Mostrar mensagens com a etiqueta Beato Domingos de Borba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Beato Domingos de Borba. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Beato Domingos de Borba
e 39 companheiros mártires,
rogai por nós!
O testemunho do Beato Domingos Ferandes de Borba e 39 companheiros constitui um exemplo vivo e próximo para todos. A sua morte heroica é um sinal eloquente de que a vitalidade da Igreja não depende de projetos ou cálculos humanos, mas vem da adesão total a Cristo e à sua mensagem de salvação. Disto estavam bem conscientes estes mártires que tiraram forças não de um desejo de protagonismo pessoal, mas de um amor sem reservas por Jesus Cristo, mesmo à custa das suas vidas.
O martírio, com efeito, é uma revelação particular do mistério pascal que continua actuando e se oferece aos homens de todos os tempos como promessa de vida nova. Assim escrevia o famoso escritor romano Tertuliano: “Sanguis martyrum - semen christianorum”;  o sangue dos mártires é a semente dos cristãos.
Confiemo-nos à sua intercessão, cuja existência se tornou para toda a Igreja, num poderoso farol de luz, num convite convincente a viver o Evangelho de maneira radical e com simplicidade, oferecendo um corajoso testemunho da fé que supera todas as barreiras e abre horizontes de esperança e fraternidade.
Cf. Homilia do Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos na missa de beatificação de Maria do Carmo Lacaba Andía e 13 companheiras mártires, 22.06.2019

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Transparência do Rosto de Deus
“… concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto…” (da Oração Colecta da Solenidade da Assunção de Nª Srª), “… fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós...” (Oração Sobre as Oblatas da Solenidade da Assunção de Nª Srª), “O templo de Deus abriu-se no Céu ... Apareceu no Céu um sinal grandioso: ... E apareceu no Céu outro sinal: … A cauda arrastava um terço das estrelas do céu … E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: ...” (cf. Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab).
Aos mais distraído, pode parecer que os textos da Missa da Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Santa Maria, convidam a comunidade cristã a assumir uma atitude de alienação frente à vida: “aspiremos às coisas do alto”, “que os nossos corações se dirijam continuamente para Vós”, “Céu… Céu… Céu… Céu e Céu…”.
Mas de facto, não é assim… A necessidade absoluta de Deus e das “coisas” do alto que, o Bom Deus plantou no nosso coração e que, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos convida a valorizar, alimentar e fazer crescer, não nos aliena. Pelo contrário, mergulhando em Deus e na Sua vida, o nosso olhar purifica-se de interesses mesquinhos e humanos, passamos a ver com os olhos do próprio Deus, o que nos torna mais sensíveis às dores e necessidades da Terra. O que faz de cada cristão, gente mais solidária, gente em quem desabrocha uma necessidade absoluta de se empenhar na construção de um mundo melhor, mais humano, mais luminoso e belo. De um mundo que seja transparência do Rosto de Deus.
De Maria, aprendamos a ser e viver assim… pois, o Seu canto do Magníficat brota de um coração e de uma vida completamente encantados, enamorados, necessitados e cheios do Deus de quem é Filha, Mãe e Esposa.
Contudo e, mesmo se, como o girassol, não pode viver e deixar de nutrir-se de Deus Seu Salvador que poisou sobre ela o Seu Olhar (cf. Lc 1, 48), “pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha” (Lc 1, 39) e “ficou junto de Isabel cerca de três meses” (Lc 1, 56) para lhe valer, a aliviar e servir.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração do Beato Domingos de Borba. Deixando-se aprisionar por uma necessidade absoluta de Deus, permitiu que a Graça lhe dilatasse o coração à medida do universo, por isso se lançou na “divina aventura” de partir para o Brasil, pois não conseguia conter o que lhe ia no coração e deixar de dizer a todos que Deus os ama, mesmo correndo o risco de dar a vida, por causa do Evangelho, como veio a verificar-se.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração da Serva de Deus Madre Isabel Caldeira. Tendo-se alimentado com o Pão dos Anjos, permitiu que a Graça lhe plantasse no coração uma “gostosa fome” que a levou a dar-se e gastar-se por inteiro aos serviço dos mais pobres dos pobres, reconhecendo neles o rosto de Deus e sendo junto deles presença maternal da “Toda Pura”.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração de Santa Beatriz da Silva. Deixando-se encantar pela Beleza absoluta de Deus, permitiu que a Graça a chamasse e levasse ao deserto para a desposar e lhe falar ao coração (cf. Os 2, 16), vivendo escondida e oculta, procurando a Deus e cantando os seus louvores, reproduzindo na sua vida, a vida da Imaculada, oferecendo a sua vida como oblação ao Deus Uno e Trino, em favor da inteira cidade humana. Viveu gritando a todos, a partir do silêncio do claustro que, Deus é o segredo, o tesouro escondido no campo, a pérola preciosa (cf. Mt 13, 44-46) pelos quais vale a pena deixar tudo. Absolutamente tudo. Tornando-se assim, fonte de graça para todos.
Virgem elevada ao Céu em Corpo e alma,
fazei que, “aspiremos às coisas do alto”,
mergulhemos no seio da Trindade que nos habita
e, purificado o nosso olhar, passemos a ver com os olhos de Deus
e nos lancemos apressadamente pelos caminhos do mundo,
empenhando-nos na construção de um mundo melhor,
mais humano, mais luminoso e belo.
De um mundo que seja transparência do Rosto de Deus
de que Sois Filha, Mãe e Esposa.
Ámen.
Borba, 14 de Agosto de 2012
P. Marcelino José Moreno Caldeira