segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PALAVRA DE VIDA
Outubro de 2012
Chiara Lubich
«Porque Tu o dizes, lançarei as redes» (Lc 5, 5)
Quando acabou de ensinar, sentado no barco de Simão, Jesus disse a ele e aos seus companheiros para lançarem as redes ao mar. Simão, depois de afirmar que durante toda a noite tinham trabalhado em vão, acrescentou: «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».
E, lançando as redes, estas ficaram de tal modo cheias de peixe que se iam rompendo. Vieram então alguns companheiros ajudá-lo e também eles encheram os seus barcos a ponto de quase se afundarem. Simão, estupefacto – como também Tiago e João, seus companheiros –, ­lançou-se então aos pés de Jesus, pedindo-lhe que se afastasse dele, que era pecador. Mas Jesus disse-lhe para não temer: a partir daquele momento tornar-se-ia pescador de homens E, no mesmo instante, Simão, Tiago e João tornaram-se seus discípulos.
Este é o episódio da pesca milagrosa, que simboliza a futura missão dos Apóstolos. O comportamento de Pedro é modelo, não só para os outros Apóstolos e para aqueles que lhe sucederam, mas também para cada cristão.
«Porque Tu o dizes, lançarei as redes». (Lc 5, 5)
Depois de uma noite infrutífera, Pedro, especialista em pesca, pode­ria ter sorrido e recusado aceitar o convite de Jesus a lançar as redes de dia, o momento menos adequado. Pelo contrário, passando por cima do seu modo de pensar, confiou em Jesus.
Esta é uma situação típica pela qual também hoje cada crente, precisa­mente por ser crente, é chamado a passar. De facto, a sua fé é posta à prova de mil maneiras.
Seguir Cristo significa decisão, empenho e perseverança, ao passo que, neste mundo em que vivemos, tudo parece convidar ao relaxamento, à mediocridade, ao “deixar andar”. A tarefa parece demasiado grande, impossível de alcançar, e, já à partida, desti­nada a fracassar.
É preciso, então, ter a força de ir em frente, de resistir ao ambiente, ao contexto social, aos amigos, aos media.
É uma dura prova a combater dia após dia, ou melhor, hora após hora.
Mas, se a enfrentarmos e a aceitarmos, ela poderá servir para nos fazer amadurecer como cristãos, para nos fazer experimentar que as extraordinárias palavras de Jesus são verdadeiras, que as Suas pro­messas se realizam, que se pode iniciar na vida uma aventura divina muito mais fascinante do que todas as outras que possamos imaginar. Podemos ser testemunhas, por exemplo, de que – enquanto no mundo a vida é, muitas vezes, penosa, monótona e infrutífera – Deus enche de bens quem O segue: dá o cêntuplo nesta vida, além da vida eterna. É a pesca milagrosa que se renova.
«Porque Tu o dizes, lançarei as redes». (Lc 5, 5)
Como pôr em prática, então, esta Palavra?
Fazendo também nós a escolha de Pedro: «Porque Tu o “dizes”...». Ter confiança na Sua Palavra, nunca duvidar daquilo que Ele pede. Pelo contrário: basear o nosso comportamento, a nossa atividade, a nossa vida na Sua Palavra.
A nossa existência colocará os seus alicerces no que há de mais sólido e seguro. Iremos contemplar estupefactos que, precisamente quando todas as forças humanas escasseiam, Ele intervém. E que ali, onde humanamente é impossível, nasce a Vida.
(Escrita em 1983)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fábula do belo cacho de uvas…
(alegoria sobre a vida consagrada)
“«Nada temas, porque Eu te res­gatei,
e te chamei pelo teu nome;
tu és meu.»
(Is. 43, 1)
Época das vindimas. As vinhas estão carregadas de belos e atractivos cachos de uvas… o Bondoso Vindimador, munido da sua tesoura de poda, prepara-se para colher um belo cacho de uvas. Grande, cheio de belas e luzidias uvas, todas sadias, no auge da sua frescura … mesmo no ponto.
