domingo, 10 de julho de 2011

“Deixa que Jesus, por meio do seu Espírito, actue em ti as Bem-Aventuranças;
deixa que siga os seus caminhos para trazer-te as suas alegrias;
deixa que te glorifique para glorificar em ti o seu Pai.
Deixa que atravesse em todas as direcções e profundidades,
para que o teu ser seja única e totalmente seu.
Deixa que consuma a tua vida na sua unidade.
Que actue nos teus sentidos, no teu coração, no teu espírito,
a fim de que, no trabalho acabado possas dizer-lhe:
«Tudo está consumado» (Jo 19, 30),
e abandonar o teu espírito em suas mãos".
POR UN CARTUJO, [Francisco Pollien],
in “«Antologia de autores cartujanos», Itinerário de contemplación”,
Editorial Monte Carmelo, Burgos 2008, pg. 133.

sábado, 9 de julho de 2011

SIM... SIM... SIM
(16º aniversário da "minha" Ordenação Presbíteral)
Urge agradecer ao meu Deus, Uno e Trino, que sem merecimento algum da minha parte me escolheu para o número dos Seus ministros.
Que toda a minha vida, afectos, pensamentos e palavras... sejam um hino “… para louvor da Sua glória…” (Ef 1, 14). Pois, a vida que já não é minha, mas TODA de Deus, só tem sentido e utilidade por reconhecer a importância de Deus para a vida da Humanidade, colocando-O no centro da minha vida. Até porque preciso e desejo que me escolha como morada da Sua eleição: “«Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, Nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada»” (Jo 14, 23), pois a isso me desafia o Santo Evangelho.
Predestinado por Deus Pai, redimido por Cristo, abrasado no fogo de amor do Espírito Santo, tudo em mim, deve tender para glorificar o Deus Uno e Trino “… para louvor da Sua glória…” (Ef 1, 14). Contemplando o Seu “Rosto” me vá deixando, por Ele, “despir das obras das trevas e revestir das armas da luz” (Rm 13, 12), com vista a dizer com o apóstolo Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20), “… para mim, viver é Cristo…” (Fl 2, 21) e com Maria a “Toda Pura” cantar: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.” (Lc 1, 46-47)
Para alcançar a perfeição evangélica,
no serviço de Deus e da Sua Igreja,
percorrer generosa e alegremente, este “divino caminho”,
viver a vida consagrada,
poder dizer com verdade e com a vida:
“…para mim, viver é Cristo…” (Fl 1, 21),
“Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20),
“… para louvor da Sua glória…” (Ef 1, 14),
preciso e conto com a Graça de Deus,
a oração de todos,
a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Santa Maria
e de Todos os Santos.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"A oração
é o modo do ser humano franquear as fronteiras da sua humanidade
para entrar, de algum modo,
no domínio do divino".

frei Herculano Alves OFMCap.

in "Bíblica", ano 57, Julho/Agosto, nº 335, pg. 26.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

PALAVRA DE VIDA
Julho de 2011
Chiara Lubich
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca.»
(Mt 26, 41)
Jesus – durante a sua agonia no Monte das Oliveiras – dirigiu estas palavras a Pedro, Tiago e João, ao vê-los vencidos pelo sono. Ele levara-os consigo – eram os três apóstolos que tinham presenciado a sua transfiguração no monte Tabor – para que estivessem a seu lado naquele momento tão difícil e se preparassem com Ele através da oração. Na verdade, aquilo que estava prestes a acontecer, iria ser uma provação terrível também para eles.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca»
(Mt 26, 41)
Estas palavras – lidas à luz das circunstâncias em que foram pronunciadas –, mais do que uma recomendação feita por Jesus aos discípulos, devem ser vistas como um reflexo do seu estado de alma, ou seja, de como Ele se preparava para a provação. Perante a paixão iminente, Ele reza com todas as forças do seu espírito. Luta contra o medo e contra o horror da morte. Lança-se no amor do Pai para ser fiel, até ao fim, à Sua vontade, e ajuda os seus apóstolos a fazerem o mesmo.
Jesus, aqui, é o modelo de como se deve enfrentar uma provação. Mas, ao mesmo tempo, é como o irmão, que se põe ao nosso lado nesse momento difícil.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca.»
(Mt 26, 41)
A chamada de atenção para a vigilância é muito frequente nas palavras de Jesus. Para Ele, vigiar significa: nunca se deixar vencer pelo sono espiritual; manter-se sempre pronto para ir ao encontro da vontade de Deus; saber reconhecer os sinais que a exprimem na vida de todos os dias; e, sobretudo, saber enfrentar as dificuldades e os sofrimentos à luz do amor de Deus.
E a vigilância é inseparável da oração, porque esta é indispensável para vencer os momentos difíceis. A fragilidade da natureza humana (“a fraqueza da carne”) só pode ser ultrapassada com a força que vem do Espírito.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação.
O espírito está pronto, mas a carne é fraca.»
(Mt 26, 41)
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês?
Também nós temos que nos preparar para os momentos difíceis: as pequenas ou grandes dificuldades que encontramos todos os dias. Dificuldades normais ou provas clássicas, que os cristãos vão encontrar com toda a certeza, mais dia, menos dia. Ora, a primeira condição para se vencer uma prova – seja ela qual for – é a vigilância, diz-nos Jesus. Trata-se de saber discernir e perceber que são dificuldades permitidas por Deus, não para nos desencorajar, mas para que, ao vencê-las, amadureçamos espiritualmente.

