segunda-feira, 1 de julho de 2024

Palavra de Vida

Julho de 2024

Augusto Parody Reyes e equipa da Palavra de Vida 

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22], 1)

O Salmo 23 é um dos mais conhecidos e amados. Trata-se de um cântico de confiança que, simultaneamente, tem um carácter de alegre profissão de fé. Aquele que reza, fá-lo como membro do povo de Israel, ao qual o Senhor prometeu, por meio dos profetas, ser o seu Pastor. O autor proclama a sua felicidade pessoal por se sentir protegido no Templo, lugar de refúgio e graça, e, do mesmo modo, quer com a sua experiência, encorajar outros à confiança na presença do Senhor.

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22], 1)

A imagem do pastor e do rebanho é muito estimada em toda a literatura bíblica. Para a compreender bem, precisamos de ir com o pensamento até aos desertos áridos e rochosos do Médio Oriente. O pastor guia o seu rebanho, que se deixa conduzir docilmente, porque sem ele perder-se-ia e morreria. As ovelhas devem aprender a confiar nele, escutando a sua voz. Ele é, acima de tudo, o seu constante companheiro de viagem [Cf. Sal 23,6].

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22], 1)

Este salmo convida-nos a reforçar o nosso relacionamento íntimo com Deus, fazendo a experiência do Seu amor. Alguém poderá questionar-se: Como é que o autor chega a dizer “nada me falta”? A nossa experiência quotidiana nunca está livre de problemas e desafios de saúde, familiares, de trabalho, etc., sem esquecer os enormes sofrimentos que vivem tantos nossos irmãos e irmãs por causa da guerra, das consequências das alterações climáticas, das migrações, da violência…

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22], 1)

A chave de leitura está talvez no versículo em que se lê “porque Tu estás comigo” (Sal 23,4). Trata-se da certeza do amor de um Deus que nos acompanha sempre e nos faz viver a existência de um modo diferente. Escreveu Chiara Lubich: «Uma coisa é saber que podemos recorrer a um Ser que existe, que tem compaixão de nós, que pagou pelos nossos pecados, e outra é viver e sentirmo-nos no centro das predileções de Deus, com o consequente afastamento de todos os receios que nos bloqueiam, de toda a solidão, de toda a sensação de orfandade, de toda a incerteza. […] A pessoa sabe que é amada e acredita neste amor com todo o seu ser. Abandona-se a ele com confiança e quer segui-lo. As circunstâncias da vida, tristes ou alegres, passam a ficar iluminadas por um motivo de amor, que a todas quis ou permitiu» [C. Lubich, Sim, Sim. Não, Não, Ed. Movimento dos Focolares, Braga 1974, pp. 49-50].

«O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 23[22], 1)

Mas quem deu pleno cumprimento a esta lindíssima profecia foi Jesus que, no Evangelho de João, chega a autodefinir-se o “Bom Pastor”. O relacionamento com este pastor é caracterizado por uma relação pessoal e íntima: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me” (Jo 10,14). Ele as conduz às pastagens da sua Palavra que é vida, especialmente a Palavra contida no “Mandamento novo” que, se vivido, torna “visível” a presença do Ressuscitado na comunidade reunida em seu nome, no seu amor [Cf. Mt, 18, 20].

sábado, 8 de junho de 2024

Imaculado Coração da Virgem Santa Maria

Sábado a seguir ao 2º Domingo depois do Pentecostes

A devoção ao Imaculado Coração de Maria é conhecida desde o século XVII, juntamente com a devoção ao Coração de Jesus. Depois das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, teve grande incremento. Os dois Corações, de Jesus e de Maria, são inseparáveis: onde está Um também está o Outro. Jesus é o Redentor da Humanidade e Maria, a Mãe Corredentora. No dia 13 de Outubro de 1942, em plena Segunda Guerra mundial, o papa Pio XII, correspondendo ao desejo da Senhora manifestado em Fátima, consagrou o mundo ao seu Imaculado Coração.

