sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Manifestai-Vos, Senhor,
de modo tão claro, luminoso,
irresistível e arrebatador,
que eu não possa nem resistir-Vos
nem repelir-Vos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PALAVRA DE VIDA
Fevereiro de 2013
Chiara Lubich
«Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos» (1 Jo 3, 14)
Num momento de graves dificuldades, João escreve às comunidades que ele tinha fundado. Na verdade, começavam a infiltrar-se heresias e falsas doutrinas em matéria de fé e de moral. Notava-se também o ambiente pagão, duro e hostil para com o espírito do Evangelho. E era neste ambiente que os cristãos tinham que viver.
Para os ajudar, o apóstolo indica-lhes o remédio radical: amar os irmãos, viver o mandamento do amor que, desde o início, tinham recebido e no qual ele vê resumidos todos os mandamentos.
Se assim fizerem, saberão o que é “a vida”, isto é, serão cada vez mais introduzidos na união com Deus, farão a experiência de Deus-Amor. E, fazendo esta experiência, serão confirmados na fé e poderão fazer frente a todos os ataques, principalmente em tempo de crise.
«Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos».
«Nós sabemos…». O apóstolo faz referência a um conhecimento que vem da experiência. É como se dissesse: nós experimentámo-lo, tocámos diretamente. Era a experiência que os cristãos que ele evangelizou tinham feito no início da sua conversão: quando se põem em prática os mandamentos de Deus, e de modo especial o mandamento do amor para com os irmãos, entra-se na própria vida de Deus.
Mas, será que os cristãos de hoje conhecem esta experiência? Saberão, sem dúvida, que os mandamentos do Senhor se destinam a ser postos em prática. Jesus insiste continuamente que não basta escutar, é necessário pôr em prática a Palavra de Deus (cf. Mt 5, 19; 7, 21; 7, 26).
O que já não será tão evidente, para a maioria – ou porque o desconhece, ou porque o conhecimento que dele tem é puramente teórico, pois não o experimentou na prática –, é este maravilhoso aspeto da vida cristã que o apóstolo põe em relevo, isto é, que, quando vivemos o mandamento do amor, Deus toma posse de nós. E, um sinal inconfundível disto, é aquela vida, aquela paz, aquela alegria que Ele nos faz saborear já nesta Terra. Então tudo se ilumina, tudo se torna harmonioso. Deixa de existir separação entre a fé e a vida. A fé torna-se aquela força que impregna e une entre si todas as nossas ações.
«Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos».
Esta Palavra de Vida diz-nos que o amor ao próximo é a via mestra que nos leva a Deus. Dado que todos nós somos seus filhos, não há nada que Ele deseje tanto como o amor aos irmãos. Não podemos dar-Lhe maior alegria do que quando amamos os nossos irmãos. E, porque nos traz a união com Deus, o amor fraterno é uma fonte inesgotável de luz interior, é fonte de vida, de fecundidade espiritual, de renovação contínua. Impede que no povo cristão se formem gangrenas, escleroses e águas estagnadas. Numa palavra, “faz-nos passar da morte para a vida”. Pelo contrário, quando falta a caridade, tudo murcha e morre. E compreendem-se então certos sintomas tão difundidos no mundo em que vivemos: a falta de entusiasmo, de ideais, a mediocridade, o tédio, o desejo de evasão, a perda de valores, etc.
«Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos».
Os irmãos de quem o apóstolo fala são, sobretudo, os membros das comunidades de que fazemos parte. Se é verdade que devemos amar todas as pessoas, é também verdade que este nosso amor deve começar por aqueles que habitualmente vivem connosco, para depois se estender a toda a humanidade. Devemos, pois, pensar antes de mais nos nossos familiares, nos colegas de trabalho, nos membros da paróquia, da associação ou comunidade religiosa a que pertencemos. O amor aos irmãos não seria autêntico e bem ordenado se não partisse daqui. Onde quer que estejamos, somos chamados a construir a família dos filhos de Deus.
«Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos».
Esta Palavra de Vida abre-nos perspetivas imensas. Impele-nos para a divina aventura do amor cristão, cujos horizontes são imprevisíveis. Antes de mais, recorda-nos que a resposta a dar ao nosso mundo – um mundo onde se elaboram teorias sobre a luta, a lei do mais forte, do mais astuto, de quem não tem preconceitos; onde, por vezes, o materialismo e o egoísmo parecem paralisar tudo – é o amor ao próximo. É este o remédio que o pode curar. Na verdade, quando vivemos o mandamento do amor, não só se tonifica a nossa vida, mas tudo à nossa volta sente os efeitos disso. É como uma onda de calor divino que se irradia e propaga, penetrando nos tecidos humanos, facilitando o relacionamento entre as pessoas e entre os grupos e transformando pouco a pouco a sociedade inteira.
Decidamo-nos, então. Não nos faltam irmãos para amar em nome de Jesus, temo-los sempre. Sejamos fiéis a este amor. Ajudemos muitos outros a sê-lo. Experimentaremos na nossa alma o que significa união com Deus. A fé reavivar-se-á, as dúvidas desaparecerão. Deixaremos de saber o que é o aborrecimento. A nossa vida ficará cheia, totalmente preenchida.
Este comentário à Palavra de Vida foi publicado em maio de 1985.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


