quinta-feira, 3 de agosto de 2023

As “minhas” JMJ - I

Jornada Mundial da Juventude de 1989

Santiago de Compostela, Espanha  

(19-20 de agosto de 1989)

A III Jornada Mundial da Juventude (ou JMJ 1989) foi um encontro da juventude católica ocorrido em Santiago de Compostela, na Espanha, nos dias 19 e 20 de Agosto de 1989.

O número de peregrinos estimado foi de um milhão de pessoas.

Tema

O tema escolhido por João Paulo II foi “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)

Hino

«Somos los Jóvenes del 2000»  é uma canção composta para ser o hino da Jornada Mundial da Juventude de 1989.


(43) Himna SDM Santiago de Compostela 1989. - Somos los Jòvenes del 2000 ♫ - YouTube

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Palavra de Vida

Agosto de 2023

Victoria Gómez e equipa da Palavra de Vida

«Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas». (Mt 15, 28)

Jesus dirige-se para a região de Tiro e de Sídon, em terra estrangeira. Talvez procurasse ter finalmente um pouco de repouso com os seus, ou até solidão, silêncio, oração, refúgio. Inesperadamente, ouvem os gritos de uma mulher de quem não sabemos o nome, como acontece com outras personagens nos evangelhos. A sua presença perturba e incomoda os discípulos que, para se livrarem dela, “imploram” a Jesus que a atenda: «porque vem a gritar atrás de nós». A mulher não se retrai pelo facto de não ser israelita, nem por ser mulher, nem por ser ignorada pelo Mestre. É uma mãe desesperada por causa da sua filha «cruelmente atormentada por um demónio». Aproxima-se de Jesus com a tenacidade de querer um encontro pessoal com Ele, e consegue «prostrar-se diante» do Mestre, enquanto insiste no seu pedido de ajuda. Jesus dirige-lhe palavras de uma dureza pouco habitual: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos».

«Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas». (Mt 15, 28)

A mulher aceita a rejeição. Compreende que o seu mundo não faz parte da missão primária de Jesus. Assume que o seu Deus não é uma máquina distribuidora de graças, mas um pai que pede um relacionamento baseado na verdade, que passa pelo reconhecimento da sua própria pobreza pessoal. Esta mulher, consciente disso, olha Jesus nos olhos: «É verdade, Senhor, mas até os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos». Encosta Jesus à parede – por assim dizer – e Ele deixa-se comover pela humildade de quem se contenta só com as migalhas. Até os seus gritos parecem expressão de fé, pois trata-o por «Senhor, Filho de David!».

«Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas». (Mt 15, 28)

A sua grande fé é caracterizada nos evangelhos por alguns verbos: a mulher vem e dirige-se a Jesus; grita; chora; implora misericórdia; reconhece-O como Senhor e prostra-se diante d’Ele; mantém intacta a tenacidade e a certeza de que, para o Senhor, o impossível é possível; responde à dureza de Jesus com uma lógica perfeita. Amor materno e confiança são os seus pontos fortes. «E a sua filha ficou curada a partir daquela hora».

Esta Palavra é a fotografia da fé viva e operante numa pessoa. Ao mesmo tempo, mostra os esforços e o caminho da primeira comunidade cristã – a quem Mateus se dirige – na abertura ao mundo não hebreu, que está à procura e é capaz de uma grande fé.

«Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas». (Mt 15, 28)

Tal como para a mulher sirofenícia, «também a nossa fé pode ser posta à prova por uma dificuldade imprevista, por um acontecimento inesperado que vem abalar os nossos projetos, por uma doença grave, pelo prolongar-se de uma situação muito dolorosa» (Cf. C. Lubich, Palavra de Vida de junho de 1994, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, p. 550). Poderíamos ainda acrescentar: pela falta de paz no mundo, pelas injustiças estruturais, pelo planeta gravemente doente, pelos conflitos familiares e sociais… Uma das nossas fragilidades pode ser a nossa falta de perseverança e de confiança plena. «Deus permite que a nossa fé passe por situações difíceis, por vezes absurdas. Ele quer purificá-la, quer ver se nós sabemos verdadeiramente abandonar-nos a Ele, acreditando que o seu amor é muito maior do que os nossos projetos, desejos ou expetativas» (Ibid.).

