sábado, 14 de março de 2009

Senhor, queria tanto viver esta QUARESMA,
como se fosse a última da minha vida.
Queria tanto aproveitar este tempo Santo de Graça,
que me concedeis,
para dar passos de gigante rumo a Vós
e que quando chegasse a Páscoa, pudesse dizer com São Paulo,
pelo menos um pouquinho mais do que o posso dizer agora:
"Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim".
Senhor, abri os meu olhos,
e ajudai-me a entender com o coração e com a vida
que, a QUARESMA:
é tempo de encontro com Jesus Cristo,
é tempo de comunhão com o Divino,
é tempo de viver em relação próxima com o Transcendente,
é tempo de respirar Eternidade,
é tempo de me deixar habitar e envolver pela Trindade,
é tempo de contemplar o Vosso Rosto,
é tempo de mergulho no Divino, de mergulhar em Vós.
Senhor, ajudai-me a entender com o coração e com a vida
que, a QUARESMA
:
é tempo de encontro pessoal com os Homens meus irmãos,
é tempo de comunhão com a Humanidade,
é tempo para viver mais próximo do outro,
é tempo de transpirar Eternidade,
é tempo de estender as minhas mãos, de tocar, de curar...,
é tempo de descobrir no rosto do meu irmão, o Vosso Rosto,
é tempo de Divina aventura...
... É TEMPO DE VOS AMAR E AMAR O PRÓXIMO,
COMO VÓS ME ENSINAIS.

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Sede santos porque Eu Sou Santo".
Seja qual for o nosso estado de vida
ou a roupa que envergamos,
cada um de nós tem que ser o santo de Deus.
Quem é pois mais santo?
Quem mais ama,
quem contempla mais a Deus
e satisfaz mais plenamente as exigências do Olhar Divino.
Como satisfazer as exigências do Olhar Divino?
Permanecendo simples e amorosamente na Sua presença
para que possa reflectir em nós a Sua própria imagem
como se reflecte o sol no límpido cristal.
beata Isabel da Santíssima Trindade ocd

quinta-feira, 12 de março de 2009

A montanha do Tabor como o Sinai é o lugar da proximidade com Deus. É o espaço elevado, em relação à existência quotidiana, .... . É o lugar da oração, no qual estar na presença do Senhor, ... . A Transfiguração é um acontecimento de oração: rezando, Jesus imerge-se em Deus, une-se intimamente a Ele, adere com a própria vontade humana à vontade de amor do Pai, e assim a luz invade-o e torna-se visível a verdade do seu ser: Ele é Deus, Luz da Luz. Também a veste de Jesus se torna branca e resplandecente. Isto faz pensar no Baptismo, na veste branca que os neófitos traziam. Quem renasce no Baptismo é revestido de luz antecipando a existência celeste, que o Apocalipse representa com o símbolo das vestes brancas (cf. Ap 7, 9.13). Encontra-se aqui o ponto central: a transfiguração é antecipação da ressurreição, mas esta pressupõe a morte. Jesus manifesta aos Apóstolos a sua glória, para que tenham a força de enfrentar o escândalo da cruz e compreendam que é preciso passar através de muitas tribulações para alcançar o Reino de Deus. A voz do Pai, que ressoa do alto, proclama Jesus seu Filho predilecto como no Baptismo no Jordão, acrescentando: "Ouvi-O" (Mt 17, 5). Para entrar na vida eterna é preciso ouvir Jesus, segui-lo pelo caminho da cruz, levando no coração como Ele a esperança da ressurreição. "Spe salvi", salvos na esperança. Hoje podemos dizer: "Transfigurados na esperança".
Bento XVI, Angelus de 17.Fevereiro.2008
(II Domingo da Quaresma)

domingo, 8 de março de 2009

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear. Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados. Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos. Eles guardaram a recomendação, mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.
Mc 9, 2-10

sexta-feira, 6 de março de 2009

Oração de Santo Efrém,
para a Quaresma

Senhor das nossas vidas,
afastai de nós o espírito da preguiça,
do desalento,
do domínio
e das palavras inúteis.

