sexta-feira, 29 de novembro de 2024


 Mergulhando no Mistério da

“Virgem Santa e Imaculada”,

com a ajuda do Papa Bento XVI 

1º Dia da Novena da Imaculada Conceição

29 de Novembro de 2024 – 6ª feira

Quando a Novena é presidida por um leigo:

V/: Deus, vinde em nosso auxílio:

R/: Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.

V/: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

R/: como era no princípio, agora e sempre. Ámen. Aleluia.

Mistérios da Dor (ou Dolorosos)

No 1º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Agonia de Jesus

no Jardim das Oliveiras»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Mateus:

“36Então Jesus foi com eles para uma propriedade chamada Getsémani e disse aos discípulos: «Sentai-vos, enquanto vou ali rezar». 37Tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38Disse-lhes então: «Profundamente entristecida está a minha alma até à morte; permanecei aqui e estai vigilantes comigo». 39E, indo um pouco adiante, caiu com o rosto por terra e rezava, dizendo: «Meu Pai, se é possível, que se aparte de mim este cálice; no entanto, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres».” (Mt 26, 36-39)

Prece

Pelos agonizantes, pelos que sofrem, pelos doentes incuráveis, pelos abandonados e sós, para que, o Senhor não lhes falte com o Seu amparo e suscite pessoas generosas que, em Seu nome, aliviem as angústias, sofrimentos, abandonos e solidões do nosso mundo.

 

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Na Terrugem acrescentar:

V/. Santo António de Lisboa. R/ Rogai por nós!

Em Vila Boim acrescentar:

V/. São João Baptista. R/ Rogai por nós!

 

Cântico:

No 2º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Flagelação de Jesus»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Marcos:

“15Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado.” (Mc 15, 15)

Prece

Pelas vítimas da violência e da injustiça, para que o Senhor seja a sua herança e a sua força. Pelos que estão na origem das injustiças e violências, para que o Senhor os toque com o Seu Amor, plante nos seus corações a semente da bondade e da justiça e eles se abram à graça da vida nova que vem de Deus.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 3º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Coroação de Espinhos»

Texto Bíblico

Do evangelho de São Mateus:

“27Então os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram junto dele toda a coorte. 28Depois de o despirem, cobriram-no com um manto escarlate. 29E, entrelaçando uma coroa de espinhos, colocaram-na sobre a sua cabeça e uma cana na sua mão direita; ao ajoelhar-se diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve, ó rei dos judeus!». 30E, cuspindo-lhe, pegaram na cana e batiam-lhe na cabeça.” (Mt 27, 27-30)

Prece

Por nós próprios, para que o Senhor nos conceda a graça de nos libertarmos dos espinhos da tentação e do pecado, que nos impedem de percorrer com entusiasmo, generosidade e alegria o caminho que a Ele conduz.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Cântico:

No 4º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«Jesus a Caminho do calvário

carregando a cruz»

Texto Bíblico

Do evangelho de São João:

“17Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota.” (Jo 19, 17)

Prece

Pelos que estão sobrecarregados pela doença, solidão ou injustiça, para que descubram que com Deus o seu jugo é suave e a sua carga é leve e o Senhor seja a sua força, esperança e alegria, e lhes conceda a graça necessária para levar a cruz até ao fim.

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

No 5º Mistério Doloroso do Santíssimo Rosário contemplamos:

«A Crucifixão, Abandono

e Morte de Jesus na Cruz»

Texto Bíblico

Dos evangelhos de São Lucas e São Marcos:

“33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores.” (Lc 23, 33)

“33À hora sexta fez-se trevas sobre toda a terra até à hora nona. 34E à hora nona, Jesus bradou com voz forte: «Eloí, Eloí, lemá sabakhtáni?», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»” (Mc 15, 33-34)

“46Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou.” (Lc 23, 46)

Prece

Ao Deus de Misericórdia, que pela paixão de Cristo, destruiu a morte, herança do antigo pecado, para que nos renove à imagem de Cristo e possamos dizer com São Paulo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Depois de cada dezena:

V/. Nossa Senhora da Conceição. R/ Rogai por nós!