E, ao mesmo tempo, devemos rezar. É necessária a oração, pois são duas as tentações em que mais facilmente podemos cair nesses momentos: por um lado, termos a presunção de ser capazes de vencer a prova sozinhos; por outro lado, termos o sentimento oposto, isto é, ficarmos com medo de sucumbir, como se aquela dificuldade fosse superior às nossas forças. Jesus, pelo contrário, garante-nos que o Pai do Céu nunca permitirá que nos falte a força do Espírito Santo, se vigiarmos e se lho pedirmos com fé.

Palavra de Vida, Abril de 1990, publicada em Città Nuova, 1990/6, p. 9.
Jornada Mundial de Oração
pela Santificação dos Sacerdotes
Queira a Virgem Santa lançar o seu olhar carinhoso sobre todos nós, seus filhos predilectos, nesta festa anual do nosso sacerdócio. Coloque, em nosso coração, sobretudo um grande anseio de santidade. Escrevi na Exortação Apostólica Pastores dabo vobis:
«A nova evangelização tem necessidade de evangelizadores novos, e estes são os presbíteros que se esforçam por viver o seu sacerdócio como caminho específico para a santidade» (n. 82).
A Quinta-feira Santa, levando-nos até às origens do nosso sacerdócio, recorda-nos também a obrigação de tender para a santidade, a fim de sermos «ministros de santidade» para os homens e mulheres confiados ao nosso serviço pastoral.
Nesta perspectiva, vem a ser muito oportuna a proposta, sugerida pela Congregação para o Clero, de se celebrar, em cada diocese, um «Dia pela Santificação dos Sacerdotes», por ocasião da festa do Sagrado Coração de Jesus ou noutra data mais apropriada às exigências e costumes pastorais do lugar.
Faço minha esta proposta, almejando que tal iniciativa ajude os sacerdotes a conformarem-se cada vez mais plenamente com o coração do Bom Pastor.
Invocando sobre todos vós a protecção de Maria, Mãe da Igreja e Mãe dos sacerdotes, afectuosamente vos avenço-o.
Carta do Papa João Paulo II aos Sacerdotes por ocasião da Quinta-feira Santa de 1995

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Oração pelos Sacerdotes
da Pastores Dabo Vobis

Maria,
Mãe de Jesus Cristo e Mãe dos sacerdotes
recebei este preito que nós Vos tributamos
para celebrar a vossa maternidade
e contemplar junto de Vós o Sacerdócio
do vosso Filho e dos vossos filhos,
ó Santa Mãe de Deus.
Mãe de Cristo,
ao Messias Sacerdote destes o corpo de carne
para a unção do Espírito Santo
a salvação dos pobres e contritos de coração,
guardai no vosso Coração
e na Igreja os sacerdotes,
ó Mãe do Salvador.
Mãe da fé,
acompanhastes ao templo o Filho do Homem,
cumprimento das promessas feitas aos nossos Pais,
entregai ao Pai para Sua glória
os sacerdotes do Filho Vosso,
ó Arca da Aliança.
Mãe da Igreja,
entre os discípulos no Cenáculo,
suplicastes o Espírito
para o Povo novo e os seus Pastores,
alcançai para a ordem dos presbíteros
a plenitude dos dons,
ó Rainha dos Apóstolos.
Mãe de Jesus Cristo,
estivestes com Ele nos inícios
da Sua vida e da Sua missão,
Mestre O procurastes entre a multidão,
assististe-l'O levantado da terra,
consumado para o sacrifício único eterno,
e tivestes perto João, Vosso filho,
acolhei desde o princípio os chamados,
protegei o seu crescimento,
acompanhai na vida e no ministério
os Vossos filhos,
ó Mãe dos sacerdotes.
Amém!

