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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como eu queria, Senhor, 
morrer a Vossos pés, 
de amor..., 
esquecido de todos, 
sem ruído, em silêncio, 
sem pensar nos homens que são criaturas, 
sem sonhar com o mundo, que Vos abandonou, 
sem olhar os céus, 
nem as flores, 
nem as aves, 
nem o sol.
Senhor, 
como eu queria morrer de amores 
aos pés da cruz.
São Rafael Arnaiz Baròn

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Les veilleurs de l'Atlas
(Os vigilantes de Atlas)
Eis a história dos 7 monges Trapistas que inspirou o filme "Des hommes et des dieux" de Xavier Beauvois.


(fonte: Le Jour du Seigneur - http://www.lejourduseigneur.com/Emissions/Les-veilleurs-de-l-Atlas)


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Amor mais forte do que o ódio
Razões do fascínio e do sucesso do filme "Dos homens e dos deuses".
Em Outubro passado, a minha atenção foi despertada pela capa de duas das revistas francesas de maior difusão (L'Express e Le Figaro Magazine) que, na mesma semana, davam grande destaque ao filme Dos homens e dos deuses, sobre os últimos momentos da vida dos monges trapistas, do mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia, raptados por um grupo terrorista de matriz islamista, e depois assassinados, em condições ainda não bem esclarecidas, em 1996. «Estes monges que agitam a França»; «Do filme ao fenómeno» - eram títulos dessas capas, que evidenciavam 0 extraordinário sucesso de um filme sobre a vida e as escolhas radicais desses monges. Um sucesso esperado junto do público católico, mas também um inesperado sucesso junto de não crentes, atraídos pela qualidade artística do filme (seleccionado como candidato Francês ao Oscar), mas sobretudo pelo testemunho desses homens e as questões que ele coloca sobre 0 sentido da vida, do amor e da morte.
O enredo do filme centra-se no dilema destes monges que - perante as ameaças que pairam sobre os estrangeiros que habitam a Argélia - correm risco de vida e enfrentam a decisão de deixar, ou não, o local onde vivem há anos, partilhando a vida simples e pobre da população local, a quem um deles presta serviços médicos gratuitos, numa harmonia que supera as diferenças entre cristãos e muçulmanos.
A decisão não é fácil e as opiniões começam por estar divididas. Não se fizeram monges para morrer, não são suicidas e não querem o martírio por sua iniciativa. São pessoas comuns, não são heróis sobre-humanos e querem viver. Mas, por outro lado, não querem ceder perante quem quer impor a sua vontade com a força das armas e, sobretudo, sentem que a sua missão junto daquele povo não está terminada; que escolheram partilhar a vida desse povo e com ele se querem identificar também na pobreza de quem não tem meios de fugir; que não podem abandonar esse povo aos terroristas, porque «o pastor não abandona as suas ovelhas quando vem o lobo». Não buscam a morte, mas aceitam-na como fez Jesus Cristo, porque «ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» e porque «o discípulo não é mais do que o Mestre». Com esta consciência, chegam a consenso e reencontram a paz. Um deles afirma o que todos acabam por experimentar: «sou um homem livre, porque não temo a morte».
Alguns diálogos e algumas cenas deixam uma marca inesquecível em qualquer espectador. Como aquela em que o chefe de um grupo terrorista pretende obter os serviços do monge médico com a ameaça das armas. O prior da comunidade, o irmão Christian de Chérgé, dá testemunho de coragem ao começar por exigir que o diálogo com um homem armado se faça fora do mosteiro, lugar de paz. E, sobretudo, ao não ceder a essa ameaça, como se não tivesse alternativa (porque há uma alternativa à força das armas), deixando que a assistência seja prestada ao terrorista ferido, mas sem distinção em relação à que é prestada à população local. Quando o chefe do grupo se retira, esse irmão diz-lhe que se celebra nessa altura o Natal, o nascimento de Jesus, Príncipe da Paz, tão estimado pelos muçulmanos. E ele pede desculpa ... Mais tarde, será o irmão Christian a reconhecer o cadáver desse homem perante os oficiais do exército (este também comete atrocidades) e com grande emoção rezará por ele diante do cadáver.
Comovente o diálogo do monge médico e já idoso, o irmão Luc, com uma jovem a quem explica o que sente quem está apaixonado, e a quem diz que sentiu isso mesmo mas que, depois, sentiu um amor ainda maior, há sessenta anos ...
Também marcante é o diálogo entre o irmão Christian e outro dos irmãos que, confrontado com a escolha de ficar e correr o risco do martírio, vacila e não compreende o porquê dessa escolha. «A escolha já a fizeste há muito tempo»; «é tão louco ficar, como foi louco escolher ser monge», afirma então o irmão Christian, que o faz descobrir em Jesus esse porquê.Os cantos dos Salmos, na sua beleza e serenidade, e os seus textos não escolhidos por acaso, vão-nos preparando para descobrir o sentido do desfecho que se adivinha.
Culminante é a cena do jantar que antecede o rapto, ao som da música de Tchaikovsky, a evocar a Última Ceia e a presença espiritual de Jesus entre os monges, fonte da alegria que a todos invade nesse momento em que se pressagia um fim tão trágico.
O assassinato é evocado no final, sob um belíssimo cenário de neve nas montanhas do Atlas, em que ecoam as palavras do testamento espiritual do irmão Christian. Nele se pede encarecidamente que a responsabilidade da sua morte não seja indiscriminadamente atribuída ao Islão e ao povo argelino, que ama profundamente. Afirm
a a propósito da Vida Eterna que espera: «Poderei imergir o meu olhar no olhar do Pai, para contemplar com Ele os seus filhos do Islão como Ele os vê, totalmente iluminados pela glória de Cristo». E perdoa ao seu previsível assassino, o seu «amigo do Último minuto, que não sabia o que fazia», fazendo votos de que o encontre, também a ele, no Paraíso.
Se não fosse por outro motivo, o facto de o testemunho destes homens chegar agora a tantas pessoas (em Outubro já eram quase três milhões em França), ajudando-as a aproximarem-se de Deus, faz-nos ver que esta morte não foi sem sentido e que o martírio é fecundo, como se diz desde a Antiguidade. Disse, a propósito, o monge e teólogo italiano Enzo Bianchi (Avvenire, 20/1012010), que estes homens «pertenciam a Outro» e, por isso, «falam a todos», pois é graças a pessoas como eles que é possível «acreditar que o amor é mais forte do que o ódio, que a vida é mais forte do que a morte, porque só quem tem uma razão para morrer, tem uma razão para viver».
P. Godinho
in «Cidade Nova», ano XXI - Janeiro de 2011, pgs 18 e 19

