terça-feira, 10 de fevereiro de 2015


Palavra de Vida
Fevereiro de 2015
Fábio Ciardi
“Por isso, acolhei-vos uns aos outros,
como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”. (Rm 15,7)
A caminho de Roma, de onde depois seguiria até a Espanha, o apóstolo Paulo manda primeiro uma carta às comunidades cristãs presentes naquela cidade. Nelas, que em breve haveriam de testemunhar com inúmeros mártires a sincera e profunda adesão ao Evangelho, não faltam, como em outros lugares, tensões, incompreensões e até rivalidades. Com efeito, os cristãos de Roma pertencem às mais variadas camadas sociais, culturais e religiosas. Alguns vieram do judaísmo, outros do mundo grego, da antiga religião romana, etc. [...]. Eles trazem consigo as próprias tradições de pensamento e convicções éticas. Alguns são definidos “fracos” , porque seguem costumes alimentares especiais, por exemplo, são vegetarianos ou seguem calendários que indicam dias especiais de jejum; outros são considerados “fortes” , porque livres desses condicionamentos [...]. A todos Paulo dirige um insistente convite:
“Por isso, acolhei-vos uns aos outros,
como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”. (Rm 15,7)
[...] Paulo está convencido de que cada um, embora na diversidade de opiniões e de costumes, age por amor a Deus. Portanto, não existe motivo para julgar quem pensa de modo diferente, muito menos para escandaliza-lo com atitudes arrogantes e com ares de superioridade. Mas o que é preciso é almejar o bem de todos, a “edificação recíproca”, ou seja, a construção da comunidade, a sua unidade (cf 14, 1-23).
Trata-se de aplicar, também nesse caso, a grande norma da vivência cristã que Paulo tinha recordado pouco antes na carta: “O amor é o cumprimento perfeito da Lei” (13, 10). [...]
O apóstolo propõe como modelo de acolhida mútua a atitude de Jesus quando, na sua morte, [...] assumiu as nossas fraquezas (cf 15, 1-3). Do alto da cruz, Jesus atraiu todos a si e acolheu o judeu João, o centurião romano, Maria Madalena, o ladrão crucificado com ele.
"Por isso, acolhei-vos uns aos outros,
como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”. (Rm 15,7)
Também nas nossas comunidade cristãs [...] não faltam, tal como nas de Roma, desacordos e contrastes entre modos de ver diferentes e culturas muitas vezes distantes umas das outras. Frequentemente se contrapõem tradicionalistas e inovadores [...], pessoas mais abertas e outras mais fechadas, pessoas interessadas num cristianismo mais social ou mais espiritual. As diferenças são alimentadas por convicções políticas e pela diferença de condição social. [...]
As mesmas dinâmicas podem se deflagrar nos relacionamentos entre cristãos de Igrejas  diferentes, mas também na família, nos ambientes de trabalho ou na vida política.
Insinua-se então a tentação de julgar quem não tem o nosso ponto de vista e de considerar-se superior, numa estéril contraposição e exclusão recíprocas.
O modelo que Paulo propõe não é uma uniformidade que massifica, mas a comunhão entre diferentes que enriquece. [...] O modelo não é, para usar uma imagem do Papa Francisco, a esfera, na qual cada ponto se encontra equidistante do centro e não há diferenças entre um ponto e outro. O modelo é o poliedro, que tem superfícies diferentes entre si e uma composição assimétrica, onde todos os elementos mantêm a sua originalidade. “Até mesmo as pessoas que podem ser criticadas pelos seus erros têm algo a oferecer, que não se deve perder. É a união dos povos, que, na ordem universal, conservam a sua peculiaridade; é a totalidade das pessoas numa sociedade que procura um bem comum que verdadeiramente incorpore a todos” (Evangelii gaudium, 336).
“Por isso, acolhei-vos uns aos outros,
como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus”. (Rm 15,7)
Esta Palavra de Vida é um convite insistente a reconhecer o positivo do outro, pelo menos porque Cristo deu a vida também pela pessoa que seríamos levados a julgar. É um convite a ouvir, deixando de lado os mecanismos de defesa, a permanecer aberto á mudança, a acolher as diferenças com respeito e amor, a fim de formar uma comunidade diversificada e ao mesmo tempo unida.
Esta frase foi escolhida pela Igreja Evangélica na Alemanha para ser vivida pelos seus membros [...] por todo o ano de 2015. Compartilhá-la, pelo menos este mês, [...] já pode ser um sinal de acolhida mútua.
Assim poderemos dar glória a Deus com um só coração e uma só voz (15,6), porque, como disse Chiara Lubich na catedral reformada de São Pedro, em Genebra: “O tempo presente [...] pede amor a cada um de nós, pede unidade, comunhão, solidariedade. E chama também as Igrejas a recompor a unidade quebrada há séculos. Esta é a reforma das reformas que o Céu nos pede. É o primeiro passo – passo necessário – para a fraternidade universal com todos os homens e mulheres do mundo. Com efeito, o mundo acreditará, se estivermos unidos” (Chiara Lubich, Il dialogo è vita, Roma, 2007, pp 43-33).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

