quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


Natal 2019
MENSAGEM e SAUDAÇÃO 
do Arcebispo de Évora
1.Mensagem
Neste ano Pastoral de 2019-2020, celebramos o Natal do Senhor, na Alegria de nos sentirmos convocados a ser discípulos missionários da Esperança, muito concretamente, através do acolhimento e da procura dos irmãos, que sentem sede de Esperança e desejam encontrar-se com a Luz.
Sabemos que o ruído próprio da sociedade de consumo em que vivemos confunde os autênticos valores do Natal, com propostas meramente fúteis e banais, e que, por isso mesmo, nós cristãos, somos chamados a mostrar com as nossas vidas, a beleza autêntica do Natal, a sua mensagem e os seus desafios. Assim, nesta sociedade marcada por tantos desencontros, celebremos o Natal como mistério e proposta de encontro. Em Jesus, nascido em Belém, encontramos Deus feito Homem e n’Ele nos encontramos com todos os Humanos: «Glória a Deus nas Alturas e Paz na terra aos homens por Ele amados». (Lc 2, 14).
O «Verbo que Se fez carne» (Jo 1, 14) é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Eis a lição do presépio, o «Evangelho vivo» como lhe chama o Papa Francisco: Deus habita também no mundo e quer ser habitado por cada pessoa que há no mundo. Por isso, procuremos Deus em Jesus, e acolhamos Jesus em cada ser humano.
Em Jesus, Deus vem ligar o que está desligado. Constatamos que por vezes perdemos os «laços» que nos ligam uns aos outros. Se deixarmos, o individualismo toma de tal maneira conta de nós, que nem nos apercebemos de como estamos aprisionados em nós mesmos. O mistério do Natal é, pois, um convite de abertura total a Deus e à humanidade. É esta abertura que configura a nossa libertação e a nossa felicidade.
Com tantas actividades e ocupações, o nosso olhar torna-se inevitavelmente disperso. Não nos centramos no que verdadeiramente importa. Frequentemente nem no Natal conseguimos parar. Somos pois convidados, neste tempo, a parar e a olhar serenamente para Jesus na Sua imagem de encanto e ternura no presépio, e na Sua presença real na Eucaristia; a reencontrarmos a beleza da nossa vocação e a humanizarmos os nossos ambientes com a força que nos vem do Evangelho.
É a Jesus que pertencemos desde o Baptismo. Estamos n’Ele enxertados para por Ele sermos transformados. Façamos do Natal um acontecimento gerador de paz, pois na manjedoura nasceu a paz duradoura. É essa paz que somos chamados a semear na nossa vida e na humanidade. Deixemo-nos envolver por este mistério Santo que nos transfigura e revela a beleza do Amor, pelo qual somos amados.
Não foi para o mundo ficar igual que Deus se fez Natal. É para que tudo seja diferente que Deus revela um amor omnipotente: um amor que é capaz de Se fazer o que nós somos para que nós nos deixemos tocar pelo que Ele é. Sejamos discípulos deste Menino que muda a nossa vida e guardemos a Sua divina Palavra em nosso coração para a testemunhar no dia a dia. Como Maria, que deu Cristo à luz na sua carne, que nós demos Cristo à luz na nossa vida: com o nosso testemunho, com a nossa disponibilidade missionária para acolher, procurar e abraçar.
Discípulos e missionários do Natal, levemos aos mais desprotegidos e abandonados «o Menino que nasceu, o Filho que nos foi dado» (Is 9, 6). Que o melhor presente seja a nossa presença e a transfiguração de Cristo na vida de cada irmão!
Que neste Natal nos encontremos com Cristo e O saibamos ver em quem sofre. Que O encontremos nos mais frágeis e sós e lhes levemos o Sim fraterno do Amor que Deus lhes dedica. Que a nossa criatividade pessoal e a criatividade das nossas comunidades cristãs vençam a rotina ou a inércia e percorram caminhos novos de encontros humanizadores.
Natal é tempo propício e favorável a gestos comprometidos com a esperança e empreendedores de humanidade. Que cada comunidade cristã seja lugar de encontro com Cristo, seja presépio e Natal.
Que os valores supremos da vida humana, desde o seu primeiro instante até à morte natural, dignificada, devidamente assistida e acompanhada; que o valor da família, património imaterial da humanidade e berço natural da vida e que os valores inegociáveis de cada pessoa humana centrem a sociedade na vivência da solidariedade fraterna e sejam compromissos para cada um de nós neste Natal.
2. Saudação
Saúdo e desejo Santo Natal aos nossos estimados Presbíteros, Diáconos, Consagrados e alunos dos Seminários! Para cada um deles o reconhecimento da Igreja Diocesana!
Saúdo e desejo Santo Natal às queridas famílias, aos casais em vivência matrimonial, seus idosos, doentes, pessoas com deficiência, jovens, adolescentes e crianças. Que no centro de cada família esteja presente a manjedoura onde Cristo nasce, vive e cresce e que a riqueza humana de cada família seja presépio onde acontece o acolhimento que Maria e José não encontraram em Belém!