Aconteceu a Saliba. Também ele parecia forçado a ter de abandonar a sua cidade (Homs, na Síria) e os seus pais idosos. O negócio do pai, vidraceiro, tinha sido destruído durante a guerra. A cidade estava arrasada. Como outros jovens, Saliba pensava que seria forçoso procurar construir novas oportunidades noutras paragens, mas não se rendeu. Com os seus 22 anos e a persistência de quem não renuncia a dar o seu próprio contributo ao seu povo ferido, aproveitou a ocasião que lhe foi oferecida pelo projeto RestarT (https://www.amu-it.eu/progetti-int/restart-ripartire-per-restare/). Abriu um minimercado, onde os seus concidadãos podem encontrar queijos, yogurt e manteiga confecionados pela sua mãe, para além de legumes, azeite, especiarias, café. Já arranjou um frigorífico e um gerador de corrente. Nos dias em que o minimercado está fechado, vai com o seu pai já idoso distribuir cabazes alimentares às famílias com falta de recursos (Cf. https://www.unitedworldproject.org/pt-br/workshop/siria-o-minimercado-de-saliba-em-breve-abrira-as-portas/).

sábado, 1 de julho de 2023


Palavra de Vida

Julho de 2023

Texto preparado por Letizia Magri e pela equipa da Palavra de Vida

«Quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa» (Mt 10, 11)

O evangelista Mateus é um cronista cristão muito instruído. Conhece profundamente as promessas do Deus de Israel e, para ele, as palavras e as ações de Jesus são o seu cumprimento. Por isso, no seu evangelho, apresenta o ensinamento de Jesus estruturado em cinco grandes discursos, como um novo Moisés.

Esta Palavra de Vida conclui o “discurso missionário”, que tinha começado com a eleição dos doze apóstolos e a indicação das exigências da pregação: as incompreensões e as perseguições que vão encontrar requerem um testemunho credível, também através de escolhas radicais. 

Mais ainda: Jesus revela que o envio dos discípulos tem a sua raiz na missão que Ele próprio recebeu do Pai. Uma convicção já presente no Antigo Testamento: no mensageiro de Deus é o próprio Deus que se torna presente, que se compromete. É então o próprio amor de Deus, através do testemunho de Jesus e daqueles que Ele envia, que vai chegando gradualmente a todas as pessoas.

«Quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa» (Mt 10, 11)

Para além da missão específica de alguns – os apóstolos, os pastores, os profetas, … – Jesus anuncia que cada cristão pode ser seu discípulo, sendo, ao mesmo tempo, destinatário e portador da missão. Como discípulos, também nós estamos habilitados a dar testemunho da proximidade de Deus, apesar de nos sentirmos “pequenos” e sem qualidades ou títulos especiais. É toda a comunidade cristã que é enviada à Humanidade pelo Pai de todos.

Todos nós recebemos atenção, cuidado, perdão, confiança da parte de Deus, através dos irmãos. Todos podemos dar alguma coisa aos outros, para fazer com que experimentem a ternura do Pai, como fez Jesus durante a sua missão. Está nesta raiz, no Pai, a garantia que as assim chamadas “pequenas coisas” podem mudar o mundo. Até só um simples copo de água fresca.

«Não importa se podemos dar muito ou pouco. O importante é “como” o damos, quanto amor colocamos até num pequeno gesto de atenção para com os outros. Por vezes, basta oferecer um copo de água, um copo de água “fresca” […] gesto simples e grande aos olhos de Deus, se for feito em Seu nome, ou seja, por amor. […] A Palavra de Vida deste mês poderá ajudar-nos a redescobrir o valor de cada nossa ação: desde os trabalhos de casa, ou do campo, da oficina, ou o processamento dos documentos no escritório, as tarefas escolares ou as responsabilidades no campo civil, político e religioso. Tudo se pode transformar em serviço atencioso e dedicado. O amor dar-nos-á olhos novos para intuirmos aquilo de que os outros precisam e para ir ao encontro de todos com criatividade e generosidade. Quais serão os frutos? Os bens circularão, porque o amor atrai o amor. A alegria multiplicar-se-á, porque “há mais alegria em dar do que em receber” [Cf. At 20,35]» [C. Lubich, Palavra de Vida de outubro de 2006, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 792-793].

«Quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa» (Mt 10, 11)

Aquilo que Jesus nos pede é muito exigente: é não interromper o fluxo do amor de Deus. Pede-nos para chegar a cada pessoa, homem ou mulher, com o coração aberto e com um serviço concreto, ultrapassando as nossas categorias mentais e os nossos juízos.

