sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Papa Francisco: Os monges e monjas mantêm vivos os oásis do espírito

Papa Francisco: Os monges e monjas mantêm vivos os oásis do espírito: Diante de mais de 250 participantes no Congresso dos Abades Beneditinos, em Roma, o Papa Francisco afirmou que os monges e as monjas no mundo de hoje têm um dom e uma responsabilidade especial que é manter vivo o “oásis do espírito”.

quinta-feira, 28 de julho de 2016


Hoje (28/07/2016), na Igreja de São Bartolomeu,
na Festa da Padroeira da Capela
da Casa Paroquial de Borba,
Nossa Senhora do Monte Tabor,
a Homilia foi assim:


Nos relatos bíblicos da Transfiguração de Jesus, sobre o Monte Tabor, nenhum deles, faz a mais pequena referência, à presença física de Maria no Monte Santo, a quando da Transfiguração.

Então, Nossa Senhora do Monte Tabor, não será uma fantasia devocional? Uma manipulação dos Mistérios da Fé?

São João Paulo II pode dar-nos uma ajuda quando diz: “O rosto de Cristo é um rosto de luz que rasga a obscuridade da morte: é anúncio e penhor da nossa glória, porque é o rosto do Crucificado Ressuscitado, o único Redentor da humanidade, que continua a resplandecer sobre nós (cf. Sl 67, 3)” (João Paulo II, 6 de Agosto de 2002). O mesmo João Paulo II, na «Novo Millennio Ineunte» questiona-nos desta forma: “E não é porventura a missão da Igreja reflectir a luz de Cristo em cada época da história, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto também diante das gerações do novo milénio? Mas, o nosso testemunho seria excessivamente pobre, se não fôssemos primeiro contemplativos do seu rosto” (João Paulo II, Carta Apostólica «Novo Millennio Ineunte», 16).

Este Rosto Luminoso recebêmo-l’O por Maria, que sobre ela deixou resplandecer, de modo admirável, a Luz que vem de Deus.

Resplandece em Maria que, por misterioso privilégio de Deus, nunca foi tocada pelo pecado, por isso a aclamamos como Imaculada, desde a sua Conceição.

Mas, resplandece ainda mais luminosamente, porque, mesmo sem o contemplar Transfigurado sobre o Monte Santo, o contemplou criança inocente na gruta de Belém, enquanto o embalava em seus braços virginais. Contemplou-o, no Templo de Jerusalém, quando Simeão e Ana o reconheceram como “Luz para se revelar às nações” (Lc 2, 32), a quando da sua purificação (cf. Lc 2, 28-38), ela a «Toda Pura».  E no mesmo Templo, contemplou-o entre os Doutores da Lei (cf. Lc 2, 41-51). Contemplou-o silenciosa e tranquilamente durante os longos anos laboriosos da Vida Oculta em Nazaré da Galileia (cf. Lc 2, 40). Contemplou-o nas Bodas de Caná e a todos nos convida a contemplá-lo como ela, quando nos diz: “«Fazei o que Ele vos disser!»” (Jo 2, 5). Contemplou-o discreta e ocultamente durante a Sua Vida pública. Contemplou-o, na Ceia, a Última Ceia, aquela em que, para nos amar até ao extremo, se nos deu como alimento (Cf. Jo 13 1-19). Contemplou-o Dolorosa na cruz (cf. Jo 19, 25) e inanimado entre os seus braços de Mãe. E foi a primeira a contemplá-lo Ressuscitado, e disso não tenho dúvida - mesmo se os relatos bíblicos o não retiveram -, na madrugada do primeiro dia da Semana, no luminoso e feliz Domingo de Páscoa. Contudo, contemplou-o de forma incompreensívelmente mais plena, quando repetindo a inocência pueril de Samuel (Cf. 1Sm 3, 1-10) responde ao anjo: “«Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.»” (Lc 1, 38)

Por isso, nela a Palavra do Senhor se torna Vida e Vida que nos dá vida em abundância (cf. Jo 10, 10). E antes mesmo, que a Vida se tornasse Carne em seu seio virginal, já ela era Feliz por ouvir a Palavra de Deus e a colocar em prática (cf. Lc 11, 28).