domingo, 19 de junho de 2011

Elogio da Vida Contemplativa
Pela Graça de Deus, reunidos em Nome do Senhor Jesus Cristo, totalmente enamorados, inspirados e chamados por Deus Uno e Trino: “Nada temas, porque Eu te resgatei e te chamei pelo teu nome; tu és meu” (Is 43, 1), feridos e sedentos do Seu Amor, ansiando viver na Sua Presença: “Anseio sentar-me à sua sombra… (Ct 2, 3) porque eu desfaleço de amor… (Ct 2, 5) procurai aquele que o meu coração ama… (Ct 3, 2) que eu desfaleço de amor… (Ct 5, 8) eu sou para o meu amado e o meu amado é para mim… (Ct 6, 3), “Esta é a geração dos que O procuram, que procuram a face do Deus de Jacob” (Sl 23 [24], 6), desejosos de ser a morada da Sua eleição: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Cor 3, 16), tendo descoberto que uma só coisa é necessária: DEUS (cf. Lc 10, 38-42) pois só em Deus descansa a nossa alma (cf. Sl 61 (62), 2), os Monges que procuram a Deus no Deserto, são chamados, a consagrar-se ao Bem Único que é o próprio Deus. É o Espírito Santo quem assume o comando das suas vidas e os atrai ao Deserto. É Ele quem os toma e que, com o Seu amor, os traz ao Deserto, tornando impossível, da sua parte outra resposta que não um “Sim” pleno e absoluto de amor: “Nem o medo, nem o arrependimento, nem a prudência são o que povoa a solidão dos Mosteiros. É o amor de Deus” (cf. Pio XII). Esta atracção absoluta e irresistível por Deus, que os traz ao Deserto do Monte Santo, leva-os a “viver em obséquio de Jesus Cristo (cf. 2Cor 10, 5), servindo-O fielmente com puro coração e recta consciência (cf. 1Tm 1, 5)" (Regra “Primitiva” da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo), pois a isso são chamados.
São chamados a deixar tudo e seguir Jesus: “ «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me” (Lc 9, 23), por Ele levados ao Monte Santo da Transfiguração: “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado” (Mc 9, 2), para que, libertos de todas as amarras e impedimentos: “«Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração»” (Lc 12, 33-34), possam mergulhar no oceano de Amor do Coração do Pai, conformando as suas vidas com a Sua Vontade na contemplação do Rosto do Verbo, guiados, sustentados e vivificados pela força do Espírito Santo e, sob o olhar maternal da “Toda Pura”. Como partilha São Rafael Arnáiz Barón: “O mosteiro vai ser para mim duas coisas; primeiro um cantinho do mundo onde sem impedimentos possa louvar a Deus noite e dia; e segundo, um purgatório na terra onde possa purificar-me, aperfeiçoar-me e chegar a ser santo… ser santo, diante de Deus e não dos homens; uma santidade que se desenvolva no coro, no trabalho, e sobretudo, uma santidade que se desenvolva no silêncio, e que somente Deus a conheça e que nem eu mesmo dela me dê conta, pois então já não seria verdadeira santidade…”.
“De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles.” (Mc 9, 8). “Só Jesus” (Mc 9, 8), nesta expressão, que conclui a narrativa da Transfiguração encerra-se todo um programa de vida para os Monges que procuram a Deus. É óbvio que, “só Jesus” (Mc 9, 8) não significa que possar deixar de lado o Pai e o Espírito Santo e sim que Jesus é o único lugar no qual Deus-Trindade se manifesta operante e plenamente aos homens. Significa que ninguém vai ao Pai a não ser por meio d’Ele, por meio de Jesus (cf. Jo 14, 6).“Só Jesus” (Mc 9, 8), os pensamentos, projectos e preocupações inúteis voam para longe, fazendo-se no coração um profundo silêncio e uma paz profunda, porque habitado por Deus, Aquele Deus de que temos “absoluta necessidade”, de que temos uma “sede abrasante”.
Como no tempo de Jesus, a Humanidade de hoje “procura” e “tem sede” de Deus. E, mesmo que disso não tenha consciência, precisa e quer que os discípulos de Jesus lhe mostrem o Senhor. Como Tomé, só acredita se vir, na vida dos discípulos, as marcas do Ressuscitado: “Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito” (Jo 20, 25). Que ela, a Humanidade O reconheça, com Ele se encontre e pelo Seu Amor se deixe tocar, é um dos apelos mais profundos que brotam no coração do Monge, que habita no Deserto do Monte Tabor e aí procura DEUS, pois “Jesus é verdadeiramente o único tesouro que temos para dar à humanidade" (Bento XVI, em Lurdes, a 31 de Maio de 2010).