Ó minha celeste Rainha, ó minha divina Mãe,

vivei e reinai no meu coração,

para aí fazerdes viver e reinar o Coração de Jesus.

Aniquilai no meu coração

tudo o que pode desagradar ao vosso divino Filho.

Estabelecei nele o soberano império

do seu Coração e do vosso,

para que estes dois corações,

tão estreitamente unidos,

nele reinem soberana e eternamente

para o puro amor de Deus

e para a sua maior glória.

Ámen.

Padre Léon Dehon

sábado, 1 de junho de 2024

 


Palavra de Vida

Junho de 2024

Texto preparado por Letizia Magri e pela equipa da Palavra de Vida

«Assim é o reino de Deus: como um homem que, tendo lançado a semente à terra, dorme e levanta-se,  de noite e de dia, e a semente germina e cresce». (Mc 4,26-27)

O Reino de Deus é o coração da mensagem de Jesus, de que o evangelho de Marcos quer proclamar a boa nova. É aqui anunciado, através de uma breve parábola, com a imagem da semente que, uma vez lançada à terra, liberta a sua força vital e dá fruto.

Mas o que é o Reino de Deus para nós, hoje? O que tem em comum com a nossa história, pessoal e coletiva, constantemente suspensa entre expectativas e desilusões? Se ele já foi semeado, por que não vemos os seus frutos de paz, de segurança, de felicidade?

«Assim é o reino de Deus: como um homem que, tendo lançado a semente à terra, dorme e levanta-se,  de noite e de dia, e a semente germina e cresce». (Mc 4,26-27)

Esta Palavra comunica-nos toda a confiança que o próprio Jesus tem no projeto de paz para a humanidade: «[…] Por Jesus ter vindo à Terra, pela Sua vitória, este Reino já está presente no mundo. A sua realização, que constituirá a consumação da história, já está assegurada. A Igreja é a comunidade daqueles que acreditam neste Reino, e é também o seu início» [C. Lubich, Palavra de Vida de agosto de 1983, in Parole di Vita, org. Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, p. 268].

A todos aqueles que aceitam esta Palavra, é-lhes confiada a tarefa de preparar o terreno para acolher o dom de Deus e de conservar a esperança no Seu amor. «[…] De facto, nenhum esforço humano, nenhuma iniciativa ascética, nenhum estudo ou pesquisa intelectual, te podem fazer entrar no Reino de Deus. É o próprio Deus que vem ao teu encontro, que se revela com a Sua luz ou te toca com a Sua graça.

E não há nenhum mérito de que te possas vangloriar, ou em que te possas apoiar, para reivindicar o direito a uma tal dádiva de Deus. O Reino é-te oferecido gratuitamente» [C. Lubich, Palavra de Vida de outubro de 1979, in Ibid., p. 152].

«Assim é o reino de Deus: como um homem que, tendo lançado a semente à terra, dorme e levanta-se,  de noite e de dia, e a semente germina e cresce». (Mc 4,26-27)

Lançar a semente: não a reter para si, mas semeá-la com generosidade e confiança. “De noite e de dia”: o Reino cresce silenciosamente, até na escuridão das nossas noites.

Podemos também pedir todos os dias: “Venha a nós o vosso Reino”.

A semente não requer um trabalho contínuo, de controlo, por parte do agricultor. Requer sobretudo a capacidade de esperar, com paciência, que a natureza siga o seu curso.

«Assim é o reino de Deus: como um homem que, tendo lançado a semente à terra, dorme e levanta-se,  de noite e de dia, e a semente germina e cresce». (Mc 4,26-27)

Esta Palavra de Vida conduz-nos à confiança na força do amor, que dá fruto a seu tempo. Ensina-nos a arte de acompanhar com paciência aquilo que pode crescer por si, sem ter ânsia pelos resultados. Torna-nos livres de aceitar os outros no momento presente, valorizando as suas potencialidades, respeitando os seus tempos.

