande vontade de Deus, uma vontade aparentemente demasiado grande para um ser humano; Maria diz "sim" àquela vontade divina, coloca-se dentro desta vontade, insere toda a sua existência, com um grande "sim", na vontade de Deus e assim abre a porta do mundo a Deus. Adão e Eva, com o seu "não" à vontade de Deus, tinham fechado esta porta. "Seja feita a vontade de Deus": Maria convida-nos, também a nós, a pronunciar este "sim", que às vezes parece tão difícil. Somos tentados a preferir a nossa vontade, mas Ela diz-nos: "Tem coragem, também tu diz: "Seja feita a tua vontade", porque esta vontade é boa". Inicialmente, pode parecer um peso insuportável, um jugo que não é possível carregar; mas na realidade, a vontade de Deus não é um peso; a vontade de Deus concede-nos asas para voar alto, e assim com Maria também nós podemos ousar abrir a Deus a porta da nossa vida, as portas deste mundo, dizendo "sim" à sua vontade, conscientes de que esta vontade é o verdadeiro bem e nos orienta para a felicidade autêntica. Oremos a Maria …, nossa Mãe, Mãe da Igreja, para que nos infunda a coragem de pronunciar este "sim", que nos conceda também esta alegria de estar com Deus e que nos oriente rumo ao seu Filho, à Vida verdadeira…
Bento XVI, «Homilia», durante a Concelebração Eucarística na paróquia romana de Santa Maria Consoladora, 18 de Dezembro de 2005

Santa Mãe do Redentor,
Porta do Céu, Estrela do mar,
socorrei o Povo cristão
que procura levantar-se do abismo da culpa.
Vós que, acolhendo a saudação do Anjo,
gerastes, com admiração da natureza,
o Vosso Santo Criador, Ó sempre Virgem Maria,
tende misericórdia dos pecadores.

sábado, 12 de junho de 2010

Saúdo cordialmente os presbíteros de língua espanhola, e peço a Deus que esta celebração se converta num vigoroso impulso para continuar vivendo com alegria, humildade e esperança o seu sacerdócio, sendo mensageiros audazes do Evangelho, ministros fiéis dos Sacramentos e testemunhas eloquentes da caridade. Com os sentimentos de Cristo, Bom Pastor, convido-vos a continuar desejando cada dia a santidade, sabendo que não há maior felicidade neste mundo que gastar a vida pela glória de Deus e o bem das almas.
Bento XVI, Homilia de Encerramento do Ano Sacerdotal,
Praça de São Pedro (Roma), 11 de Junho de 2010
(Tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Queridos sacerdotes dos países de língua oficial portuguesa, dou graças a Deus pelo que sois e pelo que fazeis, recordando a todos que nada jamais substituirá o ministério dos sacerdotes na vida da Igreja. A exemplo e sob o patrocínio do Santo Cura d’Ars, perseverai na amizade de Deus e deixai que as vossas mãos e os vossos lábios continuem a ser as mãos e os lábios de Cristo, único Redentor da humanidade. Bem hajam!
Bento XVI, Homilia de Encerramento do Ano Sacerdotal,
Praça de São Pedro (Roma), 11 de Junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Se o povo visse que os sacerdotes se aproximam dos divinos mistérios com temor e tremor reverencial. (...) Os que assim o fazem, resplandecem no céu como o sol entre as estrelas. (...) Terão nos seus corpos gloriosos um sinal (...) no peito (...) em testemunho de que foram dignos Tabernáculos do Santíssimo Sacramento quando o receberam."
Venerável
Madre Maria de Jesus de Agreda oic
"Mistica Ciudad de Dios - Vida de Maria", Libro VI - cap. 11, nº 1202
Edição: MM. Concepcionistas de Agreda (Soria), Madrid, 1992, pg 929
(Tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O sacerdote deve ser gentil sem se rebaixar; acolhedor mas forte, atrair as almas, mas colocando os limites oportunos, discretamente paciente, manso sem excessos e sempre, sempre prudente.
O que faz muito mal aos sacerdotes é a falta de estudo; eles nunca devem colocar de parte o estudo que permite aprofundamentos inesgotáveis. Os livros bons e santos são a salvação dos sacerdotes e o amor por eles os libertará de muitos males.
Para além do estudo permitir ao sacerdote ser culto, competente e estar em dia para poder aconselhar convenientemente e servir somente a Deus e às almas, este estudo constante – repito – libertá-lo-á de uma infinidade de perigos. (…)
Para dedicar tempo ao estudo é necessário recolhimento, virtude esta imprescindível para o coração do sacerdote e para as suas relações com o mundo.
Conchita Cabrera de Armida
in "Como o Pai me amou... 365 pensamentos para o ano sacerdotal",
Editora Cidade Nova, Abrigada, 2010, pg. 157