Lembrai aos vossos servos,
o espírito da castidade, da humildade,
da perseverança e da caridade.
Sim, nosso Senhor e nosso Rei,
concedei-nos a graça
de ver os nossos pecados

e de não julgar os nossos irmãos,
porque Vós Sois bendito
agora e pelos séculos dos séculos.

Ámen.
Santo Efrém, o Sírio (Séc. IV), Monge

domingo, 1 de março de 2009

PALAVRA DE VIDA
Março de 2009
Chiara Lubich
«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará». (Jo 16, 23)
O mais absurdo espectáculo a que podemos assistir neste mundo é, por um lado, a presença de pessoas à deriva, sempre à procura de qualquer coisa e que, nas inevitáveis provações da vida, sentem a angústia, a necessidade de ajuda e a sensação de orfandade; e, por outro lado, a realidade de Deus, Pai de todos, que outra coisa não deseja senão usar da Sua Omnipotência para satisfazer os desejos e as necessidades dos Seus filhos.
É como um vazio que requer uma plenitude. É como uma plenitude que requer um vazio. Mas que não se encontram.
A liberdade de que o homem é dotado pode provocar também este dano.
Mas Deus não cessa de ser Amor para aqueles que O reconhecem. Oiçamos o que diz Jesus:
«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará». (Jo 16, 23)
Estamos perante uma daquelas palavras ricas de promessas que Jesus repete de vez em quando no Evangelho. Através delas ensina-nos, com tonalidades e explicações variadas, como obter aquilo de que precisamos. (...)
Só Deus pode falar assim. As Suas possibilidades não têm limites. Todas as graças estão em Seu poder: as graças terrenas, as graças espirituais, as possíveis e as impossíveis. Mas temos que ouvir com atenção. Ele sugere-nos "como" nos devemos apresentar ao Pai para fazer o nosso pedido. «Em Meu nome», diz.
Se tivermos um pouco de fé, estas palavras podem dar-nos asas.
No fundo, Jesus, que viveu aqui na Terra connosco, tem pena de nós. Ele conhece as infinitas necessidades que nós temos, que cada um tem. E então, em tudo aquilo que se refere à oração, interessou-se Ele directamente e é como se nos dissesse: «Vai ter com o Pai em Meu nome e pede-Lhe isto, e mais aquilo, e mais aquilo». Ele sabe que o Pai não pode dizer-Lhe que não. Ele é o Seu Filho e é Deus.
Não vamos ter com o Pai em nosso nome, mas em nome de Cristo. Lembram-se do provérbio: «Quem é mensageiro não merece castigo»?
Nós, indo ter com o Pai em nome de Cristo, funcionamos como um simples mensageiro.
Os negócios resolvem-se entre os dois interessados.
É assim que rezam muitíssimos cristãos que poderiam testemunhar-nos as graças sem número que receberam. Essas graças revelam, quotidianamente, que sobre eles vigia atenta e amorosamente a paternidade de Deus.
«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará». (Jo 16, 23)
A este ponto pode ser que alguém me diga: «Eu já pedi, pedi até no nome de Cristo, mas não recebi nada».
Pode acontecer. Eu disse já que Jesus, noutros passos do Evangelho, convida a pedir e dá em seguida explicações, que talvez nos tenham escapado.
Ele diz, por exemplo, que recebem, aqueles que «permanecem» n'Ele - quer dizer, na Sua Vontade. (…)
Ora, pode ser que tenhamos pedido uma coisa que não esteja de acordo com o desígnio que Deus tem sobre nós e Deus não considera útil à nossa existência nesta Terra ou na Outra vida, ou ache até prejudicial.
Como poderia Ele, que é nosso Pai, atender-nos nesses casos? Estaria a enganar-nos.
E isso Ele nunca vai fazer. Então será melhor que, antes de rezarmos, combinemos com Ele e Lhe digamos: «Pai, eu gostaria de Te pedir isto em nome de Jesus, se Te parecer oportuno». E, se a graça pedida se conciliar com o plano que Deus, no seu Amor, pensou para nós, realizar-se-á a Palavra:
«Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-la dará». (Jo 16, 23)
Pode acontecer também que peçamos graças, mas não tenhamos a mínima intenção de adequar a nossa vida àquilo que Deus pede.
Também neste caso, achavam justo que Deus nos atendesse? Ele não nos quer dar simplesmente um presente, quer oferecer-nos a felicidade total. E esta obtém-se procurando viver os mandamentos de Deus, as Suas Palavras. Não basta só pensar nelas, nem limitar-se a meditá-las. É necessário vivê-las.
Se assim fizermos, havemos de obter tudo. Concluindo: queremos obter graças? Podemos pedir tudo o que quisermos, em nome de Cristo, se fixarmos antes de mais a nossa atenção na Sua Vontade, com a decisão de obedecer à Lei de Deus. Deus fica felicíssimo por nos dar graças. Infelizmente, na maioria das vezes somos nós que Lhe fechamos as nossas mãos.
Palavra de Vida, Novembro de 1978, publicada integralmente em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Roma, 1980, pp. 123-126.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mensagem para a Quaresma 2009
de D. José Alves, arcebispo de Évora