V/. Rainha da Paz. R/ Dai-nos a Paz!

Palavra do Papa Bento XVI para escutar e guardar no coração, proferidas no «Angelus», de 17 de Setembro de 2006:

“… de sinal de maldição, a Cruz foi transformada em sinal de bênção, de símbolo de morte em símbolo por excelência de Amor que vence o ódio e a violência e gera a vida imortal. "Ó Cruz, única esperança". Assim canta a liturgia.

Narra o evangelista: aos pés da Cruz estava Maria (cf. Jo 19, 25-27). A sua dor forma uma só coisa com a do Filho. É uma dor cheia de fé e de amor. A Virgem no Calvário participa do poder salvífico da dor de Cristo, unindo o seu "fiat", o seu "sim", àquele do Filho. Caros irmãos e irmãs, espiritualmente unidos a Nossa Senhora das Dores, renovamos também nós o nosso "sim" ao Deus que escolheu o caminho da Cruz para nos salvar. Trata-se de um grande mistério que está ainda em acto, até ao fim do mundo, e que pede também a nossa colaboração. Maria nos ajude a tomar cada dia a nossa cruz e a seguir fielmente Jesus no caminho da obediência, do sacrifício e do amor.”

Bento XVI, «Angelus», Castel Gandolfo, 17 de Setembro de 2006

Para rezar:

Virgem da escuta, Estrela da esperança,

Mãe da Misericórdia,

fonte através da qual veio ao mundo Jesus,

nossa vida e nossa alegria,

nós vos agradecemos e vos renovamos a oferenda da vida,

[da nossa vida]

na certeza de que nunca nos abandonarás,

sobretudo nos momentos obscuros e difíceis da existência.

Acompanhai-nos sempre: 

agora e na hora da nossa morte. Amém!

Cf. Bento XVI, Oração a Nª Srª “Della Quercia” de Viterbo, 06/09/2009

V/: Rezemos as 3 Avé-Marias finais:

em honra da Pureza de Nossa Senhora, pela paz no mundo,

pelo Santo Padre, sua saúde e intenções,

pelo nosso Arcebispo, sua saúde e intenções,

pelos sacerdotes, especialmente pelo nosso pároco,

pelos nossos Seminários e noviciados, pelas vocações,

pelas crianças e jovens da catequese,

pelas famílias, pelos doentes, idosos, pobres e desempregados,

pela conversão dos pecadores,

pelas benditas almas do Purgatório.

e pelos que se recomendam às nossas orações.

Rezadas as 3 Avé-Marias, recita-se a Salvé-Rainha.

Pode ainda rezar-se a Consagração a Nossa Senhora ou outra oração a Nossa Senhora.

Quando a Novena é presidida por um leigo:

V/: O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. R/: Amen.

V/: Bendigamos ao Senhor. R/: Graças a Deus.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Palavra de Vida

Novembro de 2024

Texto preparado por Letizia Magri e equipa da Palavra de Vida

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

Estamos na conclusão do capítulo 12 do Evangelho de Marcos. Jesus está no Templo de Jerusalém: observa e ensina. Através do Seu olhar, assistimos a uma cena cheia de personagens: pessoas que vão e vêm, funcionários do culto, nobres com longas vestes, ricos que lançam generosas ofertas no tesouro do Templo.

Aproxima-se também uma viúva. Faz parte de uma categoria de pessoas desfavorecidas social e economicamente. Ignorada por todos, lança no tesouro duas pequenas moedas. Jesus, porém, apercebe-se. Chama os discípulos e diz-lhes:

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

“Em verdade vos digo…”. São as palavras que introduzem os ensinamentos mais importantes. O olhar de Jesus, concentrado sobre a pobre viúva, convida-nos a olhar na mesma direção: ela é o modelo do discípulo.

A sua fé no amor de Deus é incondicional. O seu tesouro é o próprio Deus. Na sua entrega total a Ele, ela, na sua pobreza, deseja também dar tudo aquilo que pode. Este abandono confiante no Pai é, de certo modo, a antecipação do dom que Jesus fará de Si mesmo, muito em breve, através da Sua paixão e morte. É aquela “pobreza em espírito” e “pureza de coração” que Jesus proclamou e viveu.

