segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"... Deus manifestou-Se… como menino. É precisamente assim que Ele Se contrapõe a toda a violência e traz uma mensagem de paz. Neste tempo, em que o mundo está continuamente ameaçado pela violência em tantos lugares e de muitos modos, em que não cessam de reaparecer bastões do opressor e vestes manchadas de sangue, clamamos ao Senhor: Vós, o Deus forte, manifestastes-Vos como menino e mostrastes-Vos a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar. Fizestes-nos compreender que, unidos convosco, devemos ser artífices de paz. Amamos o vosso ser menino, a vossa não-violência, mas sofremos pelo facto de perdurar no mundo a violência, levando-nos a rezar assim: Demonstrai a vossa força, ó Deus. Fazei que, neste nosso tempo e neste nosso mundo, sejam queimados os bastões do opressor, as vestes manchadas de sangue e o calçado ruidoso da guerra, de tal modo que a vossa paz triunfe neste nosso mundo. ..."
Bento XVI,
da Homilia da Missa da Noite de Natal
(24.12.2011)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal do Arcebispo de Évora
Anuncio-vos uma grande alegria
Hoje nasceu para vós um Salvador
Aproxima-se o Natal. Ninguém pode ignorá-lo. Pois nenhuma festa é tão profusa e insistentemente anunciada como a festa de Natal. Nem sempre pelas melhores razões, bem o sabemos. Seja como for, ela é anunciada com muita antecedência e pelos mais poderosos meios de comunicação. Porventura, sem que de tal se dêem conta, dessa forma, evocam o plano salvífico de Deus e confirmam a actualidade do nascimento do Salvador.
O nascimento do Salvador é um facto histórico. Actualmente conhecemos a época e o lugar onde aconteceu. Mas naquele tempo foi anunciado por sinais luminosos e por palavras aos pastores e aos magos. O anúncio foi e ainda é essencial. Pois o nascimento do Filho de Deus não poderia ser fruto do esforço nem da dedução racional dos seres humanos. Aliás, o raciocínio não iria além de um Deus poderoso e justiceiro. E pelo anúncio chegámos ao conhecimento do Deus de amor e misericórdia.
Sem o anúncio, como seria possível reconhecer o Salvador numa criança nascida simbolicamente numa manjedoura, para mais tarde se dar em alimento espiritual aos crentes? Só quem escutou a palavra do anúncio, acreditou nela, se pôs a caminho e encontrou o que lhe fora anunciado poderia reconhecer naquela criança o Salvador, adorá-lo e oferecer-lhe presentes, como prova inequívoca de gratidão e amor sincero. Hoje, como naquele tempo, o anúncio do nascimento do Salvador continua a ser necessário. E há-de ser feito por mensageiros escolhidos e enviados por Deus. Estaremos nós dispostos a ser anunciadores de tão bela mensagem?
Como naquele tempo, a reacção ao anúncio continua a ser muito diversificada. A par das reacções de indiferença, de rejeição ou de hesitação reflexiva também existe a reacção daqueles que escutam o anúncio, acreditam nele e partem prontamente à procura do Salvador, como os pastores e os magos. E poderão encontrá-lo, revestido de humanidade, na pessoa daqueles que pouco ou nada têm e não se abrigam apenas nas grutas de animais. Também os podemos encontrar em barracas, nas camas dos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, no vão das escadas, atrás das portas onde mora a solidão e a pobreza envergonhada, nos rostos das crianças carenciadas de afecto e de esperança, nos corações dilacerados pelo abandono e em tantos seres humanos que vagueiam sem rumo no mar alto da vida.
A palavra do anjo continua a ser actual. E é dirigida a todos nós para nos anunciar “uma grande alegria”. O mesmo Salvador que nasceu em Belém, “hoje” continua a nascer na vida daqueles que escutam o anúncio, O reconhecem revestido de humanidade e lhe fazem as suas ofertas, como os pastores e os magos fizeram a Jesus, Filho de Deus e de Maria.
+ José Francisco Sanches Alves
Arcebispo de Évora

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

9º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
1. Celebramos (...) a (...) Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, data tão querida ao povo cristão. Ela insere-se bem neste clima do Advento e ilumina com esplendor de luz puríssima o nosso itinerário espiritual rumo ao Natal.
Contemplamos hoje a humilde jovem de Nazaré preservada, com privilégio extraordinário e indizível, da contaminação do pecado original e de qualquer culpa, para poder ser morada digna do Verbo encarnado. Em Maria, nova Eva, Mãe do novo Adão, o admirável e originário desígnio de amor do Pai é estabelecido de maneira ainda mais admirável. Por isso, a Igreja reconhecida aclama: "Através de Ti, Virgem Imaculada, reencontramos a vida: concebeste por obra do Espírito Santo e o mundo recebeu de Ti o Salvador" (Liturgia das Horas, Memória de Santa Maria, sábado, Antífona ao Benedictus).
2. A liturgia de hoje repropõe a narração evangélica da Anunciação. A Virgem, ao responder ao Anjo, proclama: "Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38). Maria dá o seu consentimento total com a mente e o coração aos arcanos desígnios divinos e dispõe-se a receber, primeiro na fé e depois no seio virginal, o Filho de Deus.
"Eis!". Esta sua adesão imediata à vontade divina constitui um modelo para todos nós, crentes, para que nos grandes acontecimentos, como também nas vicissitudes quotidianas, nos entreguemos totalmente ao Senhor.
Com o testemunho da sua vida, Maria encoraja-nos a acreditar no cumprimento das promessas divinas. Chama-nos ao espírito de humildade, justa atitude interior da criatura em relação ao Criador; exorta-nos a ter total esperança em Cristo, que realiza plenamente o desígnio salvífico, mesmo quando os acontecimentos se demonstram obscuros ou difíceis de aceitar. Como estrela resplandecente, Maria guia os nossos passos ao encontro do Senhor que há-de vir.
3. Caríssimos Irmãos e Irmãs! Dirijamos o olhar para a Imaculada toda Santa e toda Bela. Maria, nossa Advogada, Mãe do "Rei da paz", que esmaga a cabeça da serpente, ajude todos nós, homens e mulheres do terceiro milénio, a resistir às tentações do mal, fortaleça nos nossos corações a fé, a esperança e a caridade a fim de que, fiéis à nossa chamada, saibamos ser, ao preço de qualquer sacrifício, destemidas testemunhas de Jesus Cristo, Porta Santa da salvação eterna.
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Beato João Paulo II, "Angelus", 8 de Dezembro de 2000)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

