sábado, 12 de junho de 2010

Saúdo cordialmente os presbíteros de língua espanhola, e peço a Deus que esta celebração se converta num vigoroso impulso para continuar vivendo com alegria, humildade e esperança o seu sacerdócio, sendo mensageiros audazes do Evangelho, ministros fiéis dos Sacramentos e testemunhas eloquentes da caridade. Com os sentimentos de Cristo, Bom Pastor, convido-vos a continuar desejando cada dia a santidade, sabendo que não há maior felicidade neste mundo que gastar a vida pela glória de Deus e o bem das almas.
Bento XVI, Homilia de Encerramento do Ano Sacerdotal,
Praça de São Pedro (Roma), 11 de Junho de 2010
(Tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Queridos sacerdotes dos países de língua oficial portuguesa, dou graças a Deus pelo que sois e pelo que fazeis, recordando a todos que nada jamais substituirá o ministério dos sacerdotes na vida da Igreja. A exemplo e sob o patrocínio do Santo Cura d’Ars, perseverai na amizade de Deus e deixai que as vossas mãos e os vossos lábios continuem a ser as mãos e os lábios de Cristo, único Redentor da humanidade. Bem hajam!
Bento XVI, Homilia de Encerramento do Ano Sacerdotal,
Praça de São Pedro (Roma), 11 de Junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Se o povo visse que os sacerdotes se aproximam dos divinos mistérios com temor e tremor reverencial. (...) Os que assim o fazem, resplandecem no céu como o sol entre as estrelas. (...) Terão nos seus corpos gloriosos um sinal (...) no peito (...) em testemunho de que foram dignos Tabernáculos do Santíssimo Sacramento quando o receberam."
Venerável
Madre Maria de Jesus de Agreda oic
"Mistica Ciudad de Dios - Vida de Maria", Libro VI - cap. 11, nº 1202
Edição: MM. Concepcionistas de Agreda (Soria), Madrid, 1992, pg 929
(Tradução do Espanhol ao Português da responsabilidade do autor deste blog)

terça-feira, 1 de junho de 2010

PALAVRA DE VIDA
Junho de 2010
Chiara Lubich
«Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por Minha causa, reencontrá-la-á» (Mt 10, 39).
Ao lermos esta Palavra de Jesus deparamo-nos com dois tipos de vida bem distintos: a vida terrena, que se constrói neste mundo, e a vida sobrenatural, dada por Deus através de Jesus. A vida sobrenatural não acaba com a morte e ninguém no-la pode tirar. Diante da existência podemos, então, ter duas atitudes: apegar-nos à vida terrena, considerando-a como o nosso único bem (e seremos levados a pensar só em nós mesmos, nas nossas coisas, nas criaturas; a fechar-nos na nossa concha, e procurar afirmar o nosso “eu”. No fim, como conclusão, vamos encontrar, inevitavelmente, apenas a morte). Ou, pelo contrário, acreditando que recebemos de Deus uma existência muito mais profunda e autêntica, podemos ter a coragem de viver de modo a merecermos essa dádiva, até ao ponto de sabermos sacrificar a nossa vida terrena pela outra.
«Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por Minha causa, reencontrá-la-á» (Mt 10, 39).
Quando Jesus proferiu estas palavras pensava no martírio. Nós, como qualquer cristão, se quisermos seguir o Mestre e permanecer fiéis ao Evangelho, temos que estar prontos a perder a nossa vida, morrendo - se necessário - até de morte violenta. E, com a graça de Deus, através dessa morte, ser-nos-á dada a verdadeira vida. Jesus foi o primeiro a «perder a sua vida» e a recebê-la de novo, glorificada. Ele avisou-nos previamente para não temeremos «os que matam o corpo e não podem matar a alma» (Mt 10, 28). Hoje diz-nos:
«Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por Minha causa, reencontrá-la-á» (Mt 10, 39).
Se lermos atentamente o Evangelho, veremos que Jesus repete este conceito umas boas seis vezes. É uma prova do valor e da importância que Jesus lhe dá. Mas a exortação a perder a própria vida não é, para Jesus, apenas um convite a suportar até o martírio. É uma lei fundamental da vida cristã.
É preciso estarmos prontos a não fazer da nossa pessoa o ideal da vida. Temos que renunciar à nossa independência egoísta. Se quisermos ser verdadeiros cristãos, temos de fazer de Cristo o centro da nossa existência. E o que é que Cristo quer de nós? Quer o amor pelos outros. Se assumirmos em nós este Seu programa, teremos a certeza de perder o nosso eu e de encontrar a vida.
Sem dúvida, este não viver para nós próprios não é, como se poderia pensar, uma atitude passiva ou de desistência. O empenho do cristão é sempre muito grande e o seu sentido de responsabilidade é total.
«Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por Minha causa, reencontrá-la-á» (Mt 10, 39).
Já nesta Terra podemos fazer a experiência de que, ao darmo-nos aos outros, vivendo no amor, cresce em nós a vida. Quando gastarmos o nosso dia ao serviço dos outros, quando soubermos transformar o trabalho quotidiano - talvez monótono e duro - num gesto de amor, experimentaremos a alegria de nos sentirmos mais realizados.
«Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por Minha causa, reencontrá-la-á» (Mt 10, 39).
E, se seguirmos os preceitos de Jesus, que são todos baseados no amor, depois desta breve existência, vamos encontrar também a Vida eterna.
Lembremo-nos de como será o julgamento de Jesus no último dia. Ele irá dizer aos da sua direita: «Vinde, benditos… Porque tive fome e deste-Me de comer…; era peregrino e recolhestes-Me; estava nu e destes-Me que vestir…» (cf. Mt 25, 34ss). Como condição para podermos participar na existência que não passa, Ele só vai ver se amámos o próximo e vai considerar feito a Si tudo o que tivermos feito ao nosso próximo.
Como viver, então, esta Palavra? Como poderemos perder, desde já, a nossa vida para a voltarmos a encontrar? Preparando-nos para o grande e decisivo exame para o qual nascemos.
Olhemos com atenção à nossa volta e enchamos os dias de actos de amor. Cristo apresenta-se a nós na esposa, no marido, nos nossos filhos, nos colegas de trabalho, de partido, de lazer, etc. Façamos o bem a todos. E não esqueçamos aqueles com quem travamos conhecimento todos os dias através dos jornais, dos amigos, ou da televisão… Façamos qualquer coisa por todos eles, segundo as nossas possibilidades. E, quando tivermos a impressão de ter esgotado todas as possibilidades, podemos ainda rezar por eles. O amor é a coisa mais importante.
Palavra de Vida, Junho de 1999, publicada em Città Nuova, n.º 10/1999, p. 43.