Isto significa «depositar a nossa confiança não nas riquezas, mas no amor de Deus e na sua providência. […] Somos “pobres em espírito” quando nos deixamos orientar pelo amor para com os outros. É então que partilhamos o que temos, colocando-o à disposição de quem está em necessidade: um sorriso, o nosso tempo, os nossos bens, as nossas capacidades. Tendo oferecido tudo por amor, somos pobres, ou seja, esvaziamo-nos de nós mesmos, somos livres e temos o coração puro» (Cf. C. Lubich, Palavra de Vida de novembro de 2003, in Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma, 2017, p. 704.).

A proposta de Jesus muda a nossa mentalidade. No centro dos Seus cuidados estão os pequenos, os pobres, os últimos.

«Ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver» (Mc 12,44)

Esta Palavra de vida convida-nos, antes de tudo, a renovar a nossa plena confiança no amor de Deus e a sintonizarmo-nos com o Seu olhar, que vê para além das aparências, que não julga e que não depende do julgamento dos outros. Faz-nos a valorizar o positivo que existe em cada pessoa.

Além disso, sugere-nos o “dar tudo” como lógica evangélica que edifica uma comunidade pacificada, porque nos leva a cuidar uns dos outros. Encoraja-nos a viver o Evangelho no dia a dia, sem dar nas vistas; a dar com abundância e confiança; a viver com sobriedade, na partilha. Convida-nos a prestar atenção aos últimos, para aprender com eles.

Venant nasceu e cresceu no Burundi. Ele conta-nos: «Na aldeia, a minha família podia orgulhar-se de ter um grande terreno agrícola, com boas colheitas. A minha mãe, consciente de que tudo é providência do Céu, recolhia os primeiros frutos e distribuía-os sempre pelos vizinhos, começando pelas famílias mais necessitadas, reservando para nós uma pequena parte daquilo que sobrava. Deste exemplo aprendi o valor da dádiva desinteressada. Assim, compreendi que Deus me pedia para Lhe dar o melhor de mim, ou seja, para Lhe dar toda a minha vida».

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Palavra de Vida 

Outubro de 2024

Letizia Magri e equipa da Palavra de Vida 

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44)

Pela terceira vez, no caminho para Jerusalém, Jesus prepara os seus discípulos para o acontecimento dramático da Sua paixão e morte. Mas até aqueles que O seguiram mais de perto mostram-se incapazes de o compreender.

Aliás, entre os próprios apóstolos, surge um conflito: Tiago e João pedem para ocupar lugares de honra “na Sua glória” [Cf. Mc 10, 37]; os outros dez indignam-se, reclamam e o grupo fica dividido.

Então Jesus, com paciência, chama-os todos a Si, e, mais uma vez, revela a desconcertante novidade do Seu anúncio:

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44)

Nesta frase do Evangelho de Marcos, há uma progressiva compreensão na imagem do servo-escravo. Jesus guia-nos na passagem de uma atitude de simples disponibilidade num grupo limitado e confortável, a uma total entrega a todos, sem exceção.

É uma proposta totalmente alternativa e contracorrente relativamente à conceção humana da autoridade e do governo, que talvez tenha impressionado os próprios apóstolos e tem um impacto também para nós.

Não será este o segredo do amor cristão?

«Há uma palavra do Evangelho que não tem sido muito sublinhada por nós, cristãos: servir. Parece-nos antiquada, indigna da dignidade do homem que dá e recebe. No entanto, o Evangelho está todo aqui, porque é amor. Amar significa servir. Jesus não veio para mandar, mas para servir. […] Servir, servirmo-nos uns aos outros é cristianismo e quem o atua com simplicidade – e todos o podem fazer – fez tudo; e não é um tudo que fique só por ali, mas que, porque é cristianismo vivo, se propaga como um incêndio» [C. Lubich, Servire, in «Città Nuova», XVII, n. 12, 1973, p. 13].

«Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, será vosso servidor, e aquele que quiser entre vós ser o primeiro, será servo de todos» (Mc 10,43-44)

O encontro com Jesus na sua Palavra abre-nos os olhos, como aconteceu com o cego Bartimeu nos versículos seguintes [Cf. Mc 10,46-52]: liberta-nos da mesquinhez dos nossos esquemas, faz-nos contemplar os horizontes de Deus, o seu projeto de “novos Céus e nova Terra” [Cf. 2Pt 3,13].

Ele, o Senhor que lava os pés [Cf. Gv 13,14], contradiz com o seu exemplo a distinção rígida das tarefas de serviço que muitas vezes as nossas comunidades civis, e por vezes religiosas, atribuem às pessoas de estratos socialmente mais frágeis.

O serviço cristão é, portanto, imitar o exemplo de Jesus, aprender com Ele um novo estilo de sociabilidade: tornar-se próximo de cada pessoa, de qualquer condição humana, social ou cultural que seja, até ao fim. 

Como propõe Giovanni Anziani, pastor metodista da Igreja Valdense, «[…] aceitando colocar a nossa confiança e a nossa esperança no Senhor que é servo de todos, a Palavra de Deus pede-nos para agir no nosso mundo, no meio de todas as suas contradições, como operadores da paz e da justiça, como construtores de pontes para a reconciliação entre os povos» [https://www.chiesavaldese.org].

Assim viveu Igino Giordani, escritor, jornalista, político e pai de família, num momento histórico marcado pela ditadura. Contando a sua experiência, escreveu: «A política é – no mais digno sentido cristão – uma serva, e não se deve tornar patroa: não pode ser abuso, nem ser dominadora e nem sequer dogma. Esta é a sua função e a sua dignidade: ser serviço social, caridade em ato, a primeira forma do amor à pátria» [P. Mazzola (org.), Perle di Igino Giordani, Effatà editrice, Torino 2019, p. 112].

Com o testemunho da sua vida, Jesus propõe-nos uma escolha consciente e livre: de já não vivermos fechados em nós mesmos e nos nossos interesses, mas “viver o outro”, com os seus sentimentos, carregando os seus pesos e partilhando as suas alegrias.

Todos temos pequenas ou grandes responsabilidades e espaços de autoridade: no campo político e social, mas também na família, na escola, na comunidade de fé. Aproveitemos os nossos “lugares de honra” para nos colocarmos ao serviço do bem comum, construindo relacionamentos humanos justos e solidários.


domingo, 1 de setembro de 2024

 

Palavra de Vida

Setembro 2024

Patrizia Mazzola  e equipa da Palavra de Vida

«Sede cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes, pois isso seria enganar-vos a vós próprios.» (Tg 1,22)

O tema da escuta e do pôr em prática é um tema fundamental sobre o qual insiste o autor do versículo deste mês. De facto, a Carta continua: «Aquele, porém, que põe toda a sua atenção na lei perfeita, que é a lei da liberdade, e nela permanece, não como um ouvinte que se esquece, mas como um verdadeiro praticante, esse será feliz ao pô-la em prática» (Tg 1,25). É precisamente este empenho em conhecer as Suas palavras e em vivê-las que nos torna livres e nos dá alegria.

Poderíamos dizer que o versículo bíblico deste mês é, em si mesmo, a motivação da prática da Palavra de Vida que se difundiu em todo o mundo. Uma vez por semana, e mais tarde uma vez por mês, Chiara Lubich escolhia uma frase completa da Sagrada Escritura e comentava‑a. Quando nos encontrávamos, partilhavam-se os frutos que essa Palavra tinha operado através das experiências de vida, e assim se ia formando uma comunidade unida que, em gérmen, mostrava as transformações sociais que ela era capaz de provocar.

«Apesar da sua simplicidade, esta iniciativa contribuiu notavelmente para a redescoberta da Palavra de Deus no mundo cristão do século XX» [Fabio Ciardi, «Introduzione», in C. Lubich, Parole di Vita, a/c Fabio Ciardi, (Opere di Chiara Lubich 5), Città Nuova, Roma 2017, p. 9.], facultando um “método” para viver o Evangelho e partilhar os seus efeitos.

