quarta-feira, 22 de julho de 2009

O contemplativo...
pela sua vida escondida,
é luz que se consome, generosamente,
diante de Deus,
recordando-Lhes os Homens
e ilumina o caminho destes para Deus,
permanecendo oculta,
pois o que interessa são os iluminados,
Deus e os Homens...
Pela sua vida silenciosa,
é hino harmonioso e belo
que fala do Homem a Deus
e que aproxima os Homens de Deus.
Como sucede na luz,
também o hino deve permanecer sonoramente silencioso,
diante do abraço de Deus com a Humanidade.
É no toque de Coração (Deus) a coração (Humanidade)
que se abraçam neste abraço,
que o contemplativo encontra a sua morada.
É nestes corações que o contemplativo habita.
No Coração... serei amor...

sábado, 18 de julho de 2009

VIDA MONÁSTICA: oração e intimidade (1)
O Fenómeno do Monaquismo...
O desejo dos antigos cristãos de terem uma vida mais próxima de Jesus, de viveram de Deus e para Deus, de dedicarem mais tempo à vida de oração e ao contacto com a palavra de Deus.
Os primeiros monges...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Emilio Cervelló:
dos palcos da dança contemporânea
à cela da Cartuxa


Sugiro que, como introdução, vejas alguns segundos deste vídeo (por exemplo, a partir do 1'40'' - o Emilio é o bailarino mais à esquerda).



Agora pergunto espantado: como é que alguém deixa o bailado contemporâneo para entrar para um mosteiro de contemplação?
O Emilio acabou de fazer isso. Lembro-me de o ver antes de saber quem era. Aparecia na missa de Domingo do CUPAV. Distinguia-se pelas roupas negras, por uma postura muito circunspecta, a denotar uma concentração fora do comum. Também o vi uma vez no Teatro Camões, a assistir a um espectáculo de dança contemporânea. Reparei nele porque tenho boa memória visual e lembrava-me dele, da missa. Pelo físico trabalhado e pelos amigos que o rodeavam percebia-se que pertencia àquele meio. Na terceira vez que o encontrei liguei estas memórias.
O Miguel chegou com ele ao lado e apresentou-mo: “este é o Emílio…” e acrescentou “e daqui a uns dias vai entrar para a Cartuxa de Valência”. “Hum?! Cartuxa?!?”. Não sei que cara fiz mas fiquei paralisado. Emudecido. O que é que se pode dizer com uma notícia assim? Saber de um jovem que opta por uma vida toda dedicada à solidão e ao silêncio é como levar com um soco no estômago.
Passados uns dias, com a notícia mais digerida, decidi contactá-lo. Gentilmente acedeu ao meu pedido de entrevista. Almoçámos arroz à valenciana no terraço das “freiras”, na Baixa, e seguimos para a sua casa partilhada, perto de Santa Apolónia. Falámos no seu quarto/oratório. De um lado, um sofá-cama. Do outro, uma bola de Pilates. Na parede lateral, um belo mapa com a localização das Cartuxas na Europa. Por detrás dele, Nossa Senhora de Guadalupe.
Desde a passada quarta-feira, dia 8 de Abril de 2009, o Emílio está a viver numa cela da Cartuxa de Valência. Pude ver qual, por uma fotografia que ele me mostrou. Se Deus quiser aí estará também daqui a cinquenta (ou sessenta ou setenta) anos. A despedida dele, “até sempre” - não sei bem explicar porquê - deixou-me gelado. Deve ser por eu próprio não me sentir capaz de dar um passo assim.



1-Como surgiu a paixão pela dança?
2-Como entra Deus na tua vida?
3-Dança e oração têm alguma relação?
4-Como descobriste a Cartuxa?
5-Como vai ser a tua vida a partir de agora?
6-Como é a perspectiva de a tua vida ser isso nos próximos 50 anos?
Fonte: Blog "Para além do olhar"

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O monge...
é o que fixa o olhar somente sobre Deus,
deseja ardentemente somente a Deus,
consagrou-se somente a Deus
e se esforça por render-lhe um culto indiviso;
está em paz com Deus
e converte-se em fonte de paz para os demais.
Paulo VI, Carta ao Ministro Geral da Ordem Cartusiana para o Capítulo Geral (1971)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

«CARITAS IN VERITATE»
(«A Caridade na Verdade»)
a nova Encíclica de Bento XVI

terça-feira, 7 de julho de 2009

Seio fecundo em que sou concebido...
de onde parto e para onde caminho.
Convosco, sou belo jardim florido,
sem Vós, ... gemo, grito e definho.
Oração pelos Sacerdotes
de Santa Teresinha do Menino Jesus

Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote,
conservai os vossos sacerdotes
sob a protecção do Vosso Coração Amabilíssimo,
onde nada de mal lhes possa suceder.
Conservai puros
e desapegados dos bens da terra
os seus corações, que foram selados
com o carácter sublime do Vosso Glorioso Sacerdócio.
Fazei-nos crer no seu amor e fidelidade para Convosco
e preservai-os do contágio do mundo.
Dai-lhes também,
juntamente com o poder que têm de transubstanciar o pão e o vinho
em Vosso Corpo e Sangue,
o poder de transformar os corações dos homens.
Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos
e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna.
Ámen.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

ANO SACERDOTAL
Carta da Beata Isabel da Santíssima Trindade
a um neo-sacerdote
Ao Abade Chevignard
[Inicio de Junho de 1905]
J.M.+J.T.
«Si scries donum Dei»
(“Se tu soubesses o dom de Deus” Jo 4, 10)
Senhor Abade,
O Santo Deus, que «realiza todas as coisas segundo o conselho da sua vontade» (Ef 1, 11), quis o encontro das nossas almas, como mo dizeis, para assim receber mais amor, adoração e louvores. Devemos, pois ajudar-nos pela oração, e não posso dizer-vos que forte emoção me impulsiona para vós, quando vos preparais para a primeira Missa. De facto, encontro-me em retiro, «oculta em Deus com o Cristo» (Col 3, 3), e peço Àquele que Santa Catarina de Sena chamava a sua «doce Verdade» para realizar na vossa alma este desejo que Ele exprimia ao Pai na suprema oração: «Santificai-os na verdade (cf. Jo 17, 17)... Vossa palavra é verdade...» (cf. Jo 17, 19).
São Paulo, na Epistola aos Romanos, diz que «aqueles que Ele conheceu na sua presciência, Deus os predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho» (Rm 8, 29). Parece-me que é justamente de vós que aqui se trata: não sois este predestinado que o Eterno elegeu para ser o sacerdote dele [?]; e creio que na actividade de amor o Pai debruça-se sobre a vossa alma e que a afeiçoa com divina mão e seu delicado toque, para que a semelhança com o Ideal divino vá sempre crescendo, até ao grande dia em que a Igreja vos disser: «Tu és sacerdos in aeternum - Tu és sacerdote para sempre» (Hb 5,6; 7, 17; Sl 110[109], 4). Então, em nós tudo há-de ser, por assim dizer, uma cópia de Jesus Cristo, o Pontífice supremo, e haveis de poder reproduzi-lo sem cessar perante o Pai e perante as almas. Que grandeza! É a «virtude culminante de Deus» (Ef 1, 19) que se verte no vosso ser para o transformar e divinizar. Quanto recolhimento, que amorosa atenção a Deus, reclama esta obra sublime! São João da Cruz diz «que a alma se deve manter no silêncio e na solidão absoluta, para que o Altíssimo possa realizar os seus desejos nela; Ele então leva-a, por assim dizer, como uma mãe que toma o filho nos braços e, encarregando-se Ele próprio da sua orientação íntima, reina nela pela abundância da tranquilidade e da paz que derrama».
Felicito-vos por terdes Nossa Senhora do Bom Conselho como timbre; realmente parece-me que é a Virgem sacerdotal que o padre deve invocar e sempre olhar. Que ela vos obtenha esta «ciência da luz de Deus derramada na face do Cristo» (2ª Cor 4, 6) de que fala o Apóstolo. Vamos implorar-lho junto a ela no silêncio da oração.
A-Deus, senhor Abade, que Ele nos torne
verdadeiros pela sua verdade, a fim de que desde já, daqui da terra, sejamos a «louvor da sua glória» (Ef 1, 12).
Ir. Maria Isabel da Trindade, r.c.i.
ISABEL DA TRINDADE, "Escritos Espirituais",
Edições Carmelo, Oeiras, 1989, pgs. 232/233

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Viver num lugar separado ajuda a alma
Também o viver num lugar separado ajuda a alma a não dispersar-se. É nocivo, de facto, viver no meio daqueles que não têm temor, pelo contrário mostram desprezo diante da perfeita observância dos mandamentos. Demonstra-o aquela palavra de Salomão que nos ensina: "Não faças amizade com um homem colérico, nem vás a casa do violento, para não te habituares aos seus costumes e armares um laço contra a tua vida" (Pr 22, 24-25) e aquela palavra "Por isso, saí do meio dessa gente e afastai-vos, diz o Senhor. Não toqueis no que é impuro e Eu vos acolherei" (2Cor 6, 17) refere-se à mesma coisa. Para não ser levados a pecar ... e para evitar habituarmo-nos ao pecado sem nos darmos conta, e para que não fique impresso na alma, para seu dano e ruína, a forma e a marca das coisas vistas e ouvidas, para que seja possível perseverar na oração, retiramo-nos antes de tudo para uma casa separada. Talvêz assim possamos vencer os hábitos precedentes, com os quais tenhamos vivido alheios aos mandamentos de Cristo.
São Basílio de Cesareia
(BASILIO DI CESAREA, "Le Regole", Edizioni QiQajon/Comunità di Bose, Magnano, 1993, pgs.96/97 - tradução do Italiano ao Português da responsabilidade do autor deste blog)
Cântico Espiritual
1. Aonde te escondeste,
Amado, e me deixaste num gemido?
Qual veado fugiste
havendo-me ferido.
Atrás de ti clamei: tinhas partido!

