sábado, 30 de novembro de 2024

Mergulhando no Mistério da 

“Virgem Santa e Imaculada”,

com a ajuda do Papa Bento XVI

2º Dia da Novena da Imaculada Conceição

30 de Novembro de 2024 – Sábado




Quando a Novena é presidida por um leigo:

V/: Deus, vinde em nosso auxílio:

R/: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

V/: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

R/: como era no princípio, agora e sempre. Ámen. Aleluia.

Mistérios da Alegria (Gozosos)

No 1º Mistério Gozoso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Lucas:

“26… o anjo Gabriel foi enviado por Deus …, 27a uma virgem desposada com um homem chamado José, … e o nome da virgem era Maria. 28Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» 30Disse-lhe o anjo: «… 31Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus...» … 38Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» ...” (Lc 1, 26-28.30-31.38)

Prece

Pelas mulheres, para que, contemplando o mistério da Anunciação, acolham com alegria o dom da maternidade e respeitem a vida desde a sua concepção.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 2º Mistério Gozoso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Lucas:

“39Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc 1, 39-42)

Prece

Pelos homens e mulheres, para que, contemplando o mistério da Visitação, aprendam com Maria, a estender generosamente a mão da ajuda e da caridade àqueles que necessitam.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 3º Mistério Gozoso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«O Nascimento de Jesus no presépio de Belém»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Lucas:

“6E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz 7e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2, 6.7)

Prece

Pelos homens e mulheres, para que, contemplando o mistério do Natal, constituam famílias felizes à imagem da Sagrada Família e acolham festivamente os filhos que Deus lhe der.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 4º Mistério Gozoso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Apresentação do Menino Jesus no Templo

e a Purificação de Nossa Senhora»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Lucas:

“22Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, 23conforme está escrito na Lei do Senhor: «Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor».” (Lc 2, 22.23)

Prece

Pelos homens e mulheres, para que, em comunhão com a Igreja, procurem para seus filhos o dom da Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz! 

No 5º Mistério Gozoso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Perda e Reencontro do Menino Jesus no Templo

entre os doutores da Lei»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Lucas:

“43Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. 45Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» 49Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?»” (Lc 2, 43.45-49)

Prece

Pelos homens e mulheres, para que, à imagem da Sagrada Família, eduquem os seus filhos na fé, na abertura aos dons de Deus e em comunhão com a Igreja.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Depois do cântico todos se sentam e, quando a Novena é presidida por um leigo, aquele que preside, lê:

Palavra do Papa Bento XVI para escutar e guardar no coração, proferidas na «Homilia» de 18 de Dezembro de 2005:

“Maria responde ao Anjo: "Eu sou a Serva do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua vontade". Assim, Maria antecipa a terceira invocação do Pai-Nosso: "Seja feita a vossa vontade". Ela diz "sim" à grande vontade de Deus, uma vontade aparentemente demasiado grande para um ser humano; Maria diz "sim" àquela vontade divina, coloca-se dentro desta vontade, insere toda a sua existência, com um grande "sim", na vontade de Deus e assim abre a porta do mundo a Deus. Adão e Eva, com o seu "não" à vontade de Deus, tinham fechado esta porta. "Seja feita a vontade de Deus": Maria convida-nos, também a nós, a pronunciar este "sim", que às vezes parece tão difícil. Somos tentados a preferir a nossa vontade, mas Ela diz-nos: "Tem coragem, também tu diz: "Seja feita a tua vontade", porque esta vontade é boa". Inicialmente, pode parecer um peso insuportável, um jugo que não é possível carregar; mas na realidade, a vontade de Deus não é um peso; a vontade de Deus concede-nos asas para voar alto, e assim com Maria também nós podemos ousar abrir a Deus a porta da nossa vida, as portas deste mundo, dizendo "sim" à sua vontade, conscientes de que esta vontade é o verdadeiro bem e nos orienta para a felicidade autêntica. Oremos a Maria Consoladora, nossa Mãe, Mãe da Igreja, para que nos infunda a coragem de pronunciar este "sim", que nos conceda também esta alegria de estar com Deus e que nos oriente rumo ao seu Filho, à Vida verdadeira.”