calhou-me SANTA TERESA DE JESUS (ou de Ávila)
Deus Eterno e Omnipotente,
Criador, Salvador e Vivificador,
eu Vos dou graças pelo Santo Protector
que Me concedestes para este ano de 2015.
Concedei-me que seguindo o seu exemplo
me encontre verdadeiramente conVosco,
deixe abrasar do Vosso Amor,
seja fiel à Vossa Vontade,
me liberte das obras da trevas
e revista das armas da luz (cf. Rm 13, 12),
me deixe habitar por Vós
e seja a morada da Vossa eleição.
Que o meu testemunho de vida,
seja Verdadeiramente evangélico,
contribua para a construção
do “mundo novo”
e, no termo deste ano,
me encontre mais parecido conVosco
e, possa dizer com verdade e com a vida:
“Já não sou eu que vivo,
mas é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20)
Tudo isto, conduzido e guiado
pela mão carinhosa e maternal de Maria,
Vossa Filha, Mãe e Esposa. Ámen.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014




  















É aqui que me descalço, prostro e contemplo a Sarça Ardente (cf. Ex 3, 5-6).
É aqui que me envolve a sombra da nuvem luminosa, me assombro, não sei o que dizer e escuto a voz do Pai (cf. Mc 9,2-10; cf. Mt 17, 1-9; cf. Lc 9, 28-36).
É aqui que O procuro e sacio a gostosa sede, a saborosa fome, a necessidade absoluta d’Ele que constantemente me invade (cf. Is 26, 9).
É aqui que elevo as mãos para que o Sol brilhe vigoroso sobre mim, sobre a Igreja, sobre a Humanidade (cf. Ex 17, 11-13).
É aqui que me despojo, para que Deus me despose e fale ao coração (cf. Os 2, 16).
É aqui que, a Seus pés, a Sua Palavra ecoa em mim (cf. Lc 10, 39) e me vai tornando Seu cativo (cf. Lc 1, 38).
É aqui que me vou tornando Sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26-27).
É aqui que percebo a minha pequenez e vou reconhecendo não ser digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias (Cf. Mc 1, 7).
É aqui que vejo e experimento, para dar testemunho (cf. Jo 1, 34).
É aqui que vou diminuindo para que Ele cresça (cf. Jo 3, 30).
É aqui que vou descobrindo e experimentando que Ele é a minha vida (cf. Gl 2, 21) e permitindo que seja Ele a viver em mim (cf. Gl 2, 20), para louvor da sua glória” (Ef 1, 11-14).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como eu queria, Senhor, 
morrer a Vossos pés, 
de amor..., 
esquecido de todos, 
sem ruído, em silêncio, 
sem pensar nos homens que são criaturas, 
sem sonhar com o mundo, que Vos abandonou, 
sem olhar os céus, 
nem as flores, 
nem as aves, 
nem o sol.
Senhor, 
como eu queria morrer de amores 
aos pés da cruz.
São Rafael Arnaiz Baròn

segunda-feira, 6 de outubro de 2014



HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Igreja da Cartuxa de Serra San Bruno
Domingo, 9 de Outubro de 2011

