domingo, 1 de agosto de 2021

Palavra de Vida

Agosto 2021

Letizia Magri

“Quem for humilde como esta criança, será o maior no reino dos Céus”. (Mt 18, 4)

Quem é o maior, o mais forte, o mais bem-sucedido na sociedade, na Igreja, na política, nos negócios?

Esta pergunta está presente nos relacionamentos, orienta as escolhas, determina as estratégias. É a lógica dominante a que recorremos, até inadvertidamente, talvez com o desejo de garantir resultados positivos e eficientes com quem está à nossa volta.

Neste ponto, o Evangelho de Mateus apresenta-nos os discípulos de Jesus que, depois de terem ouvido o anúncio do Reino dos Céus, pretendem conhecer os requisitos para serem protagonistas no novo povo de Deus: «Quem é o maior?».

Como resposta, Jesus faz um dos seus gestos imprevisíveis: coloca uma criança no centro da pequena multidão, acompanhando este gesto com as inequívocas palavras:

“Quem for humilde como esta criança, será o maior no reino dos Céus”. (Mt 18, 4)

À mentalidade competitiva e autossuficiente, Jesus contrapõe o elemento mais frágil da sociedade, aquele que não tem funções a ostentar ou a defender; aquele que em tudo é dependente e, espontaneamente, se confia à ajuda dos outros. Não se trata, porém, de aceitar uma atitude passiva, de renunciar a ser propositivos e responsáveis, mas sim de proceder a um ato de vontade e de liberdade. De facto, Jesus pede que nos façamos pequenos, pede a intenção e o compromisso de fazermos uma decidida inversão de marcha.

“Quem for humilde como esta criança, será o maior no reino dos Céus”. (Mt 18, 4)

Chiara Lubich aprofundou as características da criança evangélica do seguinte modo: «[…] a criança abandona-se confiadamente ao pai e à mãe: acredita no amor que eles lhe têm. […] O cristão autêntico, como a criança, acredita no amor de Deus, lança-se nos braços do Pai celeste, tem uma confiança ilimitada n’Ele. […] As crianças dependem em tudo dos seus pais […]. Também nós, “crianças evangélicas”, dependemos em tudo do Pai: […] Ele sabe aquilo de que precisamos, ainda antes de Lho pedirmos, e concede-nos. O próprio reino de Deus não se conquista, acolhe-se como uma oferta, das mãos do Pai».

Chiara sublinha ainda que a criança se entrega totalmente ao pai e aprende tudo com ele. Do mesmo modo: «A “criança evangélica” coloca tudo na misericórdia de Deus e, esquecendo-se do passado, começa em cada dia uma vida nova, disponível às sugestões do Espírito, sempre criativo. A criança não sabe aprender sozinha a falar, precisa de quem lhe ensine. O discípulo de Jesus […] aprende tudo da Palavra de Deus, até chegar a falar e a viver segundo o Evangelho». A criança tende a imitar o seu pai. «Também a “criança evangélica” […] ama a todos, porque o Pai “faz nascer o Seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos”; toma a iniciativa no amor, porque Ele nos amou quando nós eramos ainda pecadores; ama gratuitamente, sem interesse, porque assim faz o Pai celeste» (C. Lubich, Palavra de Vida de outubro de 2003, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 700-703).

“Quem for humilde como esta criança, será o maior no reino dos Céus”. (Mt 18, 4)

Na Colômbia, o Vicente e a sua família atravessaram a provação da pandemia, num regime muito apertado de quarentena. Ele contou-nos: «Quando começou o recolher obrigatório, a vida quotidiana mudou repentinamente. A minha mulher e os dois filhos mais velhos tinham que preparar alguns exames universitários; o mais pequeno não conseguia habituar-se ao estudo online. Em casa ninguém tinha tempo para se ocupar dos outros. Olhando para este caos, em risco de explosão, compreendi que era uma oportunidade para encarnar a arte de amar, na nossa “nova vida” do Evangelho vivido. Lancei-me a arrumar a cozinha, a preparar os alimentos e a organizar as refeições. Não sou um cozinheiro experiente, nem perfeito nas limpezas, mas compreendi que isto ajudaria a reduzir a ansiedade quotidiana. Aquilo que tinha começado como um ato de amor por um dia, multiplicou-se por vários meses. Tendo concluído as suas tarefas, também os outros membros da família começaram a ocupar-se das limpezas, da arrumação da roupa ou da casa. Juntos constatámos que as palavras do Evangelho são verdadeiras e que o amor criativo sugere como colocar tudo o resto em ordem».

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Palavra de Vida

Julho 2021

Letizia Magri

Tem confiança, minha filha, a tua fé te salvou. (Mt 9,22)

Jesus ia a caminho, circundado pela multidão. Um pai desesperado implora-lhe que vá socorrer a sua filha que está a morrer. Enquanto para lá se dirige, dá-se um outro encontro: uma mulher, que há muitos anos sofria de perdas de sangue, abre caminho por entre as pessoas. A sua condição física tinha consequências tão graves que a obrigavam até a limitar os relacionamentos familiares e sociais. A mulher não chama por Jesus, não fala, mas aproxima-se por trás e ousa tocar na orla do seu manto. Tem uma forte convicção: “Se eu, ao menos, conseguir tocar no seu manto, ficarei curada deste sofrimento que me atormenta”.