Ao ver que se aproxima a tesoura, o belo cacho lamenta-se e recusa-se a ser colhido:
- Ó Bondoso Vindimador, porque queres separar-me da minha cepa?! Não o faças, foi ela que me deu a vida, alimentou, fez crescer e tornou neste belo e apetitoso cacho… não me colhas.
O Bondoso Vindimador responde:
- Não devo satisfazer a tua vontade, belo cacho de uvas, tenho planos muito bons para ti… vais encher de alegria o coração dos Homens. Se te deixo ficar na cepa, com o tempo vais perder a beleza, o frescor e acabarás por secar, sem ter sido útil a ninguém. É isso que queres?
- Não, Bondoso Vindimador – responde o belo cacho de uvas – podes separar-me da minha cepa, pois quero ser útil e dar alegria ao coração dos Homens.
E o Bondoso Vindimador colheu o belo cacho de uvas que entregou ao Experiente Adegueiro.
Chegando à adega, o Experiente Adegueiro, lança o belo cacho de uvas no tegão e prepara-se para o pisar, a fim de lhe extrair o aromático e precioso sumo.
Vendo aproximar-se os pés nus do Experiente Adegueiro, prontos a pisá-lo, o belo cacho de uvas lamenta a sua sorte:
- Ó Experiente Adegueiro, porque me queres pisar, olha que vais desfazer-me. O meu engaço e grainhas vão separar-se do meu aromático e precioso sumo… Eu te peço, não o faças.
Ao lamento, do belo cacho de uvas, responde a voz meiga e firme do Experiente Adegueiro:
- Belo cacho de uvas, não devo satisfazer a tua vontade, pois tenho planos muito bons para ti, vais encher de alegria o coração dos Homens. Por isso, tenho que te esmagar, para purificar e separar o teu engaço e grainhaste  do teu doce, aromático e precioso sumo. Se te deixo ficar no tegão, com o tempo, vais perder a beleza, o frescor e acabarás por apodrecer, sem ter sido útil a ninguém. É isso que queres?
- Não, Experiente Adegueiro – responde o belo cacho de uvas – podes pisar-me e separar o engaço e grainhas do meu doce, aromático e precioso sumo. Quero ser útil e dar alegria ao coração dos Homens.
Então, o Experiente Adegueiro, pisou e voltou a pisar o belo cacho de uvas, separando cuidadosamente o doce, aromático e precioso sumo de todas as impurezas.
Quando por fim, purificado o doce, aromático e precioso sumo do belo cacho de uvas, este foi lançado numa cuba escura de carvalho e por lá ficou esquecido, o doce, aromático e precioso sumo do belo cacho de uvas pensou:
- Não sei de que forma, mas o Bondoso Vindimador e o Experiente Adegueiro disseram-me que devo alegrar o coração dos Homens… vou aguardar confiante esse momento.
Muito tempo depois, quando parecia que todos se tinham esquecido do doce, aromático e precioso sumo do belo cacho de uvas, eis que, num dia de festa alguém o lembrou. O Jovem Servente dirigiu-se apressado à adega, onde estava a cuba de carvalho, aquela onde repousava esquecido, mas confiante, o doce, aromático e precioso sumo, do belo cacho de uvas. Abriu a torneira da cuba, pronto a encher um grande e cristalino jarro de vidro com o generoso vinho…
- Ó Jovem Servente – diz o generoso vinho – não me lances no cristalino jarro de vidro, estou tão bem aqui na cuba de carvalho, tão tranquilo e sossegado, deixa-me ficar…
Ao lamento do generoso vinho, responde a voz Jovial do Servente:
- Generoso vinho, não devo satisfazer a tua vontade, pois tenho planos muito bons para ti, vais encher de alegria o coração dos Homens. Por isso, tenho que te tirar do teu repouso e servir-te aos convivas que aguardam …. Se te deixo ficar na cuba de carvalho, com o tempo vais perder a beleza, o bom aroma e acabarás por azedar, sem ter sido útil a ninguém. É isso que queres?