«Sede cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes, pois isso seria enganar-vos a vós próprios.» (Tg 1,22)

A Carta de Tiago reproduz o que Jesus tinha anunciado para fazer viver e experimentar o Reino dos céus entre nós: declara feliz quem escuta a sua Palavra e a observa [Cf. Lc 11, 28.]; reconhece como sua mãe e seus irmãos aqueles que a escutam e colocam em prática [Cf. Lc 8, 21.]; compara-a com a semente que, caindo em boa terra – ou seja, naqueles que a ouvem com coração nobre e bom e que a guardam –, faz produzir fruto com perseverança [Cf. Lc 8, 15.].

«Em cada sua Palavra, Jesus exprime todo o seu amor por nós – escreve Chiara Lubich. Encarnemo-la, façamo-la nossa, experimentemos todo o potencial de vida que liberta, em nós e à nossa volta, quando é vivida. Enamoremo-nos do Evangelho ao ponto de nele nos deixarmos transformar e de o transbordarmos para os outros. […] Experimentaremos a liberdade de nós mesmos, dos nossos limites, das nossas escravidões, e não só: veremos também despoletar a revolução de amor que Jesus, se o deixarmos viver em nós, provocará no tecido social em que estamos imersos» [C. Lubich, Palavra de Vida de setembro de 2006, in Parole di Vita, cit., p. 790.].

«Sede cumpridores da Palavra, e não apenas ouvintes, pois isso seria enganar-vos a vós próprios.» (Tg 1,22)

Como colocar em prática a Palavra? Olhemos ao nosso redor e façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para nos colocarmos ao serviço de todos os que se encontram em necessidade, com pequenos ou grandes gestos de cuidado recíproco, transformando as estruturas injustas da sociedade, opondo-nos à violência, favorecendo gestos de paz e de reconciliação, crescendo na sensibilidade e nas ações em favor do nosso planeta.  

Deste modo irromperá uma autêntica revolução na nossa vida, na vida da nossa comunidade e no ambiente de trabalho onde operamos. 

O amor manifesta-se nas ações sociais e políticas que procuram construir um mundo melhor. Em Lámud, uma cidade na região amazónica do Perú, a 2.330 metros de altitude, do compromisso de uma pequena comunidade dos Focolares para com as pessoas mais fragilizadas, nasceu o “Centro para Idosos Chiara Lubich”. 

«O Centro foi inaugurado em plena pandemia e hospeda 50 pessoas idosas que viviam sozinhas. A casa, os móveis, a louça e também os alimentos foram oferecidos pela comunidade local. Foi um desafio, não isento de dificuldades e obstáculos. Em março de 2022 o Centro celebrou o seu primeiro aniversário, abrindo as portas à cidade com uma festa em que participaram também as autoridades civis. Os dois dias de celebração suscitaram novos voluntários, adultos e crianças, que querem cuidar dos avós que estão sós, ampliando assim a própria família» [Movimento dos Focolares, Balanço de Comunhão 2022, p.67, disponível em www.focolare.org.].

terça-feira, 13 de agosto de 2024


 O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, convida todos os fiéis católicos a rezar à Virgem Santa pela paz na região, na solenidade da sua Assunção ao Céu.

Súplica especial pela paz

à Bem-Aventurada Virgem Maria Assunta ao Céu

Gloriosa Mãe de Deus

elevada acima dos coros dos anjos,

rogai por nós com são Miguel Arcanjo

e com todas as potências angélicas do céu e com todos os santos

ao vosso santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre.

Obtenha para esta Terra Santa,

para todos os vossos filhos e para toda a humanidade

o dom da reconciliação e da paz.

Amen.

domingo, 11 de agosto de 2024

Clara de Assis

 PAPA BENTO XVI AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI, 4ª feira, 15 de Setembro de 2010

Prezados irmãos e irmãs

Uma das Santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. O seu testemunho mostra-nos como a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.