8º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
1. Celebramos (...) a (...) Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Recordamos a intervenção extraordinária, mediante a qual o Pai celeste preservou do pecado original Aquela que seria a Mãe do seu Filho feito homem. Para Maria, que resplandece no Céu no centro da assembleia dos Beatos, se dirige hoje o olhar de todos os crentes.
Voltam à mente as palavras que Dante, no trigésimo segundo cântico do Paraíso, ouve dirigir a si por São Bernardo, última guia da sua peregrinação ultraterrena: "Volta a olhar para o rosto que tem Cristo / quanto mais se parece: só a sua clareza / unicamente te pode dispor a ver Cristo" (vv. 85-87). É o convite a contemplar o rosto de Maria, porque, mais do que qualquer outra criatura, a Mãe assemelha-se com o Filho Jesus. O esplendor que se irradia daquele rosto pode ajudar Dante a suster o impacto com a visão solene do rosto glorioso de Cristo.
2. Como é preciosa a exortação do Santo Doutor da Igreja para nós peregrinos na terra, enquanto comemoramos com alegria a "Toda Bela"! Mas a Imaculada convida-nos a não determos o nosso olhar sobre ela e a ir além, penetrando na medida do possível o mistério em que foi concebida: isto é, o mistério de Deus Uno e Trino, repleto de graça e de fidelidade. Assim como a lua brilha com a luz do sol, também o esplendor imaculado de Maria é totalmente relativo ao do Redentor. A Mãe envia-nos para o Filho; passando através dela chega-se a Cristo. Por isso, oportunamente, Dante Alighieri observa: "só a sua clareza te pode dispor a ver Cristo".
3. (...) Para ganhar confiança e dar sentido à vida, os homens precisam de se encontrar com Cristo. E a Virgem é a orientação certa para a fonte de luz e de amor que é Jesus: prepara-nos para o encontro com Ele. O povo cristão compreendeu com sabedoria esta realidade de salvação e, dirigindo-se à "Toda Santa", com filial confiança a implora assim: "Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria Mostra-nos, depois deste exílio, Jesus, o bendito fruto do teu ventre. Ó clemente, ó pia, ó doce Virgem Maria".
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Beato João Paulo II, "Angelus", 8 de Dezembro de 2001)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

7º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
1. Com a recitação do "Angelus", repetimos todos os dias três vezes: "Et Verbum caro factum est - O Verbo fez-se homem". No tempo de Advento estas palavras evangélicas assumem um significado ainda mais intenso, porque a liturgia nos faz reviver o clima da expectativa da Encarnação do Verbo. Por isso o Advento oferece o contexto ideal para a solenidade de Maria Imaculada. A humilde jovem de Nazaré, que com o seu "sim" ao anjo mudou o curso da história, foi preservada de qualquer mancha de pecado desde a sua concepção. Foi precisamente ela que beneficiou primeiro da obra de salvação realizada por Cristo, escolhida desde a eternidade para ser Sua mãe.
2. Por esta razão, hoje os nossos olhos permanecem fixos no mistério da sua Imaculada Conceição, enquanto o coração se abre para um cântico geral de agradecimento. A liturgia realça os prodígios que Deus realizou por seu intermédio: "A alegria que Eva nos tirou, tu no-la dás no teu Filho, e abres o caminho para o reino dos céus" (Hino das Laudes). Ao mesmo tempo, somos convidados a imitá-la: Maria agradou a Deus devido à sua dócil humildade. Ao mesmo tempo respondeu: "Ecce Ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum" (Lc 1, 38). "Eis aqui a serva do Senhor"! É com esta mesma disposição interior que os crentes são chamados a acolher a vontade divina em todas as circunstâncias.
3. "Seguimos-Te Virgem Imaculada, atraídos pela tua santidade" (Antífona das Laudes). Assim nos dirigimos hoje a Maria, conscientes das nossas fraquezas, mas com a certeza da sua ajuda materna e constante. (...) Peçamos agora à Virgem Imaculada que ajude todos os cristãos a serem discípulos autênticos de Cristo, para que eles tenham uma fé sempre mais pura, uma esperança mais firme e uma caridade mais generosa.
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Beato João Paulo II, "Angelus", 8 de Dezembro de 2002)

domingo, 4 de dezembro de 2011

6º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
(...) celebramos a (...) Imaculada Conceição. É [um tempo] de intenso júbilo espiritual, no qual contemplamos a Virgem Maria, "humilde e a mais excelsa das criaturas / ponto fixo de eterno conselho", como canta o sumo poeta Dante (Par., XXXIII, 3). Nela resplandece a eterna bondade do Criador que, no seu desígnio de salvação, a escolheu para ser a mãe do seu Filho unigénito e, em previsão da morte de Cristo, a preservou de toda a mancha de pecado (cf. Oração da Colecta). Desta maneira, na Mãe de Cristo e nossa Mãe realizou-se perfeitamente a vocação de cada ser humano. Todos os homens, recorda o apóstolo Paulo, estão chamados para que sejam santos e sem defeito diante d'Ele, no amor (cf. Ef 1, 4). Ao dirigir o olhar para Nossa Senhora, como não deixar que ela desperte em nós, seus filhos, a aspiração pela beleza, pela bondade, e pela pureza do coração? A sua pureza celestial leva-nos para Deus, ajudando-nos a superar a tentação de uma vida medíocre, feita de compromissos com o mal, para nos orientarmos decididamente para o bem autêntico, que é fonte de alegria. (...)
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Bento XVI, "Angelus" - Praça de São Pedro, 8 de Dezembro de 2005)