“Abandonar as realidades fugazes 
e procurar capturar o eterno.
… o forte desejo 
de entrar em união de vida 
com Deus,
abandonando tudo o resto,
tudo aquilo que impede esta comunhão,
e deixando-se capturar 
pelo amor imenso de Deus,
para viver só deste amor. ...
Deixando tudo, o monge 
por assim dizer «arrisca»:
expõe-se à solidão e ao silêncio
para não viver a não ser do que é essencial,
e precisamente ao viver do essencial
encontra também uma profunda comunhão 
com os irmãos, com cada homem.”

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Como Stª Teresa de Ávila quero poder dizer, na hora da morte: “Morro como filho da Igreja”
O amor de Santa Teresa à Igreja sempre me encantou de uma forma que nem eu mesmo sei como explicar: “Vede que estes não são tempos de se acreditar em todos [...]. Procurai ter a consciência limpa e ser humildes, menosprezando todas as coisas do mundo e crendo firmemente no ensinamento da Santa Madre Igreja, e estareis seguras de seguir um bom caminho” ("Caminho de perfeição". Op. cit., p. 365).
A Igreja Católica, “em cuja fé vivo, afirmo viver e prometo viver e morrer” ("Castelo interior", p. 588) e acrescento e SÓ a ela afirmo e prometo servir, os seus direitos defender e a sua mensagem que, é a de Cristo, partilhar com quem a quiser receber.
Estou nestas comunidades cristãs em nome da Igreja e para servir SÓ a Igreja, colaborando com todos, mas em nome da Igreja e para servir SÓ a Igreja, os seus direitos e interesses.
Por vocação e maneira de ser, o serviço à Igreja está acima de tudo, até mesmo daquilo que, depois de Deus, é mais sagrado para mim, a minha família e a própria vida.
Pedirem-me outra coisa, será desconhecimento da missão que pelas mãos da Igreja me confiou o Bom Deus, desconhecimento de quem eu sou, bem como desrespeito e insulto, à Igreja, a Barca segura que me conduz a Deus.
Ao morrer, espero poder dizer do findo do coração e da vida “Morro como filho da Igreja minha queridíssima Mãe!”

quinta-feira, 12 de junho de 2014

 
Jornada «Pro Orantibus»
Domingo da Santíssima Trindade
15 de Junho 2014
O tema deste ano 2014: «Evangelizamos orando». Está em sintonia com o impulso evangelizador do papa Francisco na exortação apostólica “Evangelii Gaudium” e remete ao essencial da vida contemplativa que é a oração.
Os monges e monjas contemplativos evangelizam com o que “são”, mais que com o que “fazem”. A sua própria vocação e consagração são de maneira especial testemunho de fé e instrumento de evangelização. O essencial da evangelização dos contemplativos é mostrar aos demais a beleza da oração. As pessoas consagradas contemplativas ajudam-nos a experimentar o mistério insondável de Deus, que é amor. Fazem-no consagrando as suas vidas a Deus Pai, unidas à acção de graças do Filho Jesus Cristo e colaborando na acção santificadora do Espírito Santo.
+ Vicente Jiménez Zamora
Obispo de Santander
Presidente de la Comisión Episcopal para la Vida Consagrada

