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quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Beato Marcelino Ovejero Gómez,
irmão destinado ao sacerdócio 
da Ordem dos Frades Menores e mártir
Século XX - Espanha
Memória litúrgica a 6 de Novembro
Nasceu em Becedas (Ávila - Espanha), a 13 de Fevereiro de 1913.
Seus pais de humilde condição, foram Paulo (Pablo) e Cristina.
Em 1925, com 12 anos de idade, entrou no Seminário Franciscano de Alcázar de San Juan, onde cursou dois anos de Humanidade, tendo feito o terceiro no de Puebla de Montalbán.
Com 15 anos, tomou o hábito da Ordem dos Frades Menores, a 25 de Agosto de 1928, em Arenas de San Pedro, onde pronunciou os votos temporais, a 26 de Agosto de 1929. Tinha 16 anos de idade. Não chegou a emitir a profissão de votos solenes, nem recebeu Ordens Sacras por estar sujeito ao serviço militar, segundo as leis da Segunda República espanhola.
Em Pastrana fez os três anos de Filosofia, o primeiro de Teologia em Alcázar de San Juan e os restantes três anos de Teologia em Consuegra, tudo isto entre 1929 e 1936, ano em que sofreu o martírio, a 16 de Agosto.
Tímido, bondoso e humilde, frei Marcelino era muito querido e apreciado por todos os seus companheiros. Aluno mediano, obtinha boas classificações, devido ao seu empenho nos estudos. Sempre se mostrou piedoso, cumpridor do dever e respeitoso para com os superiores e professores. Sabia aceitar, sublimar e ultrapassar as contrariedades.
Apesar dos perigos que trouxe a República de 1931 em Espanha, depois do fogo lançado a vários conventos, os seus familiares quiseram levá-lo para a casa paterna na sua terra natal, contudo, frei Marcelino manteve-se firme nos compromissos dos seus votos religiosos e negou-se a sair do seu convento, dando provas de amor à sua vocação e de estar disposto ao martírio, que efectivamente veio a sofrer aos 22 anos de idade, dez dos quais passados na Ordem Franciscana.
Nos primeiros minutos do dia 16 de Agosto, os franciscanos do convento de Consuegra, foram tirados da igreja-prisão. Enquando saíam, o Padre Benigno Prieto del Pozo disse: “Não vos assusteis, irmãos, que vamos para o Céu”. Pouco depois, mandaram que regressassem à igreja-prisão os frades naturais de Consuegra e os irmãos não clérigos (irmãos leigos que não se destinavam ao sacerdócio), num total de oito, que seriam assassinados posteriormente. Os restantes 20 fizeram-nos subir para um camião.
Escoltados por vários carros, nos quais iam o Alcaide (Presidente da Câmara) e os membros do Ayuntamiento (executivo camarário), o camião saiu de Consuegra, passou por Urda e parou num lugar chamado “Boca de Balondillo”, no termo municipal de Fuente el Fresno (Ciudad Real). Os franciscanos, que tinham rezado durante toda a viagem, foram mandados descer do camião e colocar-se em fila a poucos metros da estrada. O Padre Victor Chumillas pediu ao Alcaide que os desatasse, para morrer com os braços em cruz, não lhes foi concedido. Pediu, então, que os fuzilassem de frente e o Alcaide permitiu que se voltassem. Então o Padre Victor disse à comunidade: “Irmãos, elevai os olhos ao Céu e rezai o último Pai Nosso, pois em breves momentos estaremos no Reino dos Céus. E perdoai aos que vos vão dar a morte”. E ao Alcaide disse: “Estamos dispostos a morrer por Cristo”. Imediatamente, frei Saturnino Rio Rojo gritou: “Perdoai-os, Senhor, pois não sabem o que fazem”. Começou a descarga de disparos. Nesse momento, vários dos franciscanos gritaram: “Viva Cristo Rei. Viva a Ordem Franciscana. Perdoai-os, Senhor!”. Eram aproximadamente as 3.45 horas da madrugada de 16 de Agosto de 1936, quando os 20 mártires franciscanos “pagaram com a vida a sua fidelidade a Cristo e à sua Igreja” (Bento XVI, «Angelus de 28.10.2007).
Os corpos dos vinte mártires franciscanos foram sepultados no cemitério de Fuente el Fresno. Em 1939 foram levados para o cemitério de Consuegra. A 15 de Agosto de 1940, foram os seus corpos transladados para a capela construída para o efeito na igreja do convento franciscano dessa localidade. A 23 de Dezembro de 1982 foram inhumados e depositados definitivamente na Igreja de San Juan de los Reyes em Toledo.
Foram Beatificados, incluídos no numeroso grupo de 498 mártires da perseguição religiosa na Espanha, pelo português, Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Bento XVI, a 28 de Outubro de 2007, na cidade de Roma.

