terça-feira, 1 de setembro de 2026


 Palavra de Vida

Setembro de 2026


Claudio Cianfaglioni 

e equipa da Palavra de Vida


«A caridade não faz mal ao próximo.

A caridade é o pleno cumprimento da lei» 

(Rm 13,10)

Será que se pode obrigar alguém a amar? Se entendermos o amor como um sentimento, é realmente impossível! Mas se, pelo contrário, o entendermos como uma dádiva de Deus, as coisas mudam. 

São Paulo, na Carta aos Romanos, de onde é retirada esta Palavra de Vida, descreve precisamente a relação entre a Lei e o amor, afirmando que o amor é o pleno cumprimento da Lei. Pouco antes, ele já nos tinha revelado a origem desse amor: «Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.» (Rm 5,8). Também a Primeira Carta de São João afirma: «É nisto que consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e nos enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.» (1Jo 4,10)

«A caridade não faz mal ao próximo.

A caridade é o pleno cumprimento da lei» 

(Rm 13,10)

Ninguém pode dar o que não tem. Santo Agostinho tinha-o compreendido bem quando dizia, dirigindo-se diretamente a Deus: «Concede-me o que me ordenas e ordena-me o que quiseres» (Santo Agostinho, Confissões, X, 29,40). Recebemos a dádiva inestimável do amor de Deus e somos chamados a não o guardarmos para nós, mas a fazê-lo circular. De destinatários do amor de Deus, podemos tornar-nos protagonistas desse amor. De amados, somos chamados a tornarmo-nos amantes, participando assim na própria vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo: o Amante, o Amado e o Amor. 

São Paulo assegura-nos que não temos qualquer outra dívida para com ninguém, senão a do amor recíproco, porque quem ama o próximo cumpriu a Lei (Cf. Rm 13, 8).

«A caridade não faz mal ao próximo.

A caridade é o pleno cumprimento da lei» 

(Rm 13,10)

«O verdadeiro amor ao próximo – afirma Chiara Lubich – não faz mal algum. Leva-nos a viver todos os mandamentos de Deus, sem exceção, pois o seu primeiro objetivo é ajudar-nos a evitar todas as formas de mal em que poderíamos cair, tanto contra nós mesmos como contra os nossos irmãos e irmãs» (C. Lubich, Palavra de vida de setembro de 1993, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi, (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, p. 531).

Assim compreendidos, os mandamentos da Lei deixam de ser apenas uma obrigação para se tornarem uma dádiva do amor de Deus: não limitam o nosso amor, mas libertam-no plenamente.

«A caridade não faz mal ao próximo.

A caridade é o pleno cumprimento da lei» 

(Rm 13,10)

Para chegar a este «pleno cumprimento», o primeiro passo para amar o próximo é não lhe fazer mal. Depois, é preciso ir mais além, tornando-nos criativos no amor: «não é suficiente não praticar o mal contra o próximo – recordou-nos o Papa Francisco –, é necessário escolher fazer o bem aproveitando as ocasiões para dar bom testemunho de que somos discípulos de Jesus» (Papa Francisco, Audiência Geral, 3 de janeiro de 2018).

Como viver, então, esta Palavra de Vida? Coloquemos o amor no centro da nossa vida. Amemos os outros concretamente, como Jesus os amaria: é Ele a plenitude do amor, totalmente entregue a Deus e à humanidade. É d’Ele que podemos aprender a medida mais elevada do amor.

«A caridade não faz mal ao próximo.

A caridade é o pleno cumprimento da lei» 

(Rm 13,10)

Doris, uma jovem da Escócia, conta-nos: «Durante as nossas visitas regulares a um centro de apoio a pessoas sem-abrigo, entro num mundo muito diferente do meu. Sei que não conta tanto o que eu sinto, mas importa amar. Um dia, um homem com uma profunda tristeza estampada no rosto confidenciou-me que se sentia prestes a pôr fim a tudo, que até desejava morrer. Limitei-me a escutá-lo; depois partilhámos uma sandes e um café. Compreendi que escutar e estar presente já era uma forma de demonstrar amor. Quando chegou o momento de partir, ele abraçou-me com força e sorriu-me, dizendo que aquilo que estávamos a fazer era muito importante, não apenas para ele, mas para todos os que ali se encontravam. Senti a força extraordinária do amor. Talvez não o tenha “salvo”, mas a sua gratidão encheu-me de alegria, e isso, por si só, já tem um enorme poder.»

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