domingo, 23 de maio de 2010

Fogo de Amor...
O Nosso Deus, escrevia São Paulo, é um Fogo que consome, isto é, 'um fogo de amor' que destói, que 'transforma em si próprio tudo o que toca'. (...) Algumas almas 'escolheram este asilo para nele repousarem eternamente. (...) Pensam (...) em afundar-se no Braseiro do amor que nelas arde, e que não é senão o Espírito Santo, esse mesmo Amor que na Trindade é o laço do Pai e do seu Verbo. Elas 'entram n'Ele pela fé viva, e aí, simples, pacificas', são 'elevadas por Ele' acima das coisas, dos gostos sensíveis, 'na treva sagrada' e 'transformadas na imagem' divina. Vivem, segundo a expressão de São João, em «comunhão» com as Três adoráveis Pessoas, a sua vida é 'comum', e é 'isso a vida contemplativa'.
Beata Isabel da Santíssima Trindade
"O Céu na terra, 4º dia - primeira oração"

sábado, 15 de maio de 2010

Intimidade e testemunho
Das muitas coisas que quero recordar e partilhar, a propósito da visita do "Doce Cristo sobre a terra" a Portugal, duas bailam constantemente no meu pensamento, certamente porque gravadas pelo Espírito Santo no meu coração e que tive a graça de escutar directamente. Partilho sem comentar, falam por si:

"...uma graça abundante desça sobre todos vós para viverdes a alegria da consagração e testemunhardes a fidelidade sacerdotal alicerçada na fidelidade de Cristo. Isto supõe, evidentemente, uma verdadeira intimidade com Cristo na oração, pois será a experiência forte e intensa do amor do Senhor que há-de levar os sacerdotes e os consagrados a corresponderem ao seu amor de modo exclusivo e esponsal."
CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS COM OS SACERDOTES, RELIGIOSOS,
SEMINARISTAS E DIÁCONOS, DISCURSO DO PAPA BENTO XVI,
Igreja da SS.ma Trindade - Fátima Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

