Mostrar mensagens com a etiqueta Testemunho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Testemunho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de maio de 2012

 “A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. 
«Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos.“
Bento XVI, «Porta Fidei», 6-7

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Bento XVI
Discurso na cerimónia de boas-vindas à chegada a Madrid para a JMJ
Aeroporto de Barajas, 18-08-2011...
... Venho aqui para me encontrar com milhares de jovens de todo o mundo, católicos, interessados por Cristo ou à procura da verdade que dê sentido genuíno à sua existência.
Chego como Sucessor de Pedro para confirmar todos na fé ...
Para exortar os jovens a encontrarem-se pessoalmente com Cristo Amigo e assim, radicados na sua Pessoa, converterem-se em seus fiéis seguidores e valorosas testemunhas.
Esta multidão de jovens que veio a Madrid… porque e para que vieram? ... desejam escutar a Palavra de Deus, ..., de tal maneira que, arraigados e edificados em Cristo, manifestem a firmeza da sua fé.
...sabem que, sem Deus, seria difícil afrontar estes desafios e ser verdadeiramente felizes, ... . Mas, com Ele a seu lado, terão luz para caminhar e razões para esperar, ... Não estão sozinhos. ...
Não faltam, certamente, dificuldades. ... . Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d’Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou.
..., é urgente ajudar os jovens discípulos de Jesus a permanecerem firmes na fé e a assumirem a maravilhosa aventura de anunciá-la e testemunhá-la abertamente com a sua própria vida. Um testemunho corajoso e cheio de amor pelo homem irmão, ao mesmo tempo decidido e prudente, sem ocultar a própria identidade cristã, num clima de respeitosa convivência com outras legítimas opções e exigindo ao mesmo tempo o devido respeito pelas próprias.

sábado, 29 de janeiro de 2011

O ÚLTIMO CUME
Paulo, sacerdote, sabia que ia morrer jovem e desejava fazê-lo na montanha. Entregou a sua vida a Deus... e Deus aceitou a oferta. Agora dizem que está vivo. O ÚLTIMO CUME (La última Cima), é um emocionante documental sobre o sacerdote madrilenho Paulo Dominguez, falecido em 2009 num acidente de montanha em Moncayo. Paulo, deixou muitíssima gente que o apreciava e admirava. No seu funeral participaram mais de três mil pessoas e uma vintena de bispos. Com testemunhos de pessoas sinceras que falam de Paulo, o espectador encanta-se com um sacerdote que por fim morre. O documentário começa com humor e provocação e vai-se elevando no seu estilo e conteúdo à medida que a morte se aproxima.
Mais de 120.000 pessoas já viram este Documentário que está em 1º lugar em arrecadação de lucros no cinema espanhol.

Eu já comprei o DVD do Documentário e vi várias vezes, simplesmente fantástico.
Deus seja louvado.
Não deixem de ver o programa «Últimas perguntas» sobre o documentário.



e ainda


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Les veilleurs de l'Atlas
(Os vigilantes de Atlas)
Eis a história dos 7 monges Trapistas que inspirou o filme "Des hommes et des dieux" de Xavier Beauvois.


(fonte: Le Jour du Seigneur - http://www.lejourduseigneur.com/Emissions/Les-veilleurs-de-l-Atlas)