- Não, Jovem Servente – respondeu o generoso vinho – podes servir-me aos convivas, quero ser útil e dar alegria ao coração dos Homens.
O generoso vinho, do doce, aromático e precioso sumo, do belo cacho de uvas é servido abundantemente, pelo Jovem Servente, aos convivas que se alegram ao bebê-lo… este, muito feliz, pensa:
- Que alegria, ainda bem que confiei no Bondoso Vindimador, no Experiente Adegueiro e me deixei servir pelo Jovem Servente… assim, posso ser útil e dar alegria ao coração dos Homens.
Moral da história:
- No Bondoso Vindimador, no Experiente Adegueiro e no Jovem Servente: Deus Uno e Trino, que quer fazer da nossa, uma vida bela, doce, aromática, preciosa, generosa e feliz. Uma vida luminosa que se gasta, sem reservas, para o bem dos irmãos, 14...para louvor da Sua glória...” (Ef 1, 14).
- Para que tal aconteça, é forçoso, tomar a cruz e segui-lo (cf. Lc 9, 23); confiar n’Ele e fazer o que nos diga (cf. Jo 2, 5); deixarmo-nos separar da cepa: 29quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, juntamente com perseguições, e, no tempo futuro, a vida eterna” (Mc 10, 29-30); permitir que nos esmague no tegão: 25...purificar-te-ei no crisol, eliminarei de ti todas as escórias.” (Is 1, 25); deixando que nos sirva para bem dos irmãos, pois há mais felicidade em darmo-nos do que em receber (cf. Act 20, 35).
- Só assim, a nossa existência ganha sentido, e pelos frutos de santidade que dela brotem, se torna útil e agradável a Deus e aos irmãos, porque imagem e reflexo da vida do próprio Deus: 20Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Pois, 42uma só coisa é necessária” (Lc 10, 42), DEUS: 1...já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. 2Aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra. 3Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 1-3).
- É que, 18Estou convencido de que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há-de revelar-se em nós.” (Rm 8, 18)
Borba
21 e 22 de Setembro de 2012
P. Marcelino José Moreno Caldeira

domingo, 2 de setembro de 2012

PALAVRA DE VIDA
Setembro de 2012
Chiara Lubich
«Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna» (Jo 4, 13-14).
A conversa de Jesus com a Samaritana, perto do poço de Jacob, é uma verdadeira pérola do Evangelho. Jesus fala da água como o elemento mais simples, mas que, no fundo, é o mais desejado e mais vital para quem está em contacto com o deserto. Jesus não precisava de dar muitas explicações para fazer compreender o que significava a água.
A água da fonte serve para a nossa vida natural, ao passo que a água viva, de que Jesus fala, serve para a vida eterna.
Tal como o deserto só floresce depois de uma chuva abundante, também as sementes sepultadas em nós desde o Baptismo só podem germinar se forem regadas com a Palavra de Deus. Então a planta cresce, dá novos rebentos e ganha a forma de uma árvore ou de uma lindíssima flor. E tudo isso porque recebe a água viva da Palavra que faz surgir a vida e a mantém para a eternidade.
«Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna».


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Transparência do Rosto de Deus
“… concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto…” (da Oração Colecta da Solenidade da Assunção de Nª Srª), “… fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós...” (Oração Sobre as Oblatas da Solenidade da Assunção de Nª Srª), “O templo de Deus abriu-se no Céu ... Apareceu no Céu um sinal grandioso: ... E apareceu no Céu outro sinal: … A cauda arrastava um terço das estrelas do céu … E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: ...” (cf. Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab).
Aos mais distraído, pode parecer que os textos da Missa da Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Santa Maria, convidam a comunidade cristã a assumir uma atitude de alienação frente à vida: “aspiremos às coisas do alto”, “que os nossos corações se dirijam continuamente para Vós”, “Céu… Céu… Céu… Céu e Céu…”.