Ele quer a nossa colaboração ativa, criativa e responsável em favor do bem comum, a partir das pequenas coisas do dia a dia. Ao mesmo tempo, não nos deixará sem recompensa: estará sempre ao nosso lado, para cuidar de nós e para nos acompanhar na missão.

“[…]. Deixei o meu trabalho nas Filipinas e fui para a Austrália para estar com a minha família. […] Encontrei trabalho num estaleiro de construção civil, como responsável pela limpeza dos refeitórios, dos vestiários, dos escritórios e da cafetaria, utilizados por mais de 500 operários. Um trabalho completamente diferente daquele que eu tinha antes, como engenheiro […]. Por amor aos outros, procuro garantir que os refeitórios estejam sempre limpos e bem organizados. No entanto, há sempre pessoas que não têm cuidado com a limpeza […]. Ainda não perdi a paciência, pois, para mim, é uma oportunidade para amar Jesus em cada pessoa que encontro. Aos poucos, aquelas pessoas foram começando a colaborar na limpeza depois do almoço e, com o tempo, fomo-nos tornando amigos. Comecei a sentir confiança e respeito da parte deles […]. Pude experimentar como o amor é contagioso e que tudo aquilo que é feito por amor permanece” [S. Pellegrini, G. Salerno, M. Caporali (org.), Famílias em ação – Um mosaico de vida, Cidade Nova 2022, p. 55-56].

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Palavra de Vida

Junho de 2023

Letizia Magri e equipa da Palavra de vida

«Sede alegres, tendei para a perfeição, animai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco» (2 Cor 13, 11)

O apóstolo Paulo acompanhou com amor o crescimento da comunidade cristã da cidade de Corinto. Visitou-a e apoiou-a nos momentos difíceis.

Mas a uma certa altura, com esta carta, precisou de se defender das acusações de outros pregadores, que punham em causa o modo de atuar de Paulo: não se fazia remunerar pelo seu trabalho missionário, não falava segundo as regras da eloquência, não se apresentava com cartas de recomendação que atestassem a sua autoridade. Admitia publicamente que compreendia e vivia a sua vulnerabilidade à luz do exemplo de Jesus.

Porém, na conclusão da carta, Paulo lança aos Coríntios um apelo cheio de confiança e de esperança:

«Sede alegres, tendei para a perfeição, animai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco» (2 Cor 13, 11)

A primeira característica que vem em evidência é que as suas exortações são dirigidas à comunidade no seu conjunto, como lugar onde se pode experimentar a presença de Deus. As fragilidades humanas tornam difícil a compreensão recíproca, a comunicação leal e sincera, a concórdia respeitosa da diversidade de experiências e de modos de pensar. Mas todas essas fragilidades podem ser sanadas pela presença do Deus da paz.

Paulo sugere alguns comportamentos concretos e coerentes com as exigências do Evangelho: tender para a realização do projeto de Deus sobre cada um e sobre a comunidade, como irmãos e irmãs; fazer circular o mesmo amor de consolação que recebemos de Deus; cuidar uns dos outros, partilhando as aspirações mais profundas; aceitar-se reciprocamente, oferecendo e recebendo misericórdia e perdão; alimentar a confiança e a escuta.

São escolhas confiadas à nossa liberdade que, por vezes, implicam a coragem de se ser “sinal de contradição” face à mentalidade corrente.

É também por essa razão que o apóstolo recomenda o encorajamento mútuo neste compromisso. Para ele, o que tem valor é proteger e testemunhar com alegria o valor inestimável da unidade e da paz, na caridade e na verdade. Tudo, sempre, alicerçado na rocha do amor incondicional de Deus, que acompanha o seu povo.

«Sede alegres, tendei para a perfeição, animai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco» (2 Cor 13, 11)

Para viver esta Palavra de vida, olhemos também nós, como Paulo, para o exemplo e para os sentimentos de Jesus, que veio para nos trazer uma paz totalmente Sua (Cf. Jo 14, 27). De facto, a Sua paz «[…] não é apenas ausência de guerra, de conflitos, de divisões, de traumas. […]: é plenitude de vida e de alegria, é salvação integral da pessoa, é liberdade, é fraternidade no amor entre os povos. […] E o que fez Jesus para nos dar a “Sua” paz? Pagou-a pessoalmente. […] Colocou-se entre as partes em conflito, assumiu sobre si os ódios e as divisões, abateu os muros que separavam os povos (Cf. Ef 2, 14-18 ). […]