Não só a Humanidade “procura” e “tem sede” de Deus, como Deus nos procura e quer necessitar e ter sede “«Tenho sede!»” (Jo 19, 28) do nosso amor, pelo que, vem ao nosso encontro, faz-se Emanuel, Deus-Connosco e nos questiona do nosso amor por Ele: “«…tu amas-me mais do que estes?» …tu amas-me? ...tu és deveras meu amigo?»” (Jo 21, 15-17). Diante deste Mistério de Amor, os Monges, sente-se chamado a saciar a sede que Deus tem do amor da Humanidade, do “nosso” amor, votando-Lhe um amor generoso, voluntário, gozoso, exclusivo e total. Com a Bem-aventurada Chiara Luce Badano dizem: “Agora não tenho mais nada, porém ainda tenho o coração e com ele posso amar!" Um amor por Deus que é total e radical, porque envolve o corpo, a carne, a inteligência, os afectos… em suma, uma vida que grita: “ para mim, viver é Cristo” (Fl 2, 21), para mim viver, é amar Cristo: “De alma me consagrei, e todo o meu haver, ao Seu serviço. Já não guardo a grei nem tenho outro ofício, porque é, somente, amar meu exercício.” Deus chama por amor, e é por amor que deseja ser correspondido. Só quem ama se entrega para sempre. “O amor é quem povoa a solidão dos Mosteiros" (Pio XII).
Contemplando, em Cristo Transfigurado, a glória Divina, o Monge torna-se o espelho em que Cristo gosta de reflectir essa mesma glória Divina. Pois contemplando, reflecte aquilo que contempla: Permanecendo simples e amorosamente na Sua presença para que possa reflectir em nós a Sua própria imagem como se reflecte o sol no límpido cristal" (Beata Isabel da Santíssima Trindade). Mais ainda, o monge torna-se naquilo que contempla. Contemplando, é transfigurado na imagem que contempla.
Contemplando Cristo, nós nos tornamos semelhantes a Ele, conformamo-nos a Ele, fazemo-nos um só espírito com Ele, consentimos que o Seu mun­do, os Seus propósitos e os Seus sentimentos, a Sua vida se imprimam em nós, que substituam os nossos pensamentos, propósitos e sentimentos… a nossa vida, tornando-nos assim semelhantes a Ele, como diz São João da Cruz “… tenha sempre a alma o desejo contínuo de imitar a Cristo em todas as coisas, conformando-se à sua vida que deve meditar para saber imitá-la e agir em todas as circunstâncias como ele próprio agiria”. Contemplando o Seu “Rosto” vamo-nos deixando, por Ele, “despir das obras das trevas e revestir das armas da luz” (Rm 13, 12), com vista a dizer com o apóstolo Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20) e “… para mim, viver é Cristo…” (Fl 2, 21).
Tal como acontece com todo o baptizado, o Monge, procura fazer a experiência viva de Cristo, o Verbo da Vida: vê-lO com os olhos, escutá-lO com os ouvidos e tocá-lO com as mãos (cf. 1 Jo 1,1). Este, é, contudo, um caminho de fé: “O rosto, que os Apóstolos contemplaram depois da ressurreição, era o mesmo daquele Jesus com quem tinham convivido cerca de três anos e que agora os convencia da verdade incrível da sua nova vida, mostrando-lhes «as mãos e o lado» (Jo 20,20). Certamente não foi fácil acreditar. Os discípulos de Emaús só acreditaram no fim dum penoso itinerário do espírito (cf. Lc 24,13-35). O apóstolo Tomé acreditou apenas depois de ter constatado o prodígio (cf. Jo 20, 24-29).
Deixando ecoar no nosso coração a palavra do Apóstolo Paulo, que nos alerta da urgência e, nos convida a encetar o caminho da conversão de vida: “Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação” (2 Cor 6, 2) de viver só para Deus e na Sua presença: “Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele” (1Ts 5, 9-10), o Monge, assume festiva e luminosamente que o seu carisma é o da contemplação. É chamado à oração, à intimidade com Deus. É da casta dos contemplativos, a sua marca genética é a da contemplação. Em Solidão e no desprendimento do mundo procura este tesouro, esta pérola: a contemplação, a intimidade com Deus que transforma, transfigura e conforma com O Transfigurado.
O monge é o que fixa o seu olhar “só” em Deus, deseja ardentemente, “somente”, a Deus, “só” a Deus se consagra e esforça-se por lhe render um culto indiviso; está em paz com Deus e converte-se em fonte de paz para os demais.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