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Amor mais forte do que o ódio
Razões do fascínio e do sucesso do filme "Dos homens e dos deuses".
Em Outubro passado, a minha atenção foi despertada pela capa de duas das revistas francesas de maior difusão (L'Express e Le Figaro Magazine) que, na mesma semana, davam grande destaque ao filme Dos homens e dos deuses, sobre os últimos momentos da vida dos monges trapistas, do mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia, raptados por um grupo terrorista de matriz islamista, e depois assassinados, em condições ainda não bem esclarecidas, em 1996. «Estes monges que agitam a França»; «Do filme ao fenómeno» - eram títulos dessas capas, que evidenciavam 0 extraordinário sucesso de um filme sobre a vida e as escolhas radicais desses monges. Um sucesso esperado junto do público católico, mas também um inesperado sucesso junto de não crentes, atraídos pela qualidade artística do filme (seleccionado como candidato Francês ao Oscar), mas sobretudo pelo testemunho desses homens e as questões que ele coloca sobre 0 sentido da vida, do amor e da morte.
O enredo do filme centra-se no dilema destes monges que - perante as ameaças que pairam sobre os estrangeiros que habitam a Argélia - correm risco de vida e enfrentam a decisão de deixar, ou não, o local onde vivem há anos, partilhando a vida simples e pobre da população local, a quem um deles presta serviços médicos gratuitos, numa harmonia que supera as diferenças entre cristãos e muçulmanos.
A decisão não é fácil e as opiniões começam por estar divididas. Não se fizeram monges para morrer, não são suicidas e não querem o martírio por sua iniciativa. São pessoas comuns, não são heróis sobre-humanos e querem viver. Mas, por outro lado, não querem ceder perante quem quer impor a sua vontade com a força das armas e, sobretudo, sentem que a sua missão junto daquele povo não está terminada; que escolheram partilhar a vida desse povo e com ele se querem identificar também na pobreza de quem não tem meios de fugir; que não podem abandonar esse povo aos terroristas, porque «o pastor não abandona as suas ovelhas quando vem o lobo». Não buscam a morte, mas aceitam-na como fez Jesus Cristo, porque «ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» e porque «o discípulo não é mais do que o Mestre». Com esta consciência, chegam a consenso e reencontram a paz. Um deles afirma o que todos acabam por experimentar: «sou um homem livre, porque não temo a morte».
Alguns diálogos e algumas cenas deixam uma marca inesquecível em qualquer espectador. Como aquela em que o chefe de um grupo terrorista pretende obter os serviços do monge médico com a ameaça das armas. O prior da comunidade, o irmão Christian de Chérgé, dá testemunho de coragem ao começar por exigir que o diálogo com um homem armado se faça fora do mosteiro, lugar de paz. E, sobretudo, ao não ceder a essa ameaça, como se não tivesse alternativa (porque há uma alternativa à força das armas), deixando que a assistência seja prestada ao terrorista ferido, mas sem distinção em relação à que é prestada à população local. Quando o chefe do grupo se retira, esse irmão diz-lhe que se celebra nessa altura o Natal, o nascimento de Jesus, Príncipe da Paz, tão estimado pelos muçulmanos. E ele pede desculpa ... Mais tarde, será o irmão Christian a reconhecer o cadáver desse homem perante os oficiais do exército (este também comete atrocidades) e com grande emoção rezará por ele diante do cadáver.
Comovente o diálogo do monge médico e já idoso, o irmão Luc, com uma jovem a quem explica o que sente quem está apaixonado, e a quem diz que sentiu isso mesmo mas que, depois, sentiu um amor ainda maior, há sessenta anos ...
Também marcante é o diálogo entre o irmão Christian e outro dos irmãos que, confrontado com a escolha de ficar e correr o risco do martírio, vacila e não compreende o porquê dessa escolha. «A escolha já a fizeste há muito tempo»; «é tão louco ficar, como foi louco escolher ser monge», afirma então o irmão Christian, que o faz descobrir em Jesus esse porquê.Os cantos dos Salmos, na sua beleza e serenidade, e os seus textos não escolhidos por acaso, vão-nos preparando para descobrir o sentido do desfecho que se adivinha.
Culminante é a cena do jantar que antecede o rapto, ao som da música de Tchaikovsky, a evocar a Última Ceia e a presença espiritual de Jesus entre os monges, fonte da alegria que a todos invade nesse momento em que se pressagia um fim tão trágico.
O assassinato é evocado no final, sob um belíssimo cenário de neve nas montanhas do Atlas, em que ecoam as palavras do testamento espiritual do irmão Christian. Nele se pede encarecidamente que a responsabilidade da sua morte não seja indiscriminadamente atribuída ao Islão e ao povo argelino, que ama profundamente. Afirm
a a propósito da Vida Eterna que espera: «Poderei imergir o meu olhar no olhar do Pai, para contemplar com Ele os seus filhos do Islão como Ele os vê, totalmente iluminados pela glória de Cristo». E perdoa ao seu previsível assassino, o seu «amigo do Último minuto, que não sabia o que fazia», fazendo votos de que o encontre, também a ele, no Paraíso.
Se não fosse por outro motivo, o facto de o testemunho destes homens chegar agora a tantas pessoas (em Outubro já eram quase três milhões em França), ajudando-as a aproximarem-se de Deus, faz-nos ver que esta morte não foi sem sentido e que o martírio é fecundo, como se diz desde a Antiguidade. Disse, a propósito, o monge e teólogo italiano Enzo Bianchi (Avvenire, 20/1012010), que estes homens «pertenciam a Outro» e, por isso, «falam a todos», pois é graças a pessoas como eles que é possível «acreditar que o amor é mais forte do que o ódio, que a vida é mais forte do que a morte, porque só quem tem uma razão para morrer, tem uma razão para viver».
P. Godinho
in «Cidade Nova», ano XXI - Janeiro de 2011, pgs 18 e 19