Beato Marcelino Rebollar Campo
(Irmão Julião Marcelino), 
religioso Marista e 67 companheiros mártires
Século XX - Espanha
Memória Litúrgica a 6 de Novembro
Marcelino nasceu a 29 de Novembro de 1914, em Tresviso, província de Santander e, na altura, Diocese de Oviedo.
Cumprindo o costume da época, no dia seguinte ao seu nascimento, seus pais, Maximino e Petra, levaram-no a baptizar à Igreja Paroquial da sua terra. Em 1922 foi Confirmado pelo bispo de Oviedo.
Tresviso é uma pequena vila, situada em plenos Picos da Europa, com concelho próprio, pertencia à jurisdição de Potes. Quando Marcelino nasceu, tinha pouco mais de cem habitantes. O terreno do município é montanhoso, muito apropriado para pasto e bosques onde abundam os carvalhos e as faias. Cultivam-se cereais, legumes e árvores de fruto e os abundantes pastos são aproveitados para a criação de gado.
O Senhor abençoou a família de Marcelino com uma especial fecundidade. Os seus pais tiveram oito filhos. Depois da morte da sua mãe, o pai casou em segundas núpcias e teve com a nova esposa mais nove filhos.
Cinco dos filhos consagraram-se a Deus: três foram Irmãos Maristas, um foi sacerdote e um era seminarista quando morreu na defesa de Oviedo em 1937. Neste ambiente familiar, crescia e ia-se formando Marcelino.
Era sério e formal e comportava-se de maneira correcta, ajudando os seus pais no que podia, sobretudo, costumava dedicar-se a guardar o gado, tarefa na qual era muito competente.
Aos dez anos foi para o Colégio dos Maristas de Oviedo. Um dos seus professores recorda que foi muito bom estudante. Passado algum tempo, depois da explicação do catecismo, disse um dia a este mesmo professor que queria ser religioso. Posteriormente, as suas cartas escritas do Seminário Marista ajudaram os seus irmãos a discernir a sua própria vocação.
Com 13 anos, ingressou no Seminário Marista de Venta de Baños (Palência) a 6 de Setembro de 1927, de onde, pouco tempo depois partiu, para Blancotte (França), para prosseguir os seus estudos e aprender o francês. A regressa a Espanha e a 13 de Setembro de 1930 passa noviciado de Tuy (Pontevedra), aqui toma o hábito Marista a 19 de Março de 1931, recebendo o nome de irmão Julião Marcelino. No mesmo dia, um ano depois (1932), emite os seus primeiros votos temporais. Antes que pudesse fazer a sua consagração perpétua, foi vilmente assassinado. A entrega da sua jovem vida a Deus no martírio foi a sua consagração definitiva.
Curta é a lista dos seus destinos, em Agosto de 1932, é enviado para Sahagún, para fazer estágio no ensino. Em Agosto de 1934, é destinado ao Colégio de São José de Madrid, situado na Rua Fuencarral, nº 126. Nesta cidade, foi preso e encarcerado e, nela, conseguiu a graça de morrer mártir.
Era um religioso observante, cheio de caridade e disposto ao sacrifício, que se sentia feliz com a sua vocação de educador e que a exercia com verdadeiro zelo apostólico. Como bom Irmão Marista, mostrava-se humilde, simples e modesto. Era amante do trabalho bem feito e era obediente em tudo.
No dia 15 de agosto de 1936 prenderam-no, juntamente com o irmão Ángel Hipólito e outro irmão, na residência de estudantes e, depois de passar a noite na Direcção Geral de Segurança, levaram-nos para a prisão de Ventas. Nela padeceu inquietações, perigos, inseguranças, privações e mais tratos. Só podia sofrer e rezar para suportar tantas contrariedades.
A 3 de Novembro tiraram-no da prisão de Ventas para mudá-lo para a de Alcalá de Henares. Ficou no caminho. Em Paracuellos del Jarama, nesse mesmo dia, caiu assassinado e foi enterrado numa fossa comum. Ali repousam os seus restos mortais. Tinha 22 anos de idade.
A 13 de Outubro de 2013, com mais 67 irmãos e leigos Maristas, integra o grupo de 522 mártires da Guerra Civil de Espanha, é Beatificado em Tarragona, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Beato Domingos de Borba
e 39 companheiros mártires,
rogai por nós!
O testemunho do Beato Domingos Ferandes de Borba e 39 companheiros constitui um exemplo vivo e próximo para todos. A sua morte heroica é um sinal eloquente de que a vitalidade da Igreja não depende de projetos ou cálculos humanos, mas vem da adesão total a Cristo e à sua mensagem de salvação. Disto estavam bem conscientes estes mártires que tiraram forças não de um desejo de protagonismo pessoal, mas de um amor sem reservas por Jesus Cristo, mesmo à custa das suas vidas.
O martírio, com efeito, é uma revelação particular do mistério pascal que continua actuando e se oferece aos homens de todos os tempos como promessa de vida nova. Assim escrevia o famoso escritor romano Tertuliano: “Sanguis martyrum - semen christianorum”;  o sangue dos mártires é a semente dos cristãos.
