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domingo, 25 de agosto de 2019


Misturarmo-nos SIM, confundirmo-nos NÃO.
A propósito do “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (Lc 13, 24) do evangelho deste XXI Domingo do Tempo Comum, pergunto-me se o oportuníssimo desafio do Santo Padre a que nós, os pastores, cheiremos a rebanho, não será tantas vezes, vezes demais, desculpa para avançar decidida e livremente, tapando o sol com a peneira, pela “porta larga”.
Isto de nos misturarmos não pode nem deve significar confundirmo-nos… nem isso esperam de nós Deus que nos chama, somos sinal e presença, nem o seu Povo, mesmo que aparente estar de acordo…
Viver com…, partilhar a vida de… não significa ser iguais a… assumir os mesmos comportamentos de… com a mascarada desculpa de atrair, mas que na verdade pretende unicamente camuflar a falta de zelo, entusiasmo e dedicação… perdendo a nossa identidade. Os maus frutos desta mentalidade estão bem à vista.
Não porque sejamos melhores, mais importantes… mas porque devemos ser mais santos, ser sinal da Santidade de Deus e isso não de coadura com o confundir-nos, com o ser iguais a… deixando de ser sinal profético e imagem de Deus (Gn 1, 26).
Voltado ao evangelho de hoje, pastores e rebanho, é urgente acordarmos. Jesus é claro, cristalino, transparente, não deixa espaço para dúvidas. Se nos confundirmos, perdermos a identidade cristã e com o aparente pseudo-piedoso argumento de atrair optamos pela “porta larga” do facilitismo gratuito, em vez do esforço, sempre necessitado da misericórdia de Deus de “entrar pela porta estreita” (cf. Lc 13, 24), então, é o Senhor que o afirma: “ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos...” (Lc 13, 25-37).
Misturarmo-nos SIM, confundirmo-nos NÃO.

quarta-feira, 6 de março de 2019

QUARESMA 40 DIAS DE “JANTAR ROMÂNTICO” Há alguns anos, num programa de televisão, determinada figura pública, questionada sobre as discotecas, respondia que não gostava e não frequentava pois, mesmo que falassem aos gritos não conseguia ouvir, nem fazer-se ouvir. Além do mais, quando tinha coisas importantes para dizer, procurava lugares tranquilos, serenos e silenciosos. Nomeadamente, quando quer dizer à sua esposa que a ama, convida-a para um jantar romântico, pois em ambiente sereno e tranquilo, consegue ouvir e fazer-se ouvir. Entendi, de imediato, a razão de ser da Quaresma: 40 Dias de Jantar Romântico. Deus quer “falar-nos ao coração” (cf. Os 2, 16) e dizer-nos que nos ama, pois “É Amor” (cf. 1 Jo 4, 8); quer convidar-nos a ser “Seus imitadores” (cf. Filip 3, 17), pois somos criados à sua imagem e semelhança (cfr. Génesis 1, 26 ss), o mesmo é dizer que nos criou com uma capacidade infinita de amar. Porque nos quer dizer isto, chama-nos à serenidade e sobriedade da Quaresma, pois só assim se consegue fazer ouvir. Na correria e na lufa-lufa do dia-a-dia, Ele tenta fazer-se presente e audível, chega mesmo a gritar, mas… não se consegue fazer ouvir, porque andamos distraídos, ocupados, descentrados, dispersos… por isso, nos convida à Quaresma. Convida-nos, ao jejum, à oração e à esmola. Convida-nos a entrar dentro de nós para O encontrar, pois: “«Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, Nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada»” (Jo 14, 23). Para que tal suceda: menos diversão, menos barulho, menos televisão, menos internet, menos café, menos tabaco, menos alimento… mais silêncio, mais oração, mais escuta e meditação da Palavra de Deus, mais generosidade, mais atenção ao próximo, mais perdão… mais encontro com Deus: “Permanecendo simples e amorosamente na Sua presença para que possa reflectir em nós a Sua própria imagem como se reflecte o sol no límpido cristal” (Santa Isabel da Santíssima Trindade). Para que seja possível escutá-l’O: “É assim que a vou seduzir: ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração” (Os 2, 16), identificá-l’O e encontrá-l’O: “Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequenos, a mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40), é fundamental que, na nossa vida, de discípulos, aconteça este anual Jantar Romântico de 40 dias, que desagua na nascente da Vida Nova, na festa da Vida Nova, na PÁSCOA. Em que poderemos cantar, com a vida, o Hino da alegria de nos encontrarmos mais parecidos com Cristo, que imprime em nós, ao longo deste “Jantar Romântico de 40 dias”, a Sua imagem: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).