Nesse momento, Jesus, voltando-se e olhando para ela, assegura-lhe que a sua fé obteve a salvação. Não apenas a saúde física mas, através do olhar de Jesus, o encontro com o amor de Deus.

Tem confiança, minha filha, a tua fé te salvou. (Mt 9,22)

Este episódio do Evangelho de Mateus abre também para nós perspetivas inesperadas: Deus vem sempre ao nosso encontro, mas espera também a nossa iniciativa para não perdermos o encontro com Ele. O nosso percurso de fé, embora acidentado e marcado por erros, fragilidades e deceções, tem um valor muito grande. Ele é o Senhor daquela Vida verdadeira que quer derramar sobre todos nós, seus filhos e filhas, revestidos de uma dignidade que nenhuma circunstância pode suprimir. Hoje, por isso, Jesus diz-nos também a nós:

Tem confiança, minha filha, a tua fé te salvou. (Mt 9,22)

Para vivermos esta Palavra, pode ajudar-nos o que Chiara Lubich escreveu, meditando precisamente sobre esta passagem evangélica: «Pela fé, o homem mostra claramente que não se apoia em si mesmo, mas que se confia a Alguém mais forte do que ele. […] Jesus chama à mulher curada “Filha”, para lhe revelar aquilo que deseja realmente dar-lhe: não só um dom para o seu corpo, mas a vida divina que a pode renovar inteiramente. Com efeito, Jesus realiza os milagres para que seja acolhida a salvação de que é portador, o perdão, o dom do Pai que é Ele mesmo e que, comunicando-se ao homem, o transforma. […] Como viver, então, esta Palavra? Demonstrando a Deus, nas necessidades graves, toda a nossa confiança. Esta atitude não nos isenta das nossas responsabilidades, não nos dispensa de fazer toda a nossa parte. […] Pode acontecer que a nossa fé seja posta à prova. É o que verificamos nesta mulher que sofre, mas que consegue ultrapassar o obstáculo da multidão que a separa do Mestre. […] Devemos, portanto, ter fé. Mas aquela fé que não vacila diante da provação. Devemos também mostrar a Jesus que compreendemos o imenso tesouro que Ele nos trouxe, o dom da vida divina, estando-Lhe gratos e correspondendo a esse dom» (C. Lubich, Palavra de Vida de julho de 1997, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 583-585).

Tem confiança, minha filha, a tua fé te salvou. (Mt 9,22)

Esta certeza permite-nos também ser portadores de salvação, “tocando” com ternura quem está, por sua vez, em sofrimento, em necessidade, na escuridão, sem rumo.

Assim aconteceu com uma mãe da Venezuela, que encontrou a coragem de perdoar: «Numa desesperada procura de ajuda, participei num encontro sobre o Evangelho, onde ouvi comentar as frases de Jesus: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Cf. Mt 5,9) e “Amai os vossos inimigos” (Cf. Lc 6,35). Como podia eu perdoar a quem tinha assassinado o meu filho? Entretanto, a semente tinha entrado em mim e, finalmente, prevaleceu a decisão de perdoar. Agora posso chamar-me de verdade: “filha de Deus”.

Recentemente fui chamada para encontrar o assassino do meu filho, que tinha sido preso. Foi muito difícil, mas interveio a graça. No meu coração não havia ódio nem rancor, mas apenas uma grande compaixão e a intenção de o confiar à misericórdia de Deus».

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Assassino que encontrou a misericórdia de Deus na prisão segue rumo à beatificação

Jacques Fesch foi um francês condenado à morte por homicídio. Na prisão, encontrou-se com a misericórdia divina, converteu-se e se entregou nas mãos de Deus. Foi guilhotinado em 1957 e, agora, está a caminho de ser beatificado.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Palavra Vida

Junho 2021

Letizia Magri

«Nem todo aquele que Me diz “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.» (Mt 7, 21)

Esta frase do evangelho de Mateus faz parte da conclusão do grande Sermão da Montanha, em que Jesus, depois de ter proclamado as bem-aventuranças, convida os seus ouvintes a reconhecerem a proximidade amorosa de Deus e indica o modo para agir consequentemente: descobrir na vontade de Deus a via direta para alcançar a plena comunhão com Ele, no seu Reino.