sábado, 24 de abril de 2010

O sacerdote é PONTE
A propósito do Domingo do Bom Pastor e pensando no dom do Sacerdócio Ministerial, para a Igreja e para o mundo, procurava uma imagem que, de alguma forma, mesmo se incompleta e limitada, pudesse ajudar as "minhas" comunidades cristãs a entender a beleza indescritível do sacerdócio, que brota directamente do coração de Deus.
Ocorreu-me PONTE.
Porque possibilita o encontro entre Deus e o Seu Povo: o sacerdote é Ponte.
Porque pela Palavra e pelos Sacramentos encaminha o Povo para Deus: o sacerdote é Ponte.
Porque procura gastar completamente, sem guardar nada para si, a sua vida, para que os demais participem da vida de Deus e Deus das suas vidas: o sacerdote é Ponte.
Porque é escolhido de entre o Povo, completamente mergulhado, tocado, empapado do Divino e devolvido ao povo, a fim de o tocar, mergulhar, empapar do Divino... com a missão de potenciar o encontro entre O Divino e o humano, com vista a divinizá-lo: o sacerdote é Ponte.
E, como as pontes comuns está, discretamente e gozosamente ao serviço, debaixo do pés de todos, completamente esquecido de todos.
Porque, como as pontes comuns, a vida dos sacerdotes só tem sentido se permitir, possibilitar, potenciar o encontro de Deus com o Seu Povo.
E, como as pontes comuns, só nos lembramos dele, quando não estão no seu posto, quando faltam... quando são escassos... o que é muito bom e mesmo fundamental, pois a sua função é diminuir, apagar-se, desaparecer para que Ele cresça (cf Jo 3, 30).
"Senhor, que de verdade eu seja sacerdote Ponte, que possibilita o encontro entre Vós e o Vosso Povo. Que esteja ao serviço deste Divino encontro, mas fique completamente esquecido e oculto... pois o que importa é que o Vosso Povo, cada vez mais, Vos conheça e Vos ame. O que importa é que Vós cresçais cada vez mais na vida da Humanidade. Senhor, que eu diminua, desapareça, seja esquecido e me oculte cada vez mais no Vosso Coração".

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Os presbíteros foram eleitos por Deus para darem a conhecer aos homens o que Deus revelou de Si mesmo e não para transmitirem as suas próprias ideias.
Presbíteros, sede fiéis à vossa missão.
Cristãos rezai muito pelos presbíteros para que sejam sempre testemunhas de Cristo Ressuscitado. E se alguma vez tiverem que sofrer por causa do seu testemunho, se mantenham firmes na fé e não lhes falte alegria que brilhava no rosto dos Apóstolos."
(da Homilia de D. José Francisco Sanches Alves, Arcebispo de Évora, pronunciada por ocasião da Ordenação de dois presbíteros, na Sé Catedral Metropolitana de Évora, a 18 de Abril de 2010)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Celibato consagrado e Oração
“…há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos,
por amor do Reino do Céu.” (Mt 19, 12)