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A BELEZA DO HUMANO

Estreou ontem, nas salas de cinema, um filme extraordinário de Xavier Beauvois, sobre os monges cistercenses de Thibirine que, em 1996, foram mortos por fundamentalistas argelinos.O filme começa por mostrar a vida do mosteiro, perdido naquela longínqua aldeia do Atlas, e a profunda ligação que aqueles monges tinham com a população, que se manifestava em fortes laços de amizade.
Os monges levavam uma vida simples, com estudo, trabalho manual para garantir a sua sobrevivência, e muita oração. Quando estala a violência, contra cristãos estrangeiros, surge a questão: partir ou ficar.
O mais fascinante deste filme é ver como os monges franceses eram homens normais, frágeis como nós: claro que tinham medo e, numa primeira fase, queriam sair dali. Mas o superior da comunidade pediu-lhes tempo para reflectir e o resultado é um fascinante percurso de crescimento interior e humano que cada um desses homens cumpre, reforçado com a oração e o canto litúrgico. Humanamente, têm medo, mas tomam uma opção de amor e cada um decide ficar, sabendo que vai morrer.
O que fascina é que, apesar da debilidade que tinham, tomaram a sua vida a sério e arriscaram amar até ao fim.
O filme não exalta o martírio nem cai na mística publicitária da morte bela. Nada disso. O que brota deste magnífico filme é a beleza do humano, sempre que a vida é vivida como dom.