Bento XVI, «Homilia» a 18 de Dezembro de 2005

Para rezar:

Maria, Mãe de Jesus,

dai-me o vosso coração,

tão belo, tão puro, tão imaculado,

tão cheio de amor e de humildade;

fazei que possa receber Jesus no Pão da Vida,

amá-lO como vós mesma O amastes

e ir «a toda a pressa» dá-lO aos demais.

Santa Teresa de Calcutá

V/: Rezemos as 3 Avé-Marias finais:

em honra da Pureza de Nossa Senhora, pela paz no mundo,

pelo Santo Padre, sua saúde e intenções,

pelo nosso Arcebispo, sua saúde e intenções,

pelos sacerdotes, especialmente pelo nosso pároco,

pelos nossos Seminários e noviciados, pelas vocações,

pelas crianças e jovens da catequese,

pelas famílias, pelos doentes, idosos, pobres e desempregados,

pela conversão dos pecadores,

pelas benditas almas do Purgatório.

e pelos que se recomendam às nossas orações.

Rezadas as 3 Avé-Marias, recita-se a Salvé-Rainha.

Pode ainda rezar-se a Consagração a Nossa Senhora ou outra oração a Nossa Senhora.

Quando a Novena é presidida por um leigo:

V/: O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. R/: Amen.

V/: Bendigamos ao Senhor. R/: Graças a Deus.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024


 Mergulhando no Mistério da

“Virgem Santa e Imaculada”,

com a ajuda do Papa Bento XVI 

1º Dia da Novena da Imaculada Conceição

29 de Novembro de 2024 – 6ª feira

Quando a Novena é presidida por um leigo:

V/: Deus, vinde em nosso auxílio:

R/: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

V/: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

R/: como era no princípio, agora e sempre. Ámen. Aleluia.

Mistérios da Dor (ou Dolorosos)

No 1º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Agonia de Jesus

no Jardim das Oliveiras»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Mateus:

“36Então Jesus foi com eles para uma propriedade chamada Getsémani e disse aos discípulos: «Sentai-vos, enquanto vou ali rezar». 37Tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38Disse-lhes então: «Profundamente entristecida está a minha alma até à morte; permanecei aqui e estai vigilantes comigo». 39E, indo um pouco adiante, caiu com o rosto por terra e rezava, dizendo: «Meu Pai, se é possível, que se aparte de mim este cálice; no entanto, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres».” (Mt 26, 36-39)

Prece

Pelos agonizantes, pelos que sofrem, pelos doentes incuráveis, pelos abandonados e sós, para que, o Senhor não lhes falte com o Seu amparo e suscite pessoas generosas que, em Seu nome, aliviem as angústias, sofrimentos, abandonos e solidões do nosso mundo.

 

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Na Terrugem acrescentar:

V/. Santo António de Lisboa. R/ Rogai por nós!

Em Vila Boim acrescentar:

V/. São João Baptista. R/ Rogai por nós!

 

Cântico:

No 2º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Flagelação de Jesus»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Marcos:

“15Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado.” (Mc 15, 15)

Prece

Pelas vítimas da violência e da injustiça, para que o Senhor seja a sua herança e a sua força. Pelos que estão na origem das injustiças e violências, para que o Senhor os toque com o Seu Amor, plante nos seus corações a semente da bondade e da justiça e eles se abram à graça da vida nova que vem de Deus.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 3º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Coroação de Espinhos»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Mateus:

“27Então os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram junto dele toda a coorte. 28Depois de o despirem, cobriram-no com um manto escarlate. 29E, entrelaçando uma coroa de espinhos, colocaram-na sobre a sua cabeça e uma cana na sua mão direita; ao ajoelhar-se diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve, ó rei dos judeus!». 30E, cuspindo-lhe, pegaram na cana e batiam-lhe na cabeça.” (Mt 27, 27-30)