Também de nós é exigido um amor forte para a construção da paz. Um amor que seja capaz de amar até os que não nos amam, capaz de perdoar, de suplantar a categoria de inimigo, de amar a pátria alheia como a própria. […] Esta paz requer, também de nós, um coração novo e olhos novos para amar e ver em todos candidatos à fraternidade universal. […] “O mal provém do coração do homem “, escreveu Igino Giordani, e “para afastar o perigo da guerra é preciso afastar o espírito de agressão, de exploração e de egoísmo, de onde provém a guerra: é preciso restaurar a consciência” (L’inutilità della guerra, Roma 20032, p. 111.)» (C. Lubich, Palavra de Vida de janeiro de 2004, em Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 709-710).

Bonita Park é um bairro de Hartswater, uma pequena cidade agrícola da África do Sul. Como no resto do país, persistem os efeitos herdados do regime de Apartheid, sobretudo no campo educativo: as qualificações escolares dos jovens pertencentes aos grupos negros e mestiços são muito inferiores às dos outros grupos étnicos, com o risco consequente de marginalização social.

O projeto “The Bridge” nasceu para criar uma mediação entre os diferentes grupos étnicos do bairro, vencendo as distâncias e diferenças culturais, com a criação de um programa pós-escolar e um pequeno espaço comunitário: um lugar de encontro entre as diferentes culturas, para crianças e adolescentes. A comunidade tem demonstrado um grande desejo de trabalhar juntos: o Carlos ofereceu a sua velha carrinha para irem buscar a madeira com que se fizeram os bancos, o diretor da escola elementar perto dali ofereceu prateleiras, cadernos e livros, enquanto a Igreja Reformada Holandesa ofereceu cinquenta cadeiras. Cada um deu o seu contributo para, no dia-a-dia, tornar mais sólida esta ponte entre culturas e etnias (Cf.:https://www.unitedworldproject.org/workshop/sudafrica-un-ponte-tra-culture; Spazio famiglia, marzo 2019, pp. 10-13).

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Palavra de Vida

Maio de 2023

Patrizia Mazzola e equipa da Palavra de Vida

«Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca.» (Rm 12, 10)

A palavra de vida deste mês é extraída da riquíssima carta do apóstolo Paulo aos Romanos. Ele apresenta a vida cristã como uma realidade onde superabunda o amor: um amor gratuito e sem limites, que Deus derramou nos nossos corações e que nós devemos dar aos outros. Para tornar mais compreensível o seu significado, ele junta dois conceitos numa só palavra, “philostorgos”, que reúne dois atributos específicos do amor, que caraterizam a comunidade cristã: o amor entre amigos e o da família.

«Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca.» (Rm 12, 10)

Detenhamo-nos de modo especial sobre o aspeto da fraternidade e da reciprocidade. Como Paulo escreve, os que pertencem à comunidade cristã, amam-se porque são membros uns dos outros (12,5), são irmãos que têm uma única dívida, o amor (13,8). Alegram-se com os que estão alegres e choram com os que choram (12,15), não julgam e não são motivo de escândalo (14,13). 

A nossa existência está intimamente ligada à dos outros, e a comunidade é o testemunho vivo da lei do amor que Jesus trouxe à Terra. É um amor exigente, que chega ao ponto de dar a vida uns pelos outros. É um amor concreto, expresso de muitos modos, que quer o bem dos outros, a sua felicidade. Esse amor faz com que os irmãos alcancem a sua plena realização, que rivalizem em apreciar as qualidades uns dos outros. É um amor que está atento às necessidades de cada um, que se esforça por não deixar ninguém para trás, que nos torna responsáveis e ativos nos âmbitos da vida social, cultural e do compromisso político.

«Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca.» (Rm 12, 10)

«Olhando para as comunidades do primeiro século, vemos que o amor cristão, que se estendia a todos indistintamente, tinha um nome, era chamado filadelfia, que significa amor fraterno. Na literatura profana daquela época, este termo era usado para indicar o amor entre irmãos de sangue. Nunca era aplicado aos membros de uma mesma sociedade. Apenas o Novo Testamento fazia essa exceção» (C. Lubich, Colóquios com os Gen, Edição do Movimento dos Focolares, Braga 1975, p. 152). Muitos jovens sentem esta exigência de “uma relação mais profunda, mais sentida, mais verdadeira. E o amor recíproco dos primeiros cristãos tinha todas as características do amor fraterno, como por exemplo a força e o afeto» (Ibid.).