A Quaresma foi instituída pela Igreja para preparar a Páscoa, principal solenidade da fé cristã e núcleo central de todo o ano litúrgico. Assim como o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo é o cume da História da Salvação, assim também a Páscoa é o auge de todas as celebrações litúrgicas. A Igreja, para levar os cristãos a compreenderem a importância da Páscoa e para os ajudar a prepararem-se convenientemente para a sua celebração, alongou o período de preparação pelo espaço de quarenta dias, em memória dos quarenta anos que o Povo de Israel viveu no deserto e dos quarenta dias que Jesus dedicou à oração e ao jejum, em atitude de abandono e confiança no Pai, para preparar o início da Sua missão messiânica.
A Igreja propõe aos fiéis a Quaresma como tempo de treino espiritual intenso, destinado à purificação espiritual, pelo recurso mais assíduo às práticas de ascese, herdadas do Antigo Testamento e por ela purificadas, segundo o Espírito de Jesus Cristo, a saber: a oração, o jejum e a esmola. Estas três práticas aparecem, quase sempre, associadas entre si, porque são complementares. Completam-se, explicam-se e implicam-se mutuamente. Pois todas têm como finalidade última ajudar o crente a entrar em intimidade com Deus.
Apesar dessa relação especial entre as três práticas de ascese quaresmal, fixemo-nos apenas no jejum, conforme o papa Bento XVI nos recomendou na sua mensagem quaresmal.
Com efeito, a prática do jejum perde-se nas sombras da história. As suas motivações são religiosas e é praticado nas religiões pagãs, no judaísmo e no islamismo. A religião cristã sempre o praticou, desde os primeiros tempos até aos nossos dias. A razão deste procedimento encontramo-la profusamente justificada nos livros da Sagrada Escritura e em toda a tradição cristã. Na Sagrada Escritura, o jejum é-nos apresentado como meio para exercitar a humildade e para implorar o perdão dos pecados; como forma de preparação para os grandes acontecimentos e para se apresentar diante de Deus, implorando graças e favores para alguma pessoa ou para a comunidade; como purificação interior e abertura à luz divina; como meio de exprimir o abandono total nas mãos de Deus e a confiança na Sua providência. Numa palavra, o jejum é uma grande ajuda para nos libertar do pecado e de tudo o que a ele conduz.
Jesus Cristo também jejuou mas manifestou uma atitude crítica para com o jejum tal como era praticado, no seu tempo, particularmente, pelos fariseus. Como já tinham feito anteriormente os profetas, Jesus censurou os que jejuavam por mero ritualismo ou até por vaidade. Por isso afirmou: quando jejuardes não mostreis um rosto sombrio como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam (…) tu, porém, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens (Mt 6, 16-17). Jesus respeitava os que jejuavam mas não mandou jejuar os seus discípulos, certamente, para se distanciar do ritualismo farisaico. Porém, sugeriu que, mais tarde, quando fossem iluminados pela luz da fé na Ressurreição, eles iriam recorrer ao jejum como meio de purificação interior, para melhor conhecer e cumprir a vontade de Deus. Jesus preferiu insistir no desapego dos bens (Mt 19,21) e na renúncia a si mesmo (Mt 10,38), pois o jejum não tem valor por si. Vale na medida em que nos ajuda a compreender a precariedade dos bens materiais e nos abre o espírito para as realidades espirituais. É esse o verdadeiro sentido do jejum.