Saúdo e desejo Santo Natal a todas as pessoas de boa vontade que com esforço e dedicação tudo fazem para a edificação de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica!
Saúdo com especial gratidão e desejo Santo Natal a todos os que vão trabalhar para o bem comum na Noite de Consoada e no Dia de Natal!
Saúdo e desejo Santo Natal aos serviços de saúde que servem as nossas populações, bem como às Santas Casas da Misericórdia, aos Centros Sociais, às Escolas, aos Serviços de Segurança Social, aos Soldados da Paz, às Forças Armadas, de Segurança e Proteção Civil, aos Tribunais e demais Serviços de Justiça, aos Estabelecimentos Prisionais, a todos os Meios de Comunicação Social ao serviço da nossa região, a todos os refugiados e imigrados no nosso país e a viverem agora connosco, bem como àqueles que connosco viviam e agora experimentam a contingência da emigração.
Por todos ergo a minha oração e a todos desejo Santo e Feliz Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.
+ Francisco José, Arcebispo de Évora

Novena de Natal
com o Papa Francisco
3º Dia: 18.Dezembro.2019

Nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre.

Meditação
“o Natal tem sobretudo um sabor de esperança, porque, não obstante as nossas trevas, resplandece a luz de Deus. A sua luz gentil não mete medo; enamorado por nós, Deus atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no nosso meio, como um de nós. Nasce em Belém, que significa «casa do pão»; deste modo parece querer dizer-nos que nasce como pão para nós; vem à nossa vida, para nos dar a sua vida; vem ao nosso mundo, para nos trazer o seu amor. Vem, não para devorar e comandar, mas alimentar e servir. Há, pois, uma linha direta que liga a manjedoura e a cruz, onde Jesus será pão repartido: é a linha direta do amor que se dá e nos salva, que dá luz à nossa vida, paz aos nossos corações.
Compreenderam-no, naquela noite, os pastores, que se contavam entre os marginalizados de então. Mas ninguém é marginalizado aos olhos de Deus, e precisamente eles foram os convidados de Natal. Quem se sentia seguro de si, auto-suficiente, ficara em casa com as suas coisas; ao contrário, os pastores «foram apressadamente» (Lc 2, 16). Deixemo-nos, também nós, interpelar e convocar nesta noite por Jesus, vamos confiadamente ter com Ele, a partir daquilo em que nos sentimos marginalizados, a partir dos nossos limites, a partir dos nossos pecados. Deixemo-nos tocar pela ternura que salva. Aproximemo-nos de Deus que Se faz próximo, detenhamo-nos a olhar o presépio, imaginemos o nascimento de Jesus: a luz e a paz, a pobreza extrema e a rejeição. Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas, os nossos pecados. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe pura e simplesmente obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim.”
Francisco, «Homilia» na Santa Missa da Noite de Natal na Solenidade do Senhor, 24 de Dezembro de 2016

Oração
Pai Nosso…

Concedei-nos, Deus omnipotente, que o esperado nascimento do vosso Filho Unigénito nos liberte da antiga escravidão do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019


Novena de Natal
com o Papa Francisco
2º Dia: 17.Dezembro.2019

Nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre.