sábado, 3 de dezembro de 2011

5º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
(...) uma das festas mais bonitas e populares da Bem-Aventurada Virgem: a Imaculada Conceição. Maria não só não cometeu pecado algum, mas foi preservada até da herança comum do género humano que é o pecado original. E isto devido à missão para a qual Deus a destinou desde o início: ser a Mãe do Redentor. Tudo isto está contido na verdade da fé da "Imaculada Conceição". O fundamento bíblico deste dogma encontra-se nas palavras que o Anjo dirigiu à jovem de Nazaré: "Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo" (Lc 1, 28).
"Cheia de graça" (...) é o nome mais bonito de Maria, nome que lhe foi conferido pelo próprio Deus, para indicar que ela é desde sempre e para sempre a amada, a eleita, a predestinada para acolher o dom mais precioso, Jesus, "o amor encarnado de Deus" (Enc. Deus caritas est,12).
Podemos perguntar: por que, entre todas as mulheres, Deus escolheu precisamente Maria de Nazaré? A resposta está escondida no mistério insondável da vontade divina. Contudo há uma razão que o Evangelho ressalta: a sua humildade. Ressalta isto muito bem Dante Alighieri no último Canto do Paraíso: "Virgem Mãe, filha do teu Filho, / humilde e alta mais do que criatura, / fim firme do conselho eterno" (Par. XXXIII, 1-3). A própria Virgem no "Magnificat", o seu cântico de louvor, diz isto: "A minha alma glorifica o Senhor... porque pôs os olhos na humildade da sua serva" (Lc 1, 46.48). Sim, Deus foi atraído pela humildade de Maria, porque achou graça diante dos olhos de Deus (cf. Lc 1, 30). Tornou-se assim a Mãe de Deus, imagem e modelo da Igreja, eleita entre os povos para receber a bênção do Senhor e difundi-la a toda a família humana. Esta "bênção" mais não é do que Jesus Cristo. É Ele a Fonte da graça, da qual Maria foi repleta desde o primeiro momento da sua existência. Acolheu Jesus com fé e com amor o deu ao mundo. Esta é também a nossa vocação e a missão da Igreja: acolher Cristo na nossa vida e doá-lo ao mundo, "para que o mundo seja salvo por Ele" (Jo 3,17).
(...) a (...) festa da Imaculada ilumina como um farol o tempo do Advento, que é tempo de vigilante e confiante expectativa do Salvador. Enquanto nos encaminhamos ao encontro do Deus que vem, olhamos para Maria que "brilha como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do Povo de Deus peregrino" (Lumen gentium, 68).
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Bento XVI, "Angelus" - Praça de São Pedro, 8 de Dezembro de 2006)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

4º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
No caminho do Advento brilha a estrela de Maria Imaculada, "sinal certo de esperança e de conforto" (Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 68). Para chegar a Jesus, luz verdadeira, sol que dissipou todas as trevas da história, precisamos de luzes próximas de nós, pessoas humanas que reflictam a luz de Cristo e iluminam assim o caminho a percorrer. E qual pessoa é mais luminosa do que Maria? Quem pode ser para nós estrela de esperança melhor do que ela, aurora que anunciou o dia da salvação (cf. Enc. Spe salvi, 49)? Por isso, a liturgia nos faz celebrar (...), na proximidade do Natal, a festa solene da Imaculada Conceição de Maria: o mistério da graça de Deus que envolveu desde o primeiro momento da sua existência a criatura destinada a tornar-se a Mãe do Redentor, preservando-a do contágio do pecado original. Olhando para ela, nós reconhecemos a altura e a beleza do projecto de Deus para cada homem: tornar-se santos e imaculados no amor (cf. Ef 1, 4), à imagem do nosso Criador.
Que dom grandioso ter como mãe Maria Imaculada! Uma mãe resplandecente de beleza, transparente ao amor de Deus. Penso nos jovens de hoje, que cresceram num ambiente saturado de mensagens que propõem falsos modelos de felicidade. Estes jovens correm o risco de perder a esperança porque com frequência parecem ser órfãos do verdadeiro amor, que enche a vida de significado e de alegria. Este foi um tema muito querido ao meu predecessor João Paulo II, que muitas vezes propôs Maria à juventude do nosso tempo como "Mãe do belo amor". Infelizmente muitas experiências nos dizem que os adolescentes, os jovens e até as crianças são vítimas fáceis da corrupção do amor, enganados por adultos sem escrúpulos que, mentindo a si mesmos e a eles, os atraem para os becos sem saída do consumismo: também as realidades mais sagradas, como o corpo humano, templo do Deus do amor e da vida, se tornam assim objectos de consumo; e isto acontece sempre mais cedo, já na pré-adolescência. Que tristeza quando os jovens perdem a admiração, o encanto dos sentimentos mais belos, o valor do respeito do corpo, manifestação da pessoa e do seu mistério insondável!
Maria, a Imaculada que contemplamos em toda a sua beleza e santidade, recorda-nos tudo isto. Da cruz Jesus confiou-a a João e a todos os discípulos (cf. Jo 19, 27), e desde então tornou-se Mãe de toda a humanidade, Mãe da esperança. A ela dirigimos com fé a nossa oração, (...). Maria Imaculada, "estrela do mar, brilha sobre nós e guia-nos no nosso caminho!" (Enc. Spe salvi, 50).
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Bento XVI, "Angelus" - Praça de São Pedro, 8 de Dezembro de 2007)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PALAVRA DE VIDA
Dezembro de 2011
Chiara Lubich
«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». (Lc 3, 4)

Neste tempo do Advento, aqui está uma nova “palavra”, que somos convidados a viver. O evangelista Lucas foi buscar a frase de Isaías, o profeta da consolação. Para os primeiros cristãos, ela é atribuída a João, o Baptista, que precedeu Jesus.

E a Igreja, neste tempo que antecede o Natal, apresentando – como dizíamos – o Precursor, convida-nos a viver na alegria, porque João Baptista é como um mensageiro que anuncia o Rei. Este, de facto, está para chegar. Aproxima-se o tempo em que Deus cumpre as Suas promessas, perdoa os pecados, dá a salvação.

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». (Lc 3, 4)

Mas, se esta é uma palavra de alegria, é também um convite para uma nova orientação de toda a nossa existência, para uma mudança radical de vida.

O Baptista convida a preparar o caminho do Senhor. Mas qual é esse caminho?

Anunciado pelo Baptista, Jesus, antes de sair para a vida pública e começar a sua pregação, passou pelo deserto. Foi este o Seu caminho. E no deserto, se por um lado encontrou a profunda intimidade com o Seu Pai, encontrou também as tentações – fazendo-se assim solidário com todas as pessoas –, das quais saiu vencedor. E esse mesmo percurso encontramos mais tarde, na Sua morte e ressurreição. Jesus, tendo percorrido o Seu caminho até ao fim, torna-se Ele mesmo “caminho” para nós, que estamos a caminho.

Jesus é o caminho por onde devemos seguir para podermos realizar profundamente a nossa vocação humana, que é entrar na plena comunhão com Deus.