«[…] Um mês antes do casamento, o nosso filho telefonou-nos alarmado, para nos dizer que a sua namorada tinha recomeçado a usar drogas. Pedia-nos conselho sobre o que fazer. Não era fácil responder. Poderíamos aproveitar a situação para o convencer a deixá-la, mas não nos parecia o rumo certo. Assim, sugerimos-lhe que ouvisse bem o seu coração […] Seguiu-se um longo silêncio. Em seguida: “Creio que posso amar um pouco mais”. Depois do casamento, conseguiram encontrar um ótimo centro de recuperação, com apoio ambulatório externo. Decorreram 14 longos meses, durante os quais ela conseguiu manter o compromisso de “drogas, nunca mais!”. É um longo caminho para todos, mas o amor evangélico que procuramos ter entre nós os dois – mesmo se com lágrimas – dá-nos a força de amar o nosso filho nesta delicada situação. Um amor que talvez também o ajude a compreender melhor como amar a sua mulher» [S. Pellegrini, G. Salerno, M. Caporale (org.), Famílias em ação – Um mosaico de vida, Cidade Nova, Abrigada 2022, pp. 74-75.].

quarta-feira, 1 de maio de 2024

 

Palavra de Vida

Maio de 2024

Silvano Malini e equipa da Palavra de Vida

«Quem não ama não conheceu Deus, porque Deus é amor». (1Jo 4,8)

A primeira carta de João é dirigida aos cristãos de uma comunidade da Ásia Menor para os encorajar a restabelecer a comunhão entre eles, pois estavam divididos por divergências doutrinais. O autor exorta-os a terem presente o que foi proclamado “desde o princípio” pela pregação cristã. Recorda aquilo que os primeiros discípulos viram, ouviram e tocaram com as suas mãos na convivência com o Senhor, para que também esta comunidade pudesse estar em comunhão com eles e, consequentemente, também com Jesus e com o Pai (Cf. 1Jo 1,1-3)

«Quem não ama não conheceu Deus, porque Deus é amor». (1Jo 4,8)

Para recordar a essência da revelação recebida, o autor sublinha que, em Jesus, Deus tomou a iniciativa de nos amar, assumindo totalmente a existência humana, com todos os seus limites e as suas fraquezas. 

Na cruz, Jesus partilhou e experimentou pessoalmente a nossa separação do Pai. Dando-se completamente, resgatou-a com um amor sem limites nem condições. Demonstrou-nos a medida do amor, que já nos tinha ensinado com palavras e com a vida. 

Pelo exemplo de Jesus, compreendemos que amar verdadeiramente implica coragem, esforço e o risco de termos que enfrentar contrariedades e sofrimentos. Mas quem ama assim participa da vida de Deus e experimenta a Sua liberdade e a alegria de quem se dá. 

Amando como Jesus nos amou, libertamo-nos do egoísmo que impede a comunhão com os irmãos e com Deus. Podemos, assim, experimentá-la.

«Quem não ama não conheceu Deus, porque Deus é amor». (1Jo 4,8)

Conhecer Deus – Aquele que nos criou, que nos conhece e conhece a verdade mais profunda de todas as coisas – é, desde sempre, um anseio do coração humano, mesmo se inconsciente.

Se Ele é amor, podemos vislumbrar algo desta verdade quando amamos como Ele. Podemos crescer no conhecimento de Deus, porque vivemos essencialmente a Sua vida e caminhamos à Sua luz.

E isso realiza-se plenamente quando o amor é recíproco. De facto, se nos amarmos uns aos outros, «Deus permanece em nós» (Cf. 1Jo 4,12). Acontece como quando os dois polos elétricos se tocam e a luz se acende, iluminando tudo à nossa volta.