Portanto, quem era Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, dispomos de fontes seguras: não apenas das antigas biografias, como a de Tomás de Celano, mas também das Actas do processo de canonização promovido pelo Papa só poucos meses depois da morte de Clara e que contém os testemunhos daqueles que viveram ao seu lado durante muito tempo.

Tendo nascido em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver humilde e pobre, seguindo a forma de vida proposta por Francisco de Assis. Embora os seus parentes, como acontecia nessa época, começavam a programar para ela um matrimónio com uma personalidade importante, Clara, com 18 anos de idade, com um gesto audaz inspirado pelo profundo desejo de seguir Cristo e pela admiração que tinha por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma das suas amigas, Bona de Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores na pequena igreja da Porciúncula. Era a tarde do Domingo de Ramos de 1211. Na comoção geral, foi levado a cabo um gesto profundamente simbólico: enquanto os seus companheiros seguravam nas mãos algumas tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o rude hábito penitencial. A partir daquele momento, ela tornou-se a virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, consagrando-se totalmente a Ele. Como Clara e as suas companheiras, inúmeras mulheres ao longo da história ficaram fascinadas pelo amor a Cristo que, na beleza da sua Pessoa divina, enche o seu coração. E a Igreja inteira, por intermédio da mística vocação nupcial das virgens consagradas, mostra-se como sempre será: a Esposa bonita e pura de Cristo.

Numa das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Boémia, que desejava seguir os seus passos, fala de Cristo, seu amado Esposo, com expressões nupciais que podem causar admiração, mas que comovem: «Amando-o, és casta, tocando-o, serás pura, deixando-te possuir por Ele, és virgem. O seu poder é mais forte, a sua generosidade é mais elevada, o seu aspecto é mais excelso, o amor é mais suave e todas as graças mais sublimes. Já foste conquistada pelo seu abraço, que ornamentou o seu peito com pedras preciosas... coroando-te com um diadema de ouro, marcado com o sinal da santidade» (Primeira Carta: FF, 2862).

Principalmente no início da sua experiência religiosa, Clara encontrou em Francisco de Assis não apenas um mestre cujos ensinamentos devia seguir, mas inclusive um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito bonito e importante. Com efeito, quando se encontram duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor a Deus, elas haurem da amizade recíproca um estímulo extremamente forte para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura. Como São Francisco e Santa Clara, também outros Santos viveram uma profunda amizade no caminho rumo à perfeição cristã, como São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal. E é precisamente São Francisco de Sales que escreve: «É bom poder amar na terra como se ama no céu, e aprendermos a amar neste mundo como havemos de fazer eternamente no outro. Aqui não me refiro ao simples amor de caridade, porque temos que ter este amor por todos os homens; refiro-me à amizade espiritual, no âmbito da qual duas, três ou mais pessoas permutam entre si a devoção e os afectos espirituais, tornando-se realmente um só espírito» (Introdução à vida devota, III, 19).

Depois de ter transcorrido um período de alguns meses no interior de outras comunidades monásticas, resistindo às pressões dos seus familiares que inicialmente não aprovaram a sua escolha, Clara estabeleceu-se com as primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham organizado um pequeno convento para si mesmos. Naquele mosteiro ela viveu por mais de quarenta anos, até à morte, ocorrida em 1253. Dispomos de uma descrição de primeira mão, sobre o modo como estas mulheres viviam naqueles anos, nos primórdios do movimento franciscano. Trata-se do relatório admirado de um bispo flamengo em visita à Itália, D. Tiago de Vitry, que afirma ter-se encontrado com um grande número de homens e mulheres, de todas as classes sociais que, «deixando tudo por Cristo, fugiam do mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo Senhor Papa e pelos cardeais... As mulheres... vivem juntas, em diversos hospícios não distantes das cidades. Nada recebem, mas vivem do trabalho das suas próprias mãos. E sentem-se profundamente amarguradas e incomodadas, porque são honradas mais do que desejariam por clérigos e leigos» (Carta de Outubro de 1216: FF, 2205.2207).