Cada um de nós é chamado a preparar o caminho a Jesus, que quer entrar na nossa vida. É preciso, então, endireitar as veredas da nossa existência, para que Ele possa entrar em nós.

Temos que Lhe preparar o caminho, eliminando, um por um, todos os obstáculos: aqueles que são postos pelo nosso modo limitado de ver as coisas, pela nossa vontade fraca.

Temos de ter a coragem de escolher entre um caminho feito por nós e o que Ele preparou para nós. Entre a nossa vontade e a Sua. Entre um programa querido por nós e aquele que foi pensado pelo Seu amor omnipotente.

E uma vez tomada essa decisão, temos de trabalhar para adaptar a nossa vontade recalcitrante à Sua. Como? Os cristãos realizados ensinam um método bom, prático, inteligente: fazê-lo agora, neste momento.

No momento presente retiremos uma pedra após outra, para que nunca mais viva a nossa vontade em nós, mas sim a Sua.

Assim viveremos a Palavra:

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas». (Lc 3, 4)

Palavra de Vida, Dezembro de 1997, publicada em Città Nuova, 1997/22, pp. 32-33.

3º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
(...) O mistério da Imaculada Conceição de Maria, (...), recorda-nos duas verdades fundamentais da nossa fé: antes de tudo, o pecado original e, depois, a vitória da graça de Cristo sobre ele, vitória que resplandece de modo sublime em Maria Santíssima. A existência do que a Igreja chama "pecado original", infelizmente é de uma evidência esmagadora, basta olharmos à nossa volta e, em primeiro lugar, dentro de nós. Com efeito, a experiência do mal é tão consistente que se impõe por si só e suscita em nós a pergunta: de onde provém? Especialmente para o crente a questão é ainda mais profunda: se Deus, que é Bondade absoluta, criou tudo, de onde vem o mal? As primeiras páginas da Bíblia (Gn 1-3) respondem exactamente a esta pergunta fundamental, que interpela todas as gerações humanas, com a narração da criação e da queda dos progenitores: Deus criou tudo para a existência, em particular criou o ser humano à sua imagem; não criou a morte, mas ela entrou no mundo por inveja do demónio (cf. Sb 1, 13-14; 2, 23-24), que ao revoltar-se contra Deus, atraiu para o engano também os homens, induzindo-os à rebelião. É o drama da liberdade, que Deus aceita até ao fim por amor, prometendo contudo que haverá um filho de mulher que esmagará a cabeça da antiga serpente (Gn 3, 15).
Por conseguinte, desde o princípio "o eterno conselho" como diria Dante tem um "termo fixo" (
Paraíso, XXXIII, 3): a Mulher predestinada para ser mãe do Redentor, mãe d'Aquele que se humilhou até ao extremo para nos reconduzir à nossa originária dignidade. Esta Mulher, aos olhos de Deus, desde sempre tem um rosto e um nome: "cheia de graça" (Lc 1, 28), como foi chamada pelo Anjo que a visitou em Nazaré. É a nova Eva, esposa do novo Adão, destinada a ser mãe de todos os remidos. Assim escrevia Santo André de Creta: "A Theotókos Maria, o refúgio comum de todos os cristãos, foi a primeira a ser libertada da primitiva queda dos nossos progenitores" (Homilia IV sobre a Natividade, pg 97, 880 a). E a liturgia hodierna afirma que Deus "preparou uma digna morada para o seu Filho e, em previsão da sua morte, preservou-a de toda a mancha de pecado" (Oração da Colecta).
Caríssimos, em Maria Imaculada nós contemplamos o reflexo da Beleza que salva o mundo: a beleza de Deus que resplandece sobre a face de Cristo. Em Maria esta beleza é totalmente pura, humilde, livre de qualquer soberba e presunção. (...)
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Bento XVI, "Angelus" - Praça de São Pedro, Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

2º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
(...) o que significa que Maria é "Imaculada"? E o que diz a nós este título? Antes de mais, façamos referência aos textos bíblicos da liturgia hodierna, especialmente ao grande "afresco" do terceiro capítulo do Livro do Génesis e à narração da Anunciação do Evangelho de Lucas. Depois do pecado original, Deus dirige-se à serpente, que representa Satanás, amaldiçoa-a e acrescenta uma promessa: "Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça, ao tentares mordê-la no calcanhar" (Gn 3, 15). É o anúncio de uma vitória: Satanás, no início da criação parece estar em vantagem, mas virá um filho de mulher que lhe esmagará a cabeça. Assim, mediante a descendência da mulher, o próprio Deus vencerá. Aquela mulher é a Virgem Maria, da qual nasceu Jesus Cristo que, com o seu sacrifício, derrotou de uma vez para sempre o antigo tentador. Por isso, em muitos quadros ou imagens da Imaculada, Ela é representada no acto de esmagar uma serpente sob os seus pés. Ao contrário, o Evangelista Lucas mostra-nos a Virgem Maria quando recebe o anúncio do Mensageiro celeste (cf. Lc 1, 26-38). Ela aparece como a humilde e autêntica filha de Israel, verdadeira Sião na qual Deus quer estabelecer a sua morada. É o rebento do qual deve nascer o Messias, o Rei justo e misericordioso. Na simplicidade da casa de Nazaré vive o "resto" puro de Israel, do qual Deus quer fazer renascer o seu povo, como uma árvore nova que estenderá os seus ramos no mundo inteiro, oferecendo a todos os homens frutos bons de salvação. Diferentemente de Adão e Eva, Maria permanece obediente à vontade do Senhor, pronuncia o seu "sim" total e põe-se plenamente à disposição do desígnio divino. É a nova Eva, verdadeira "mãe de todos os vivos", isto é, de quantos pela fé em Cristo recebem a vida eterna.
Queridos amigos, que imensa alegria ter por mãe Maria Imaculada! Cada vez que experimentamos a nossa fragilidade e a sugestão do mal, podemos dirigir-nos a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto. Também nas provações da vida, nas tempestades que fazem vacilar a fé e a esperança, pensemos que somos seus filhos e que as raízes da nossa existência afundam na graça infinita de Deus. A própria Igreja, embora exposta às influências negativas do mundo, encontra sempre nela a estrela para se orientar e seguir a rota que lhe foi indicada por Cristo. (...)
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Bento XVI, "Angelus" - Praça de São Pedro, Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