«Quem não ama não conheceu Deus, porque Deus é amor». (1Jo 4,8)

Testemunhar que Deus é amor, afirma Chiara Lubich, é «a grande revolução que somos chamados a oferecer hoje ao mundo moderno, em tensão extrema», tal «como os primeiros cristãos a apresentavam ao mundo pagão daquele tempo» (C. Lubich. Conversazioni, org. M. Vandeleene (Opere di Chiara Lubich 8/1), Città Nuova, Roma 2019, p. 142).  

Como fazê-lo? Como viver este amor que vem de Deus? Aprendendo com o Seu Filho a colocá-lo em prática, especialmente «[…] no serviço aos irmãos, sobretudo aqueles que estão ao nosso lado, começando pelas pequenas coisas, pelos serviços mais humildes.  Esforçar-nos-emos, à imitação de Jesus, por tomar a iniciativa de os amar, no desapego de nós mesmos e abraçando todas as cruzes, pequenas ou grandes, que tudo isso possa comportar. Deste modo não tardaremos, também nós, a chegar àquela experiência de Deus, àquela comunhão com Ele, àquela plenitude de luz, de paz e de alegria interior, a que Jesus nos quer conduzir» (C. Lubich, Palavra de Vida de maio de 1991, in Parole di Vita, org. Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich).

«Quem não ama não conheceu Deus, porque Deus é amor». (1Jo 4,8)

Santa Scorese (Experiência da Serva de Deus Santa Scorese, jovem italiana que foi assassinada em 1991, quando tinha 23 anos, de quem está em curso o processo de beatificação) costumava visitar regularmente o lar de idosos de uma instituição católica. «Um dia, com a Roberta, encontraram o Sr. Aldo, um homem alto, muito culto e rico. O Sr. Aldo fixou as duas jovens com um olhar sombrio: “Porque é que vêm aqui? O que querem de nós? Deixem-nos morrer em paz!”. Santa não desanimou e disse-lhe: “Viemos aqui por si, para vivermos umas horas juntos, para nos conhecermos e nos tornarmos amigos”. […] Voltaram outras vezes. Conta-nos a Roberta: “Aquele senhor era muito reservado, muito abatido. Não acreditava em Deus. Santa foi a única que conseguiu entrar no seu coração, com muita delicadeza, escutando-o durante horas”». Rezava por ele e, uma vez, ofereceu-lhe um terço, que ele aceitou. «Santa soube depois que ele tinha falecido pronunciando o nome dela. A dor pela sua morte foi atenuada pelo facto de ele ter morrido serenamente, tendo nas mãos o terço que ela lhe tinha oferecido» (P. Lubrano, Un volo sempre più alto. La vita di Santa Scorese, Città Nuova, Roma 2003, pp. 83-84,107).

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Palavra de Vida

Abril 2024

Patrizia Mazzola e equipa «Palavra de Vida»

«Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e gozavam todos de uma grande simpatia». (At 4,33)

Em tempo de Páscoa e com a plenitude da liberdade de quem recebeu a mensagem evangélica, esta palavra convida-nos a sermos também nós testemunhas do acontecimento que marcou a história: Jesus ressuscitou!

Para compreender plenamente o significado deste versículo, tirado dos Atos dos Apóstolos, convém citar a frase que o precede: «A multidão dos que abraçaram a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém considerava seu nenhum dos seus bens; pelo contrário, tinham tudo em comum» (At 4,32).

«Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e gozavam todos de uma grande simpatia». (At 4,33)

No texto é apresentada a primeira comunidade cristã, animada pela poderosa força do Espírito Santo, caracterizada pela comunhão que a impele a proclamar o Evangelho a todos, a boa nova: Cristo ressuscitou.

São as mesmas pessoas que, antes do Pentecostes, estavam assustadas e desanimadas diante dos últimos acontecimentos, mas agora saem para a praça pública, prontas a dar testemunho até ao martírio, graças à força do Espírito que dissipou medos e receios. 

Eram um só coração e uma só alma, atuavam o amor recíproco até ao ponto de colocarem em comum os seus bens: esta era a realidade que ia envolvendo um número cada vez maior de pessoas. 