Prece

Por nós próprios, para que o Senhor nos conceda a graça de nos libertarmos dos espinhos da tentação e do pecado, que nos impedem de percorrer com entusiasmo, generosidade e alegria o caminho que a Ele conduz.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Cântico:

No 4º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«Jesus a Caminho do calvário

carregando a cruz»

Texto Bíblico

Do evangelho de São João:

“17Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota.” (Jo 19, 17)

Prece

Pelos que estão sobrecarregados pela doença, solidão ou injustiça, para que descubram que com Deus o seu jugo é suave e a sua carga é leve e o Senhor seja a sua força, esperança e alegria, e lhes conceda a graça necessária para levar a cruz até ao fim.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 5º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Crucifixão, Abandono

e Morte de Jesus na Cruz»

Texto Bíblico

Dos evangelhos de São Lucas e São Marcos:

“33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores.” (Lc 23, 33)

“33À hora sexta fez-se trevas sobre toda a terra até à hora nona. 34E à hora nona, Jesus bradou com voz forte: «Eloí, Eloí, lemá sabakhtáni?», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»” (Mc 15, 33-34)

“46Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou.” (Lc 23, 46)

Prece

Ao Deus de Misericórdia, que pela paixão de Cristo, destruiu a morte, herança do antigo pecado, para que nos renove à imagem de Cristo e possamos dizer com São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Palavra do Papa Bento XVI para escutar e guardar no coração, proferidas no «Angelus», de 17 de Setembro de 2006:

“… de sinal de maldição, a Cruz foi transformada em sinal de bênção, de símbolo de morte em símbolo por excelência de Amor que vence o ódio e a violência e gera a vida imortal. "Ó Cruz, única esperança". Assim canta a liturgia.

Narra o evangelista: aos pés da Cruz estava Maria (cf. Jo 19, 25-27). A sua dor forma uma só coisa com a do Filho. É uma dor cheia de fé e de amor. A Virgem no Calvário participa do poder salvífico da dor de Cristo, unindo o seu "fiat", o seu "sim", àquele do Filho. Caros irmãos e irmãs, espiritualmente unidos a Nossa Senhora das Dores, renovamos também nós o nosso "sim" ao Deus que escolheu o caminho da Cruz para nos salvar. Trata-se de um grande mistério que está ainda em acto, até ao fim do mundo, e que pede também a nossa colaboração. Maria nos ajude a tomar cada dia a nossa cruz e a seguir fielmente Jesus no caminho da obediência, do sacrifício e do amor.”

Bento XVI, «Angelus», Castel Gandolfo, 17 de Setembro de 2006

Para rezar:

Virgem da escuta, Estrela da esperança,

Mãe da Misericórdia,

fonte através da qual veio ao mundo Jesus,

nossa vida e nossa alegria,

nós vos agradecemos e vos renovamos a oferenda da vida,

[da nossa vida]

na certeza de que nunca nos abandonarás,

sobretudo nos momentos obscuros e difíceis da existência.

Acompanhai-nos sempre: 

agora e na hora da nossa morte. Amém!

Cf. Bento XVI, Oração a Nª Srª “Della Quercia” de Viterbo, 06/09/2009

V/: Rezemos as 3 Avé-Marias finais:

em honra da Pureza de Nossa Senhora, pela paz no mundo,

pelo Santo Padre, sua saúde e intenções,

pelo nosso Arcebispo, sua saúde e intenções,

pelos sacerdotes, especialmente pelo nosso pároco,

pelos nossos Seminários e noviciados, pelas vocações,

pelas crianças e jovens da catequese,

pelas famílias, pelos doentes, idosos, pobres e desempregados,

pela conversão dos pecadores,

pelas benditas almas do Purgatório.

e pelos que se recomendam às nossas orações.

Rezadas as 3 Avé-Marias, recita-se a Salvé-Rainha.

Pode ainda rezar-se a Consagração a Nossa Senhora ou outra oração a Nossa Senhora.

Quando a Novena é presidida por um leigo:

V/: O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. R/: Amen.