1º Dia
NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
(...) «Alegra-te, ó cheia de graça: o Senhor está contigo» — diz o mensageiro de Deus, e deste modo revela a identidade mais profunda de Maria, o «nome», por assim dizer, com que o próprio Deus a conhece: «cheia de graça». Esta expressão, que nos é tão familiar desde a infância porque a pronunciamos todas as vezes que recitamos a «Ave-Maria», oferece-nos a explicação do mistério (...) [da Imaculada Conceição]. De facto, Maria, desde o momento em que foi concebida pelos seus pais, foi objecto de uma singular predilecção da parte de Deus, o qual, no seu desígnio eterno, a escolheu para ser a mãe do seu Filho feito homem e, por conseguinte, a preservou do pecado original. Por isso o Anjo dirige-se a ela com este nome, que literalmente significa: «desde o início cheia do amor de Deus», da sua graça.
O mistério da Imaculada Conceição é fonte de luz interior, de esperança e de conforto. No meio das provações da vida e sobretudo das contradições que o homem experimenta dentro de si e à sua volta, Maria, Mãe de Cristo, diz-nos que a Graça é maior que o pecado, que a misericórdia de Deus é mais poderosa que o mal e sabe transformá-lo em bem. Infelizmente todos os dias experimentamos o mal, que se manifesta de muitos modos nas relações e nos acontecimentos, mas que tem a sua raiz no coração do homem, um coração ferido, doente e incapaz de se curar sozinho. A Sagrada Escritura revela-nos que na origem de cada mal está a desobediência à vontade de Deus, e que a morte ganhou domínio porque a liberdade humana cedeu à tentação do Maligno. Mas Deus não falta ao seu desígnio de amor e de vida: através de um caminho de reconciliação longo e paciente preparou a aliança nova e eterna, selada no sangue do seu Filho, que para se oferecer a si mesmo em expiação «nasceu de mulher» (Gl 4, 4). Esta mulher, a Virgem Maria, beneficiou antecipadamente da morte redentora do seu Filho e desde a concepção foi preservada do contágio da culpa. Por isso, com o seu Coração imaculado, Ela diz-nos: confiai-vos a Jesus, Ele salvar-vos-á. (...)
(Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Bento XVI, "Angelus" - Praça de São Pedro, Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O POVO DE DEUS “REZA PELOS SACERDOTES”
“Estes são os que não se perverteram com mulheres, porque são virgens; estes são os que seguem o Cordeiro para toda a parte. Foram resgatados, como primícias da humanidade, para Deus e para o Cordeiro. Na sua boca não se achou mentira: são irrepreensíveis.” (Ap 14, 4-5)

“Possam todas as comunidades cristãs tornar-se "autênticas escolas de oração", onde se reze a fim de que não faltem trabalhadores no vasto campo do trabalho apostólico. Além disso, é necessário que a Igreja acompanhe com constante primor espiritual as pessoas chamadas por Deus e que "seguem o Cordeiro por onde quer Ele vá" (Ap 14, 4). Refiro-me aos sacerdotes, às religiosas, aos religiosos, aos eremitas, às virgens consagradas, aos membros dos Institutos seculares, em síntese, a todos aqueles que receberam o dom da vocação e trazem “este tesouro... em vasos de barro" (2 Cor 4, 7).
Mensagem do Beato João Paulo II para o 41º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O SACERDOTE “CONSTRUTOR DE COMUNIDADE”
”Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita. O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará.” (1ª Cor, 13, 3-8)

“...aprendei d’Aquele que Se definiu a Si mesmo como manso e humilde de coração, despojando-vos para isso de todo o desejo mundano, de modo que não busqueis o vosso próprio interesse, mas edifiqueis, com a vossa conduta, aos vossos irmãos…”
Homilia do Papa Bento XVI aos Seminaristas na XXVI JMJ de Madrid (20 de Agosto de 2011)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O SACERDOTE “COMPANHEIRO DE VIAGEM
E SERVIDOR DOS HOMENS”
“...aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho…” (Lc 24, 15)

«Eis-me aqui para fazer a Tua vontade» (cf. Sal 39, 8-9). [Jesus] Procurava agradar [ao Pai] em tudo: ao falar e ao agir, percorrendo os caminhos ou acolhendo os pecadores. A Sua vida foi um serviço, e a sua dedicação abnegada uma intercessão perene, colocando-Se em nome de todos diante do Pai com Primogénito de muitos irmãos. ... A Eucaristia, ..., é a expressão real dessa entrega incondicional de Jesus por todos, incluindo aqueles que O entregavam: … . O corpo rasgado e o sangue derramado de Cristo, … , converteram-se, através dos sinais eucarísticos, na nova fonte da liberdade redimida dos homens. N’Ele temos a promessa duma redenção definitiva e a esperança segura dos bens futuros. Por Cristo, sabemos que não estamos caminhando para o abismo, para o silêncio do nada ou da morte, mas seguindo para a terra prometida, para Ele que é nossa meta e também nosso princípio. Queridos amigos, preparais-vos para ser apóstolos com Cristo e como Cristo, para ser companheiros de viagem e servidores dos homens.”
Homilia do Papa Bento XVI aos Seminaristas na XXVI JMJ de Madrid (20 de Agosto de 2011)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O SACERDOTE “IMAGEM DE CRISTO”
“… deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito.” (Rm 12, 2) e poderdes dizer com verdade e com a vida “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20).

“Cada época tem os seus problemas, mas Deus dá em cada tempo a graça oportuna para os assumir e superar com amor e realismo. Por isso, em toda e qualquer circunstância em que se encontre e por mais dura que esta seja, o sacerdote tem de frutificar em toda a espécie de boas obras, conservando sempre vivas no seu íntimo aquelas palavras do dia da sua Ordenação com que era exortado a configurar a sua vida com o mistério da cruz do Senhor. Configurar-se com Cristo comporta, ..., identificar-se sempre mais com Aquele que por nós Se fez servo, sacerdote e vítima. Na realidade, configurar-se com Ele é a tarefa em que o sacerdote há-de gastar toda a sua vida. Já sabemos que nos ultrapassa e não a conseguiremos cumprir plenamente, mas, como diz São Paulo, corremos para a meta esperando alcança-la (cf. Flp 3, 12-14).”
Homilia do Papa Bento XVI aos Seminaristas na XXVI JMJ de Madrid(20 de Agosto de 2011)

domingo, 6 de novembro de 2011

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS
Senhor Jesus, Bom Pastor,
que em obediência ao Pai
dais a vida pelas ovelhas,
concedei-nos as vocações sacerdotais
de que a Igreja e o mundo tanto necessitam.
Fazei que as nossas famílias e comunidades
sejam campo fértil, onde possam germinar.
Abençoai o trabalho apostólico
dos sacerdotes, catequistas e educadores
para que acompanhem a vocação sacerdotal
daqueles que escolheis
Dai aos jovens seminaristas a coragem de Vos seguir
e o dom de configurarem o seu coração com o Vosso.
E que Santa Maria, Vossa Mãe, Rainha dos Apóstolos,
os guie e proteja, até chegarem a ser
pastores consagrados a Deus e ao seu Povo.
ÁMEN.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vida de oração como a de Jesus,
onde bebem todos os que têm sede de Deus.