O primeiro fim do celibato consagrado é libertar para deixar lugar a Jesus, o Senhor, no amor. Como as demais formas de ascese, o celibato requer muita atenção, pois a renúncia que impõe não pode deixar de causar uma ferida, cuja cicatriz sagrará durante muito tempo. O celibato produz também um vazio afectivo que não deve reprimir a capacidade afectiva, pelo contrário, deve libertá-lo, fazê-lo disponível para o Senhor Jesus e para a sua Igreja e em primeiro lugar para os irmãos com quem vive. Isto, não se consegue de um dia para o outro, só pode ser fruto de um longo caminho no qual a oração tem um importantíssimo papel. O célibe deve recorrer espontaneamente à oração no meio de certos conflitos causados pelo desejo: “Senhor, salva-nos, que perecemos!” (Mt 8, 25).
Pouco a pouco, a oração assumirá um papel cada vez mais importante e fundamental. A força de colocar-se diante do Senhor, de agarrar-se a Ele, de tentar permanecer na Sua presença, de povoar o silêncio com a invocação do seu nome, de fixar o olhar no Seu Rosto, a parte que fica disponível em nós por causa do celibato, ficará progressivamente assumida neste abraço de fé que nos faz aderir ao Senhor Jesus. Nenhum valor, nenhum capital afectivo se perderá. No doce esforço da oração, a solidão do célibe se transformará em comunhão de amor. Tudo fica tomado e plenamente repleto e através de um laço de amor muito forte com a pessoa de Jesus Cristo abre-se à plenitude da vida divina.
(cf. LOUF, André, “El camino cisterciense - en la escuela del amor”, Editorial Monte Carmelo, Burgos, 2005, pgs. 108 e 109)
Tradução do Castelhano ao Português da responsabilidade do autor deste blog.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Senhor,
que eu não perca tempo…
Frequentemente, Senhor, e de muitas formas, vindes a mim e perguntais: “«…tu amas-me mais do que estes?»” (Jo 21, 15) e a pergunta repete-se: “«… tu amas-me?»” (Jo 21, 16). Porque me amais, infinitamente, tendes sede do meu amor, “«Tenho sede!»” (Jo 19, 28), quereis ter sede de mim e do meu amor, da minha amizade. Porque quereis precisar do meu amor, não podeis deixar de me perguntar: novamente “«...tu és deveras meu amigo?»” (Jo 21, 17). E só conseguis parar de me questionar, do meu amor por Vós, quando ele for generoso, voluntário, gozoso, exclusivo e total.
Só podereis deixar de me questionar, do meu amor por Vós, quando o meu corpo, a minha carne, a minha inteligência, os meus afectos … a minha vida gritarem: “ para mim, viver é Cristo” (Fl 2, 21). Só então, e no que a mim diz respeito, podereis dizer: “«Tudo está consumado.»” (Jo 19, 30).
Senhor,
que eu não perca tempo...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Transparência de Jesus
Os presbíteros são chamados a prolongar a presença de Cristo, único e sumo Pastor, actualizando o seu estilo de vida e tornando-se como que a sua transparência no meio do rebanho a eles confiado. (…)
Os presbíteros são, na Igreja e para a Igreja, uma representação sacramental de Jesus Cristo Cabeça e Pastor, proclamam a sua palavra com autoridade, repetem os seus gestos de perdão e oferta de salvação, nomeadamente com o Baptismo, a Penitência e a Eucaristia, praticam a sua amável solicitude, até ao dom total de si mesmos, pelo rebanho que reúnem na unidade e conduzem ao Pai por meio de Cristo no Espírito. Numa palavra, os presbíteros existem e agem para o anúncio do Evangelho ao mundo e para a edificação da Igreja em nome e na pessoa de Cristo Cabeça e Pastor.
João Paulo II, Pastores dabo vobis 15

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Admirável intercâmbio
A vocação sacerdotal é um mistério. É o mistério de um “admirável intercâmbio” - admirabile commercium - entre Deus e o homem. Este dá a Cristo a sua humanidade, para que Ele possa servir-se dela como instrumento de salvação, como se fizesse deste homem um outro Ele mesmo.
Se não se capta o mistério deste “intercâmbio”, não se consegue entender como pode acontecer que um jovem, escutando a palavra “Segue-me!”, chegue a renunciar a tudo por Cristo, na certeza de que, por este caminho, a sua personalidade humana se realizará plenamente.
João Paulo II
(Hubertus Blaumeiser e Tonino Gandolfo (org.), “Como o Pai me amou… 365 pensamentos para o ano sacerdotal - 1º volume”, Editora Cidade Nova, Abrigada, 2009, pg. 7)