sábado, 17 de julho de 2010

"Não olhamos para as coisas visíveis,
olhamos para as invisíveis:
as coisas visíveis são passageiras,
ao passo que as invisíveis são eternas.
Bem sabemos que, se esta tenda,
que é a nossa morada terrestre, for desfeita,
recebemos nos Céus uma habitação eterna,
que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens."
(2 Cor 4, 18-5, 1)

A Igreja celebra hoje a gloriosa memória de um fantástico e generoso grupo de 40 jovens Jesuítas, entre os 15 e os 43 anos de idade, que se dirigiam de barco para o Brasil, a fim de ajudar na sua evangelização, mas que, nas Ilhas Canárias, foram interceptados por navios de protestantes Calvinistas que, sabendo que eles eram missionários católicos, os deitaram ao mar, alguns depois de apunhalados e mutilados. Era o dia 15 de Julho de 1570.
Do grupo que tinha com superior o Padre Inácio de Azevedo, 32 eram portugueses e 8 espanhóis. E dos 32 portugueses 10 eram naturais da Arqui
diocese de Évora.

Deus eterno e todo-poderoso, que dotastes de invencível constância na fé os bem-aventurados mártires Inácio de Azevedo e seus companheiros, concedei-nos que, fortalecidos por tão numerosos exemplos, imitemos o fogo da sua caridade e participemos da sua glória na pátria celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

«Queríamos ver a Jesus» (Jo 12,21). Este pedido, feito ao apóstolo Filipe por alguns gregos que tinham ido em peregrinação a Jerusalém por ocasião da Páscoa, ecoou espiritualmente também aos nossos ouvidos ao longo deste ano jubilar. Como aqueles peregrinos de há dois mil anos os homens do nosso tempo, talvez sem se darem conta, pedem aos crentes de hoje não só que lhes «falem» de Cristo, mas também que de certa forma lh'O façam «ver». E não é porventura a missão da Igreja reflectir a luz de Cristo em cada época da história, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto também diante das gerações do novo milénio? Mas, o nosso testemunho seria excessivamente pobre, se não fôssemos primeiro contemplativos do seu rosto; …, o olhar permanece mais intensamente fixo no rosto do Senhor”.
João Paulo II, Novo Millennio Ineunte, 16

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Fazer “ver” Cristo
Sabemos que muitos dos nossos contemporâneos dizem: «Cristo, sim; Igreja, não». Não vêem ligação entre Cristo e a Igreja. Não se apercebem da Sua presença nela. Mas o que é, que coisa quererá ser a Igreja, senão aquela que mostra o rosto do Senhor no meio do mundo? Pensemos no Cura de Ars, pastor humilde e simplicíssimo. Chamado dar testemunho acerca dele, um camponês disse: «Vi Deus num homem». Pensemos em Madre Teresa de Calcutá, na inumerável multidão que no seu funeral seguia o seu corpo. Cristãos, hindus e muçulmanos, todos tinham notado nela o fascínio de Jesus.
São muito preciosas estas testemunhas da presença de Cristo. E devemos agradecê-las ao Senhor.
Mas no nosso tempo, tão complexo e tão necessitado de salvação, urge que em toda a Igreja se veja Cristo, que toda ela irradie a Sua presença.
Card. François-Xavier Van Thuan

