
Obscuridade necessária para nos dar a luz! A luz verdadeira escondeu-Se na nuvem da carne, (cf Ex 13,21), nuvem obscura pela sua semelhança com a nossa «carne, idêntica à do pecado» (Rm 8,3). [...] Uma vez que a luz verdadeira fez da carne Seu esconderijo, nós, que somos seres de carne, aproximemo-nos do Verbo feito carne [...] para aprendermos a passar, pouco a pouco, da carne ao espírito. Aproximemo-nos agora, pois hoje um novo sol brilha mais que o habitual. Até então tinha estado fechado em Belém, na estreiteza de um berço, e muito pouca gente O tinha conhecido; mas hoje, em Jerusalém, Ele apresenta-Se a um grande número, no Templo do Senhor. [...] Hoje o Sol eleva-Se para irradiar sobre o mundo inteiro. [...]
Se ao menos a minha alma pudesse arder com o desejo que inflamava Simeão, para que eu merecesse ser portador de uma tão grande luz! Mas, se a alma não for primeiro purificada dos seus pecados, não poderá ir ao encontro de Cristo «sobre as nuvens», da verdadeira liberdade (1Ts 4,17). [...] Só então poderá alegrar-se com Simeão na luz verdadeira e, como ele, partir em paz.
Adam de Perseigne (?-1221), abade Cisterciense
Sermão IV para a Purificação
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