domingo, 22 de novembro de 2009

Ser feliz...
Ser padre é ser feliz.
Com toda a certeza, e sem espaço para qualquer dúvida, se me perguntam o que é ser padre, só posso responder: É ser feliz.
"O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo" (Sl. 84 [83], 3).
Afirmo-o sem ilusões poéticas e plenamente consciente de que a vida não é fácil... a vida dos sacerdotes não é fácil. Mesmo assim e também na dureza da vida, ser padre é ser feliz... é que "eu sei a fonte que mana e corre embora seja noite..." (cf. São João da Cruz), "sei em quem pus a minha confiança" (2Tm 1, 12) até porque "se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 9, 31).
De verdade e do fundo do coração, ser feliz... é o que posso e tenho que partilhar...
O Bom Deus, até mesmo quando a homilia me não correu bem, quando sou justa ou injustamente criticado, quando me confronto com as minhas debilidades e não sou suficientemente generoso e paciente, quando fisicamente estou cansado e o meu espírito pleno de preocupações, de projecto, de questões mais simples ou complicadas de resolver: "exulto de alegria em Deus meu salvador" (cf. Lc 1, 47).
É tão frequente, muito frequente mesmo, sobretudo ao Domingo, depois de um dia pleno a sustentar na fé, os meus irmãos... depois de um dia cheio a partir-lhes a Palavra e a distribuir-lhes o Pão... a ser o instrumento de que Deus se serve para os restaurar, para lhes devolver a esperança...
Que festa..., que alegria Senhor, o coração não me cabe no peito, tal é a alegria que me concedeis. Quem vê o padre, no "seu" carro, de regresso a casa e se apercebe que canta, só pode pensar:
"Está tonto, coitado". E tem razão, tonto de alegria e com o coração em festa, pois não lhe faltais, Senhor. Tonto, por só na fé conseguir entender que, apesar dos seus pecados o compensais tão abundantemente pelos suas insignificantes e tropegas "generosidades".
Ser feliz... a isso me chamais.
Com uma felicidade indizível me preencheis.

"A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador..." (Lc 1, 46-47).

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Vosso servo é humano...
Tantas vezes, Senhor,
vezes demais,
o coração do Vosso servo sofre e chora...
pois tanto lhe tendes dado
e ele, tão pouco Vos tem retribuído.
Cumulaste-o com a Vossa graça
e ele não Vos é fiel...
por isso sofre e chora.
Queria ser parecido a Vós,
queria que olhando para ele
Vos vissem a Vós...
até porque a isso o chamais,
essa é a sua vocação,
"in persona Christi".
Mas, como sabeis, Senhor,
o Vosso servo é humano...
"não faz o bem que quer e faz o mal que não quer".
Mesmo se o chamais a tocar-Vos e distribuir-Vos
ele é humano...
E como é humano!... limitado!... frágil!...
Não fora a Vossa graça, Senhor!...
É por Vós, Senhor.
Só por Vós.
Como sabeis, Senhor,
o Vosso servo é humano...
ajudai-o para que não caia
e se teimar em cair,
suavizai-lhe a queda
e estendei-lhe a mão
para que se levante e Vos siga.
E Vos siga...
como prometeu um dia...
como promete todos os dias...
como Vos promete agora.
E seguindo-Vos se torne parecido a Vós
e possa dizer:
"Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Passagem de Propriedade
...consagrar alguma coisa ou alguém significa dar tal coisa ou pessoa em propriedade a Deus, tirá-la do âmbito daquilo que é nosso e inseri-la na atmosfera d’Ele, de tal modo que deixe de pertencer às nossas coisas para ser totalmente de Deus. Consagração é, pois, tirar do mundo e entregar ao Deus vivo. Aquela coisa ou pessoa deixa de pertencer a nós ou a si mesma, mas é imersa em Deus. Este acto de privar-se duma coisa para a entregar a Deus, chamamo-lo também sacrifício: já não será propriedade minha, mas d’Ele. No Antigo Testamento, a entrega duma pessoa a Deus, isto é, a sua «santificação» coincide com a sua ordenação sacerdotal, e assim se define também em que consiste o sacerdócio: é uma passagem de propriedade, um ser tirado do mundo e dado a Deus. E, deste modo, ficam agora patentes as duas direcções que fazem parte do processo da santificação/consagração: sair dos contextos da vida do mundo e «ser posto à parte» para Deus. Mas por isto mesmo não é uma segregação; antes, ser entregue a Deus significa ser posto a representar os outros. O sacerdote é subtraído aos laços do mundo e dado a Deus, e precisamente assim, a partir de Deus, deve estar disponível para os outros, para todos.
Bento XVI
(Missa Crismal, 9 de Abril de 2009)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A única riqueza
do Sacerdote