Tiago de Vitry tinha reconhecido com perspicácia uma característica da espiritualidade franciscana, à qual Clara era muito sensível: a radicalidade da pobreza, associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela agiu com grande determinação, obtendo da parte do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium paupertatis (cf. FF, 3279). Com base nisto, Clara e as suas companheiras de São Damião não podiam possuir qualquer propriedade material. Tratava-se de uma excepção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canónico então em vigor, e as autoridades eclesiásticas daquela época concederam-no, valorizando os frutos de santidade evangélica, que reconheciam no estilo de vida de Clara e das suas irmãs. Isto demonstra que, também nos séculos da Idade Média, o papel das mulheres não era secundário, mas considerável. A este propósito, é útil recordar que Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas, que se iam estabelecendo em grande número já naquela época e que desejavam inspirar-se no exemplo de Francisco e de Clara.

No convento de São Damião, Clara praticou de maneira heróica as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Não obstante fosse a superiora, ela queria servir pessoalmente as irmãs enfermas, sujeitando-se inclusive a tarefas extremamente humildes: com efeito, a caridade ultrapassa qualquer resistência, e quem ama realiza todo o sacrifício com alegria. A sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que, por duas vezes, se verificou um acontecimento milagroso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, ela afugentou os soldados mercenários sarracenos, que estavam prestes a invadir o convento de São Damião e a devastar a cidade de Assis.

Também estes episódios, assim como outros milagres dos quais se conservava a memória, impeliram o Papa Alexandre IV a canonizá-la apenas dois anos depois da sua morte, em 1255, delineando um seu elogio na Bula de canonização, em que lemos: «Como é vivo o poder desta luz e como é forte a resplandecência desta fonte luminosa! Na realidade, esta luz mantinha-se fechada no escondimento da vida claustral, enquanto fora irradiava clarões luminosos; recolhia-se num mosteiro angusto, enquanto fora se difundia em toda a vastidão do mundo. Conservava-se dentro e propagava-se fora. Com efeito, Clara escondia-se, mas a sua vida era revelada a todos. Clara calava-se, mas a sua fama clamava» (FF, 3284). E é precisamente assim, estimados amigos: são os Santos que mudam o mundo para melhor, que o transformam de forma duradoura, infundindo as energias que unicamente o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os Santos são os grandes benfeitores da humanidade!

A espiritualidade de Santa Clara, a síntese da sua proposta de santidade é condensada na quarta Carta a Santa Inês de Praga. Santa Clara recorre a uma imagem muito difundida na Idade Média, de ascendências patrísticas: o espelho. E convida a sua amiga de Praga a reflectir-se naquele espelho de perfeição de todas as virtudes, que é o próprio Senhor. Ela escreve: «Sem dúvida, feliz é aquela a quem é concedido beneficiar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], Àquele cuja beleza é admirada incessantemente por todas as bem-aventuradas plêiades dos céus, cujo afecto apaixona, cuja contemplação restabelece, cuja benignidade sacia, cuja suavidade satisfaz, cuja recordação resplandece suavemente, diante de cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa tornará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que Ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olha todos os dias para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e nela perscruta continuamente o teu rosto, para que assim tu possas adornar-te inteiramente no interior e no exterior... Neste espelho refulgem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade» (Quarta Carta: FF, 2901-2903).

Gratos a Deus que nos doa os Santos que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de bênção que Santa Clara compôs para as suas irmãs de hábito e que ainda hoje as Clarissas, desempenhando um papel precioso na Igreja com a sua oração e a sua obra, conservam com grande devoção. São expressões em que sobressai toda a ternura da sua maternidade espiritual: «Abençoo-vos na minha vida e após a minha morte, como posso e mais do que posso, com todas as bênçãos com as quais o Pai da misericórdia abençoou e há-de abençoar no céu e na terra os filhos e as filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e hão-de abençoar os seus filhos e as suas filhas espirituais. Amém!» (FF, 2856).