«Amai-vos uns aos outros com amor fraterno; rivalizai uns com os outros na estima recíproca.» (Rm 12, 10)

Um traço característico dos membros destas comunidades que vivem o amor recíproco é que não se fecham sobre si mesmos, mas estão prontos a enfrentar os desafios autênticos que se apresentam dentro do contexto onde se desenvolve a sua ação.

J.K., sérvio, de nacionalidade húngara, pai de três filhos, pode finalmente comprar uma casa. Porém, por causa de um acidente, não tem os recursos económicos e físicos para a reestruturar sozinho. Por isso, a comunidade dos Focolares põe mãos à obra, concretizando o projeto #daretocare (Ousar cuidar) proposto pelos Jovens para um Mundo Unido.

Ele conta com entusiasmo toda a competição de solidariedade que se gerou para o apoiar concretamente: «Foram muitos os que vieram ajudar-me: em três dias pudemos reparar o telhado e substituir os tetos feitos de terra e palha por placas de gesso laminado». Para os trabalhos de reestruturação contribuíram economicamente também algumas pessoas da República Checa. Um gesto que tornou visível a comunidade alargada, que vai para além das distâncias (Extraído e adaptado do artigo “Sérvia: construir uma casa, para ser casa”, www.unitedworldproject.org).

domingo, 23 de abril de 2023

Beato MARCELINO ROUCHOUZE, sacerdote Picpus e mártir

(nome de baptismo: João Mário).

Séculos XIX - França

Memória litúrgica a 26 de Maio (?)

Nasceu a 14 Dezembro de 1810 em Saint-Julien en Jarez (França), foi o terceiro membro da Congregação Picpus ou Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Perpétua Adoração ao Sacratíssimo Sacramento, emitiu a profissão de votos religiosos em 1837.

Foi Professore de latim, matemática e filosofia, e enviado para a Bélgica para colaborar nos colégios da Congregação. Num encontro com o Cura d’Ars, em 1852, este disse-lhe: “Meu filho, deve ser sacerdote, pois o bom Deus tem desígnios para si.” Aos 42 anos e seguindo o conselho do Cura d’Ars, foi ordenado sacerdote em 1852.

O martírio de todos os Servos de Deus está suficientemente provado. Eles foram presos em Paris em diferentes momentos e lugares: o P. Enrico Planchat em Quinta-feira Santa, 6 de Abril de 1871, os restantes; Marcelino Rouchouze e os companheiros Policarpo Tuffier e Ladislao Radigue a 12 de Abril, quarta-feira da oitava da Páscoa. Primeiro estiveram encarcerados no quartel da polícia, depois transferidos para a prisão de Mazas e, finalmente, para “La Grande Roquette”.

A 26 de Maio de 1871, foram mortos com grande violência com tiros de rifle e armas afiadas. Os cadáveres foram profanados e ridicularizados pela multidão.

O «odium fidei» (ódio pela fé) foi a principal motivação para as acções dos algozes. Na verdade, a Comuna, além das questões sócio-políticas, tinha óbvias implicações anti-religiosas: para superar o antigo regime e promover novas formas de sociedade, alguns comunais viam na religião cristã e seus expoentes um obstáculo a ser eliminado. Os Servos de Deus só foram presos por serem padres. O «odium fidei» também é confirmado pela fúria perpetrada contra os religiosos pela multidão enfurecida e pelo saque de locais e móveis dedicados ao culto. Na Casa Mãe da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria as Espécies Eucarísticas e os objectos sagrados foram profanados.

Quanto ao martírio formal «ex parte victimarum», os Servos de Deus estavam cientes dos riscos que corriam. Eles poderiam ter deixado Paris, mas preferiram ficar e cumprir seu serviço ministerial. O Servo de Deus Matteo Enrico Planchat, alertado para a possibilidade da sua prisão, permaneceu em seu lugar para confessar os fiéis em vista da Páscoa. Durante o tempo de prisão, os Servos de Deus rezaram e confessaram os outros presos.

A fama de seu martírio e dos sinais espalhou-se logo após sua morte e manteve-se ao longo dos anos, até à actualidade.

Beatificados na Igreja de Saint-Sulpice, Paris, a 22 de Abril de 2023, com os Servos de Deus Henri Planchat, Ladislas Radigue, Polycarpe Tuffier e Frézal Tardieu, pelo Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos.