A iniciativa do Papa é, sem dúvida, sugerida pela difícil situação que o padre vive hoje em si mesmo, na Igreja e na sociedade. E isto apesar das preciosas indicações do Vaticano II e de tudo o que se lhe seguiu. Porquê? É caso para se perguntar.
A resposta não é imediata nem simples. É todo o povo de Deus, na riqueza e variedade das suas vocações e das suas tarefas, que paga os custos do fim de um modelo de Igreja, pensado para uma determinada situação histórica, que já fez o seu tempo. O Evangelho - é verdade - é sempre novo e sempre contemporâneo em relação a cada momento da História. Mas, precisamente por isso, na fidelidade ao seu inalterável ADN e aos preciosos ganhos da Tradição, é necessário abrirmo-nos desarmados, aqui e além, ao sopro do Espírito para compreender onde ir e como fazer.
Isto - repito - vale, em primeiro lugar, para todo a povo de Deus, de quem os sacerdotes são uma expressão qualificada, como o são os outros carismas e ministérios na Igreja. E talvez seja este o ponto - espiritual, teológico, pastoral - a realçar este ano. À luz da autêntica e ainda actualíssima mensagem do Vaticano II e, ao mesmo tempo, sabendo ler e frutificar para a vida de toda a Igreja as injecções de luz e de energia vital que, certamente, não faltaram, nestas últimas décadas, na sua experiência.
A questão, bem vistas as coisas, não é aquela - perdida à partida - de querer conter ou amenizar uma crise que, de facto, está à vista de todos e requer algo de profundo. Mas, sobretudo, a de pedir ao Evangelho - que fala na Igreja e ao mundo pelo sopro do Espírito - o que devemos fazer ou, ainda melhor, o que devemos ser para acolher e testemunhar o dom de Deus.
Ao declarar um "Ano Sacerdotal", Bento XVI disse claramente que «Deus é a única riqueza que, de facto, os homens desejam encontrar num sacerdote». Isto acontece - hoje - quando o padre se torna testemunha credível da presença de Deus na História, que é Jesus vivo e operante entre «dois ou mais unidos no Seu nome». Aí está a Igreja. É a expressão eficaz de todo o povo de Deus em comunhão com o Papa, os bispos, os múltiplos carismas do Espírito e os inumeráveis caminhos de serviço ao Homem na vida de todos os dias e nos ambientes mais variados da vida social.
Só se for vivido "em relação": no presbitério juntamente com o bispo, com as outras vocações na comunhão da Igreja, na capacidade de diálogo com todos - e nunca fechado em si mesmo ou a pensar de modo egocentrista - é que o indispensável e fascinante serviço do padre pode voltar a florir e a fazer história, libertando o melhor da sua especificidade: guiar com respeito e em espírito de serviço para as nascentes inexauríveis do amor de Deus que Jesus nos oferece com generosidade. Como, em boa verdade, já acontece de muitas formas e em muitas situações, embora de um modo um pouco discreto.
Piero Coda (Teólogo Italiano)
in «Cidade Nova», ano XIX, Outubro de 2009, pg. 13

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Maria,
Mãe de Jesus Cristo
e Mãe dos sacerdotes
recebei este preito que nós Vos tributamos
para celebrar a vossa maternidade
e contemplar junto de Vós
o Sacerdócio do vosso Filho e dos vossos filhos,
ó Santa Mãe de Deus.
Mãe de Cristo,
ao Messias Sacerdote
destes o corpo de carne
para a unção do Espírito Santo,
a salvação dos pobres e contritos de coração,
guardai no vosso Coração
e na Igreja os sacerdotes,
ó Mãe do Salvador.
Mãe da fé,
acompanhastes ao templo o Filho do Homem,

cumprimento das promessas feitas aos nossos Pais,
entregai ao Pai para Sua glória
os sacerdotes do Filho Vosso,

ó Arca da Aliança.
Mãe da Igreja,
entre os discípulos no Cenáculo,
suplicastes o Espírito para o Povo novo
e os seus Pastores,

alcançai para a ordem dos presbíteros
a plenitude dos dons,
ó Rainha dos Apóstolos.
Mãe de Jesus Cristo,
estivestes com Ele nos inícios da Sua vida
e da Sua missão,