PALAVRA DE VIDA
Junho de 2011
Chiara Lubich
“Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos,
renovando vossa maneira de pensar e julgar,
para que possais distinguir o que é da vontade de Deus,
a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.”
(Rm 12,2)
Estamos na segunda parte da Carta de São Paulo aos Romanos, em que o Apóstolo descreve a conduta cristã como expressão da vida nova, do verdadeiro amor, da verdadeira alegria e liberdade que Cristo nos doou. É a vida cristã, apresentada como novo modo de enfrentar – com a luz e a força do Espírito Santo – as várias tarefas e problemas com que podemos deparar.
Nesse versículo, estreitamente ligado ao anterior, o Apóstolo mostra o intuito e a atitude fundamentais que deveriam caracterizar todo comportamento nosso: fazer da vida um hino de louvor a Deus, um ato de amor que se prolonga no tempo, buscando constantemente a sua vontade, o que mais lhe agrada.
“Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos,
renovando vossa maneira de pensar e julgar,
para que possais distinguir o que é da vontade de Deus,
a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.”
(Rm 12,2)
É evidente que, para cumprir a vontade de Deus, em primeiro lugar é preciso conhecê-la. Mas, como o Apóstolo dá a entender, isso não é fácil. Não é possível conhecermos bem a vontade de Deus sem uma luz especial que nos ajude a discernir, nas diversas circunstâncias, o que Deus quer de nós, evitando as ilusões e os erros nos quais facilmente poderíamos cair.
Trata-se daquele dom do Espírito Santo que se chama “discernimento”, indispensável para edificarmos em nós uma mentalidade autenticamente cristã.
“Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos,
renovando vossa maneira de pensar e julgar,
para que possais distinguir o que é da vontade de Deus,
a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.”
(Rm 12,2)
E como podemos obter e desenvolver em nós esse dom tão importante? Sem dúvida, isso exige um bom conhecimento da doutrina cristã. Mas ainda não é suficiente. Como o Apóstolo sugere, é principalmente questão de vida, é questão de generosidade, de impulso em viver a palavra de Jesus, deixando de lado receios, incertezas e ponderações medíocres. É questão de disponibilidade e de prontidão em cumprir a vontade de Deus. É esse o caminho para termos a luz do Espírito Santo e formarmos em nós a mentalidade nova que esta Palavra requer.
“Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos,
renovando vossa maneira de pensar e julgar,
para que possais distinguir o que é da vontade de Deus,
a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.”
(Rm 12,2)
Como, então, vamos viver a Palavra de Vida deste mês? Procurando, também nós, merecer a luz necessária para cumprirmos bem a vontade de Deus.
Para tanto, vamos fazer o propósito de conhecer cada vez mais a sua vontade, no modo com que ela se manifesta pela sua Palavra, pelos ensinamentos da Igreja, pelos deveres do nosso estado de vida e assim por diante.
Mas a principal preocupação será com a nossa vivência, pois, como acabamos de ver, é da vida, é do amor que jorra a verdadeira luz. Jesus se manifesta a quem o ama, colocando em prática seus mandamentos. (cf Jo 14,21).
Assim, conseguiremos cumprir a vontade de Deus como o presente mais bonito que temos a lhe oferecer. E este será agradável a Deus, não só por ser expressão do amor, mas também pela luz e pelos frutos de renovação cristã que fará surgir ao nosso redor.
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em Agosto de 1993.