Mas de facto, não é assim… A necessidade absoluta de Deus e das “coisas” do alto que, o Bom Deus plantou no nosso coração e que, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos convida a valorizar, alimentar e fazer crescer, não nos aliena. Pelo contrário, mergulhando em Deus e na Sua vida, o nosso olhar purifica-se de interesses mesquinhos e humanos, passamos a ver com os olhos do próprio Deus, o que nos torna mais sensíveis às dores e necessidades da Terra. O que faz de cada cristão, gente mais solidária, gente em quem desabrocha uma necessidade absoluta de se empenhar na construção de um mundo melhor, mais humano, mais luminoso e belo. De um mundo que seja transparência do Rosto de Deus.
De Maria, aprendamos a ser e viver assim… pois, o Seu canto do Magníficat brota de um coração e de uma vida completamente encantados, enamorados, necessitados e cheios do Deus de quem é Filha, Mãe e Esposa.
Contudo e, mesmo se, como o girassol, não pode viver e deixar de nutrir-se de Deus Seu Salvador que poisou sobre ela o Seu Olhar (cf. Lc 1, 48), “pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha” (Lc 1, 39) e “ficou junto de Isabel cerca de três meses” (Lc 1, 56) para lhe valer, a aliviar e servir.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração do Beato Domingos de Borba. Deixando-se aprisionar por uma necessidade absoluta de Deus, permitiu que a Graça lhe dilatasse o coração à medida do universo, por isso se lançou na “divina aventura” de partir para o Brasil, pois não conseguia conter o que lhe ia no coração e deixar de dizer a todos que Deus os ama, mesmo correndo o risco de dar a vida, por causa do Evangelho, como veio a verificar-se.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração da Serva de Deus Madre Isabel Caldeira. Tendo-se alimentado com o Pão dos Anjos, permitiu que a Graça lhe plantasse no coração uma “gostosa fome” que a levou a dar-se e gastar-se por inteiro aos serviço dos mais pobres dos pobres, reconhecendo neles o rosto de Deus e sendo junto deles presença maternal da “Toda Pura”.
Maria, foi certamente o modelo e fonte de inspiração de Santa Beatriz da Silva. Deixando-se encantar pela Beleza absoluta de Deus, permitiu que a Graça a chamasse e levasse ao deserto para a desposar e lhe falar ao coração (cf. Os 2, 16), vivendo escondida e oculta, procurando a Deus e cantando os seus louvores, reproduzindo na sua vida, a vida da Imaculada, oferecendo a sua vida como oblação ao Deus Uno e Trino, em favor da inteira cidade humana. Viveu gritando a todos, a partir do silêncio do claustro que, Deus é o segredo, o tesouro escondido no campo, a pérola preciosa (cf. Mt 13, 44-46) pelos quais vale a pena deixar tudo. Absolutamente tudo. Tornando-se assim, fonte de graça para todos.
Virgem elevada ao Céu em Corpo e alma,
fazei que, “aspiremos às coisas do alto”,
mergulhemos no seio da Trindade que nos habita
e, purificado o nosso olhar, passemos a ver com os olhos de Deus
e nos lancemos apressadamente pelos caminhos do mundo,
empenhando-nos na construção de um mundo melhor,
mais humano, mais luminoso e belo.
De um mundo que seja transparência do Rosto de Deus
de que Sois Filha, Mãe e Esposa.
Ámen.
Borba, 14 de Agosto de 2012
P. Marcelino José Moreno Caldeira

quarta-feira, 8 de agosto de 2012


Hoje, Dia do Pai São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores(Dominicanos)...
... há 25 anos fui noviço entre os filhos de São Domingos...
Deus conduziu-me por outros caminhos de consagração, mesmo assim muito lhe devo.