Mestre O procurastes entre a multidão,
assististe-l'O levantado da terra,
consumado para o sacrifício único eterno,

e tivestes perto João, Vosso filho,
acolhei desde o princípio os chamados,
protegei o seu crescimento,

acompanhai na vida e no ministério
os Vossos filhos,
ó Mãe dos sacerdotes.
Ámen!
Oração Final

da Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis
de João Paulo II

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Da Catequese de São João Maria Vianney, presbítero
Belo dever do homem: Orar e amar
Prestai atenção, meus filhos: o tesouro do homem cristão não está na terra, mas no Céu. Por isso, o nosso pensamento deve voltar-se para onde está o nosso tesouro.
O homem tem este belo dever e obrigação: orar e amar. Se orais e amais, tendes a felicidade do homem sobre a terra.
A oração não é outra coisa senão a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, experimenta em si mesmo uma certa suavidade e doçura que inebria e uma luz admirável que o circunda. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém mais os pode separar. Como é bela esta união de Deus com a sua pequena criatura! É uma felicidade que supera toda a compreensão humana.
Nós tornámo-nos indignos de orar; mas Deus, na sua bondade, permite-nos falar com Ele. A nossa oração é o incenso que mais Lhe agrada.
Meus filhos, o vosso coração é pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus. A oração faz-nos saborear antecipadamente a suavidade do Céu, é como se alguma coisa do Paraíso descesse até nós. Ela nunca nos deixa sem doçura; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita desaparecem as dores, como a neve aos raios do sol.
Outro benefício nos traz a oração: o tempo passa depressa e com tanto prazer que não se sente a sua duração. Escutai: quando era pároco em Bresse, em certa ocasião tive de percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas, que estavam doentes; e podeis estar certos disto: nessas longas caminhadas rezava ao bom Deus e o tempo não me parecia longo.
Há pessoas que se submergem profundamente na oração, como os peixes na água, porque estão completamente entregues a Deus. O seu coração não está dividido. Oh como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Coleta viam Nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo que nós falamos uns com os outros.
Nós, pelo contrário, quantas vezes vimos para a igreja sem saber o que havemos de fazer ou que pedir! No entanto, sempre que vamos ter com algum homem, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Mais: há pessoas que parecem falar a Deus deste modo: «Só tenho a dizer-Vos duas palavras para ficar despachado...». Muitas vezes penso: Quando vimos para adorar a Deus, conseguiríamos tudo o que pedimos se pedíssemos com fé viva e coração puro.
(Catéchisme sur la prière: A. Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris 1899, pp. 87-89)
Oração pelos Sacerdotes
(composta pelo Cardeal Richard Cushing)
Deus Todo-Poderoso e Eterno,
olhai com amor o Rosto de Vosso Filho,
Sumo e Eterno Sacerdote
e por Seu Amor tende misericórdia dos Vossos sacerdotes.
Lembrai-Vos, Compassivo Senhor,
que eles são frágeis e débeis seres humanos.
Renovai neles o dom da vocação
que, de modo admirável,
se consolidou pela imposição das mãos dos Vossos bispos.
Conservai-os sempre junto de Vós
e não permitais que o inimigo os vença
para que nunca se tornem participantes
da mais pequena falta contra a honra de tão sublime vocação.
Senhor Jesus,
rogo-Vos pelos Vossos fiéis e fervorosos sacerdotes
e também pelos que são infiéis e tíbios,
pelos sacerdotes que trabalham na sua própria terra
ou em lugares distantes e missões longínquas;
pelos sacerdotes tentados,
pelos que sentem a solidão, o tédio ou o cansaço;
pelos sacerdotes jovens
ou por aqueles que estejam prestes a morrer,
assim como pelas almas dos sacerdotes
que se encontram no purgatório.
Mas, sobretudo, Vos confio os sacerdotes que muito admiro:
o sacerdote que me baptizou,
o que me absolve dos meus pecados,
todos os sacerdotes a cujas missas tenho assistido
e me dão o Vosso Corpo e Sangue na Sagrada Comunhão;
os sacerdotes que me têm aconselhado, consolado ou animado…
e todos aqueles com quem,
de alguma forma, estou em maior dívida.
Ó Jesus, conservai-os, a todos, junto do Vosso Coração
e abençoai-os abundantemente
no tempo e na eternidade. Ámen.