Ante a Eucaristia deixar que Jesus...
"Que fazemos nós pela Eucaristia, quer dizer, por Jesus que se dá irrevogávelmente no mistério pascal até à morte na cruz?
..., penso que não devemos «fazer» algo - pensamos instintivamente nos gestos do culto -, mas deixar-nos amar. Ante a eucaristia devemos deixar que Jesus nos salve, que nos purifique, que seja Ele quem faça tudo e nós recebamos a Sua vida com gratidão. Não temamos estar em silêncio, não encontrar nada que dizer, porque é Ele quem nos fala, quem vem ao nosso encontro com todo o peso da Sua decisão de amor que quer derramar sobre nós; em suma, deixemos que Jesus seja eucaristia, salvação, perdão, piedade, ternura, afecto, purificação para nós. Deixemos que Jesus seja Jesus."
Carlo Maria MARTINI,
in “La trasfiguración de Cristo e del cristiano a la luz del Tabor”,
Sal Terrae, Santander, 2012, pg.101-102.
(tradução da responsabilidade do autor deste blog)

sábado, 5 de janeiro de 2013

PALAVRA DE VIDA
Janeiro de 2013
Chiara Lubich
«Ide aprender o que significa: “Prefiro a misericórdia ao sacrifício”» (Mt 9, 13).
«… Prefiro a misericórdia ao sacrifício».
Talvez se lembrem quando é que Jesus disse estas palavras.
Jesus estava sentado à mesa e alguns publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com Ele. Vendo isso, os fariseus que ali estavam disseram aos discípulos de Jesus: «Porque é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?». E Jesus, ouvindo essas palavras, respondeu:
«Ide aprender o que significa: “Prefiro a misericórdia ao sacrifício”»
Jesus cita aqui uma frase do profeta Oseias, demonstrando o seu apreço pelo conceito que ela contém. De facto, esta frase é a norma segundo a qual Ele próprio se comporta; exprime a primazia do amor sobre qualquer outro mandamento, sobre qualquer outra regra ou preceito.
É nisto que consiste o cristianismo: Jesus veio dizer que Deus quer de nós, no relacionamento com os outros – homens e mulheres –, antes de tudo, o amor. E esta vontade de Deus já tinha sido anunciada nas Escrituras, como revelam as palavras do profeta.
O amor é, para cada cristão, o programa da sua vida, a lei fundamental do seu agir, o critério do seu comportamento.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

 
Cristianismo não é coisa fácil que se consiga a dormir. Ser cristão é empenhar-se profundamente, até às últimas consequências, na construção do Reino de Deus. É fazê-lo crescer em toda a parte, a toda a hora, em casa, na escola, no emprego, no convívio, em toda a parte onde estivermos e pudermos chegar. Como o Filho de Deus o fez, encarnado em Jesus Cristo, vivendo connosco o nosso drama. Ele não nos libertou comodamente. Da mesma maneira, o havemos de fazer aos nossos irmãos.
D. Manuel Clemente, bispo do Porto

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PALAVRA DE VIDA
Dezembro de 2012
Chiara Lubich
«A quantos O receberam, (…) deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12)
Esta é a grande novidade que Jesus anunciou e ofereceu à humanidade: a filiação divina. Tornar-se filhos de Deus mediante a graça.
Mas como e a quem é dada esta graça? «A quantos O receberam» e a quantos O hão de receber ao longo dos séculos. É preciso recebê-Lo na fé e no amor, acreditando em Jesus como nosso Salvador.
Mas tentemos compreender mais profundamente o que significa ser filhos de Deus.
Basta observar Jesus, o Filho de Deus, e a sua relação com o Pai: Jesus invocava o seu Pai como no “Pai-Nosso”. Para ele o Pai era “Abbá”, ou seja, o paizinho, o papá, a quem se dirigia com tons de infinita confidência e de extremo amor.
Mas, já que tinha vindo à Terra por nossa causa, não se limitou a estar só Ele nessa condição privilegiada. Ao morrer por nós, redimindo-nos, tornou-nos filhos de Deus, seus irmãos e suas irmãs, e deu-nos, também a nós, mediante o Espírito Santo, a possibilidade de sermos introduzidos no seio da Trindade. De maneira que também nós podemos usar aquela Sua divina invocação: «Abbá, Pai!» (Mc 14, 36 – Rm 8, 15), ou seja, “papá, meu paizinho”, nosso paizinho, com tudo o que isso representa: certeza da sua proteção, segurança, abandono no seu amor, consolações divinas, força, ardor. O ardor que nasce no coração de quem tem a certeza de ser amado.
«A quantos O receberam, (…) deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». (Jo 1, 12)
Aquilo que nos une a Cristo e nos faz ser, com Ele, filhos no Filho é o batismo e a vida da graça que recebemos com o batismo.
Nesta passagem do Evangelho está também referido o dinamismo profundo desta “filiação”, que se deve atuar dia após dia. Com efeito, é necessário «tornar-se filhos de Deus».
Tornamo-nos, crescemos como filhos de Deus, quando correspondemos à Sua oferta, vivendo a Sua vontade, que está toda concentrada no mandamento do amor: amor a Deus e amor ao próximo.
Receber Jesus significa, pois, reconhecê-Lo em todos os nossos próximos. E também eles poderão ter a oportunidade de reconhecer Jesus e de acreditar n’Ele se, no amor que lhes demonstrarmos, descobrirem uma parcela, uma centelha do amor infinito do Pai.
«A quantos O receberam, (…) deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». (Jo 1, 12)
Neste mês, em que recordamos, de modo especial, o nascimento de Jesus nesta Terra, procuremos aceitar-nos reciprocamente, vendo e servindo o próprio Cristo uns nos outros.
E então uma corrente de amor recíproco, de conhecimento e de vida, como a que liga o Filho ao Pai no Espírito, se instaurará também entre nós e o Pai, e sentiremos aflorar sempre e de novo nos nossos lábios a invocação de Jesus: «Abbá, Pai».
Publicada em Città Nuova, 1998/22, p. 37.