domingo, 22 de novembro de 2009

Ser feliz...
Ser padre é ser feliz.
Com toda a certeza, e sem espaço para qualquer dúvida, se me perguntam o que é ser padre, só posso responder: É ser feliz.
"O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo" (Sl. 84 [83], 3).
Afirmo-o sem ilusões poéticas e plenamente consciente de que a vida não é fácil... a vida dos sacerdotes não é fácil. Mesmo assim e também na dureza da vida, ser padre é ser feliz... é que "eu sei a fonte que mana e corre embora seja noite..." (cf. São João da Cruz), "sei em quem pus a minha confiança" (2Tm 1, 12) até porque "se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 9, 31).
De verdade e do fundo do coração, ser feliz... é o que posso e tenho que partilhar...
O Bom Deus, até mesmo quando a homilia me não correu bem, quando sou justa ou injustamente criticado, quando me confronto com as minhas debilidades e não sou suficientemente generoso e paciente, quando fisicamente estou cansado e o meu espírito pleno de preocupações, de projecto, de questões mais simples ou complicadas de resolver: "exulto de alegria em Deus meu salvador" (cf. Lc 1, 47).
É tão frequente, muito frequente mesmo, sobretudo ao Domingo, depois de um dia pleno a sustentar na fé, os meus irmãos... depois de um dia cheio a partir-lhes a Palavra e a distribuir-lhes o Pão... a ser o instrumento de que Deus se serve para os restaurar, para lhes devolver a esperança...
Que festa..., que alegria Senhor, o coração não me cabe no peito, tal é a alegria que me concedeis. Quem vê o padre, no "seu" carro, de regresso a casa e se apercebe que canta, só pode pensar:
"Está tonto, coitado". E tem razão, tonto de alegria e com o coração em festa, pois não lhe faltais, Senhor. Tonto, por só na fé conseguir entender que, apesar dos seus pecados o compensais tão abundantemente pelos suas insignificantes e tropegas "generosidades".
Ser feliz... a isso me chamais.
Com uma felicidade indizível me preencheis.

"A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador..." (Lc 1, 46-47).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