Antes mesmo de O gerar, já era imagem daquele que haveria de gerar e contemplar na carne… Ela foi a primeira, por privilégio de Deus, a ver restaurada em si a beleza, a imagem e semelhança de Deus (Cf. Gn 1, 26-27), que o próprio Deus imprimiu em nós e o pecado destroçou.

Assim, como Rainha do Monte Santo, como Senhora da Transfiguração, como Nossa Senhora do Monte Tabor, desafia-nos a subir com Pedro, Tiago e João, ao alto do Monte, a determo-nos em contemplação diante do Senhor Transfigurado, ladeado por Moisés e Elias, deixando-nos envolver pela Luz da Trindade e escutar a Voz que nos desafia a escutar o seu Filho Bem-Amado, realizando na nossa vida, como a Senhora do Monte Tabor, a Sua Divina Vontade, permitindo que Ele imprima em nós a Sua imagem, restaure em nós a Sua imagem: Cristo, “restituirá a perfeição da imagem divina, que se fragmentou em Adão, por causa da desobediência e do pecado” (El-Maskîne, Père Matta, “La nouvelle création de l´homme”, Abbaye de Bellefontaine, Bégrolles en Mauges, 1998, pg 166) e assim, poderemos dizer, com toda a plenitude do nosso ser: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20)

Como nova criatura espiritual, o Homem Novo é-o fundamentalmente à imagem do seu Criador. O objectivo último do Homem Novo, em virtude da sua criação segundo a imagem única e gloriosa do seu Criador, é de tender para o amor e deixar-se atrair pelo resplendor da face de Cristo, à qual todos seremos semelhantes, como diz São João: “E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando Ele se manifestar, tenhamos plena confiança e não fiquemos cheios de vergonha, longe dele, por ocasião da sua vinda. Se sabeis que Ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele. Caríssimos, agora já somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é. (1Jo 2, 28-3, 2) (Cf. El-Maskîne, Père Matta, “La nouvelle création de l´homme”, Abbaye de Bellefontaine, Bégrolles-en-Mauges, 1998, pg 166)

No Mistério da Transfiguração, a Igreja, não celebra apenas a Transfiguração de Cristo, mas também a sua própria transfiguração: 2transformai-vos pela renovação de vosso espírito” (Rm 12, 2) e desafia-nos a “uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo.” (Bento XVI, «Porta Fidei», 6)

“A Igreja vive da imitação de Cristo. Tudo o que Cristo fez, a Igreja o faz também. Ele torna-se a sua vida. O apelo de Cristo a Mateus: «Segue-me» (Mt 9, 9) significa: «Toma a minha vida para ti». A Igreja aplicou este chamamento a ela mesma” (El-Maskîne, Père Matta, “La communion d’amour”, Abbaye Bellefontaine, Bégrolles-en-Mauges, 1992, pg. 127).

Contemplando, em Cristo Transfigurado a glória Divina, tornamo-nos o espelho em que Cristo gosta de reflectir essa mesma glória Divina. Contemplando, reflectimos aquilo que contemplamos: “Permanecendo simples e amorosamente na Sua presença para que possa reflectir em nós a Sua própria imagem como se reflecte o sol no límpido cristal” (Beata Isabel da Santíssima Trindade).

Contemplando Cristo, nós nos tornamos semelhantes a Ele, conformamo-nos a Ele, fazemo-nos um só espírito com Ele (Cf. Júlio II, Regra (OIC), 30), consentimos que o Seu mundo, os Seus propósitos, os Seus sentimentos e a Sua vida se imprimam em nós; que substituam os nossos pensamentos, propósitos e sentimentos, tornando-nos assim semelhantes a Ele. Como diz São João da Cruz tenha sempre a alma o desejo contínuo de imitar a Cristo em todas as coisas, conformando-se à sua vida que deve meditar para saber imitá-la e agir em todas as circunstâncias como ele próprio agiria” (São João da Cruz). Contemplando o Seu “Rosto” vamo-nos deixando, por Ele, “despir das obras das trevas e revestir das armas da luz” (Rm 13, 12), com vista a dizer com o apóstolo Paulo: “para mim, viver é Cristo” (Fl 1, 21).