«Nem todo aquele que Me diz “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.» (Mt 7, 21)

Mas o que é a vontade de Deus? Como podemos conhecê-la? Chiara Lubich partilhou a sua descoberta do seguinte modo: «[…] A vontade de Deus é a voz de Deus que nos fala e continuamente nos interpela; é um fio, ou melhor uma filigrana de ouro divina que tece toda a nossa vida sobre a terra e no além; é o modo de Deus nos manifestar o Seu amor, amor que pede uma resposta, para que Ele possa realizar na nossa vida as Suas maravilhas. A vontade de Deus é o nosso dever ser, a nossa realização plena. […] Então, em cada momento, diante de cada vontade de Deus dolorosa, alegre, indiferente, repitamos: “Seja feita”. […] Descobriremos que estas duas simples palavras serão um forte impulso, como um trampolim, para fazer com amor, com perfeição, com total dedicação aquilo que devemos fazer. […] E comporemos, momento após momento, o maravilhoso, único e irrepetível mosaico da nossa vida que o Senhor desde sempre pensou para cada um de nós: Ele, Deus, o único a quem se atribuem as coisas belas, grandes, infinitas, nas quais também cada partícula, como um ato de amor, tem sentido e resplandece, tal como as minúsculas e multicoloridas flores têm sentido na incomensurável beleza da natureza» (C. Lubich, Conversação telefónica de 27 de fevereiro de 1992, in Conversazio[1]ni in collegamento telefonico, a/c M. Vandeleene (Opere di Chiara Lubich 8/1), Città Nuova, Roma 2019, pp. 446-448).

«Nem todo aquele que Me diz “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.» (Mt 7, 21)

Segundo o evangelho de Mateus, a Lei por excelência do cristão consiste na misericórdia, que leva à plenitude as expressões de culto e de amor pelo Senhor. Esta Palavra ajuda-nos a abrir a nossa relação com Deus, sem dúvida pessoal e íntima, à dimensão da fraternidade, através de gestos concretos. Impele-nos a “sair” de nós mesmos para levarmos reconciliação e esperança aos outros. Um grupo de adolescentes de Heidelberg (Alemanha) dá-nos este testemunho: «Como levar os nossos amigos a experimentar que a chave da felicidade se encontra na doação aos outros? Foi daqui que partimos para lançar a nossa iniciativa intitulada: ‘Uma hora de felicidade’. A ideia é muito simples: consiste em dar felicidade a outra pessoa, pelo menos, durante uma hora por mês. Começámos por aqueles que nos pareciam mais necessitados de amor. Por todo o lado, onde oferecemos a nossa disponibilidade, vimos as portas abrirem-se! Assim, encontrámo-nos no parque para levar a passear algumas pessoas idosas em cadeiras de rodas; no hospital, onde brincámos com as crianças internadas ou praticámos desporto com portadores de deficiência. Eles ficavam muito felizes, mas como garante a nossa iniciativa, nós ainda mais! E os amigos que tínhamos convidado a participar? Primeiro estavam curiosos, agora que experimentaram dar felicidade, estão de acordo connosco: a felicidade, quando se dá, de certeza que também se experimenta!».

sexta-feira, 26 de março de 2021

PUDIM DE PÃO 

da Amélia Bia

Ingredientes:

2 carcaças (aprox. 150g)

500ml de leite

250gr de açúcar

1 colher de sopa de manteiga

4 ovos inteiros

Paus de canela a gosto

Casca de limão

1 cálice de Vinho doce ou aguardente ou whisky

Raspa de laranja

Preparação:

Desfaça as carcaças em pedaços e coloque-as num recipiente.

Num tacho leve o leite com a casca de limão e paus de canela ao lume e quando começar a ferver, apague.

Tire a casca de limão e os paus de canela e deite o leite sobre o pão.

Deixe arrefecer um pouco e triture tudo com a varinha mágica até ficar um género de papa.

Junte 1 cálice de Vinho doce ou aguardente ou whisky, a manteiga derretida, o açúcar e os ovos.

Mexa bem o preparado (pode utilizar uma vara de arames).

Deite o preparado dentro de uma forma untada com caramelo e leve ao forno para cozer em banho-maria aproximadamente 45 minutos. No entanto, se após esse tempo o pudim ainda não estiver sólido, deixe-o mais um pouco no forno até ficar (vá verificando com um palito).

Deixe arrefecer e desenforme.

quarta-feira, 24 de março de 2021

ORAÇÃO

que terá sido rezada pela Rainha Santa Isabel em Portugal no século XIV, no tempo em que na Europa se vivia o flagelo da peste negra.

Estrela do céu,

que amamentou o Senhor,

derrotou a praga mortal plantada

pelo primeiro pai dos homens.

Que esta estrela se digne agora

reter os corpos celestes

cujas batalhas afligem o povo

pelas cruéis feridas da morte.

Ó mais piedosa estrela do mar,

salve-nos da epidemia.

Ouça-nos, Nossa Senhora,

porque o vosso filho que vos honra

não vos pode recusar nada.

Salve-nos, ó Jesus,

por quem a Virgem Mãe vos reza.

Rogai por nós, piedosa Mãe de Deus.

Vós que quebrastes a cabeça da serpente, socorrei-nos.

quinta-feira, 18 de março de 2021

NOVENA DE SÃO JOSÉ

9º Dia – 18.Março.2021

“José, filho de David, não temas.” (Mt 1, 20)

“A missão que Deus confia a José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1)Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egipto e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré.” Francisco, « HOMILIA» Santa Missa da Imposição do Pálio e entrega do Anel do Pescador para o início do Ministério Petrino do Bispo de Roma, 19 de Março de 2013, Solenidade de São José

Pai-Nosso… Avé Maria… Glória ao Pai…

Oração

Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.