Confiemo-nos à sua intercessão, cuja existência se tornou para toda a Igreja, num poderoso farol de luz, num convite convincente a viver o Evangelho de maneira radical e com simplicidade, oferecendo um corajoso testemunho da fé que supera todas as barreiras e abre horizontes de esperança e fraternidade.
Cf. Homilia do Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos na missa de beatificação de Maria do Carmo Lacaba Andía e 13 companheiras mártires, 22.06.2019

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Em dia de BEATO MARCELINO Martín Rubio e 17 companheiros mártires Trapistas Século XX - Espanha Memória litúrgica a 4 de Dezembro “Entre os mártires há um noviço de 23 anos, frei Marcelino Martín Rubio, aberto e alegre, que no momento da prisão não escondeu a sua condição de religioso". O Beato Marcelino Martín Rubio, nasceu a 4 de Novembro de 1913, em Espinosa de Villagonzalo, província de Palência, Espanha. Aos 15 anos, entrou como oblato na Abadia Cistercience de Estricta Observância (Trapistas) de Viaceli, iniciando o noviciado em 1931, o qual abandonou ao fim de dois anos. Em 1935 regressou ao mosteiro como monge de coro. À época do martírio era noviço. Preso e depois libertado, foi novamente preso e seguiu a sorte dos demais irmãos. Pelas cartas dirigidas a uma tia, monja cisterciense, pode-se observar o processo martirial dele e de todos os seus companheiros. Aberto e de carácter muito alegre, não ocultou a sua condição de religioso no momento da sua detenção final. A 8 de Setembro de 1936 a comunidade foi obrigada a abandonar o seu mosteiro, foram encarcerados e sofreram insultos e vexames. Alguns dias depois foram libertados. Mas, no espaço de poucas semanas, com o pretexto de fazer indagações sobre a proveniência dos seus meios de sustento, foram novamente presos em dois grupos diferentes e assassinados no dia 3 e 4 de Dezembro. A causa de sua morte foi a de identificar-se - exclusivamente - como cristãos e religiosos. A fé foi o motivo da sua prisão e execução, com a agravante de uma procura de dinheiro por parte dos perseguidores. Os Servos de Deus sabiam muito bem o grave perigo que corriam e viveram a sua consagração até ao derramamento do sangue. Uma fé clara, uma caridade sincera e uma esperança inquebrantável concederam-lhe fortaleza para viver até às últimas consequências a sua fidelidade a Cristo e à Igreja. Jamais renegaram a sua condição de religiosos e prepararam-se conscientemente para caminhar, passando pela morte, ao encontro do seu Senhor. Depois, foram levados a bordo de uma barcaça para fora da baía de Santander e depois de lhes cozerem a boca com arames pois “iam a rezar”. Pensavam assim calá-los, a eles, que durante anos se reuniram na Igreja do Mosteiro para, sete vezes ao dia, começar a sua liturgia com as palavras: “Abri, Senhor os meus lábios e a minha boca cantará o Vosso louvor!”. Certamente que fecharam as suas bocas, mas estavam certos de que o louvor ao seu Criador e Redentor, mesmo nos momentos de dor e aparente fracasso, não cessaria. Os seus irmãos, os que viriam depois, continuariam esse louvor, abririam de novo as suas bocas acompanhando-os e confortando-os desde outro lugar com uma presença gozosa e renovada. Foram lançados ao mar com pesados pesos atados aos pés. Lançados às frias águas do Cantábrico, aquele mar que tantas vezes contemplaram desde as janelas do seu mosteiro, umas vezes sereno e azul outras cinzento e encrespado. Frei Marcelino será feito prisioneiro alguns dias mais tarde, sofrendo a mesma sorte do resto dos monges. Tinha 23 anos de idade. O mais jovem dos mártires contava 20 anos (havia vários no grupo com menos de 25 anos) e o mais velho tinha 68. O testemunho destes mártires ilumina e inspira o nosso momento histórico. Os mártires ensinam-nos o amor à Verdade frente ao relativismo e ao fundamentalismo dos nossos dias. Frente ao “vale tudo” e frente ao “nada faz mal”, os nossos mártires recordam-nos que há ideais que são demasiado grandes para regatear o preço a pagar por eles. O martírio indica-nos onde se encontra a verdade do Homem, a sua grandeza e dignidade, a sua liberdade mais genuína e o comportamento mais verdadeiro e próprio do Homem que é inseparável do amor: por isso, o martírio é uma exaltação da perfeita «humanidade» e da verdadeira vida da pessoa. Os mártires são testemunho da fidelidade do homem à sua consciência bem formada como limite de todo o poder e garantia da sua semelhança divina. Foi Beatificado com os seus companheiros no passado dia 3 de Outubro (2015), na catedral de Santander, pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, sob o mandato do Papa Francisco. Fonte: cf. Página Web da O.C.S.O BEATO MARCELINO Martín Rubio, rogai por nós.