“Se Jesus é o escolhido de Deus na história, nós estamos chamados a imitá-lo, a imitá-lo em silêncio, no ocultamento, na pobreza, deixando tudo por Ele, dando tudo, perdendo tudo para obtê-lo todo. O homem não é só fruto da criação, mas objecto de aliança, para que imite a Jesus; a nossa tarefa não consiste, por tanto, unicamente em adorar e obedecer, mas em ser em Jesus e em fazer como Ele, em segui-l’O” (MARTINI, Carlo Maria, “La transfiguración de Cristo e del cristiano a la luz del Tabor”, Sal Terrae, Santander, 2012, pg. 30).

Que a Imaculada Virgem Santa Maria do Monte Tabor nos conduza pela mão, neste caminho de contemplação de Cristo, nos ensine, como ela, a ser fiéis e a realizar sempre a Vontade de Deus nas nossas vidas, por forma a que, a Trindade de quem é Filha, Mãe e Esposa, possa imprimir em nós, a beleza e a imagem de Deus, estilhaçada pela desobediência e pelo pecado e possamos com ela cantar: “MAGNIFICAT ANIMA MEA DOMINUM” (Lc 1, 46) pois, “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20)

quinta-feira, 5 de maio de 2016


Servo de Deus Marcelino da Capradosso,
frade Capuchinho
Século XIX-XX - Itália
Frei Marcelino Maoloni de Capradosso di Rotella (AP) nasceu a 22 Setembro de 1873. Desde a infância foi admirado pelos seus conterrâneos pela sua profunda piedade para com Deus, pela sua humidade e disposição para a penitência.
Seguiu o ideal de São Francisco de Assis na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Foi querido por Deus e pelas pessoas pela sua bondade para com os doentes, pela assídua mortificação de si mesmo e pela clara compreensão das divinas verdades.
Uma grave doença torna-o num verdadeiro mártir e prepara-o para o Reino dos Céus. Morreu no Convento dos Capuchinhos de Fermo, a 26 de Fevereiro de 1909, com 36 anos de idade.
Ainda nos nossos dias são assinaladas graças obtivas pela sua intercessão.
As “Actas do Processo Diocesano” compiladas em Fermo, estão Roma esperando que a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos as examine.
Para conseguir imagens, biografias e comunicar “graças” obtidas pela sua intercessão, dirigir-se a:
VICE POSTULAZIONE del Servo di Dio Marcellino da Capradoss
CONVENTO CAPPUCCINI
63023 FERMO (AP)
Itália
Tel. 0734/219379

sábado, 2 de janeiro de 2016

SAGRADA FAMÍLIA,
o meu Santinho Protector para 2016,
lança-me este desafio
“A vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” (Cl 3, 3) O desejo e a absoluta necessidade de Deus, de viver “SÓ” para Ele e de nada Lhe antepor.
O desejo, a necessidade e a vocação de passar despercebido aos olhos do "mundo".
...
O desejo e a necessidade de ocultamento, para viver discreta, gozosa e exclusivamente na presença de Deus, ao jeito da Sagrada Família, durante os longos, silenciosos, laboriosos e fecundos anos da “vida oculta” de Jesus, em Nazaré.
Saber permanecer “escondido”, saber permanecer “oculto”, para melhor, mais generosamente e sem qualquer tipo de estorvo, me poder abrir à graça de Deus, mergulhar no Seu Coração Misericordioso, só n’Ele viver, só para Ele viver e só d'Ele me alimentar.
Nutrindo-me de eternidade, consumindo-me e gastando-me pela paixão por Jesus Cristo e pelo zelo da Sua glória, transportar comigo toda a Humanidade, apresenta-la a Deus e como a lâmpada do Sacrário, iluminar e conduzir o caminho dos demais para Cristo.
Assumir como meu o projecto de vida de São João Baptista: “Ele é que deve crescer, e eu diminuir” (Jo 3, 30).
“O verdadeiro discípulo não procura servir-se a si mesmo ou ao «público», mas ao seu Senhor com simplicidade e generosidade: «E teu Pai, que vê o oculto, há-de recompensar-te» (Mt 6, 4.6.18).
Assumir como projecto de vida “que Deus seja Tudo em todos” (1Cor 15, 28).