Nas sociedades ocidentais, consideradas sociedades de abundância e eivadas de materialismo, o jejum, por motivos religiosos e ascéticos, tem vindo a perder sentido. No entanto, continua a ser praticado com finalidades terapêuticas ou por outras razões, sejam elas de carácter estético ou de carácter desportivo. A própria Igreja aliviou a disciplina do jejum ao longo dos tempos. Actualmente, o jejum é proposto apenas em dois dias no ano: um no princípio e outro no fim da Quaresma, respectivamente, quarta-feira de cinzas e sexta-feira santa. Curiosamente, por livre iniciativa de alguns grupos de cristãos que, em contacto com a Bíblia e com as fontes do cristianismo, descobriram o genuíno sentido do jejum e a sua eficácia no progresso espiritual, a prática do jejum tem vindo a ser implementada. Talvez seja este um sinal dos novos tempos que se avizinham.
A Igreja considera o jejum como uma forma de mortificar o próprio egoísmo e de abrir o coração ao amor de Deus e do próximo. A privação voluntária dos alimentos cria disposição interior para ouvir a Palavra que sai da boca de Deus e sacia a outra fome bem mais profunda do que a fome de pão. O jejum sensibiliza-nos para a privação a que estão sujeitos tantos dos nossos irmãos aos quais falta o mínimo indispensável para garantir a própria subsistência e vivem na expectativa de que alguém, com coração de bom samaritano, se incline sobre eles para os alimentar e os cuidar.
O jejum, como prática de ascese, precisa de ser redescoberto, à luz da palavra revelada, da boa tradição cristã e dos exemplos de grandes personagens de espiritualidade do nosso tempo. Nesse sentido, o papa Bento XVI, na sua mensagem quaresmal, encoraja as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Fazendo-me eco das palavras do papa, também eu convido as comunidades e cada um dos cristãos da nossa Arquidiocese a que observem o jejum, ao menos, nos dois dias acima referidos: quarta-feira de cinzas e sexta-feira santa.
Seguindo o exemplo das primeiras comunidades cristãs, todos somos convidados a oferecer as economias que resultaram dos nossos dias de jejum. Dessa forma poderemos associar o jejum quaresmal com o amor ao próximo. E nesse sentido, proponho que o valor atribuído aos alimentos a que renunciámos, nos dias de jejum, seja doado a favor do nosso Seminário de S. José em Vila Viçosa. Como é do conhecimento geral, o edifício foi submetido a grandes obras de restauro, a fim de o tornar mais funcional e acolhedor para os jovens que aí começam a sua caminhada para o sacerdócio. As obras estão concluídas mas não estão pagas. Contamos com a generosidade do povo cristão que irá ser o primeiro e principal beneficiário dos sacerdotes que aí iniciarem a sua formação vocacional.
Como tem sido hábito nos últimos anos, confio à Caritas Diocesana a organização da campanha da renúncia quaresmal deste ano, cujo produto final será entregue ao Seminário de S. José, no decorrer de uma celebração eucarística no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, nossa Padroeira, a cuja protecção encomendo, mais uma vez, toda a Diocese.
+José, Arcebispo de Évora