1ª Parte



2ª Parte



3ª Parte



Mosteiro de Cristo Orante - Argentina

terça-feira, 1 de novembro de 2011

PALAVRA DE VIDA
Novembro de 2011
Chiara Lubich
«Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora» (Mt 25, 13)
Jesus tinha acabado de sair do templo. Os discípulos, cheios de orgulho, fizeram-Lhe notar a imponência e a beleza do edifício. Mas Jesus disse-lhes: «Vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra: tudo será destruído» (Mt 24, 2). Depois subiu ao Monte das Oliveiras, sentou-se e, olhando para Jerusalém que estava diante de Si, começou a falar da destruição da cidade, e do fim do mundo.
Os discípulos perguntaram-Lhe quando e como aconteceria o fim do mundo. Essa questão foi posta também pelas gerações cristãs que se seguiram, e é uma questão levantada por todo o ser humano. Realmente, o futuro é misterioso e, muitas vezes, assusta. Ainda hoje há quem interrogue os magos e consulte o horóscopo para saber como será o futuro, e o que pode vir a acontecer...
A resposta de Jesus é muito clara: o fim dos tempos coincide com a Sua vinda. Ele, Senhor da História, há-de voltar. É Ele o ponto luminoso do nosso futuro.
E quando será esse encontro? Ninguém sabe, pode ser a qualquer momento. De facto, a nossa vida está nas Suas mãos. Ele deu-no-Ia. E Ele pode retomá-la também, de um momento para o outro, sem aviso prévio. No entanto, previne-nos que a melhor forma de nos prepararmos para esse acontecimento é estarmos vigilantes.
«Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora» (Mt 25, 13)
Com estas palavras, Jesus recorda-nos, antes de mais, que Ele há-de vir. A nossa vida na Terra irá terminar e terá início uma vida nova, que nunca mais terá fim. Hoje em dia, ninguém gosta de falar da morte. Às vezes as pessoas fazem de tudo para se distraírem, mergulhando completamente nas ocupações quotidianas. Acabam por se esquecer até d’Aquele que nos deu a vida e que nos vai voltar a pedi-Ia para nos conceder a plenitude da vida, na comunhão com o Seu Pai, no Paraíso.
Estaremos nós prontos para ir ao Seu encontro? Teremos a lâmpada acesa, como as virgens prudentes que estão à espera do Esposo? Ou seja, estaremos no amor? Ou estará apagada a nossa lâmpada porque, ocupados pelas muitas coisas a fazer, pelas alegrias efémeras, pela posse dos bens materiais, acabámos por nos esquecer da única coisa necessária, que é amar?
«Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora» (Mt 25, 13)
Mas como vigiar? Antes de mais – sabemos bem –, vigia bem, precisamente, quem ama. É o que faz a esposa que aguarda o marido que se atrasou no trabalho, ou que está de regresso de uma longa viagem. Como faz a mãe que se inquieta com a demora do filho a chegar a casa. Ou o namorado que está ansioso por encontrar a namorada... Quem ama sabe esperar até mesmo quando o outro se demora.
Esperamos Jesus se O amarmos e se desejarmos ardentemente estar com Ele. E esperamo-Lo amando concretamente, servindo-O, por exemplo, em quem esta próximo de nós, ou esforçando-nos por edificar uma sociedade mais justa. É o próprio Jesus que nos convida a viver assim, ao contar a parábola do servo fiel. Este, enquanto espera o regresso do seu patrão, toma conta dos outros empregados e dos negócios da casa. Ou a parábola dos servos que, também à espera do regresso do dono da casa, se esforçam por fazer render os talentos recebidos.
«Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora» (Mt 25, 13)
Exactamente porque não sabemos o dia nem a hora da Sua vinda, podemos concentrar-nos mais facilmente no hoje que nos é dado, na tarefa de cada dia, no momento presente que a Providência nos oferece para viver.
Há tempos, veio-me o desejo espontâneo de dirigir a Deus esta oração.
Gostaria de a recordar agora.
«Jesus,
faz-me falar sempre
como se fosse a última palavra que possa dizer.
Faz-me agir sempre
como se fosse
a ultima acção que possa fazer.
Faz-me sofrer sempre
como se fosse o último sofrimento
que tenho para te oferecer.
Faz-me rezar sempre
como se fosse
a minha última possibilidade,
aqui na Terra,
de poder falar contigo».*
* Em PARAR O TEMPO, de Chiara Lubich, Editora Cidade Nova, Lisboa 2001, p. 30.

Palavra de Vida, Novembro de 2002, publicada em Città Nuova, 2002/20, p. 7

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Abri as portas a Cristo!
Não temais, não tenhais medo:
Escancarai o coração ao Amor de Deus.

1. Testemunha de Esperança, para quem espera a salvação,
peregrino por amor, pelos caminhos do mundo.

2. Verdadeiro Pai dos jovens, enviaste pelo mundo,
sentinela da manhã, sinal vivo de esperança.

3. Testemunha da Fé, que anunciaste com a vida,
firme e forte na prova, confirmaste os teus irmãos.

4. Ensinastes para cada homem a beleza da vida
indicando a família como um sinal de amor.

...