Meditação
“contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a reflectir. …
A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor, ajudai-me a ser como Vós, concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito».
Queridos irmãos e irmãs, …, contemplamos o presépio: nele, «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz» ( Is 9, 1). Viram-na as pessoas simples, as pessoas dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contrário, não a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os próprios critérios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Contemplemos o presépio e façamos este pedido à Virgem Mãe: «Ó Maria, mostrai-nos Jesus!»”
Francisco, «Homilia» na Santa Missa da Noite de Natal na Solenidade do Senhor, 24 de Dezembro de 2014

Oração
Pai Nosso…

Deus, criador e redentor do género humano, que no seio da bem-aventurada Virgem Maria quisestes realizar o grande mistério da encarnação do Verbo, ouvi a nossa oração e concedei que o vosso Filho Unigénito, feito homem como nós, nos torne participantes da sua vida divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019


Novena de Natal
com o Papa Francisco
1º Dia: 16.Dezembro.2019

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos.

Meditação
“quando ouvirmos falar do nascimento de Cristo, permaneçamos em silêncio e deixemos que seja aquele Menino a falar; gravemos no nosso coração as suas palavras, sem afastar o olhar do seu rosto. Se O tomarmos nos nossos braços e nos deixarmos abraçar por Ele, dar-nos-á a paz do coração que jamais terá fim. Este Menino ensina-nos aquilo que é verdadeiramente essencial na nossa vida. Nasce na pobreza do mundo, porque, para Ele e sua família, não há lugar na hospedaria. Encontra abrigo e protecção num estábulo e é deitado numa manjedoura para animais. E todavia, a partir deste nada, surge a luz da glória de Deus. A partir daqui, para os homens de coração simples, começa o caminho da verdadeira libertação e do resgate perene. Deste Menino, que, no seu rosto, traz gravados os traços da bondade, da misericórdia e do amor de Deus Pai, brota – em todos nós, seus discípulos, como ensina o apóstolo Paulo – a vontade de «renúncia à impiedade» e à riqueza do mundo, para vivermos «com sobriedade, justiça e piedade» (Tt 2, 12).
Numa sociedade frequentemente embriagada de consumo e prazer, de abundância e luxo, de aparência e narcisismo, Ele chama-nos a um comportamento sóbrio, isto é, simples, equilibrado, linear, capaz de individuar e viver o essencial. Num mundo que demasiadas vezes é duro com o pecador e brando com o pecado, há necessidade de cultivar um forte sentido da justiça, de buscar e pôr em prática a vontade de Deus. No seio duma cultura da indiferença, que não raramente acaba por ser cruel, o nosso estilo de vida seja, pelo contrário, cheio de piedade, empatia, compaixão, misericórdia, extraídas diariamente do poço de oração.
Como os pastores de Belém, possam também os nossos olhos encher-se de espanto e maravilha, contemplando no Menino Jesus o Filho de Deus. E, diante d’Ele, brote dos nossos corações a invocação: «Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, concede-nos a tua salvação» (Sal 85/84, 8).”
Francisco, «Homilia» na Santa Missa da Noite de Natal na Solenidade do Senhor, 24 de Dezembro de 2015

Oração
Pai Nosso…

Ouvi benignamente, Senhor, as nossas orações e iluminai as trevas do nosso espírito com a graça do vosso Filho que vem visitar-nos, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

domingo, 15 de dezembro de 2019


Coroa de Advento em Família

III Domingo do Advento
(15.Dezembro.2019)

A família junta-se à volta da Coroa de Advento e o pai ou a mãe inicia a celebração dizendo:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
E todos respondem Ámen, enquanto traçam sobre si o sinal da Cruz.