sábado, 3 de outubro de 2015

PALAVRA DE VIDA
Outubro de 2015
Fabio Ciardi
“Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13, 35)
É esse o distintivo, o sinal de reconhecimento, a característica típica dos cristãos. Ou pelo menos deveria ser esse, porque foi assim que Jesus imaginou que seria a sua comunidade.
Um fascinante escrito dos primeiros séculos do cristianismo, a Carta a Diogneto, dá conta de que “os cristãos não se distinguem dos outros homens nem pelo território, nem pelo modo de falar, nem pelo modo de vestir. Com efeito, não moram em cidades diferentes, não usam alguma língua estranha, nem adoptam um modo de vida especial”. São pessoas normais, como todas as outras. No entanto, possuem um segredo que as faz influir profundamente na sociedade, fazendo-as ser como que a sua alma (cf. cap. 5-6).
É um segredo que Jesus confiou aos seus discípulos pouco antes de morrer. Tal como os antigos sábios de Israel, ou como um pai diante de seu filho, também Ele, Mestre de sabedoria, deixou como herança a arte do saber viver, do viver bem. Ele a tinha colhido directamente do Pai: “Porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15), e era esse o fruto da sua experiência na relação com Ele. Essa arte consiste na reciprocidade do amor. É essa a última vontade de Jesus, o seu testamento, a vida do Céu que Ele trouxe à terra, partilhando-a connosco a fim de que nós tenhamos a mesma vida.
Ele quer que seja esta a identidade dos seus discípulos, que eles sejam reconhecidos como discípulos pelo amor mútuo:
“Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13, 35)
Será que os discípulos de Jesus são reconhecidos pelo amor recíproco? “A história da Igreja é uma história de santidade”, escreveu João Paulo II. “No entanto, ela regista também numerosos episódios que constituem um contratestemunho para o cristianismo” (Incarnationis Mysterium, 11). Durante séculos os cristãos se combateram em nome de Jesus com guerras intermináveis, e persistem na divisão entre si. Ainda hoje há pessoas que identificam os cristãos com as Cruzadas, com os tribunais da Inquisição, ou os veem como defensores ferrenhos de uma moral antiquada, que se opõem ao progresso da ciência.
Não era isso que acontecia com os primeiros cristãos da comunidade nascente de Jerusalém. As pessoas ficavam admiradas pela comunhão dos bens que eles viviam, pela unidade que reinava, pela “alegria e simplicidade de coração” que os caracterizava (cf. At 2,46). “O povo estimava-os muito”, lemos ainda nos Actos dos Apóstolos, com a consequência de que a cada dia “crescia sempre mais o número dos que pela fé aderiam ao Senhor” (At 5,13-14). O testemunho de vida da comunidade tinha uma forte capacidade de atração. Por que também hoje não somos conhecidos como aqueles que se distinguem pelo amor? O que fizemos do mandamento de Jesus?
“Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13, 35)
Tradicionalmente, em âmbito católico, o mês de Outubro é dedicado à “missão”, à reflexão sobre a ordem dada por Jesus, de ir a todo o mundo anunciar o Evangelho, à oração e ao apoio àqueles que se encontram na linha de frente. Esta Palavra de Vida pode ajudar-nos todos a focalizar novamente a dimensão fundamental de todo anúncio cristão. Não se trata da imposição de uma fé, não é proselitismo, não é uma ajuda interesseira aos pobres para que se convertam. Não se trata sequer primeiramente de uma defesa exigente dos valores morais ou do posicionamento firme diante das injustiças e das guerras, embora essas atitudes sejam obrigatórias, das quais o cristão não pode se esquivar.
O anúncio cristão é acima de tudo um testemunho de vida que cada discípulo de Jesus deve oferecer pessoalmente: “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres” (Evangelii nuntiandi, 41). Até mesmo quem é hostil à Igreja muitas vezes fica tocado pelo exemplo daqueles que dedicam suas vidas aos doentes e aos pobres, e estão dispostos a deixar a pátria para ir às frentes de emergência e oferecer ajuda e amizade aos últimos.
Mas Jesus pede sobretudo o testemunho de toda uma comunidade que mostre a veracidade do Evangelho. Ela deve evidenciar que a vida trazida por Ele pode realmente gerar uma sociedade nova, na qual se vivem relacionamentos de autêntica fraternidade, de ajuda e serviço mútuo, de uma atenção colectiva às pessoas mais frágeis e necessitadas.
A vida da Igreja conheceu esse tipo de testemunhos, como por exemplo as aldeias construídas pelos franciscanos e pelos jesuítas para os nativos na América do Sul (cf. as Reduções), ou os mosteiros com os povoados que surgiam ao seu redor. Também hoje, comunidades e movimentos eclesiais fazem surgir pequenas cidades de testemunho (cf. as Mariápolis permanentes) onde se podem ver os sinais de uma sociedade nova, fruto da vida evangélica, do amor mútuo.
“Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13, 35)
Sem ter de abandonar os lugares em que moramos e as pessoas que frequentamos, se vivermos entre nós aquela unidade pela qual Jesus deu a vida, poderemos criar um modo de viver alternativo e semear ao nosso redor germes de esperança e de vida nova. Uma família que renova a cada dia o desejo de viver concretamente no amor mútuo pode se tornar um raio de luz na indiferença recíproca do condomínio ou da vizinhança. Uma “célula de ambiente”, ou seja, duas ou mais pessoas que se colocam de acordo para actuar com radicalismo as exigências do Evangelho no próprio campo de trabalho, na escola, na sede do sindicato, nos gabinetes administrativos, numa prisão, poderá romper a lógica da luta pelo poder, criar um clima de colaboração e favorecer o surgimento de uma fraternidade inesperada.
Não era isso que faziam os primeiros cristãos no tempo do império romano? Não foi desse modo que eles difundiram a novidade transformadora do cristianismo? Sejamos hoje nós “os primeiros cristãos”, chamados, como eles, a nos perdoarmos, a nos vermos sempre novos, a nos ajudarmos; numa palavra, a nos amarmos intensamente como Jesus amou, na certeza de que a sua presença em nosso meio tem a força de envolver também os outros na lógica divina do amor.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Dia Mundial de Oração
pelo Cuidado da Criação
A Igreja Católica celebra, a 1 de Setembro, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A data foi instituída pelo Papa Francisco e tem um sentido ecuménico, já que a mesma é também comemorada pela Igreja Ortodoxa.