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"... o forte desejo de entrar em união de vida com Deus, abandonando tudo o demais, tudo aquilo que impede esta comunhão e deixando-se aprisionar do imenso amor de Deus para viver só deste amor.
... vós haveis encontrado o tesouro escondido, a pérola de grande valor (cf. Mt 13, 44-46), haveis respondido com radicalidade ao convite de Jesus: "Se queres ser perfeito, vai, vende aquilo que possuis, dá-o aos pobres e terá um tesouro no céu, depois vem e segue-me!" (Mt 19, 21).
O monge, deixando tudo, por assim dizer "arrisca-se": expõe-se à solidão e ao silêncio para não viver de outra coisa que do essencial, e vivendo no essencial encontra uma profunda comunhão com os irmãos, com cada homem.

... vós que viveis num voluntário isolamento, estais na realidade no coração da Igreja, e fazeis circular nas suas veias o sangue puro da contemplação e do amor de Deus."
Bento XVI, «Celebração de Vésperas»
na Igreja da Cartuxa da Serra de São Bruno (9 de Outubro de 2011)

Tradução do Italiano ao Português da responsabilidade do autor deste blog.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde há ódio, que eu leve o Amor;
Onde há ofensa, que eu leve o Perdão;
Onde há discórdia, que eu leve a União;
Onde há dúvida, que eu leve a Fé.
Onde há erro, que eu leve a Verdade;
Onde há desespero, que eu leve a Esperança;
Onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
Onde há trevas, que eu leve a Luz.
Oh Mestre, fazei que eu procure menos
ser consolado do que consolar,
ser compreendido do que compreender,
ser amado do que amar.
Porque é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se ressuscita para a Vida Eterna.
São Francisco de Assis

sábado, 1 de outubro de 2011

PALAVRA DE VIDA
Outubro de 2011
Chiara Lubich
«Segue-me!» (Mt 9, 9).
Quando saía de Cafarnaum, Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Mateus, sentado no posto de cobrança. Mateus estava a exercer um cargo que as pessoas consideravam odioso e que o identificava com os usurários e os exploradores, que enriqueciam à custa dos outros. Os escribas e os fariseus punham-no no mesmo plano dos pecadores públicos, a ponto de censurarem Jesus por ser «amigo de cobradores de impostos e pecadores» e por comer com eles (cf. Mt 11, 19; 9, 10-11).
Jesus, indo contra toda a convenção social, chamou Mateus a segui-Lo e aceitou jantar na sua casa, como faria mais tarde com Zaqueu, o chefe dos cobradores de impostos de Jericó. Ao pedirem-Lhe explicações sobre este comportamento, Jesus disse que Ele veio para curar os doentes, e não para os que têm saúde. Veio chamar, não os justos, mas os pecadores.
E o seu convite, desta vez, era dirigido precisamente a um deles: «Segue-me!».
Jesus já tinha dirigido esta Palavra a André, Pedro, Tiago e João, nas margens do lago. O mesmo convite, com outras palavras, dirigiu também a Paulo, no caminho de Damasco.
Mas Jesus não ficou por ali. Ao longo dos séculos continuou a chamar, para O seguirem, homens e mulheres de todos os povos e nações. E faz isso ainda hoje: passa na nossa vida, encontra-nos em lugares diferentes, de modos diferentes, e faz-nos sentir novamente o Seu convite a segui-Lo.
Chama-nos a estar com Ele, porque quer estabelecer conosco um relacionamento pessoal, e, ao mesmo tempo, convida-nos a colaborar com Ele no grande projeto de uma humanidade nova.
Não se importa com as nossas fraquezas, os nossos pecados, as nossas misérias. Ele ama-nos e escolhe-nos tal como somos. É o Seu amor que nos irá transformar e dar a força para Lhe responder e a coragem para O seguir, como fez Mateus. E, para cada um, Ele tem um amor, um projeto de vida, um chamamento particular. Sentimos isso no coração, através de uma inspiração do Espírito Santo ou através de determinadas circunstâncias, de um conselho, de uma indicação de um amigo nosso… Embora manifestando-se nos modos mais variados, é a mesma Palavra que ressoa:
«Segue-me!» (Mt 9, 9).
Lembro-me quando, também eu, senti esse chamamento de Deus. Foi numa manhã frigidíssima de inverno, em Trento. A minha mãe pediu à minha irmã mais nova para ir buscar o leite, a dois quilómetros de casa. Mas estava muito frio e ela não foi. Também a minha outra irmã se recusou a ir. Então eu adiantei-me: «Vou eu, mãe», disse-lhe, e peguei na garrafa. Saí de casa e, a meio do caminho, aconteceu um facto um pouco especial: pareceu-me que o Céu se estava a abrir e que Deus me convidava a segui-Lo. «Dá-te toda a Mim», ouvi no meu coração.
Era o chamamento explícito, a que desejei responder imediatamente. Falei disso ao meu confessor e ele permitiu que me desse a Deus para sempre. Era o dia 7 de dezembro de 1943. Jamais poderei descrever o que se passou dentro de mim, naquele dia: tinha desposado Deus. Podia esperar tudo Dele.
«Segue-me!» (Mt 9, 9).
Esta Palavra não se refere só ao momento determinante da decisão da nossa vida. Jesus continua a dirigi-la a nós, todos os dias. «Segue-me!», parece sugerir-nos perante os mais simples deveres quotidianos: «segue-me» naquela dificuldade a abraçar, naquela tentação a vencer, naquele trabalho a fazer…
Como responder-lhe concretamente?
Fazendo aquilo que Deus quer de nós no momento presente. O que traz consigo, sempre, uma graça particular. O que temos a fazer neste mês deve ser, portanto, entregarmo-nos à vontade de Deus com toda a decisão. Darmo-nos ao irmão e à irmã que devemos amar, ao trabalho, ao estudo, à oração, ao descanso, à actividade que devemos realizar. Temos que aprender a ouvir a voz de Deus no fundo do coração. Ele fala também através da voz da consciência. Esta diz-nos aquilo que Deus quer de nós em cada momento. Mas temos que estar prontos a sacrificar tudo o resto para o realizar.
«Faz com que Te amemos, ó Deus, cada dia um pouco mais. Mas, porque podem ser demasiado poucos os dias que nos restam, faz com que Te amemos, em cada momento presente, com todo o coração, toda a alma e todas as forças, naquela que é a Tua vontade».
Este é o melhor método para seguir Jesus.
Palavra de Vida, Junho de 2005, publicada em Cidade Nova, 2005/06, p. 16.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Jesus é a palavra que temos de falar.
Jesus é a verdade que temos de gritar.
Jesus é o caminho que temos de percorrer.
Jesus é a luz que temos de acender.
Jesus é a vida que temos de viver.
Jesus é o amor que temos de amar.
Jesus é a alegria que temos de partilhar.
Jesus é o sacrifício que temos de oferecer.
Jesus é a paz que temos de levar.
Jesus é o faminto a quem temos de matar a fome.
Jesus é o sedento a quem temos de matar a sede.
Jesus é o nu que temos de vestir.
Jesus é o sem-tecto que temos de abrigar.
Jesus é o doente que temos de tratar.
Jesus é o abandonado que temos de amar.
Jesus é o não-querido que temos de querer…
Beata Teresa de Calcutá