V/: Bendigamos ao Senhor. R/: Graças a Deus.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Palavra de Vida

Novembro de 2024

Texto preparado por Letizia Magri e equipa da Palavra de Vida

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

Estamos na conclusão do capítulo 12 do Evangelho de Marcos. Jesus está no Templo de Jerusalém: observa e ensina. Através do Seu olhar, assistimos a uma cena cheia de personagens: pessoas que vão e vêm, funcionários do culto, nobres com longas vestes, ricos que lançam generosas ofertas no tesouro do Templo.

Aproxima-se também uma viúva. Faz parte de uma categoria de pessoas desfavorecidas social e economicamente. Ignorada por todos, lança no tesouro duas pequenas moedas. Jesus, porém, apercebe-se. Chama os discípulos e diz-lhes:

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

“Em verdade vos digo…”. São as palavras que introduzem os ensinamentos mais importantes. O olhar de Jesus, concentrado sobre a pobre viúva, convida-nos a olhar na mesma direção: ela é o modelo do discípulo.

A sua fé no amor de Deus é incondicional. O seu tesouro é o próprio Deus. Na sua entrega total a Ele, ela, na sua pobreza, deseja também dar tudo aquilo que pode. Este abandono confiante no Pai é, de certo modo, a antecipação do dom que Jesus fará de Si mesmo, muito em breve, através da Sua paixão e morte. É aquela “pobreza em espírito” e “pureza de coração” que Jesus proclamou e viveu.

Isto significa «depositar a nossa confiança não nas riquezas, mas no amor de Deus e na sua providência. […] Somos “pobres em espírito” quando nos deixamos orientar pelo amor para com os outros. É então que partilhamos o que temos, colocando-o à disposição de quem está em necessidade: um sorriso, o nosso tempo, os nossos bens, as nossas capacidades. Tendo oferecido tudo por amor, somos pobres, ou seja, esvaziamo-nos de nós mesmos, somos livres e temos o coração puro» (Cf. C. Lubich, Palavra de Vida de novembro de 2003, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma, 2017, p. 704.).

A proposta de Jesus muda a nossa mentalidade. No centro dos Seus cuidados estão os pequenos, os pobres, os últimos.

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

Esta Palavra de vida convida-nos, antes de tudo, a renovar a nossa plena confiança no amor de Deus e a sintonizarmo-nos com o Seu olhar, que vê para além das aparências, que não julga e que não depende do julgamento dos outros. Faz-nos a valorizar o positivo que existe em cada pessoa.

Além disso, sugere-nos o “dar tudo” como lógica evangélica que edifica uma comunidade pacificada, porque nos leva a cuidar uns dos outros. Encoraja-nos a viver o Evangelho no dia a dia, sem dar nas vistas; a dar com abundância e confiança; a viver com sobriedade, na partilha. Convida-nos a prestar atenção aos últimos, para aprender com eles.

Venant nasceu e cresceu no Burundi. Ele conta-nos: «Na aldeia, a minha família podia orgulhar-se de ter um grande terreno agrícola, com boas colheitas. A minha mãe, consciente de que tudo é providência do Céu, recolhia os primeiros frutos e distribuía-os sempre pelos vizinhos, começando pelas famílias mais necessitadas, reservando para nós uma pequena parte daquilo que sobrava. Deste exemplo aprendi o valor da dádiva desinteressada. Assim, compreendi que Deus me pedia para Lhe dar o melhor de mim, ou seja, para Lhe dar toda a minha vida».

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Palavra de Vida 

Outubro de 2024

Letizia Magri e equipa da Palavra de Vida 

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44)

Pela terceira vez, no caminho para Jerusalém, Jesus prepara os seus discípulos para o acontecimento dramático da Sua paixão e morte. Mas até aqueles que O seguiram mais de perto mostram-se incapazes de o compreender.

Aliás, entre os próprios apóstolos, surge um conflito: Tiago e João pedem para ocupar lugares de honra “na Sua glória” [Cf. Mc 10, 37]; os outros dez indignam-se, reclamam e o grupo fica dividido.