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

PALAVRA DE VIDA
Janeiro de 2014
Chiara Lubich
«Cristo, único fundamento da Igreja» (cf. 1 Cor 3, 11) (1).
Estava-se no ano 50 d. C. quando S. Paulo chegou a Corinto. Esta grande cidade da Grécia era famosa pelo importante porto comercial e tinha uma grande vivacidade devido às suas numerosas correntes de pensamento. Foi aí que, durante 18 meses, o Apóstolo anunciou o Evangelho e lançou as bases de uma florescente comunidade cristã. Depois dele, outros continuaram a obra de evangelização. Mas os novos cristãos tinham a tendência de se apegarem às pessoas que lhes levavam a mensagem de Cristo, e não ao próprio Cristo. Surgiam assim as fações: «Eu sou de Paulo», diziam alguns; e outros, sempre referindo-se ao seu apóstolo preferido: «Eu sou de Apolo», ou: «Eu sou de Pedro».
Perante a divisão que perturbava a comunidade, S. Paulo afirma com força que os construtores da Igreja – que ele comparava a um edifício ou a um templo – podem ser muitos, mas o alicerce é só um, a pedra viva: Cristo Jesus.
Sobretudo neste mês, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, as Igrejas e as comunidades eclesiais recordam juntas que Cristo é o seu único fundamento, e que só aderindo a Ele e vivendo o único Evangelho de Cristo podem encontrar a total e visível unidade entre elas.  
«Cristo, único fundamento da Igreja» (cf. 1 Cor 3, 11).
Fundar a nossa vida em Cristo significa ser uma só coisa com Ele, pensar como Ele pensa, querer aquilo que Ele quer, viver como Ele viveu.
Mas como nos podemos fundar, alicerçar n’Ele? Como nos podemos tornar uma só coisa com Ele?
Pondo em prática o Evangelho.
Jesus é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus que se encarnou. E, se Ele é a Palavra que assumiu a natureza humana, nós só seremos verdadeiros cristãos se formos homens e mulheres que impregnam toda a sua vida com a Palavra de Deus.
Se nós vivermos as suas palavras, ou melhor, se as suas palavras viverem em nós, de maneira a tornarmo-nos “Palavras vivas”, seremos um com Ele, estaremos mais próximos d’Ele. Já não viverá o eu ou o nós, mas a Palavra em todos. Verificaremos que, vivendo assim, podemos dar um contributo para que a unidade entre todos os cristãos se torne uma realidade.
Tal como o corpo respira para viver, do mesmo modo a alma, para viver, vive a Palavra de Deus.
Um dos primeiros frutos é o nascimento de Jesus em nós e entre nós. Isto provoca uma mudança de mentalidade: injeta no coração de todos – sejam eles europeus ou asiáticos, australianos, americanos ou africanos – os mesmos sentimentos de Cristo diante das circunstâncias, das pessoas, da sociedade. (…)
A Palavra vivida torna-nos livres dos condicionamentos humanos, infunde alegria, paz, simplicidade, plenitude de vida, luz. Fazendo-nos aderir a Cristo, transforma-nos, pouco a pouco, em outros Ele.
«Cristo, único fundamento da Igreja» (cf. 1 Cor 3, 11).
Mas há uma Palavra que resume todas as outras, é amar: amar a Deus e ao próximo. Jesus sintetiza nesta palavra «toda a Lei e os Profetas» (cf. Mt 22,40).
O facto é que, cada Palavra, embora sendo expressa em termos humanos e diferentes, é Palavra de Deus. Mas, como Deus é Amor, cada Palavra é caridade.
Como viver então este mês? Como nos ligarmos estreitamente a Cristo, «único fundamento da Igreja»? Amando como Ele nos ensinou.
«Ama e faz o que quiseres», disse Santo Agostinho, como que sintetizando a norma de vida evangélica. Porque, quando amamos não erramos, mas realizamos plenamente a vontade de Deus.
1) 1 Cor 3, 11: «Ninguém pode pôr um fundamento diferente do que já foi posto: Jesus Cristo».