 
O Santo Padre pretende que a celebração do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação ofereça aos fiéis e às comunidades a oportunidade de «renovarem a adesão pessoal à vocação de protetores da criação», «elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado».

«Como cristãos queremos oferecer a nossa contribuição à superação da crise ecológica que a humanidade está a viver. Por isto devemos, antes de tudo, procurar no nosso rico património espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, recordando sempre os que creem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós», explica o Santo Padre.

O Papa alerta que a «crise ecológica» impele a uma «profunda conversão espiritual» e frisa que os cristãos são chamados a uma «conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus», citando a encíclica Laudato Sí (217).

A ideia do “Dia de Oração” havia sido sugerida pelo ortodoxo Ioannis, de Pergamo, que participou da apresentação da encíclica Laudato sì , no mês de Junho passado. E para evidenciar o valor agregado à oração que é o “si consenserint” (“se pedirdes unidos”) do Evangelho, na Carta com a qual o Santo Padre institui o Dia de Oração (6.8.2015), coneça dizendo: «Compartilhando com o amado irmão, o Patriarca Ecumenico Bartolomeu, as preocupações pelo futuro da criação, e acolhendo a sugestão de seu representante, o Metropolita Ioannis…». Demonstra com isso que não é importante de quem veio a ideia, porque pode-se sempre aprender uns dos outros. E para reafirmar o conceito, no final do documento o Papa solicita ao cardeal Koch, presidente do Conselho para a Unidade dos Cristãos para «cuidar da coordenação com iniciativas similares tomadas pelo Conselho Mundial de Igrejas».

O Conselho Ecuménico das Igrejas (CEC) dedica ao período que vai de 1º de Setembro (primeiro dia do ano litúrgico na tradição ortodoxa) a 4 de Outubro (dia de São Francisco de Assis na tradição católica), o tema: “O tempo para a criação”, com acções pela questão ambiental e a sua relação com a justiça e a paz.

Significativa, portanto, a opção do Papa de celebrar o Dia de Oração todos os anos no dia 1º de Setembro, a mesma data dos ortodoxos e dia inicial do “tempo” dedicado pelo CEC a esse tema. Assim como é significativo o seu auspício de que unam-se também outras igrejas e comunidades eclesiais, a fim de que se torne uma ocasião frutuosa para «testemunhar a nossa crescente comunhão».