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Celebramos a festa da santa cruz, que dissipou as trevas e nos restituiu a luz. Celebramos a festa da santa cruz, e juntamente com o Crucificado somos elevados para o alto, para que, deixando a terra do pecado, alcancemos os bens celestes. Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.
Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.
Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz!
Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
(Sermão 10, na Exaltação da Santa Cruz: Sec. VIII)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

“O Nome de Maria
é nome de salvação para os regenerados,
sinal de todas as virtudes,
honra da castidade;
é o sacrifício agradável a Deus;
é a virtude da hospitalidade;
é a escola de santidade;
é, enfim, um nome completamente maternal.”
São Pedro Crisólogo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Hoje nasce a Virgem Maria; será amamentada e crescerá, preparando-se deste modo para ser a Mãe de Deus, Rei de todos os séculos.
Deste nascimento nos vem um duplo benefício: por um lado, eleva-nos ao conhecimento da verdade; e por outro, liberta-nos de uma vida escravizada à letra da lei.
Cantem e exultem todas as criaturas e participem condignamente na alegria deste dia. Juntem-se nesta celebração festiva os céus e a terra, tudo o que há no mundo e acima do mundo. Porque hoje é o dia em que o Criador do universo edificou o seu templo; hoje é o dia em que a criatura prepara uma nova e digna morada para o seu Criador."
Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
(Sermão 1: PG 97, 806-810) (Sec. VIII)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

“A misericórdia do médico celestial não se atrasa
se não vacilar nem diminuir
a intensa súplica dos que oram.”

São Beda, O Venerável

domingo, 4 de setembro de 2011

PALAVRA DE VIDA
Setembro de 2011
Chiara Lubich
«Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 32)
Esta frase está no final da parábola do filho pródigo (que conhecemos, de certeza), e quer revelar-nos a grandeza da misericórdia de Deus. A parábola conclui um capítulo do Evangelho de São Lucas, em que Jesus narra mais duas parábolas, para ilustrar o mesmo assunto: o episódio da ovelha perdida, cujo dono deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura dela (cf. Lc 15, 4-7); e a história da dracma perdida, com a alegria da mulher que, ao encontrá-la, chama as amigas e as vizinhas para que se alegrem com ela (cf. Lc 15, 8-10).
«Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 32)
Estas palavras são um convite que Deus dirige a cada um de nós – e a todos os cristãos – para nos regozijarmos com Ele, fazermos uma festa e participarmos na Sua alegria pelo regresso do pecador, que estava perdido e foi encontrado. Na parábola, estas palavras são ditas pelo pai ao filho mais velho – com quem tinha partilhado toda a sua vida –, mas que, após um dia árduo de trabalho, se recusa a entrar em casa onde se festeja o regresso do irmão.
O pai vai ao encontro do filho fiel, como foi ao encontro do filho perdido, e tenta convencê-lo. Mas é evidente o contraste entre os sentimentos do pai e os do filho mais velho: o pai revela um amor sem medidas e uma grande alegria, que desejaria ver partilhada por todos. O filho, pelo contrário, está cheio de desprezo e de ciúmes do irmão, que já nem reconhece como tal. De facto, ao falar dele, diz: «Esse teu filho, que gastou os teus bens» (Lc 15, 30).
O amor e a alegria do pai, pelo filho que voltou, acentuam ainda mais o rancor do outro. Rancor que revela um relacionamento frio e – poderíamos dizer – falso para com o próprio pai. Para este filho é mais importante o trabalho e o cumprimento dos deveres, e nem parece amar o pai com um amor de filho. Dá mais a impressão que lhe obedece como a um patrão.
«Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado»
(Lc 15, 32)
Com estas palavras Jesus denuncia um perigo em que também nós podemos cair: vivermos para sermos umas boas pessoas, baseando-nos na busca da própria perfeição, e considerando os irmãos inferiores a nós. O facto é que, se estivermos “apegados” à perfeição, edificamos a nossa pessoa sem Deus. Enchemo-nos de nós mesmos, ficamos cheios de admiração por nós mesmos. Fazemos como o filho que ficou em casa e que enumera ao pai as suas qualidades: «Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua» (Lc 15, 29).
«Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado»
(Lc 15, 32)
Com estas palavras Jesus vai contra o tipo de comportamento que assenta a relação com Deus unicamente na observância dos mandamentos. É que uma tal observância já não chega. E a tradição hebraica também está bem ciente disso. Nesta parábola, Jesus põe em evidência o Amor divino, mostrando como Deus, que é Amor, dá o primeiro passo para ir ao encontro de cada pessoa. Não analisa se ela o merece ou não, mas quer que cada um se abra a Ele para poder estabelecer uma autêntica comunhão de vida. Claro que, como podemos perceber, o maior obstáculo a Deus-Amor é precisamente a vida daqueles que acumulam acções e obras, quando Deus desejaria que Lhe dessem os seus corações.
«Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado»
(Lc 15, 32)
Com estas palavras Jesus convida-nos a ter, para com o pecador, o mesmo amor sem medida que o Pai tem por ele. Jesus chama-nos a não reduzir, segundo a nossa medida, o amor que o Pai tem por todas as pessoas, indistintamente. Ao convidar o filho mais velho a partilhar da sua alegria pelo regresso do irmão, o Pai pede-nos, também a nós, uma mudança de mentalidade. Na prática, devemos aceitar como irmãos e irmãs também aqueles homens e mulheres por quem nutriríamos apenas sentimentos de desprezo ou de superioridade. Isso provocará em nós uma verdadeira conversão, porque nos vai purificar da convicção de sermos melhores do que os outros. Assim, evitaremos a intolerância religiosa e receberemos a salvação, que Jesus nos trouxe, como uma dádiva pura do amor de Deus.
Palavra de Vida, Março de 2001, publicada em Città Nuova, 2001/4. p. 7.