(cf. Enrico Planchart, Ladislao Radigue e 3 Compagni (causesanti.va)

terça-feira, 18 de abril de 2023

VOCES8 - Regina Caeli Laetare a 8

℣ 𝕽𝖊𝖌𝖎𝖓𝖆 𝕮𝖆𝖊𝖑𝖎, 𝖑𝖆𝖊𝖙𝖆𝖗𝖊, 𝖆𝖑𝖑𝖊𝖑𝖚𝖎𝖆! ℟ 𝕼𝖚𝖎𝖆 𝖖𝖚𝖊𝖒 𝖒𝖊𝖗𝖚𝖎𝖘𝖙𝖎 𝖕𝖔𝖗𝖙𝖆𝖗𝖊, 𝖆𝖑𝖑𝖊𝖑𝖚𝖎𝖆! ℣ 𝕽𝖊𝖘𝖚𝖗𝖗𝖊𝖝𝖎𝖙, 𝖘𝖎𝖈𝖚𝖙 𝖉𝖎𝖝𝖎𝖙, 𝖆𝖑𝖑𝖊𝖑𝖚𝖎𝖆! ℟ 𝕺𝖗𝖆 𝖕𝖗𝖔 𝖓𝖔𝖇𝖎𝖘 𝕯𝖊𝖚𝖒, 𝖆𝖑𝖑𝖊𝖑𝖚𝖎𝖆! ℣ 𝕲𝖆𝖚𝖉𝖊 𝖊𝖙 𝖑𝖆𝖊𝖙𝖆𝖗𝖊, 𝖁𝖎𝖗𝖌𝖔 𝕸𝖆𝖗𝖎𝖆, 𝖆𝖑𝖑𝖊𝖑𝖚𝖎𝖆! ℟ 𝕼𝖚𝖎𝖆 𝖘𝖚𝖗𝖗𝖊𝖝𝖎𝖙 𝕯𝖔𝖒𝖎𝖓𝖚𝖘 𝖛𝖊𝖗𝖊, 𝖆𝖑𝖑𝖊𝖑𝖚𝖎𝖆! ℣ 𝕺𝖗𝖊𝖒𝖚𝖘: 𝕯𝖊𝖚𝖘, 𝖖𝖚𝖎 𝖕𝖊𝖗 𝖗𝖊𝖘𝖚𝖗𝖗𝖊𝖈𝖙𝖎𝖔𝖓𝖊𝖒 𝕱𝖎𝖑𝖎𝖎 𝖙𝖚𝖎, 𝕯𝖔𝖒𝖎𝖓𝖎 𝖓𝖔𝖘𝖙𝖗𝖎 𝕴𝖊𝖘𝖚 𝕮𝖍𝖗𝖎𝖘𝖙𝖎, 𝖒𝖚𝖓𝖉𝖚𝖒 𝖑𝖆𝖊𝖙𝖎𝖋𝖎𝖈𝖆𝖗𝖊 𝖉𝖎𝖌𝖓𝖆𝖙𝖚𝖘 𝖊𝖘: 𝖕𝖗𝖆𝖊𝖘𝖙𝖆, 𝖖𝖚𝖆𝖊𝖘𝖚𝖒𝖚𝖘; 𝖚𝖙 𝖕𝖊𝖗 𝖊𝖎𝖚𝖘 𝕲𝖊𝖓𝖊𝖙𝖗𝖎𝖈𝖊𝖒 𝖁𝖎𝖗𝖌𝖎𝖓𝖊𝖒 𝕸𝖆𝖗𝖎𝖆𝖒, 𝖕𝖊𝖗𝖕𝖊𝖙𝖚𝖆𝖊 𝖈𝖆𝖕𝖎𝖆𝖒𝖚𝖘 𝖌𝖆𝖚𝖉𝖎𝖆 𝖛𝖎𝖙𝖆𝖊. 𝕻𝖊𝖗 𝖊𝖚𝖓𝖉𝖊𝖒 𝕮𝖍𝖗𝖎𝖘𝖙𝖚𝖒 𝕯𝖔𝖒𝖎𝖓𝖚𝖒 𝖓𝖔𝖘𝖙𝖗𝖚𝖒. ℟ 𝕬𝖒𝖊𝖓. ℣ Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia! ℟ porque quem merecestes trazer em vosso seio, aleluia! ℣ ressuscitou, como disse, aleluia! ℟ rogai a Deus por nós, aleluia! ℣ exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria, aleluia! ℟ porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia! ℣ oremos: ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. ℟ amém!