Neste contexto ecuménico, o Santo Padre desejou que esta iniciativa possa envolver outras Igrejas e comunidades eclesiais e ser celebrado em sintonia com as atividades que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema. A instituição do “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação” foi comunicada numa carta ao presidente do Conselho Pontifício da Justiça e da Paz e ao presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, respetivamente o cardeal Peter Turkson e o cardeal Kurt Koch.

Aos dois responsáveis Francisco pediu a divulgação da instituição deste dia para que, «em harmonia com as exigências e as situações locais» a sua celebração seja organizada com a participação de todo o Povo de Deus.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Em Belém, no Carmelo
entre a imagem e a relíquia de Santa Maria Baouardy
SANTA MARIA DE JESUS CRUCIFICADO BAOUARDY
monja Carmelita Descalça
(1846-1878)
Memória a 25 de Agosto

Miriam Baouardy nasceu a 5 de Janeiro de 1846, em Ibillin, numa pequena aldeia da Galileia, entre Nazaré e Haifa, numa família de rito greco-católico. Os seus pais perdem, um após outro, os doze filhos em tenra idade. Com profunda dor mas com uma grande confiança em Deus, decidiram fazer uma peregrinação a Belém para rezar na Gruta da Natividade e pedir a graça de uma filha. É assim que Miriam veio ao mundo. No ano seguinte nasce o seu irmão Boulos.
Mas, Miriam não tinha ainda 3 anos quando o seu pai morre confiando-a à fiel custódia de São José. Alguns dias mais tarde morre também a sua mãe. É assim que Boulos é adoptado por uma tia e Miriam por um tio de boa condição social.
Dos seus anos de infância na Galileia, guarda na memória, o maravilhar-se diante da beleza da Criação, da luz, das paisagens de onde tudo lhe fala de Deus e do sentimento, muito forte, de que “tudo passa”.
A experiência de criança é decisiva para sua vida futura: brinca com dois pequenos passarinhos e quer dar-lhes um banho… mas eles não resistem e morrem entre suas mãos. Triste, ouve então interiormente estas palavras: "Vês? É assim que tudo passa, mas se queres dar-me teu coração, Eu ficarei para sempre contigo”.
Aos 8 anos faz sua primeira comunhão. Pouco depois, o seu tio parte para Alexandria com toda a família.
No Egipto: Alexandria e o martírio
Miriam tem 12 anos quando sabe que o seu tio a quer casar. Decidida a dar-se totalmente a Deus, recusa a proposta. Tratam de persuadi-la e ameaçam-na. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazer mudar a sua decisão. Após três meses, ela visita um velho criado da casa do seu tio, para enviar uma carta a seu irmão que vive na Galileia para que a venha ajudar. Ouvindo a narração dos seus sofrimentos, o criado que era muçulmano, exorta-a a converter-se ao Islão. Miriam recusa. Encolerizado, o homem pega numa espada e corta-lhe a garganta, abandonando-a logo de seguida numa rua escura. Era dia 8 de Setembro.
Mas a sua hora não havia chegado, e ela acorda numa gruta, ao lado de uma jovem que parecia ser uma religiosa. Durante quatro semanas, ela cuida, alimenta e instrui Miriam. Depois de estar curada, aquela que mais tarde ela revelará ser a Virgem Maria, leva-a a uma igreja.
Desde esse dia, Miriam irá de cidade em cidade (Alexandria, Jerusalém, Beirute, Marselha…), como doméstica, elegendo preferencialmente as famílias pobres, ajudando-as, mas deixando-as quando elas a honram demasiado.
Mas ela irá ser também de maneira particular testemunho desse “universo invisível”. Esse universo que nós acreditam ser ver e que ela experimentou duma maneira muito forte.
Em Marselha: as Irmãs de São José
Em 1865 Miriam encontra-se em Marselha. Entra em contacto com as Irmãs de São José da Aparição. Tem 19 anos, mas só parece ter 12 ou 13. Fala mal o francês e possui uma saúde frágil, de todos modos é admitida ao noviciado e sua alegria é enorme por se poder entregar assim a Deus. Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, passa a maior parte do seu tempo lavando ou cozinhando. Mas, dois dias por semana revive a Paixão de Jesus, recebe os estigmas (que na sua simplicidade pensa ser uma doença) e começam a manifestar-se todo o tipo de graças extraordinárias. Algumas irmãs ficam desconcertadas com o que se passa com ela, e ao fim de 2 anos de noviciado, não é admitida na Congregação. Um conjunto de circunstâncias vão conduzi-la até ao Carmelo de Pau.