Leitor/a:
“Esperai com paciência a vinda do Senhor.”
Epístola de São Tiago
Pai/Mãe:
Jesus vem, mas não vem para deixar tudo na mesma.
Leitor/a:
“A Boa Nova é anunciada aos pobres.”
Evangelho de São Mateus
Pai/Mãe:
Jesus vem em nome de Deus, ensina-nos e convida-nos a viver de outra forma, a forma de Deus.
Leitor/a:
“Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados.”
Epístola de São Tiago

O filho/a para isso destinado, acende a 3ª vela da Coroa de Advento.
Entretanto CANTA-SE:
Luz que vem iluminar as nações e glória do vosso povo, Israel.
Ou outro que fale de Luz (Ex: A Luz de Cristo, ilumina a terra inteira, Aleluia, Aleluia).

Toda a família em conjunto:
Uma vela arde em sinal de Fé.
Uma vez mais, neste Advento,
que somos convidados a escutar, acolher e viver.
Uma vez mais, neste Advento,
o Deus connosco, envia o profeta João Baptista 
a preparar o Seu caminho
e vem até nós.
Que a luz da Fé que de Vós nos vem, Senhor,
brilhe sempre nas nossas vidas.

Pai/Mãe:
Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo
esperar fielmente o Natal do Senhor,
fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação
e celebrá-las com renovada alegria.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Todos respondem, enquanto traçam sobre si o sinal da Cruz: Graças a Deus.

domingo, 8 de dezembro de 2019


Coroa de Advento em Família
II Domingo do Advento
(8.Dezembro.2019)

A família junta-se à volta da Coroa de Advento e o pai ou a mãe inicia a celebração dizendo:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
E todos respondem Ámen, enquanto traçam sobre si o sinal da Cruz.

Leitor/a:
“«Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».”
Evangelho de São Lucas
Pai/Mãe:
Jesus vem, mas não vem para deixar tudo na mesma.
Leitor/a:
“’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença.”
Epístola de São Paulo aos Efésios
Pai/Mãe:
Jesus vem em nome de Deus, ensina-nos e convida-nos a viver de outra forma, a forma de Deus.
Leitor/a:
“Para sermos um hino de louvor da sua glória.”
Epístola de São Paulo aos Efésios

O filho/a para isso destinado, acende a 2ª vela da Coroa de Advento.
Entretanto CANTA-SE:
Luz que vem iluminar as nações e glória do vosso povo, Israel.
Ou outro que fale de Luz (Ex: A Luz de Cristo, ilumina a terra inteira, Aleluia, Aleluia).

Toda a família em conjunto:
Uma vela arde como símbolo da Palavra de Deus, 
que somos convidados a escutar, acolher e viver.
Uma vez mais, neste Advento, 
o Deus connosco, nascido da Virgem Imaculada, 
vem até nós.
Que a luz da Palavra que de Vós nos vem, Senhor, 
brilhe sempre nas nossas vidas.

Pai/Mãe:
Senhor nosso Deus, 
que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, 
preparastes para o vosso Filho uma digna morada 
e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, 
a preservastes de toda a mancha, 
concedei-nos, por sua intercessão, 
a graça de chegarmos purificados junto de Vós. 
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, 
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Pai/Mãe: Bendigamos ao Senhor.

Todos respondem, enquanto traçam sobre si o sinal da Cruz: Graças a Deus.