Mulheres e homens no seguimento de Jesus, tinham escutado as suas palavras, tinham vivido com Ele no serviço e no amor preferencial pelos últimos, pelos doentes. Tinham visto com os próprios olhos os factos prodigiosos realizados por Jesus. As suas vidas tinham mudado, porque eram chamados a viver uma nova lei. Tinham sido as primeiras testemunhas da presença viva de Deus no meio dos homens. 

Mas para nós, seguidores de Jesus nos dias de hoje, o que significa dar testemunho?

«Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e gozavam todos de uma grande simpatia». (At 4,33)

O modo mais eficaz de dar testemunho do Ressuscitado é mostrar que Ele está vivo e habita no meio de nós. «Se vivermos a sua Palavra, […] mantendo aceso no coração o amor ao próximo, se nos esforçarmos, de modo especial, por conservar sempre o amor recíproco entre nós, então o Ressuscitado viverá em nós, viverá no meio de nós e irradiará à nossa volta a sua luz e a sua graça, transformando os ambientes com frutos incalculáveis. Será Ele, mediante o seu Espírito, a guiar os nossos passos e as nossas atividades. Será Ele a determinar as circunstâncias e a proporcionar-nos as ocasiões para levar a Sua vida às pessoas que d’Ele necessitam» (C. Lubich, Palavra de Vida de janeiro de 1986, in Parole di Vita, a cura di Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, p. 347).

«Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e gozavam todos de uma grande simpatia». (At 4,33)

Escreve Margaret Karram (Presidente do Movimento dos Focolares): «“Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). foi a extraordinária missão que há 2000 anos os apóstolos receberam diretamente de Jesus e que mudou o curso da história. Hoje, Jesus também nos dirige o mesmo convite: oferece-nos a possibilidade de O levar ao mundo com toda a criatividade, as capacidades e a liberdade que Ele próprio nos deu» (Margaret Karram, Chamados e enviados, Rocca di Papa, 15 setembro de 2023).

Foi um anúncio «que não terminou com a Sua morte. Pelo contrário! Assumiu nova força depois da Ressurreição e do Pentecostes, quando os discípulos se tornaram testemunhas corajosas do Evangelho. O Seu mandato, portanto, chegou até nós hoje. Através de mim, através de cada um de nós, Deus quer continuar a contar a Sua história de amor àqueles com quem partilhamos breves ou longos percursos de vida» (Ibid.).

domingo, 31 de março de 2024

Regina caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.


Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!

R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!

V. Ressuscitou como disse, Aleluia!

R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!

V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!

R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.

R. Quia quem meruisti portare, alleluia.

V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.

R. Ora pro nobis Deum, alleluia.

V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.

R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.

Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.

sexta-feira, 1 de março de 2024

MARÇO - Mês de São José

O mês de Março é dedicado à devoção a São José, que é comemorada a 19 de Março. São José é o exemplo de um pai bom e amoroso por excelência, de um marido fiel e solidário, mas também de um humilde servo da vontade divina, ao aceitar o seu papel de marido de Maria e suposto pai de Jesus sem questionar o desígnio de Deus.

São José é muito honrado pela Igreja Católica e goza de um papel de grande importância em muitas orações do rito romano. Também é o protagonista de muitas práticas devocionais, como a “prática das Sete Dores e Alegrias de São José”, assim como muitas Ladainhas, como o Cordão de São José, o Rosário de São José, o Escapulário de São José, o Manto Sagrado, a Novena Perpétua, o Rosário Perpétuo, o Tribunal Perpétuo. Para ele nos voltamos para pedir graças e intercessões.