O Carmelo de Pau, França
É recebida em Junho de 1867. Ali, no meio de todas as provas que terá de atravessar, encontrará sempre o amor e a compreensão. Ingressa de novo no noviciado, onde recebe o nome de Irmã Maria de Jesus Crucificado. Insiste em ser admitida como ‘irmã conversa’, pois gosta mais do serviço aos outros, tendo, por outro lado, dificuldades na leitura, nomeadamente na recitação do Oficio Divino. A sua simplicidade e generosidade conquistam o coração de todos. As suas palavras proferidas depois de um êxtase são o fruto da sua vida: "Onde está a caridade ali está Deus. Se pensais em fazer o bem ao vosso irmão, Deus pensará em vós. Se cavais um poço para vosso irmão, caíreis nele; o poço será para vós. Mas, se fazeis um céu para o vosso irmão, esse céu será para vós…”.
Dom da profecia, ataques do demónio ou êxtases… entre todas as graças divinas das quais está cheia, ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma intitula-se "o pequeno nada", é realmente a expressão profunda de seu ser. É o que a faz penetrar na insondável profundidade da misericórdia divina onde ela encontra a sua alegria, as suas delicias e a sua vida… “A humildade é ser por não ser nada, ela não se apega a nada, ela não se cansa nunca de nada. Está contente, é feliz, onde quer que esteja é feliz, está satisfeita com tudo… Felizes os pequenos!”. Ali está a fonte de seu abandono entre graças mais estranhas e os acontecimentos humanos mais desconcertantes.
A fundação do Carmelo de Mangalore na Índia
Após 3 anos, em 1870, parte com um pequeno grupo de Irmãs para fundar o primeiro convento de Carmelitas Descalças na Índia, em Mangalore. A viagem de barco foi uma aventura e três religiosas morrem antes de chegarem ao destino. De todos modos, são enviados reforços e, em finais de 1870, pode-se iniciar a vida claustral. As suas experiências extraordinárias continuam sem a impedir de realizar os seus trabalhos mais pesados e de dar atenção aos problemas inerentes a uma nova fundação. Durante os seus êxtases, as Irmãs podiam ver o seu rosto resplandecente na cozinha ou noutro local. Participa em espírito nos acontecimentos da igreja, por exemplo, nas perseguições na China e também parece ser possuída exteriormente pelo demónio, fazendo-lhe viver terríveis tormentos e combates. Foi o começo de muitas incompreensões na sua comunidade, onde duvidaram da autenticidade do que ela vivia. Não obstante, pôde emitir os seus votos no final do noviciado, a 21 de Novembro de 1871; mas as tensões criadas em seu redor acabaram por provocar o seu regresso ao Carmelo de Pau em 1872.
O regresso a Pau
Naquele lugar leva de novo a sua vida simples de ‘irmã conversa’ no meio do carinho de suas irmãs, e a sua alma dilata-se. Durante alguns êxtases, ela que é quase analfabeta, profere repentinamente em exultação de gratidão até Deus, poesias duma grande beleza, cheias de encanto e candor oriental, onde a criação inteira canta ao seu Criador. Pelo ímpeto da sua alma até Deus, ela elevar-se-á até ao cima de um árvore sobre uma rama que não suportaria nem sequer uma pequenina ave. “Todo o mundo dorme. E Deus, tão repleto de bondade, tão grande, tão digno de louvores, é esquecido!… Ninguém pensa Nele! Vede, toda a natureza O louva, o céu, as estrelas, as árvores, as ervas, tudo O louva; o homem, que conhece os seus benefícios, que deveria louvá-Lo, dorme!… Vamos, vamos despertar o universo!”
São numerosos os que procuram Miriam para consolo, conselhos, para que reze pelas suas intenções, partem iluminados e fortificados com este encontro.
A fundação do Carmelo de Belém