(Fonte: site Rádio Renascença)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dos Homens e dos Deuses
Chega aos cinemas portugueses, neste dia 11 de Novembro,
o filme reconhecido com o Grande Prémio do Festival de Cannes
Em 1996, sete monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância são raptados e assassinados em Tibhirine, aldeia aninhada na região argelina do Magrebe. É o culminar da escalada de violência que opõe o Grupo Islâmico Armado (GIA), extremista, ao governo que acusa de corrupto.
O impacto deste horrível desaparecimento, cujos contornos exactos estão ainda por esclarecer, estende-se até aos nossos dias, levado agora ao cinema sob direcção do realizador francês Xavier Beauvois.
A obra, reconhecida com o Grande Prémio do Festival de Cannes e merecedora da forte e comovida chuva de aplausos que encheram o Palais des Festivals na noite do passado 23 de Maio, é uma extraordinária ode à fé, ao amor ao próximo e ao espírito de serviço que cumpre, em estilo e estrutura narrativa, o despojamento do seu sujeito.
Com efeito, é-nos dado comungar a forma abnegada como uma comunidade de homens lida com uma realidade adversa para a qual não contribui senão com a sua vocação de amor e dádiva. Uma vocação reafirmada ao arrepio das pressões externas para abandonarem a aldeia que servem à sua sorte.
Sem ceder a tentações sensacionalistas, Beauvois desvenda aos nossos olhos o dia-a-dia daquele pequeno mosteiro de Tibhirine, dos seus sete habitantes e da pacata população da aldeia local, induzindo progressivamente o adensar do contexto violento que involuntariamente envolve uns e outros.
Simples e acessível, a linguagem fílmica pretere o horror dos acontecimentos, trágicos, e da crescente violência, ao espírito com que aquela irmandade os enfrenta. Um espírito sustentado na sua extraordinária força e revitalizado na dúvida e fraqueza pela oração, pelo permanente desejo de união e comunhão, pelo tempo e oportunidade concedidos ao discernimento.
Mais que um nefasto episódio da história política ou religiosa, estamos perante uma obra que nos propõe um caminho, pela busca do verdadeiro sentido da vida: o que os sete monges sacrificados, na sua fé cristã, encontraram, e que Xavier Beauvois tão bem percorre, alumiando-o para crentes e não crentes.
Margarida Ataíde
(Fonte: Agência Ecclesia)


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Vós sois o meu alento, o ar que respiro e o pão que como.
Que quereis de mim Senhor?
Quereis que Vos ame mais?...
E como Senhor?... se o meu coração é tão pequeno, tão ruim e tão miserável; fazei-mo grande e generoso, que eu seja todo coração para ser todo Vosso e amar-Vos, amar-Vos muito, como ninguém vos amou. Senhor meu e Deus meu, Vós o podeis fazer se quiserdes, e eu nada posso se Vós não me ajudais.
Acalmai-me a ansia que sinto pois assim não posso viver.
A minha alma está cheia e transborda.
Haveis posto tanto amor numa alma tão pequena Senhor e tão miserável!
Se Tu Senhor fazes a ferida, por caridade põe o cautério, mas não me deixeis neste estado, pois não poderei resistir.
São Rafael Arnáiz Barón ocso
(tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

São Rafael Arnáiz ocso
Vida e Mensagem do irmão Rafael
(trailler)
A vida do Irmão Rafael foi uma vida de intensa busca de Deus e, à medida em que ia experimentando em si mesmo a santa presença do Senhor, era levado a uma entrega cada vez maior, chegando ao anseio mais profundo da alma, que o conduz sempre mais a uma renuncia total, dando à luz o que poderíamos chamar de seu selo e assinatura: Só Deus… Só Deus … Só Deus …

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

São Bernardo de Claraval
Resumo Biográfico
Nasceu no ano 1090 perto de Dijon (França) e recebeu uma piedosa educação. Admitido, no ano 1111, entre os Monges Cistercienses, foi eleito, pouco tempo depois, abade do mosteiro de Claraval. Com a sua actividade e exemplo exerceu uma notável influência na formação espiritual dos seus irmãos religiosos. Por causa dos cismas que ameaçavam a Igreja, percorreu a Europa para restabelecer a paz e a unidade. Escreveu muitas obras de teologia e ascética. Morreu em 1153.