Então Jesus, com paciência, chama-os todos a Si, e, mais uma vez, revela a desconcertante novidade do Seu anúncio:

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44)

Nesta frase do Evangelho de Marcos, há uma progressiva compreensão na imagem do servo-escravo. Jesus guia-nos na passagem de uma atitude de simples disponibilidade num grupo limitado e confortável, a uma total entrega a todos, sem exceção.

É uma proposta totalmente alternativa e contracorrente relativamente à conceção humana da autoridade e do governo, que talvez tenha impressionado os próprios apóstolos e tem um impacto também para nós.

Não será este o segredo do amor cristão?

«Há uma palavra do Evangelho que não tem sido muito sublinhada por nós, cristãos: servir. Parece-nos antiquada, indigna da dignidade do homem que dá e recebe. No entanto, o Evangelho está todo aqui, porque é amor. Amar significa servir. Jesus não veio para mandar, mas para servir. […] Servir, servirmo-nos uns aos outros é cristianismo e quem o atua com simplicidade – e todos o podem fazer – fez tudo; e não é um tudo que fique só por ali, mas que, porque é cristianismo vivo, se propaga como um incêndio» [C. Lubich, Servire, in «Città Nuova», XVII, n. 12, 1973, p. 13].

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44)

O encontro com Jesus na sua Palavra abre-nos os olhos, como aconteceu com o cego Bartimeu nos versículos seguintes [Cf. Mc 10,46-52]: liberta-nos da mesquinhez dos nossos esquemas, faz-nos contemplar os horizontes de Deus, o seu projeto de “novos Céus e nova Terra” [Cf. 2Pt 3,13].

Ele, o Senhor que lava os pés [Cf. Gv 13,14], contradiz com o seu exemplo a distinção rígida das tarefas de serviço que muitas vezes as nossas comunidades civis, e por vezes religiosas, atribuem às pessoas de estratos socialmente mais frágeis.

O serviço cristão é, portanto, imitar o exemplo de Jesus, aprender com Ele um novo estilo de sociabilidade: tornar-se próximo de cada pessoa, de qualquer condição humana, social ou cultural que seja, até ao fim. 

Como propõe Giovanni Anziani, pastor metodista da Igreja Valdense, «[…] aceitando colocar a nossa confiança e a nossa esperança no Senhor que é servo de todos, a Palavra de Deus pede-nos para agir no nosso mundo, no meio de todas as suas contradições, como operadores da paz e da justiça, como construtores de pontes para a reconciliação entre os povos» [https://www.chiesavaldese.org].

Assim viveu Igino Giordani, escritor, jornalista, político e pai de família, num momento histórico marcado pela ditadura. Contando a sua experiência, escreveu: «A política é – no mais digno sentido cristão – uma serva, e não se deve tornar patroa: não pode ser abuso, nem ser dominadora e nem sequer dogma. Esta é a sua função e a sua dignidade: ser serviço social, caridade em ato, a primeira forma do amor à pátria» [P. Mazzola (org.), Perle di Igino Giordani, Effatà editrice, Torino 2019, p. 112].

Com o testemunho da sua vida, Jesus propõe-nos uma escolha consciente e livre: de já não vivermos fechados em nós mesmos e nos nossos interesses, mas “viver o outro”, com os seus sentimentos, carregando os seus pesos e partilhando as suas alegrias.

Todos temos pequenas ou grandes responsabilidades e espaços de autoridade: no campo político e social, mas também na família, na escola, na comunidade de fé. Aproveitemos os nossos “lugares de honra” para nos colocarmos ao serviço do bem comum, construindo relacionamentos humanos justos e solidários.


domingo, 1 de setembro de 2024

 

Palavra de Vida

Setembro 2024

Patrizia Mazzola  e equipa da Palavra de Vida

«Sede cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes, pois isso seria enganar-vos a vós próprios.» (Tg 1,22)

O tema da escuta e do pôr em prática é um tema fundamental sobre o qual insiste o autor do versículo deste mês. De facto, a Carta continua: «Aquele, porém, que põe toda a sua atenção na lei perfeita, que é a lei da liberdade, e nela permanece, não como um ouvinte que se esquece, mas como um verdadeiro praticante, esse será feliz ao pô-la em prática» (Tg 1,25). É precisamente este empenho em conhecer as Suas palavras e em vivê-las que nos torna livres e nos dá alegria.