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

 Palavra de Vida

Agosto de 2024

Silvano Malini e equipa da Palavra de Vida

«Senhor, que bom é nós estarmos aqui!» (Mt 17,4)

Jesus caminhava com os seus discípulos em direção a Jerusalém. Perante o anúncio de que ali deveria sofrer, morrer e ressuscitar, Pedro revoltou-se, expressando a consternação e a incompreensão de todos. Então, o Mestre tomou-o consigo, juntamente com Tiago e João, subiu a “um alto monte”, e ali se mostrou aos três numa luz nova e extraordinária: o seu rosto “resplandeceu como o sol” e apareceram Moisés e o profeta Elias a conversar com Ele. O próprio Pai, de uma nuvem luminosa, fez ouvir a Sua voz, convidando-os a escutar Jesus, o Seu Filho predileto. Diante desta surpreendente experiência, Pedro não queria ir-se embora, e exclamou:

«Senhor, que bom é nós estarmos aqui!» (Mt 17,4)

Jesus convidou os seus amigos mais chegados para viverem uma experiência inesquecível, para que a guardassem sempre no seu íntimo. 

Talvez também nós tenhamos experimentado com maravilha e emoção a presença e a ação de Deus na nossa vida, em momentos de alegria, paz e luz que desejávamos que nunca terminassem. É frequente experimentarmos estes momentos juntamente com outras pessoas ou graças a elas. De facto, o amor recíproco atrai a presença de Deus, porque, como Jesus prometeu: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles» (Mt 18, 20). Muitas vezes, nestes momentos de intimidade, Ele faz-nos ver quem nós somos e ler os acontecimentos através do Seu olhar.

Estas experiências são-nos concedidas para termos a força de enfrentar as dificuldades, as provas e o cansaço que encontramos no caminho, tendo no coração a certeza de ter sido olhados por Deus, que nos chamou para fazer parte da história da salvação.

De facto, depois de descerem do monte, os discípulos seguiram juntos para Jerusalém, onde os esperava uma multidão cheia de esperança, mas também ciladas, confrontos, ódio e sofrimentos. Dali «serão dispersos e enviados aos confins da terra para serem testemunhas da nossa morada definitiva, o Reino» de Deus [T. Radcliffe, OP, Segunda meditação aos participantes na Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, Sacrofano, 1 de outubro de 2023.]. 

Puderam começar a construir, já nesta vida, a casa de Deus entre os homens, porque estiveram “em casa” com Jesus sobre o monte.

«Senhor, que bom é nós estarmos aqui!» (Mt 17,4)

«Levantai-vos e não tenhais medo» (Mt 17,7), foi o convite de Jesus no final desta extraordinária experiência. É-nos dirigido também a nós. Como os seus discípulos e amigos, poderemos enfrentar com coragem aquilo que nos espera.

Foi o que aconteceu também a Chiara Lubich. Estava a terminar um período de férias tão rico de luz que foi designado “o paraíso de 1949”, devido à perceção da presença de Deus na pequena comunidade com quem transcorria esse tempo de repouso e à extraordinária contemplação dos mistérios da fé. Também ela sentia o desejo de não regressar à vida de todos os dias. Fê-lo com um novo ímpeto, porque compreendeu que, precisamente por essa experiência de iluminação, devia “descer do monte” e colocar-se em ação como instrumento de Jesus na realização do seu Reino, injetando o Seu amor e a Sua luz onde eram mais necessários, mesmo através de fadiga e de sofrimentos.

«Senhor, que bom é nós estarmos aqui!» (Mt 17,4)

Mas, se porventura nos vier a faltar a luz, devemos voltar com o coração e com a mente aos momentos em que o Senhor nos iluminou. Se ainda não tivermos feito a experiência da sua proximidade, procuremo-la. Será preciso fazer o esforço de “subir ao monte” para ir ao Seu encontro no próximo, para O adorar nas nossas igrejas, e também para O contemplar na beleza da natureza. 

Porque Ele está sempre ali para nós: basta que caminhemos com Ele e, fazendo silêncio, nos coloquemos humildemente à escuta, tal como Pedro, João e Tiago  [Cf. Mt 17, 6.].