Pouco depois de seu regresso de Mangalore, ela começa a falar da fundação de um Carmelo em Belém. Os obstáculos são numerosos, mas dissipam-se progressivamente, inclusive de maneira inesperada. Por fim a autorização é dada por Roma e a 20 de Agosto de 1875 um pequeno grupo de carmelitas embarca para nessa aventura. O Senhor conduz Miriam na escolha do local e na forma de construção do novo Carmelo. Como ela é a única que fala árabe, encarrega-se particularmente de seguir os trabalhos, “imersa na areia e na cal”. A comunidade instalar-se-á no dia 21 de Novembro de 1876, enquanto que certos trabalhos continuam.
Prepara também a fundação de um Carmelo em Nazaré, viajando até lá para comprar o terreno, em Agosto de 1878. Durante essa viagem é lhe revelado por Deus o lugar de Emaús. Ela pede a ajuda de Berthe Dartigaux para comprá-lo para o Carmelo.
De volta a Belém, retoma a vigilância dos trabalhos debaixo de um calor sufocante. Quando leva algo para beber aos trabalhadores, Miriam cai de uma escada e parte um braço. A gangrena vai avançar muito rapidamente e morre poucos dias depois, a 26 de agosto de 1878, aos 32 anos. É beatificada a 13 de Novembro de 1983, pelo Papa João Paulo II e canonizada pelo Papa Francisco a 17 de Maio de 2015.
Miriam e o Espírito Santo
Miriam descobre-nos este mundo invisível tão perto de nós e que é todo misericórdia. Ensina-nos a investir toda a nossa vida “naquele que nunca passa”, o que realmente importa, Deus. A luta contra todas as forças do mal ainda está a decorrer. Esta Carmelita Descalça é conhecida por muitos como “Padroeira da Paz” para a Terra Santa, é para nós um estímulo a deixars transfigurar pelo Senhor a fim de nos convertermos a nós mesmos em artesãos desta transfiguração do mundo pela graça de Deus. Testemunho de um mundo já transfigurado, Miriam conduz-nos a esse primeiro dia da Criação, onde o Céu e a Terra ainda não foram separados, onde só há luz e trevas, esse dia Um, reflexo da Unidade divina, donde tudo resplandece desta Unidade.
Miriam sente-se atraída de modo particular pelo Espírito Santo, este Espírito que pairava sobre as águas no principio da Criação. É este Espírito Santo que ela nos quer entregar como herança, já que quando Ele vem tomar o lugar do nosso “eu” transfigura cada coisa, “cria de novo” (Isaías), “Dirigi-vos ao Espírito Santo que inspira tudo”.
“O ‘eu’ é aquele que perde o mundo. Os que têm o “eu” carregam a tristeza e a angústia com eles. Não se pode ter Deus e o mundo ao mesmo tempo. Aquele que não tem o “eu” tem todas as virtudes e a paz e a alegria". Mas com o Espírito Santo, mesmo com “uma gota” só, tudo é possível: “Fonte de paz, de luz, vem iluminar-me; eu sou ignorante, vem ensinar-me… Os discípulos eram muito ignorantes, eles estavam com Jesus e não O compreendiam… Quando lhe deste o raio de luz, os discípulos desapareceram, já não eram como foram, a sua força foi renovada… Espírito Santo, Eu abandono-me a Vós.”
Espírito Santo, inspirai-me.
Amor de Deus, consumi-me.
Ao verdadeiro caminho, conduzi-me.
Maria, Minha Mãe, olhai por mim,
Com Jesus, bendizei-me;
De todo mal, de toda a ilusão,
De todo o perigo, protegei-me.
 
 
 
 

domingo, 7 de junho de 2015

Eucaristia ... Sacramento da Caridade

Sacramento da Caridade, a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor «maior»: o amor que leva a «dar a vida pelos amigos» (Jo 15, 13). De facto, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1). … no sacramento eucarístico, Jesus continua a amar-nos « até ao fim », até ao dom do seu corpo e do seu sangue. … Que maravilha deve suscitar, … no nosso coração, o mistério eucarístico!

No sacramento do altar, o Senhor vem ao encontro do homem, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 27), fazendo-Se seu companheiro de viagem. … Neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para nós. … No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (opportune, importune: cf. 2 Tm 4, 2), que Deus é amor. Exactamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.

Bento XVI, «Sacramentum Caritatis», 1-2.