Dos Sermões de São Bernardo, abade, sobre o Cântico dos Cânticos
Amo porque amo, amo para amar
O amor subsiste por si mesmo, agrada por si mesmo e por causa de si mesmo. Ele próprio é para si mesmo o mérito e o prémio. O amor não busca outro motivo nem outro fruto fora de si; o seu fruto consiste na sua prática. Amo porque amo; amo para amar. Grande coisa é o amor, desde que remonte ao seu princípio, que volte à sua origem, que torne para a sua fonte, que se alimente sempre da nascente donde possa brotar incessantemente. Entre todas as moções, sentimentos e afectos da alma, o amor é o único em que a criatura pode corresponder ao Criador, se não em igual medida, ao menos de modo semelhante. Com efeito, Deus, quando ama, não quer outra coisa senão ser amado: isto é, não ama por outro motivo senão para ser amado, sabendo que o próprio amor torna felizes os que se amam entre si.
O amor do Esposo, ou antes o Amor Esposo, não pede senão correspondência e fidelidade. A amada deve, portanto, retribuir com amor. Como pode a esposa não amar, sobretudo se é a esposa do Amor? Como pode o Amor não ser amado?
Com razão renuncia a qualquer outro afecto e se entrega total e exclusivamente ao Amor a alma consciente de que o modo de corresponder ao amor é retribuir com amor. Na verdade, mesmo quando toda ela se transforma em amor, que é isso em comparação com a torrente perene que brota daquela fonte? Evidentemente, não corre com igual abundância o caudal do amante e do Amor, da alma e do Verbo, da esposa e do Esposo, da criatura e do Criador; há entre eles a mesma diferença que entre a fonte e quem dela bebe.
Sendo assim, ficará sem qualquer valor e eficácia o desejo da noiva, o anseio de quem suspira, a paixão de quem ama, a esperança de quem confia, porque não pode acompanhar a corrida do gigante, igualar a doçura do mel, a mansidão do cordeiro, a beleza do lírio, o esplendor do sol, a caridade d’Aquele que é a caridade? Não. Porque embora a criatura ame menos, porque é menor, se todavia ela ama com todo o seu ser, nada fica por acrescentar. Nada falta onde está tudo. Por isso, este amor total equivale ao desposório, porque é impossível amar assim sem ser amado, e neste mútuo consentimento de amor consiste o autêntico e perfeito matrimónio. Quem pode duvidar de que a alma é amada pelo Verbo, antes dela e mais intensamente?
(Sermão 83, 4-6: Opera Omnia, ed, Cisterc. 2 [l958], 300-302 - Sec. XII)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Irmã Maria Helena Branco ocso
Sede de Deus
Foi o primeiro fruto de Santa Maria de Marana-tha.
Nasceu a 9 de Dezembro de 1965, em Castelo Branco.

Viveu na cidade de Elvas, durante a adolescência, onde sua mãe era professora.
Entrou no próprio dia da fundação de Santa Maria de Marana-tha, a 15 de Agosto de 1989, abraçando a vida do seu mosteirinho até às últimas consequências:
"Aqui, em Santa Maria de Marana-tha [tratava-se de uma pequena casa provisória] não há sinos a tocar de madrugada, não há melodias «angélicas» que elevam a alma à união com o ETERNO.
Aqui não há tudo isso… mas há o ESSENCIAL, porque há DEUS, e DEUS faz-Se sentir quase palpável: em situações, em circunstâncias, em pessoas concretas, na caridade fraterna vivida dia-a-dia […] sem sinos, sem cantos, sem claustros.
Deus não Se importa, porque para Ele isso não é o Essencial; Ele só precisa do nosso coração e nós só precisamos de Deus! E o nosso grito é Marana-tha. Vem, Senhor Jesus! É isso o ESSENCIAL!"
- assim escrevia ela ao terminar o seu Noviciado, em 1992.
Inteiramente orientada para Deus, dela irradiava paz, doçura, compreensão, alegria…
O sorriso era-lhe habitual, mesmo quando a dor batia à porta. Quatro anos e meio em Santa Maria de Marana-tha bastaram à Irmã Maria Helena para realizar em plenitude o que se lê no livro da Sabedoria: "Amadurecida em pouco tempo… atingiu a plenitude de uma vida longa" (4,13).
Acabava de fazer 28 anos quando o seu estado de saúde se agravou assustadoramente.
Heróica no sofrimento, no meio de dores incessantes, falava do céu, da eternidade com Deus, como realidades ardentemente desejadas. A sua experiência de Deus levara-a até aí. Por isso se entregou sem reservas, serenamente, nas mãos do Pai. Adormeceu em paz, estendendo as asas rumo à eternidade, na madrugada de 1 de Fevereiro de 1994. Convertia-se em verdade a sua oração:
"Nunca deixes, Senhor, que eu Te abandone.
Só Tu me podes encher.
Só Tu podes fazer-me feliz
e saciar a minha alma e o meu coração
e todo o meu ser.
Que seja tua, Senhor, cada vez mais e para sempre!"
(fonte: cf. página Web da Trapa de Santa Maria de Marana-tha)