Palavra de Vida

Março de 2024

Parody Reyes e pela equipa da Palavra de Vida

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)

A frase da Sagrada Escritura, que nos é proposta neste tempo quaresmal, faz parte do Salmo 51 (50), no versículo 12, com esta comovente e humilde invocação: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme”. Este salmo é conhecido com o nome de “Miserere”. Nele, o olhar do autor começa por sondar os esconderijos da alma humana para neles captar as fibras mais profundas, onde ressoa a nossa total inadequação perante Deus e, ao mesmo tempo, o insaciável anseio pela plena comunhão com Aquele do qual procede toda a graça e misericórdia. 

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)

O salmo parte de um episódio bem conhecido da vida de David. Ele, chamado por Deus a cuidar do povo de Israel e a guiá-lo pelos caminhos da obediência à Aliança, atraiçoa a própria missão: depois de ter cometido adultério com Betsabé, faz com que o marido – Urias, o Hitita, oficial do seu exército – morra em batalha. O profeta Natan revela-lhe a gravidade da sua culpa e ajuda-o a reconhecê-la. Este é o momento da confissão do seu pecado e da reconciliação com Deus.

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)

O salmista coloca na boca do rei invocações muito fortes, que brotam do seu profundo arrependimento e da total confiança no perdão divino: “apaga”, “lava-me”, “purifica-me”. Principalmente, no versículo que abordamos, usa o verbo “cria” para indicar que a completa libertação da fragilidade humana só é possível a Deus. É a consciência de que só Ele nos pode tornar criaturas novas com um “coração puro”, enchendo-nos com o Seu espírito vivificante, dando-nos a verdadeira alegria e transformando radicalmente o nosso relacionamento com Deus (o “espírito firme”) e com os outros, com a natureza e o cosmos.

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)

Como pôr em prática esta palavra de vida? O primeiro passo será reconhecer-nos pecadores e necessitados do perdão de Deus, numa atitude de ilimitada confiança para com Ele. 

Pode acontecer que os nossos repetidos erros nos desencorajem, nos fechem em nós mesmos. É preciso, então, deixar entreaberta, pelo menos um pouco, a porta do nosso coração. Escreveu Chiara Lubich, em 1946, a alguém que se sentia incapaz de ultrapassar as suas misérias: «É preciso retirar da alma todos os outros pensamentos. Acreditar que Jesus é atraído para nós pela exposição humilde, confiante e amorosa dos nossos pecados. Nós, por nós mesmas, nada temos e só fazemos misérias. Ele, por Si mesmo, em relação a nós, só tem uma qualidade: a Misericórdia. A nossa alma pode unir-se a Ele com a oferta, com a única prenda, não das nossas virtudes, mas dos nossos pecados! […] Jesus veio à Terra, fez-se homem, e, se alguma coisa anseia […] é unicamente: ser Salvador. Ser Médico! Nada mais deseja» (C. Lubich, Cartas dos primeiros tempos, Cidade Nova, Abrigada 2011, p. 111).

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro; e renova dentro de mim um espírito firme» (Sal 51[50],12)

Assim libertados e perdoados, com a ajuda dos irmãos – porque a força do cristão vem da comunidade – podemos amar concretamente o próximo, quem quer que ele seja. «Aquilo que nos é pedido é um amor recíproco, de serviço, de compreensão, de participação nos sofrimentos, nos anseios e nas alegrias dos nossos irmãos; um amor que tudo cobre, tudo perdoa, típico do cristão» (C. Lubich, Palavra de Vida de maio de 2002, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, pp. 658-659). Por fim, diz o Papa Francisco: «o perdão de Deus […] é o maior sinal da sua misericórdia. Uma dádiva que cada […] pessoa perdoada é chamada a partilhar com cada irmão e irmã que encontra. Todos aqueles que o Senhor colocou ao nosso lado, os familiares, os amigos, os colegas, os paroquianos… todos são, como nós, necessitados da misericórdia de Deus. É bom ser-se perdoado, mas também tu, se quiseres ser perdoado, deves perdoar. Perdoa! […] Para sermos testemunhas do seu perdão, que purifica o coração e transforma a vida» (Papa Francisco, Audiência Geral, 30 de março de 2016)