SEMANA DOS SEMINÁRIOS
A “minha” Vocação…
um Olhar de Amor

Falar de vocação, do chamamento que Deus me fez e me faz continuamente para O seguir com radicalidade, é difícil, é como querer reter a água dos oceanos entre as minhas mãos, é impossível. No entanto, mesmo se é impossível reter entre as mãos toda a água dos oceanos, não é que fiquemos com as mãos molhadas. Assim, pelo menos uma pequeníssima parte, da imensidão desse Mistério que é o “chamamento” que Deus faz ecoar na intimidade do meu coração, posso reter e partilhar.
Sempre que falo ou penso na “minha” vocação, de imediato ao meu pensamento assomam uma frase da 1ª Carta de São João e um excerto do Cântico Espiritual de São João da Cruz. De São João: “Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1Jo 4, 16) de São João da Cruz: “Aonde Te escondestes, Amado, e me deixastes num gemido? Qual veado fugistes, havendo-me ferido” (CA-1).
De facto, desde o início, ainda que disso não tivesse consciência – hoje é claro, "Deus Olha-me com um olhar particularmente amoroso" e faz brotar em mim uma felicidade e uma paz que o coração parece não poder conter.
O primeiro “Olhar Amoroso” de que tenho memória aconteceu em finais de Janeiro, do longínquo ano de 1975, tinha eu 6 anos. Num dos últimos dias da novena de Senhora das Candeias, a padroeira da minha terra, Mourão, recordo-me que, confortavelmente envolvido no meu primeiro capote alentejano, dormitei a novena toda, ora encostado à minha mãe, ora à minha tia materna. Entre um olho aberto e outro fechado fui vendo o meu prior de joelhos na escadaria do altar-mor incensando o Santíssimo Sacramento, recordo o barulho das corrente do turíbulo, o cheiro do incenso, bem como o coro a cantar a Ladainha de Nossa Senhora. Encantai-me. Melhor enamorei-me. Que paz, que tranquilidade… que Paraíso. De tal forma me marcou este quadro que, na minha inocência infantil, à saída da novena, no alto da escadaria do Santuário, situado no castelo e, que tem a Vila de Mourão a seus pés, disse num rompante à minha mãe: “Quando o Padre Inácio morrer, vou enterrá-lo e fico o padre da Senhora das Candeias”. Todos se riram deste inocente e pueril desejo sem consequências... pensavam. Eu estava convicto do que dizia… estava encantado, completamente apaixonado pelo que tinha acabado de viver… queria passar a minha vida a fazer “aquelas coisas”, as coisas de Deus.
Passam os anos e como era muito preguiçoso na escola, minha mãe, que tinha um primo cónego da Sé de Évora, sempre ouvira dizer ao primo que no Seminário obrigavam os rapazes a estudar. Bom remédio, pensou, juntava-se o útil ao agradável. Em tempos eu tinha dito que queria ser padre, no Seminário haveriam de fazer de mim um rapaz estudioso. E lá vai ele, com 12 anos, para o Seminário Menor de São José de Vila Viçosa.
Estudo, oração, tropelias… o normal na vida de Seminário. Com 16 anos passo para o Seminário Maior de Nossa Senhora da Purificação de Évora… aos 18 anos faço uma experiência de vida religiosa entre os Dominicanos. Fiz o noviciado no Convento de Fátima, não chego a professar… as saudades do Alentejo são muitas e regresso... ou serão os caminhos de Deus?!?!
Por alturas da saída do Convento, alguém, de chofre, me pergunta porque quero ser padre. A pergunta calou fundo no meu coração e eu não tinha resposta. Padre porquê? O ambiente do seminário era agradável, sentia-me feliz no seminário, não me via a fazer outra coisa, a minha família estava feliz com a ideia de que eu fosse padre, mas seria isto suficiente? Padre porquê, Marcelino? Ao fim de alguns meses a resposta brotou luminosa e radiante, como um vulcão… "Deus ama-te, tem sobre ti um Olhar de Amor". Imediatamente procurei a pessoa, que meses antes me tinha perguntado, padre porquê (?) e lhe respondo: porque Deus me ama. Resposta da dita pessoa: “grande coisa, essa é a experiência fundamental do cristão, não precisas de ser padre por isso”. Mas desta vez eu estava preparado. Padre para ter inteira disponibilidade de vida, de afectos, de tudo... Padre para dizer a todos, mesmo a todos, que Deus os ama e os quer felizes vivendo no Amor.
Eu tinha que responder a “Esse Olhar que é Amor” e a melhor forma de o fazer era dar-Lhe tudo, dar-me todo a Ele, no sacerdócio. Para ser ponte, para falar aos Homens de Deus e a Deus dos Homens. Para ser sinal do Amor de Deus no meio do Seu Povo. Padre para ser as mãos, os pés, os braços, a boca, o coração de que Deus se serve para Amar, para servir, para afagar, para conduzir, para anunciar, para louvar, para unir o Povo de Deus, para restaurar a Esperança do Seu Povo...
Ao longo da minha vida foram e são tantos os sinais deste Deus que não retira de sobre mim o “Seu Olhar de Amor”.
Intensificou esse “Olhar” quando - no dia a seguir ao funeral de minha mãe, (11 de Julho de 2002) que havia partido inesperadamente para o Paraíso no dia em que eu cumpria 7 anos de sacerdote (9 de Julho de 2002) - me mimou e reconfortou fazendo que na estrada, regressando ao Seminário de Vila Viçosa, onde na época trabalhava, me ultrapassa uma carrinha toda suja e no vidro traseiro alguém havia escrito com o dedo, no meio da poeira e sujidade: “Deus é Amor”. Foi a Boa Nova, que mais uma vez me foi recordada, exactamente quando entrava na terra da Senhora da Boa Nova, Terena.
Intensificou esse Olhar quando no fim de um Curso de Cristandade, onde participei como membro da equipa sacerdotal, me entregam uma fita com uma frase para prender ao peito. A frase: “Deus é Amor”. Naquele preciso momento necessitava que alguém me o lembrasse.
Deus vem ao meu encontro na delicadeza e simplicidade de uma fita para me dizer: “Amo-te”.
Vem ao meu encontro para me recordar o Seu Amor todos os dias, nas pessoas nos acontecimentos…