SOBRE A IMACULADA CONCEIÇÃO
O inefável Deus, cuja conduta é misericórdia e verdade, cuja vontade é omnipotência e cuja sabedoria alcança qualquer limite e, com fortaleza, dispõe suavemente todas as coisas, havendo previsto, desde toda a eternidade, a ruína deplorável de todo o género humano, que havia de provir da transgressão de Adão, havendo decretado, com o plano misteriosamente escondido desde a eternidade, levar até o fim a primitiva obra de sua misericórdia.
E nos profundos segredos de um desejo escondido, em todos os séculos - mistério ainda mais profundo -, por meio da encarnação do Verbo, primeira obra de sua bondade para que não perecesse o homem, impelido pela culpa da astúcia da maldade diabólica, contrariando o designo misericordioso de seu Criador, para que a queda da nossa natureza, ocorrida com o primeiro Adão, fosse restaurada vantajosamente, eis o segundo Adão, seu Filho, Jesus Cristo.
Ele destinou, então, ao seu Filho único, desde o princípio e antes dos tempos, a escolhida, a Mãe, para que seu Filho Unigénito, feito sua carne, nascesse na feliz plenitude dos tempos. Ele a escolheu, dando-lhe o lugar, na ordem dos seus desígnios, amando-a acima de todas as criaturas, enchendo-a, maravilhosamente, da abundância de todos os carismas celestes, por méritos do tesouro divino, muito acima de todos os anjos e santos, que ela, absolutamente, sempre livre de toda mancha de pecado, sendo toda formosa e perfeita, manifestasse tal plenitude de inocência e santidade.
Pio IX, Bula «Ineffabilis Deus», 8 de Dezembro de 1854

IMACULADA CONCEIÇÃO
da Bem-Aventurada Virgem Santa Maria
“(...) o que significa que Maria é “Imaculada”? E o que diz a nós este título? Antes de mais, façamos referência aos textos bíblicos da liturgia hodierna, especialmente ao grande “afresco” do terceiro capítulo do Livro do Génesis e à narração da Anunciação do Evangelho de Lucas. Depois do pecado original, Deus dirige-se à serpente, que representa Satanás, amaldiçoa-a e acrescenta uma promessa: “Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça, ao tentares mordê-la no calcanhar” (Gn 3, 15). É o anúncio de uma vitória: Satanás, no início da criação parece estar em vantagem, mas virá um filho de mulher que lhe esmagará a cabeça. Assim, mediante a descendência da mulher, o próprio Deus vencerá. Aquela mulher é a Virgem Maria, da qual nasceu Jesus Cristo que, com o seu sacrifício, derrotou de uma vez para sempre o antigo tentador. Por isso, em muitos quadros ou imagens da Imaculada, Ela é representada no acto de esmagar uma serpente sob os seus pés. Ao contrário, o Evangelista Lucas mostra-nos a Virgem Maria quando recebe o anúncio do Mensageiro celeste (cf. Lc 1, 26-38). Ela aparece como a humilde e autêntica filha de Israel, verdadeira Sião na qual Deus quer estabelecer a sua morada. É o rebento do qual deve nascer o Messias, o Rei justo e misericordioso. Na simplicidade da casa de Nazaré vive o “resto” puro de Israel, do qual Deus quer fazer renascer o seu povo, como uma árvore nova que estenderá os seus ramos no mundo inteiro, oferecendo a todos os homens frutos bons de salvação. Diferentemente de Adão e Eva, Maria permanece obediente à vontade do Senhor, pronuncia o seu “sim” total e põe-se plenamente à disposição do desígnio divino. É a nova Eva, verdadeira “mãe de todos os vivos”, isto é, de quantos pela fé em Cristo recebem a vida eterna.
Queridos amigos, que imensa alegria ter por mãe Maria Imaculada! Cada vez que experimentamos a nossa fragilidade e a sugestão do mal, podemos dirigir-nos a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto. Também nas provações da vida, nas tempestades que fazem vacilar a fé e a esperança, pensemos que somos seus filhos e que as raízes da nossa existência afundam na graça infinita de Deus. A própria Igreja, embora exposta às influências negativas do mundo, encontra sempre nela a estrela para se orientar e seguir a rota que lhe foi indicada por Cristo. (...)”
Bento XVI, «Angelus», Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, - Praça de São Pedro, Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009