"No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor em vossos corações (cf. 1 Ped 3, 15)! Não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo..."
BÊNÇÃO DAS VELAS,
DISCURSO DO PAPA BENTO XVI,
Esplanada do Santuário de Fátima Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O sacerdote deve ser gentil sem se rebaixar; acolhedor mas forte, atrair as almas, mas colocando os limites oportunos, discretamente paciente, manso sem excessos e sempre, sempre prudente.
O que faz muito mal aos sacerdotes é a falta de estudo; eles nunca devem colocar de parte o estudo que permite aprofundamentos inesgotáveis. Os livros bons e santos são a salvação dos sacerdotes e o amor por eles os libertará de muitos males.
Para além do estudo permitir ao sacerdote ser culto, competente e estar em dia para poder aconselhar convenientemente e servir somente a Deus e às almas, este estudo constante – repito – libertá-lo-á de uma infinidade de perigos. (…)
Para dedicar tempo ao estudo é necessário recolhimento, virtude esta imprescindível para o coração do sacerdote e para as suas relações com o mundo.
Conchita Cabrera de Armida
in "Como o Pai me amou... 365 pensamentos para o ano sacerdotal",
Editora Cidade Nova, Abrigada, 2010, pg. 157

sábado, 1 de maio de 2010

PALAVRA DE VIDA
Maio de 2010
Chiara Lubich
«Aquele que Me ama
será amado por Meu Pai,
e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-Ei a ele» (Jo 14, 21).
O ponto central do último discurso de Jesus é o amor: o amor do Pai pelo Filho e o nosso amor por Jesus, que significa cumprir os Seus mandamentos.
Para as pessoas que escutavam Jesus, não era difícil reconhecer nas Suas palavras um eco do Livro da Sabedoria: «Amar (a Sabedoria) é obedecer às suas leis» (Sab 6, 18) e «os que amam a Sabedoria, descobrem-na facilmente» (cf. Sab 6, 12). Sobretudo, aquele "manifestar-Se a quem O ama", encontra um paralelismo no Antigo Testamento em Sab 1, 2, onde se diz que o Senhor Se revela «aos que não perdem a fé n'Ele».
Ora o sentido da Palavra, que propomos para este mês, é: quem ama o Filho é amado pelo Pai e é amado também pelo Filho, que se manifesta a ele.
«Aquele que Me ama
será amado por Meu Pai,
e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-Ei a ele» (Jo 14, 21).
Mas, para que Jesus se manifeste, é preciso amar.
Não se pode imaginar um cristão que não tenha esse dinamismo, essa força de amor no coração. Um relógio não funciona, não mostra as horas – e pode dizer-se até que nem é um relógio –, se não tiver corda ou pilhas. Assim um cristão, se não estiver sempre pronto a amar, não merece o nome de cristão.
Isto porque todos os mandamentos de Jesus se resumem num único: no preceito de amar a Deus e amar o próximo. E, em cada próximo, vê-se e ama-se Jesus.
O amor não é um mero sentimentalismo. Traduz-se numa vida concreta, no serviço aos irmãos – sobretudo àqueles que estão ao nosso lado –, começando pelas coisas pequenas, pelos serviços mais humildes.
Charles de Foucauld diz: «Quando amamos alguém, identificamo-nos plenamente com ele, identificamo-nos com o amor, vivemos nesse alguém com o amor; já não vivemos em nós, estamos "desprendidos" de nós, "fora" de nós» (Charles de Foucauld, Scritti Spirituali, VII, Ed. Città Nuova, Roma 1975, p. 110).
E é com este amor que a Sua luz, a luz de Jesus pode penetrar em nós, segundo a Sua promessa: «Àquele que Me ama... manifestar-Me-ei a ele» (cf. Jo 14, 21). O amor é fonte de luz: quando amamos, compreendemos melhor Deus, que é Amor.
E isso faz com que amemos ainda mais e aprofundemos o relacionamento com aqueles com quem contactamos.
Essa luz, esse conhecimento amoroso de Deus é, portanto, o sinal, a prova do verdadeiro amor. E podemos experimentá-la de várias maneiras. Porque, em cada um de nós, a luz assume uma cor, uma tonalidade diferente. Mas tem características comuns: ilumina-nos acerca da vontade de Deus, dá-nos paz, serenidade e uma compreensão nova da Palavra de Deus. É uma luz quente, que nos estimula a avançar pelo caminho da vida de um modo cada vez mais firme e rápido. Quando as sombras da existência tornarem incerto o nosso caminho, quando nos sentirmos até bloqueados pela escuridão, esta Palavra do Evangelho recordar-nos-á que a luz acende-se com o amor e que será suficiente um gesto concreto de amor, até pequeno (uma oração, um sorriso, uma palavra), para nos dar aquele fio de esperança que nos permite ir em frente.
Quando nós andamos de bicicleta, à noite, se pararmos, ficamos na escuridão. Mas, se voltarmos a pedalar, o dínamo fornecerá a corrente necessária para iluminar o caminho.
Assim acontece na vida: basta voltar a pôr em acção o verdadeiro amor – o amor que dá, sem esperar nada em troca – para reacendermos em nós a fé e a esperança.
Palavra de Vida, Maio de 1999, publicada em Città Nuova, n.º 8/1999, p. 49