Poderíamos dizer que o versículo bíblico deste mês é, em si mesmo, a motivação da prática da Palavra de Vida que se difundiu em todo o mundo. Uma vez por semana, e mais tarde uma vez por mês, Chiara Lubich escolhia uma frase completa da Sagrada Escritura e comentava‑a. Quando nos encontrávamos, partilhavam-se os frutos que essa Palavra tinha operado através das experiências de vida, e assim se ia formando uma comunidade unida que, em gérmen, mostrava as transformações sociais que ela era capaz de provocar.

«Apesar da sua simplicidade, esta iniciativa contribuiu notavelmente para a redescoberta da Palavra de Deus no mundo cristão do século XX» [Fabio Ciardi, «Introduzione», in C. Lubich, Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi, (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, p. 9.], facultando um “método” para viver o Evangelho e partilhar os seus efeitos.

«Sede cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes, pois isso seria enganar-vos a vós próprios.» (Tg 1,22)

A Carta de Tiago reproduz o que Jesus tinha anunciado para fazer viver e experimentar o Reino dos céus entre nós: declara feliz quem escuta a sua Palavra e a observa [Cf. Lc 11, 28.]; reconhece como sua mãe e seus irmãos aqueles que a escutam e colocam em prática [Cf. Lc 8, 21.]; compara-a com a semente que, caindo em boa terra – ou seja, naqueles que a ouvem com coração nobre e bom e que a guardam –, faz produzir fruto com perseverança [Cf. Lc 8, 15.].

«Em cada sua Palavra, Jesus exprime todo o seu amor por nós – escreve Chiara Lubich. Encarnemo-la, façamo-la nossa, experimentemos todo o potencial de vida que liberta, em nós e à nossa volta, quando é vivida. Enamoremo-nos do Evangelho ao ponto de nele nos deixarmos transformar e de o transbordarmos para os outros. […] Experimentaremos a liberdade de nós mesmos, dos nossos limites, das nossas escravidões, e não só: veremos também despoletar a revolução de amor que Jesus, se o deixarmos viver em nós, provocará no tecido social em que estamos imersos» [C. Lubich, Palavra de Vida de setembro de 2006, in Parole di Vita, cit., p. 790.].

«Sede cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes, pois isso seria enganar-vos a vós próprios.» (Tg 1,22)

Como colocar em prática a Palavra? Olhemos ao nosso redor e façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para nos colocarmos ao serviço de todos os que se encontram em necessidade, com pequenos ou grandes gestos de cuidado recíproco, transformando as estruturas injustas da sociedade, opondo-nos à violência, favorecendo gestos de paz e de reconciliação, crescendo na sensibilidade e nas ações em favor do nosso planeta.  

Deste modo irromperá uma autêntica revolução na nossa vida, na vida da nossa comunidade e no ambiente de trabalho onde operamos. 

O amor manifesta-se nas ações sociais e políticas que procuram construir um mundo melhor. Em Lámud, uma cidade na região amazónica do Perú, a 2.330 metros de altitude, do compromisso de uma pequena comunidade dos Focolares para com as pessoas mais fragilizadas, nasceu o “Centro para Idosos Chiara Lubich”. 

«O Centro foi inaugurado em plena pandemia e hospeda 50 pessoas idosas que viviam sozinhas. A casa, os móveis, a louça e também os alimentos foram oferecidos pela comunidade local. Foi um desafio, não isento de dificuldades e obstáculos. Em março de 2022 o Centro celebrou o seu primeiro aniversário, abrindo as portas à cidade com uma festa em que participaram também as autoridades civis. Os dois dias de celebração suscitaram novos voluntários, adultos e crianças, que querem cuidar dos avós que estão sós, ampliando assim a própria família» [Movimento dos Focolares, Balanço de Comunhão 2022, p.67, disponível em www.focolare.org.].