28. Minha alma Lhe hei dado
e tudo o que era meu ao seu serviço.
Não guardo já gado
nem já tenho outro ofício,
pois é somente amar meu exercício.
São João da Cruz

quarta-feira, 1 de julho de 2009

PALAVRA DE VIDA
Julho de 2009
Chiara Lubich
«Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói» (Lc 12, 33)
Se és jovem e anseias por uma vida ideal, realizada, radical, ouve Jesus. Ninguém no mundo te pede tanto. Tens a oportunidade de demonstrar a tua fé e a tua generosidade, o teu heroísmo.
Se és adulto e queres uma existência séria, empenhada, mas segura; ou, se já tens uma certa idade e desejas viver os teus últimos anos abandonado em Quem não engana, sem preocupações que te consumam, esta Palavra de Jesus é valida para todos.
De facto, ela conclui uma série de exortações com que Jesus nos convida a não nos preocuparmos com aquilo que havemos de comer ou vestir, exactamente como fazem os passarinhos, que não semeiam, e os lírios do campo, que não fiam. Por isso, devemos excluir do coração toda a ansiedade pelas coisas da Terra, porque o Pai ama-nos mais do que aos passarinhos e às flores, e Ele próprio pensa em cada um de nós.
Por isso nos diz:
«Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói» (Lc 12, 33)
O Evangelho, no seu conjunto em cada uma das suas palavras, exige realmente tudo o que as pessoas são e possuem. Deus não pedia tanto, antes da vinda de Cristo. O Antigo Testamento considerava a riqueza terrena como um bem, uma bênção de Deus. E, se pedia que se desse esmola aos necessitados, era para se obter benevolência do Omnipotente.
Mais tarde, o pensamento da recompensa no Além tornou-se mais comum no judaísmo. Um rei respondeu a alguém que o criticava por esbanjar os seus bens: «Os meus antepassados acumularam tesouros aqui na Terra. Eu, pelo contrário, acumularei tesouros lá no Céu». (…)
Ora, a originalidade da palavra de Jesus está no facto de que Ele nos pede uma doação total, pede-nos tudo. Quer que sejamos filhos despreocupados, que não andemos atarefados com as coisas do mundo, filhos que dependam simplesmente d'Ele. Ele sabe que a riqueza é um enorme obstáculo para nós, porque ocupa o nosso coração. E Deus quer que Lhe deixemos todo o espaço para Ele.
Por isso recomenda:
«Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói» (Lc 12, 33)
Se não pudermos desfazer-nos dos bens materialmente, porque estamos ligados a outras pessoas, ou porque a posição que ocupamos nos obriga a uma situação digna e adequada, temos que nos desapegar dos bens espiritualmente e agir, em relação a eles, como simples administradores. Assim, se enquanto lidarmos com a riqueza amarmos os outros, administrando-a para eles, preparamos para nós um tesouro que a traça não rói e o ladrão não leva consigo.
Mas será que devemos mesmo conservar tudo o que possuímos?
Escutemos a voz de Deus dentro de nós. É bom pedir um conselho se não conseguirmos decidir. Vamos encontrar uma quantidade de coisas supérfluas no meio das coisas que temos. Não fiquemos com elas. Temos que as dar. Dar a quem não tem. Assim pomos em prática a palavra de Jesus: «Vende... e dá». Deste modo vamos encher bolsas que não envelhecem.
Evidentemente que, para viver no mundo, é necessário interessar-se por dinheiro e pelas coisas. Mas Deus quer que nos ocupemos, e não que nos preocupemos. Conservemos apenas aquele mínimo que é indispensável para viver segundo o nosso estado, segundo a nossa condição. Quanto ao resto:
«Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói» (Lc 12, 33)
Paulo VI era realmente pobre. Testemunha-o o modo como quis ser sepultado: num pobre caixão, na terra. Pouco antes de morrer, tinha dito ao seu irmão: «Já há algum tempo que fiz as malas para aquela importante viagem».
É isto o que devemos fazer: fazer as malas.
No tempo de Jesus chamavam-se bolsas. Façamo-las dia após dia. Enchamo-las o mais que pudermos com aquilo que pode ser útil aos outros. Havemos de ter unicamente aquilo que dermos. Se pensarmos em toda a fome que há no mundo... Quanto sofrimento... Quantas necessidades...
Podemos pôr lá dentro, também, todos os actos de amor, todas as obras em favor dos irmãos.
Façamos estas acções por Ele. Digamos-Lhe, no nosso coração: para Ti. E executemo-las bem, com perfeição. Destinam-se ao Céu: permanecerão eternamente.
Palavra de Vida, Março de 1979, publicada integralmente em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Città Nuova, Roma, 1980, pp. 189-191.