Vem ao meu encontro para me recordar o Seu Amor nas alegrias, nos sucessos, nas dores, nos desaires, nos desânimos, pois a Cruz amada, abraçada, querida e desejada, é sinal do Amor Maior. Nos meus tempos de Seminário, Chiara Lubich (fundadora do Movimento dos Focolares), a meu pedido, deu-me como nome novo: Marcelino de Jesus Abandonado e como Palavra de Vida a da 1ª Carta aos Coríntios: “Julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Cor 2, 2). Chiara deu-me o Amor Maior, como guia e conforto, que conduz com segurança à Festa da Ressurreição.

Com todas as minhas limitações e debilidades, sou tão feliz neste Caminho de Amor que, a propósito e fora de propósito, falo dele e o proponho aos outros… sonho ver os seminários e os mosteiros cheios. Não por desrespeito pelo matrimónio, ou porque fazem falta padres ou freiras, mas porque quisera eu que tantos, muitos, mesmo muitos, pudessem fazer esta felicíssima e realizadora experiência de ser “feridos” pelo Amor de Deus, não podendo viver de outra forma senão em Deus e para Deus.
É que Deus não tira nada, dá tudo… melhor, dá-Se-nos Todo.
P. Marcelino José Moreno Caldeira
Arquidiocese de Évora

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Irmã Maria Helena Branco ocso
Sede de Deus
Foi o primeiro fruto de Santa Maria de Marana-tha.
Nasceu a 9 de Dezembro de 1965, em Castelo Branco.

Viveu na cidade de Elvas, durante a adolescência, onde sua mãe era professora.
Entrou no próprio dia da fundação de Santa Maria de Marana-tha, a 15 de Agosto de 1989, abraçando a vida do seu mosteirinho até às últimas consequências:
"Aqui, em Santa Maria de Marana-tha [tratava-se de uma pequena casa provisória] não há sinos a tocar de madrugada, não há melodias «angélicas» que elevam a alma à união com o ETERNO.
Aqui não há tudo isso… mas há o ESSENCIAL, porque há DEUS, e DEUS faz-Se sentir quase palpável: em situações, em circunstâncias, em pessoas concretas, na caridade fraterna vivida dia-a-dia […] sem sinos, sem cantos, sem claustros.
Deus não Se importa, porque para Ele isso não é o Essencial; Ele só precisa do nosso coração e nós só precisamos de Deus! E o nosso grito é Marana-tha. Vem, Senhor Jesus! É isso o ESSENCIAL!"
- assim escrevia ela ao terminar o seu Noviciado, em 1992.
Inteiramente orientada para Deus, dela irradiava paz, doçura, compreensão, alegria…
O sorriso era-lhe habitual, mesmo quando a dor batia à porta. Quatro anos e meio em Santa Maria de Marana-tha bastaram à Irmã Maria Helena para realizar em plenitude o que se lê no livro da Sabedoria: "Amadurecida em pouco tempo… atingiu a plenitude de uma vida longa" (4,13).
Acabava de fazer 28 anos quando o seu estado de saúde se agravou assustadoramente.
Heróica no sofrimento, no meio de dores incessantes, falava do céu, da eternidade com Deus, como realidades ardentemente desejadas. A sua experiência de Deus levara-a até aí. Por isso se entregou sem reservas, serenamente, nas mãos do Pai. Adormeceu em paz, estendendo as asas rumo à eternidade, na madrugada de 1 de Fevereiro de 1994. Convertia-se em verdade a sua oração:
"Nunca deixes, Senhor, que eu Te abandone.
Só Tu me podes encher.
Só Tu podes fazer-me feliz
e saciar a minha alma e o meu coração
e todo o meu ser.
Que seja tua, Senhor, cada vez mais e para sempre!"
(fonte: cf. página Web da Trapa de Santa Maria de Marana-tha)