MUITO OBRIGADO SÃO DOMINGOS, pelo testemunho de radicalidade evangélica e pela paixão contagiante por Jesus caminho, VERDADE e vida.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Jer 18, 1-6
Palavra que o Senhor dirigiu ao profeta Jeremias: «Levanta-te e desce à casa do oleiro; ali te farei ouvir as minhas palavras». Eu desci à casa do oleiro e encontrei-o a trabalhar na roda. Quando o vaso que ele estava a moldar não saía bem, como acontece com o barro nas mãos do oleiro, ele começava de novo e fazia outro vaso, como lhe parecia melhor. Então o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Não poderei Eu tratar-vos como este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor –. Como o barro nas mãos do oleiro, assim estais vós na minha mão, ó casa de Israel».

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

PALAVRA DE VIDA
Agosto de 2012
Chiara Lubich
«Àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado». (Mt 13, 12)
Esta foi a resposta de Jesus aos seus discípulos, quando Lhe perguntaram porque é que falava por meio de parábolas. Ele explica que nem a todos é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas só às pessoas bem preparadas, àquelas que aceitam as Suas palavras e as vivem.
De facto, entre os seus ouvintes, estavam pessoas que fechavam voluntariamente os olhos e os ouvidos de forma que «vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender» (Mt 13, 13). São aqueles que vêem e ouvem Jesus mas, pensando que já conhecem toda a verdade, não acreditam nas Suas palavras, nem nos factos que as confirmam. E, assim, acabam por perder até aquele pouco que têm.
«Àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado». (Mt 13, 12)
Qual é, então, o significado desta frase de Jesus? Ele convida-nos a abrir o nosso coração à Palavra que nos veio anunciar, e da qual nos pedirá contas no fim da vida.
Os escritos evangélicos mostram-nos que o anúncio desta Palavra está no centro de todos os desejos e de toda a atividade de Jesus. Nós vemo-Lo ir de aldeia em aldeia, pelas estradas, pelas praças, pelos campos, entrar nas casas, nas sinagogas, para anunciar a mensagem da salvação, dirigindo-se a todos, mas sobretudo aos pobres, aos humildes, àqueles que tinham sido marginalizados. Ele compara a sua Palavra à luz, ao sal, ao fermento, a uma rede lançada ao mar, à semente semeada no campo. E irá dar a vida para que o fogo, que a Palavra contém, se alastre.
«Àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado». (Mt 13, 12)
Jesus espera que a Palavra, que Ele anunciou, produza a transformação do mundo. Por isso, não aceita que, diante desse anúncio, se possa permanecer neutro, apático ou indiferente. Não admite que, depois de se receber uma riqueza tão grande, se possa permanecer improdutivo.
E, para sublinhar esta sua exigência, Jesus reafirma aqui uma sua lei, que está na base de toda a vida espiritual: se alguém puser em prática a sua Palavra, Ele introduzi-lo-á, cada vez mais, nas riquezas e nas alegrias incomparáveis do seu Reino. Pelo contrário, se alguém não fizer caso desta Palavra, Jesus tirar-lha-á e confiá-la-á a outros, para que a façam frutificar.
«Àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado». (Mt 13, 12)
Esta Palavra de Vida põe-nos, portanto, de sobreaviso contra uma falta grave em que podemos cair: isto é, considerar o Evangelho unicamente como objeto de estudo, de admiração, de discussão, mas sem o pôr em prática.
Pelo contrário, Jesus espera que nós recebamos a Palavra e a encarnemos dentro de nós, fazendo com que se torne a força que alimenta todas as nossas atividades. E, assim, através do testemunho da nossa vida, será aquela luz, aquele sal, aquele fermento que, pouco a pouco, vai transformando a sociedade.
Tomemos, então, em evidência, durante este mês, uma das muitas Palavras de Vida do Evangelho e coloquemo-la em prática. E a nossa alegria multiplicar-se-á.
Escrita em 1996 - Publicada em Città Nuova, 1996/12, pp. 32-33